“Uma Noite Me Namora”, livro da poeta Pat Andrade está disponível para aquisição em versão virtual. Compre e incentive a cultura local!

A poetisa, escritora e colaboradora deste site, que assina a sessão “Caleidoscópio da Pat”, Patrícia Andrade, lançou uma versão virtual de seu 24º livro de poemas. A obra, denominada “Uma Noite Me Namora”, nesse formato, ganhou a ilustre participação do também poeta Pedro Stlks, que assina a arte do livro. A publicação contém 16 poemas da brilhante mestra da arte poética.

A iniciativa de Patrícia Andrade visa arrecadar recursos financeiros nessa época de isolamento social, por conta da epidemia de coronavírus.

Há 21 anos em Macapá, a poetisa paraense escreve belos poemas, declama e edita seus livros. Ela sempre comercializa suas obras em eventos culturais bares e da capital amapaense, o que não é possível nestes tempos de Covid-19.

Sempre compro e recomendo o trabalho de Pat Andrade, de quem sou fã e tenho a honra de ser também amigo. Aliás, já tenho o meu “Uma Noite Me Namora”. Corre, fala com a Pat, e adquire o teu exemplar virtual. A cultura agradece.

Serviço:

“Uma Noite Me Namora”, de Pat Andrade, em formato virtual
São 16 poemas . A publicação tem arte de Pedro Stlks
Pague o quanto puder e compre o seu.
(96)99188-6565 (W’app – Patrícia Andrade)

Elton Tavares

Poema de agora: Tirando da Tomada – Luiz Jorge Ferreira

Tirando da Tomada

O Rádio do Joca
Um Transglobe Philco
Pegava em Ondas Curtas e Médias.
Da casa de D Maricota no recôncavo elíptico do Bairro do Laguinho…

Instituto de Educação do Território do Amapá (IETA) – Foto encontrada no blog da Alcinéa

A Cidade Sagrada da China…as estátuas pedra sabão do Aleijadinho.
Sintonizava Brumadinhos, traduzia os latidos do Pulguinha e punha em ordem a desordem das aulas de Latim, copiadas por mim, no IETA.

O Rádio do Joca transmitia a Copa do Mundo de 1970, a Olimpíada vindoura em Los Angeles, a chegada do homem na lua, um ano antes.
O ordenança de Noé, pedindo que ele desse ré na Arca, as vezes em Aramaico deixava sair algumas frases, eu dizia ser do Sermão da montanha.


Verissimo achava que eram diálogos de Cristo, Alípio acreditava serem ruídos, João formava a convicção que eram exames de abelhas sugando avelãs, Calouro ria, eram cálculos da hipotenusa traduzidos para o Grego, Zeca batia a foto deles com uma Máquina russa de nome intraduzível…
D.Celia cancelava as teorias…nada disso…e ruído de uma empregada como eu , ocupada com o apronto de omelete…

O Rádio do Joca transmitia ao vivo, ao morto, ao claro, ao escuro…
Tinha vida própria…
Um dia sumiu voando pela janela entreaberta.
Uns dizem que foi de mal com a comunidade da República Estudantil…da Rua 14 de Março…2415.
Belém/Brasil.


O vizinho que consertava carros sem concertos, sobre sua perna de pau.
Disse ao repórter do Jornal das Dez.
Que ele foi um pouco antes do eclipse Saturno Lunar, quase despido , com uma ararinha azul de nome esquisito, alguma coisa como Aristóteles…


Foi para o Norte…rebocando o Equador.
Foi fazendo um barulhão danado.
Parecia até que o Brasil tinha feito um gol.
Não deixou notícias.
Hoje dezenas de anos luz.
Aparece no Facebook.
Está mais velho, mas está ligado,falando alto como se quisesse dizer…Alô…É nós!!!

Luiz Jorge Ferreira

*Poema do Livro Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas. Rumo Editorial – São Paulo – Brasil (2020).

**Criado relembrando o Joca…atleta de vários times, de destaque no Futebol Amapaense, inclusive a Seleção Amapaense de futebol.
Quando de sua ida para Belém, morando na mesma República Estudantil, por 5 anos, quando Curso a Faculdade de Economia, na UFPA.

Poema de agora: Pequeno – Luiz Henrique Ferreira

Pequeno

Ao longo do almoço fui abordado por uma mulher.
Que incrível que pareça era uma mãe.
Uma pessoa.
Um ser.

Após um curto diálogo, foi me entregue um pedaço de sua vida.
Uma fagulha com um pouco de angústia.
E com um pequeno fragmento de uma necessidade.
Com isso, surge um pedido.

Não pude ver a cor, densidade, peso e/ou cheiro.
Mas sem ao menos ver, vi.
Não com os olhos, nem com os ouvidos, pouco menos com nariz.
Pude ver através de meu coração.

E feliz fico, ainda bem que o coração não fala.
Se falasse… já estaria gritando e esperneando.
E com a dor, permiti que um pedaço meu fosse junto com a mulher através de pedaço de papel impresso.


