Hoje rola apresentação literal Poema Sonoro com o grupo Tatamirô/ AP, no Projeto Sesc Amazônia das Artes

Nesta sexta-feira (16), a partir das 20h, no Salão de Eventos do Sesc Araxá, rola Apresentação literal Poema Sonoro com o grupo Tatamirô/ AP. A atração integra a programação da 12ª edição o Projeto Sesc Amazônia das Artes, iniciado no último dia 5. A será entrada 1kg de alimento não-perecível e a classificação é livre.

Sobre

O poema sonoro como resultado da apropriação das plataformas sonoras primordiais – o corpo e a voz – e digitais – processadores de voz, sintetizadores, samples, etc. – cria um campo de leitura da poesia que o poeta Herbert Emanuel denomina de tecnorrizomática, apropriando-se do conceito de rizoma dado pelo filósofo Gilles Deleuze. Trata-se, ao cabo, de defender a ideia de que o poema sonoro, quando bem feito, funciona também como uma poética da leitura, poiésis, capaz de suscitar outros modos de escuta e recepção da poesia.

Tatamirô Grupo de Poesia (AP)

É um grupo amapaense de declamação de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de verso ou prosa, em suas múltiplas manifestações verbovocovisuais. Criado em 2008, atualmente tem um entreposto coração em São João Del Rei (MG), e nasceu do desejo de dizer poesia às pessoas, de colocar a voz a serviço da poesia, de dizer as coisas do mundo de forma diferente, além de fomentar várias ações e atividades em proveito da leitura, da literatura, principalmente, e das demais artes.

Projeto Sesc Amazônia das Artes 2019

O Projeto Sesc Amazônia das Artes, que encerrará no próximo dia 18 de agosto, é realizado nos espaços cênicos do Sesc Araxá e alguns espaços públicos de Macapá. O evento que agrega todas as linguagens artísticas como: teatro, dança, circo, música, literatura, cinema e ações formativas em música e teatro, visa contribuir na circulação e intercâmbio da produção cultural da região Amazônica.

Participam do projeto artistas dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins – Estados que compõe a área que corresponde a Amazônia Legal – tendo ainda o Departamento Regional do Piauí como convidado, em virtude da identificação com o cenário social e cultural da região, e também sua proximidade geográfica.

Fomentando a realização de atividades de desenvolvimento artístico cultural e, contribuindo para a democratização do acesso aos bens culturais na forma de espetáculos, shows, exposições de obras de arte e exibição de filmes entre os estados que compõe a Amazônia Legal, o projeto consegue integrar na programação trabalhos locais, contribuindo com a realização do intercâmbio com os artistas em circulação, garantindo acessibilidade em pelo menos um espetáculo como forma de inclusão.

Serviço:

Apresentação literal Poema Sonoro com o grupo Tatamirô/ AP.
Data: 16/08/2019 (hoje)
Local: Salão de Eventos/ Sesc Araxá Horário
Horário: 20h.
Investimento: 1kg de alimento não-perecível.
Classificação: Livre.

Com informações da assessoria de comunicação do Sesc.

Poema de agora: Estúpido Cupido – Pat Andrade

Estúpido Cupido

[um dia]
Na estrada vermelha,
um menino nu
me olha de esguelha…

[outro dia]
Na estrada de terra,
me aponta sua flecha
faz a mira, mas erra…

[outro dia]
Na estrada de chão,
arrisca de novo no alvo:
errou o meu coração…

[nos outros dias]
Na estrada da vida,
sigo só, sem amor,
com passagem só de ida…

Pat Andrade

Poema de agora: Feliz dia dos pais – Arilson Freires

Feliz dia dos pais

Ao pai velho, pai novo
Pai escolado, sem estofo
Pai rico, pai pobre
Relaxado e que se cobre
Pai carinho, pai ternura
Pai ríspido, linha dura
Pai da batalha, do corre
Sóbrio e de porre
Pai sorriso, pai triste
Warlock ou Mefisto
Casado e na pista
Pescador de si mesmo
Altruísta
Aos pais que sintam
Como é dádiva de Deus
Viver com os seus
Ter gente com sua cara
Seu jeito, sua marra
Seu modo no mundo
Árvores de ninhos
O mundo se faz de filhos!

