Poema de agora: Ethereal (@cantigadeninar )

Ethereal

há uma citação de Scott Fitzgerald…
there are all types
of love in this world
but never the same love twice.
amores são sempre tão plurais
e singulares em cada recomeço…
basta dar adeus aos ais
abrindo chance para virar-se do avesso.
amores vêm e vão:
alguns resistem aos empecilhos,
outros ficam retidos em algum vão,
uma fresta, lapsos temporais presos em estribilhos
de poemas nunca publicados,
pelo chão espalhados,
por toda a casa;
casa esta que está impregnada
do aroma de antigos buquês de flores
e das lembranças de cada namorada.
eis que entre todos os amores,
um único é o amor de sua vida:
o dono da mais úmida lágrima derramada,
durante meses contida,
na resistência de aceitar a perda da amada.
em meio a esse processo
é perdoável qualquer excesso:
quando dizes se cuida,
no fundo ainda quero ser cuidada.
a tal tristeza é comprida,
cumprida fielmente e a cada dia
crescida na esperança de ser curada.
de todos os amores que tive,
em apenas um me detive:
o amor que se perpe(tua).
em mim há a absoluta certeza
de que serei permanentemente tua
e essa é minha maior fra(n)queza,
porque sou livre e mesmo assim sigo na contramão
ao ser ciente
de que meu efêmero coração
te pertence
eternamente.

Lara Utzig

Poema de agora: ALGO-LUZ – Fernando Canto

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

ALGO-LUZ

Livre das correntes corre ao oceano
Que este tempo insano é o que te chama Sanozama.

Vale o vale, o verde, as samambaias
Sons primordiais, teus pesadelos, Sanozama.

Algo-luz descia dos céus naqueles dias.
Fervia o mar nos seus apelos e primícias

Mas antes de tuas águas se espalharem
Eu te convido a virar o curso da tua história
E virar lenda do contrário
E se voltar para o Oriente
Para novamente renascer com o sol.

Fernando Canto

Coletânea ‘Poemas, poesias e outras rimas’ reúne textos de 20 escritores do Amapá

Livro ‘Poemas, poesias e outras rimas’ será lançado em Macapá (Foto: Divulgação/Alieap)

Por Carlos Alberto Júnior

Uma coletânea de poemas, poesias e prosas que reúne cerca de 100 textos de 20 escritores amapaenses será lançada no dia 23 de fevereiro, a partir das 19h, na biblioteca pública Professora Elcy Lacerda, no Centro de Macapá.

Com o intuito de incentivar a escrita e dar espaço aos autores do estado, a Associação Literária do Estado do Amapá (Alieap) coletou o material fez os trâmites para realizar a publicação.

Serão textos de todos os estilos, que podem agradar todo o público. Essa versatilidade, de acordo com José Queiroz Pastana, um dos escritores, é um dos atrativos da publicação.

“Temos poemas sobre amor, natureza, regionalidade e muitos outros temas. Essa versatilidade deve agradar qualquer tipo de público. Isso é um grande atrativo”, comentou Pastana.

No trabalho, estão reunidos textos dos escritores: Alcinéa Cavalcante, Annie de Carvalho, Celestino Filho, Eliade Cristina Silva, Fábio Nescal, Hamilton Antunes, Jaci Rocha, Jô Araújo, João Barbosa, José Queiroz Pastana, Luiz Alberto, Manoel Bispo, Maria Éster, Marven Junius, Neth Brazão, Raquel Braga, Ricardo Pontes, Rogério Silva, Ronilson Medeiros e Tiago Quingosta.

Na noite de lançamento do livro, a programação contará com declamações, intervenções poéticas dos escritores e apresentações musicais. A coletânea será vendida ao preço de R$ 30.

Serviço:

Lançamento do livro “Poemas, poesias e outras rimas”
Data: 23 de fevereiro
Hora: 19h
Local: Biblioteca Pública Profª Elcy Lacerda (Centro)
Preço do livro: R$ 30
Entrada: livre

Fonte: G1 Amapá

Poema de agora: NOITE MÍTICA – Fernando Canto

NOITE MÍTICA

Num tempo de luar estranho
(Nas noites e nos dias)
Rebrilhava um lusco-fusco
Próprio ao nascimento de entidades.

Um raro oxigênio sufocava
O respirar da noite,
Um leve farfalhar de folhas/centopeias
Acusava o arrastar
Do iguana
E a flecha-língua dos lagartos/salamandras.

O ronco de bugios em sinfonia
Feria de muito o pacto acordado
Para o silêncio das aranhas
(Caladas construtoras de armadilhas).

Aves voavam na floresta
Ávidas por mutações
E à tona d’água peixes eram homens
Que contavam suas histórias
De um passado glorioso.

Fernando Canto

Poema de agora: INSPIRAÇÃO – Marven Junius Franklin

Arte de Marven Junius Franklin

INSPIRAÇÃO

a inspiração surge em mim
num relampejar de auroras setentrionais

amadurece num cardume
de supermassivos/densos quasares

e morre esbraseada
a colidir com extintas estrelas colapsadas [no fim do mundo]

a inspiração em mim
oh, é apenas poeira cósmica
que orbita universos paralelos [em que habito!]