E de todo o ocorrido, me senti pequeno, uma gota d’ água em busca de apagar um incêndio que irradia a cidade, mas que apesar das chamas e o alarde, carece de holofotes.

Luiz Henrique Ferreira

*Luiz Henrique Ferreira é amapaense de admiração…por muito ouvir as narrativas de seu pai, o poeta e escritor Luiz Jorge Ferreira, um apaixonado pelo Amapá, onde passou toda a sua infância e adolescência…

E de vez em quando volta aflito com a distância que separa o homem do chão onde deu seus primeiros passos.

Poema de agora: Minha normalidade ainda é a poesia – Pat Andrade

Minha normalidade ainda é a poesia

ainda me encanto
com o gato que se espreguiça
com a flor impossível
na rachadura da calçada

ainda me emociono
com o azul do céu
com a criança que ri inocente
com o rio que segue indiferente

ainda me levanto contra a tirania
grito por nossos direitos
me aflijo com o desespero
e sinto a dor dos desamparados

ainda luto por um novo mundo
lamento a irremediável perda
e amo o amor que me chega

choro e oro no fim do dia
minha normalidade
ainda é a poesia

Pat Andrade

Poema de agora: Náufrago – (@ThiagoSoeiro)

Náufrago

quando comecei este poema
ainda não sabia falar
de como o mar
consome todas as palavras
que são ditas
ao pé do seu ouvido
era cedo demais
pra entender qualquer
urgência da palavra dita
quando comecei neste poema
as palavras faziam onda
em minha cabeça
revoltas em imagens
que só anos mais tarde
eu iria entender
dali pelos próximos dias
de fevereiro
o céu do norte do país
andaria escuro
e ninguém veria em alto mar
o poema perdido
antes mesmo do começo.

Thiago Soeiro

Poema de agora: Nuvens de asteroides – @ThiagoSoeiro

Nuvens de asteroides

já tem mais de um ano
desde a última vez
que te encontrei no poema
e não teve um dia
que não sentisse a sua falta
era como se todos os poemas
de amor não falassem de amor
sem você dentro deles.
ouvi dizer que você tinha partido
atravessado o céu rumo à Marte
estaria escondido em alguma estrela
e nenhum astronauta havia desconfiado
que seu coração universo
estaria morando na via láctea
fazendo chover saudade.

Thiago Soeiro

Cultura amapaense pela internet: hoje começa o Festival On-Line “FicaDiBubuia”

Nesta quinta-feira (26), a partir das 16h50, começa o Festival On-Line “FicaDiBubuia”. Promovido pela produtora Duas Telas, o festival é totalmente independente e conta com artistas voluntários, sem nenhum tipo de remuneração.

A ideia é quebrar a sensação de distância gerada pelo isolamento comunitário por conta da prevenção ao coronavírus (Covid-19), e promover cultura por meio da internet, além de manter vivo o espírito criativo dos artistas locais. De 26 a 29 de março serão dezenas de apresentações ao vivo.

O Festival Cultural On Line será transmitido pelo perfil da Duas Telas na rede social @duastelasproducoesap, onde rolarão shows musicais e performances em formato pocket. Qualquer pessoa poderá acompanhar as programações e interagir com o evento e artistas.

Hoje, a abertiura do Festival On-Line “FicaDiBubuia contará com as apresentações de Poetas Azuis, Joãozinho Gomes, Alan Yared, Enrico Di Miceli, Cley Lunna, Colibris, Roniel Aires, Nani Rodrigues, Laura do Marabaiaxo, Naldo Maranhão, Malabarista Flor, Grupo Guá, Rambolde Campos, João Amorim e Quarteto Casa Nova.

O festival cultural on-line é uma alternativa de entretenimento na quarentena. Uma maneira de estarmos juntos, conectados em uma corrente de empatia.

Sobre a expressão “dibubuia”

A expressão Bubuia vem do nosso “caboclês”, virou gíria popular, e é uma forma gentil de pedir: fica de boa, fica tranquilo, fica aí parado. É desse jeito jeito que pedimos a todos que fiquem em casa para segurança dos mais vulneráveis…

Então é isso. Vamos combater essa batalha com o melhor que podemos dar, com nosso amor pela cultura e pela responsabilidade de doar o que temos de mais precioso em nosso fazer diário: Nossa produção artística! POR FAVOR FICA EM CASA! #FicaDiBubuia … Não fica mufino! Espia nossa programação! #producao #arte #bubuia #musica #literatura #poesia #artista #amazonia #norte #corona #quarentena #amapa #macapa

E o melhor: é de graça! Assista e prestigie!

Patrícia Andrade e Elton Tavares

Poema de agora: Vírgula – Luiz Jorge Ferreira

Vírgula

Eu me chamo…eu.
Faz tempo que eu me conheço…
Faz tempo que eu me amo em segredo.
Em mim, o que não gosto, nem percebi.

O que mais admiro em mim, são os porquês …
O que mais detesto em mim…a mortalidade.

Dançando com minha sombra.
Sob uma lua que pintei no teto da sala.
Eu sou feliz…
Sempre me basto!