Feliz dia dos pais

Arilson Freires

Poema de agora: As Cores da Saudade – Kassia Modesto

As Cores da Saudade

Eu nunca vi interrogação tão grande e tão mal resolvida
Se eu fosse um pintor, eu faria da saudade a tela mais colorida
Se ela fosse uma cor, somente, eu me pergunto que cor ela seria
Um tom de azul, céu profundo
A me sugar solitária ao seio do mundo?
Um branco limpo e infinito
Enlouquecendo aqui dentro, como em um próprio hospício?
A saudade é uma parceira solitária e fugaz
Que caminha a espreita e vai correndo atrás
De uma fiel companheira, sangria voraz..
Saudade, saudade, saudade…
Minha companheira nas horas tardias
Gostaria de pintar de um azul, verde-mar
Ou as cores da primavera eu poderia recriar.
Dar-lhe um tom cintilante
E deixar pelo menos por um instante
A sua dosagem me embriagar…
A saudade que carrego comigo
É preto, é luto, é medo
A viúva negra a companheira eternamente ausente
O passado ainda presente
A lembrança constante,
O afago ao frio
O arrepio apenas na mesma recordação
A saudade que carrego comigo é como o preto,
É a ausência das cores que guardo no peito.

Kassia Modesto

Poema de agora: Joseli Dias – um ano sem você! (Angela Nunes)

Joseli Dias – um ano sem você!

O dia 08.08.18 mal amanhecia
E você partia…
Joseli Dias – um ano sem você!

Um ano sem seu sorriso
E seu beijo matinal…
Sem suas brincadeiras, sem seu bom humor
Sem sua ternura…
– um vácuo enorme!!!

Joseli Dias – você fazia as pessoas felizes
Sua prosa, sua conversa marota,
Seus causos, suas estórias, suas histórias
Encantaram e encantam.

Você fez a sua parte
Cantou a sua terra
Contou seus mistérios…

Joseli Dias – O contador de histórias,
O encantador poeta
Sagaz jornalista
Homem alegre
Apreciador da natureza
Amante das belas coisas…

A morte te tirou a vida
Tirou o prazer do teu convívio
Mas não tirou levou suas histórias
Que encantarão a muitos.

É o teu legado
Serás sempre lembrado
Reverenciado e amado
Mitos e Lendas do Amapá
Está aí para provar

O grande escritor que você foi
E sempre será.
O vazio que ficou
Jamais será preenchido.
E o céu comemora hoje

O primeiro ano
Da vida eterna
De nosso amado Joseli Dias
Que estará sempre em nossa memória
E influenciará sempre
A literatura do Amapá.

Angela Nunes

*Contribuição do jornalista e presidente do Sindjor/AP, João Clésio. 

Poema de agora: ÚLTIMA MODA – Pat Andrade

ÚLTIMA MODA

dobrei numa esquina do tempo
e dei de cara com a vida.
não gostei do que vi.
tomei outra rua,
outro atalho,
outro túnel.
atravessei preferenciais,


furei sinais,
perdi o freio,
perdi a hora,
perdi o rumo.
ando agora sem memória,
sem lembrança,
sem passado,
e sem futuro…

caminho sobre o nada…

olho as vitrines
que me oferecem
a última moda
em camisa de força…

PATRÍCIA ANDRADE

Poema de agora: Rastro de estrelas – Pat Andrade

Rastro de estrelas

é tanta estrela
no céu da Amazônia
que – ai, meu Deus! –
nem cabe…

o menino ribeirinho
que com elas sonha
– ai, meu Deus! –
ele sabe
e conta pra gente
que o rastro de luz
que brilha
sobre as águas
é – todo ele – feito
de estrelas cadentes
que resolveram tomar
um caminho diferente.

Pat Andrade

Poema de agora: Talheres Transparentes! – Luiz Jorge Ferreira

Talheres Transparentes!

Encontrei meus olhos do outro lado da mesa.
Mesa onde guardo um álbum de fotos, e escondido um caderno de receitas, inclusive um bolo de Tucumán-açu.
Guardo receitas do Sacaca, de infusões, para dor n’alma , e mandingas para desviar a saudade, do caminho até o coração.
Guardo a impressão digital do Coelho da Páscoa em uma saborosa Ceia de Natal, entre convidados ilustres,
os 3 Reis Magos, Papai Noel e o recém operado Saci Pererê.

Guardo sua mão acenando, e o desenho de mim, em suas costas, se afastando, e dando adeus.
Guardo a dança do ventre da princesa Zuleika, irmã gêmea de Alladin
Guardo com Alecrim e Cravo a montaria dos Reis Magos e o perdão dos dois ladrões.
Guardo o deslizar do dia la no horizonte entre as favelas dependuradas nos Morros do Rio de Janeiro.