Marven Junius Franklin

Poema de agora: Samba, serpentina e cinza – @juliomiragaia


Samba, serpentina e cinza

Às vezes olho abandonos,
Faróis ou ilhas perdidas
Em indomáveis séculos
De chuvas

Vejo, por este quarto
Surdo e chapado,
Filmes de guerra
E espíritos pelo chão

Vejo nosso velho beijo
De carnaval
Internado na garganta
De um hospício qualquer

Às vezes sou náufrago
Ou ressaca de qualquer coisa
Semelhante a uma muda
E esquecida tentativa

Júlio Miragaia

Coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” será lançada dia 23 de fevereiro

Foto: Alieap

Vinte poetas amapaenses lançarão, às 19h do dia 23 de fevereiro de 2018, na Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda, o livro “Coletânea “Poemas, poesias e outras rimas. A obra é fruto do trabalho da Associação Literária do Estado do Amapá (Alieap), que coletou o material e executou os tramites da publicação.

A coletânea “Poemas, poesias e outras rimas” conta com a participação dos poetas: Alcinéa Cavalcante, Annie de Carvalho, Celestino Filho, Eliade Cristina Silva, Fábio Nescal, Hamilton Antunes, Jaci Rocha, Jô Araújo, João Barbosa, José Queiroz Pastana, Luiz Alberto, Manoel Bispo, Maria Éster, Marven Junius, Neth Brazão, Raquel Braga, Ricardo Pontes, Rogério Silva, Ronilson Medeiros e Tiago Quingosta.

Na noite de lançamento do livro, a programação contará com declamações e intervenções poéticas dos escritores.

Entre os poetas do Amapá com poesias na obra, está a minha preferida, a Jaci Rocha. E não é por ser minha namorada não, mas ela é fera nesse negócio de poetar. Irei e recomendo!

Serviço:

Lançamento do Livro “Coletânea “Poemas, poesias e outras rimas”
Dia: 23 de fevereiro de 2018.
Local: Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda
Hora: 19h
Entrada: gratuita
O livro será vendido a R$ 25,00
Realização: Alieap.

Elton Tavares

Poema de agora: Entre um poema e outro – Jaci Rocha

Entre um poema e outro

Entre um poema e outro
Corro para o trabalho, médicos e padaria
Vou ao mercado, à feira e à CEA
Leio as páginas da economia

Nesse ano de meu Deus de dois mil e mais dezoito
Há muito a aprender
Para o tempo vindouro
Reparar as perdas e guardar tesouros…

Tem gente morrendo de fome neste meu país
E há quem jure inocência
Muito preconceito e pré-julgamento
Pouca empatia e clemência

Aqui, todo mundo é rei
E juiz de um tribunal de exceção
A gente tenta não fazer, mas peca junto
Todos com sua própria (auto) justificação.

Então, entre um poema e outro
Tento não esquecer que sou poeta!
E que nisso, há mais que mera digressão.
Há carne que pulsa, vida que assombra

E, sobretudo, um coração.

Jaci Rocha

Poema de agora: O ANZOL DA ESPERA – Fernando Canto

O ANZOL DA ESPERA

Meu tempo
Não é um achado de lembranças
Não é selo/estampa/escudo/emblema/taciturno ícone
Insígnia invisível,
Sombria projeção de sonhos aparentes,
É círculo vagante, mítico
Recém-saído
Do jogar do anzol em dias de águas revoltas
Quando encurralado fico em mim mesmo.

Anzol-arpão-rede-zagaiama-zagaia-zagarana
Olhos e bocas espantados esperam,
Borbulham no fundo d’água:
Condomínio de botos/caruanas.

O brilho do anzol é uma cilada – a morte anterior
Ao fruto da vida – ligação tardia
Do amor em seu percurso

Agora um peixe eu sou
Fisgado e vindo à superfície
Pelo anzol da lembrança/pela linha da corrente.
Sou guelra/brônquios/ barbatana/ escama
Sou ar que explode
Em séculos de espera.

Fernando Canto

Poema de agora: CONDUZIR-SE – Fernando Canto

CONDUZIR-SE

Eu enxergo melhor
Quando durmo
Ouço com perfeição
Quando sonho
Conduzo com mãos de asas
Minhas vontades e gestos
Para seguir o destino
(supostamente)
Por mim imposto.

Caminho passo a passo
Pelas trilhas que abro e conservo
Pois sou deidade em meu ser
E el diablo no coração
Da minha memória
Onde arbitrariamente enxugo
Uma estranha realidade.

Fernando Canto

Poema de agora: Mapa, cá. (Jaci Rocha)

Foto: Chico Terra

Mapa, cá.

Sempre que procuro no peito
A geografia do amor
O mar que abriga meu lar

A luz de um lugar acende em meu peito.

Paisagens que o tempo não leva:
Um santo que abraça o amazonas,
Grande casa de pedras, igrejinha,
A bênção, meu S. José!

Sempre que penso no lar,
É batuque, samaúma, maré cheia
Ruas enfeitadas de mangueiras
Capital morena, segunda mãe

Casa minha.

Terra da poesia de Fernando, Alcinea, Maria Ester
Marabaixo no pé, de Tia Luci até aqui,
É igarapé das mulheres, lendas e crenças,
Flores do mato,

Ervas que curam , vida que abunda,
Cá dentro de mim.

Jaci Rocha

* Parabéns, terra querida.Obrigada, segunda mãe.
Observação: Há muito mais poetas, cantores e artistas em geral em nossa linda cidade.
Sintam-se representados.