Luiz Jorge Ferreira

*Do livro…Na frente da boca da Noite, Ficam os dias de Ontem – Rumo Editorial (São Paulo) – 2020.

Artistas e pesquisadores locais contarão com edital da Secult/AP para promoção de atrações on-line

A Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult-AP), ciente das dificuldades que os trabalhadores da cultura estão enfrentando pelas medidas de isolamento social provocadas pela pandemia do Covid-19, lançara o projeto “Ao Vivo lá em Casa”. A iniciativa pretende atender os agentes culturais que sobrevivem exclusivamente de sua arte, sem vínculos empregatícios e sem renda auxiliar. HASHTAGS – #aovivolaemcasa #fiqueemcasa

A medida vem atender o clamor das trabalhadoras e trabalhadores da cultura e das artes, impossibilitados de executarem seus ofícios diante dos riscos provocados pela pandemia que vem abatendo o mundo. Deste modo, o projeto pretende difundir as práticas artísticas e culturais nas redes sociais e nas plataformas de streaming, que hoje representam o que há de mais moderno na distribuição de conteúdos digitais.

A ideia base do projeto é gerar renda aos artistas impossibilitados de subirem aos palcos, sem deixá-los distantes de seu público, visto que a internet tem se mostrado uma grande ferramenta de redução de distâncias, unindo pessoas nas mais remotas partes do mundo. A ideia é também escoar a produção cultural local, servindo para abrir novas possibilidade de negócios a partir da internet.

O projeto vai contemplar conteúdos digitais, produzidos por artistas e pesquisadores amapaenses. O edital amplia a participação dos trabalhadores culturais, que podem propor atrações como pocket shows, intervenções cenopoéticas, intervenção teatrais, vídeo aulas, contação de causos e estórias, stand up comedy, demonstrações técnicas e entre outros.

Os conteúdos propostos podem ser inéditos ou não, transmitidos ao vivo ou serem previamente produzidos e posteriormente reproduzidos nas redes sociais e plataformas de streamings administradas pela Secult ou pelos próprios artistas selecionados. A secretaria dará mais informações no seu site: [email protected].

Para o Secretário de Cultura, Evandro Milhomen, “mais do que fomentar a economia do meio artístico e cultura em tempos de crises da COVID-19, o projeto reforça o compromisso do Governo do Estado do Amapá de cuidar do seu povo e de seguir juntos por um estado forte. Se é cultura e cabe na tela do celular ou do computador, então pode fazer parte do nosso edital”, afirmou.

Poema de agora: NOTURNO EM DECASSÍLABOS – Rui Guilherme

NOTURNO EM DECASSÍLABOS

Não, não me faças crer em teu amor
que nele posso vir a acreditar.
Desilusão é sonata em tom menor:
leva o poeta, insone, a versejar.

Perdão foi feito pra gente pedir,
mas não é fácil dobrar o joelho.
Do orgulho, o que se pode extrair
é solidão, insônia, olho vermelho:

Deserto estéril de folhas secas,
na ilusão a que me induzes, pecas.
Assim, não me faças crer no amor.

A mão que afaga é a mesma que apedreja.
No delírio, em silêncio de igreja,
toca a tocata e fuga em ré menor..

Rui Guilherme

Poema de agora: O fim do mundo – @alcinea

O fim do mundo

Quando disseram
que o mundo ia acabar
Tia Lila pegou seu terço
e pôs-se a rezar.

O dono da venda
dividiu toda a mercadoria com seus funcionários
e distribuiu o dinheiro do caixa para os mendigos.

A recatada dona Clotilde
jogou-se aos pés do marido
e implorando perdão
confessou que o tinha traído com o compadre.

Seu Joaquim, um santo homem, ajoelhou-se no meio da rua
ergueu as mãos para o céu
e pediu perdão a Deus pelos assassinatos que cometeu
como matador de aluguel.

No dia seguinte
o dono da venda pedia esmolas,
a recatada Clotilde, expulsa de casa,
foi morar num velho puteiro,
Seu Joaquim foi preso.

Só Tia Lila continuou do mesmo jeito.
De terço na mão continuou rezando
e entre uma oração e outra murmurava:
– É mesmo o fim do mundo
– Dona Clotilde, hein, quem diria?
– Seu Joaquim com aquela cara de santo, hein!
É o fim do mundo!
É o fim do mundo!

Alcinéa Cavalcante

Poema de agora: NOSSOS EUS – Rui Guilherme

NOSSOS EUS

Eu tenho um lado diferente:
ora sou bicho, ora sou gente.

Eu tenho um lado distinto:
vezes eu penso; vezes, so sinto.

Eu tenho um lado incerto:
nem bem estou longe e já quero estar perto!

Eu tenho um lado oposto:
pura alegria, fundo desgosto.

Eu tenho um lado errado:
ora me esquecem, ora sou lembrado.

Eu tenho um lado triste:
nele a ironia persiste,
pois nesse lado do meu lado,
por bem ou de mau grado,
tu não me sais da lembrança
e com ela a esperança
de reaver teu corpo amado
aqui comigo, ao meu lado.

Rui Guilherme