Guardo a tristeza dos Cemitérios e a fé dos Cruzeiros que abrem seus braços, chamando os que estão embaixo de cruzes e rezas.
Guardo a torre da igreja e seu relógio atrasado e as nuvens passando carregadas de água e indo criar chuva no lago, oposto a seca terra do Nordeste.
Guardo os pés das Bailarinas e seus rodopios e suas finas silhuetas , sob a mesa, saciados, os obesos, e as lamparinas de chocolate.
Guardo comigo o vôo dos Pardais, e as decolagens de Generais, na Campanha da FEB.


Para que encontrar meus olhos, eu não ver não descolore a Rosa dos Ventos, para caminhar,eu só preciso me aproximar da saída.
Alegra-me a Música cantada na fala dos surdos, nas Libras dissonando em cada semi tom,
e alegra-me o chacoalhar do rabo das Serpentes, que me morde e mente dizendo que não dói.


Alegra- me o Paraíso onde eu deslizo meu corpo no sofá para atravessar descalço a cancela dos sonhos…
Bebo água…Bebo água…tomo Losartana…engulo Hidroclorotiazida…acredito que assim serei eterno…e se não tomar, não viverei para acordar.
Doutro lado da mesa, dois olhos depositados no chão. Eles estão me vendo, eu não os vejo mais.
Por isso escrevo poemas do avesso, do lado de fora para o lado de dentro,do lado esquerdo,para o lado estreito,rasgarei as páginas todas,em que risquei…


– Começo?
E embaralharei os parágrafos que desenhei…Para quê.
Por quê…e como.
Vejo a diagramação de Paris,vejo as Ferraris deslizando,e vejo um homem com um relógio Russo de Ouro, ele olha para a Torre Eiffel, e a Torre nem olha
para ele.


Pode ser que o sono que espero, atravesse o Canal da Mancha, atravesse a mancha de café com leite, seca, sobre a toalha da mesa,
e risque o vidro do relógio Russo de Ouro, mas eu continuo com os olhos doutro lado da mesa.

Sera que fui eu que sempre deixei os olhos do lado de lá da mesa, ou não existia mesa quando se criaram os olhos.

Luiz Jorge Ferreira

 

* Do livro de Poemas “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial – São Paulo.

Poesia de agora: POEma ao lAÇO – Fernando Canto

Tela de R. Peixe/1984 – Acervo de Fernando Canto

POEma ao lAÇO – Fernando Canto

Não, não quero falar de gente
Em meu intento oculto
Pois o poema abre-se lento
E impoluto
À luz de vela

Em seu percurso
Traz palavras que se fecham
Em seus recursos

É manhã, cães de plumas
Voam, escalartes
E um claro signo de livra
Dos grilhões da noite

Meu poema é rocha sobre a carne
Não consiste em cúmulos ou nimbos
É mortal, tem lama, luz e flama
– Firma-se na própria ausência –

E como tal
Alimenta-se de vidro
E está preso apenas
Ao laço prata da memória.

Fernando Canto

Poema de agora: Don Juan da Amazônia – Lara Utzig (@cantigadeninar)

Don Juan da Amazônia

Engravida as virgens
Conquista sem parcimônia
O Boto nas margens…

Ameaça Boiúna
Cresce mais e mais
Rasteja e inunda
Cobra grande voraz!

Criatura que corre na mata
Com os pés ao contrário
Entidade da floresta nata
Curupira, Caipora!

Sereia que (en)canta no rio
Destruindo sem mágoa
Qualquer homem perde o brio
Iara, mãe d’água!

Assombração que pede tabaco
E apita na madrugada
Quer fumo no escuro opaco
Matinta Pereira, rasga-mortalha…

Mágico amuleto
Que concede pedidos
Presente predileto:
Muiraquitã, artefato querido.

Esse tronco que sobe o rio
Padeceu por amor
Madeira levada pelo vazio
Tarumã, índio sofredor…

Pássaro raro
De plumagem vermelha
Com um canto lendário…
Uirapuru incendeia!

Naiá se afogou
Apaixonada por Jaci
Estrela que virou flor
Vitória Régia boia feliz.

A floresta traz consigo
Riquezas de tradições
A Amazônia habita ainda

O imaginário dos corações…

Lara Utzig