Poema de agora: Aquela máquina de Digitar Afetos – Jaci Rocha

Aquela máquina de Digitar Afetos

Aquela máquina de Digitar afetos
Nunca mais escreveu a palavra “Meu amor”
Por onde andas,
Afinal?

Verbo que é cheiro
Quanta falta tu faz em meu jardim…

Nem sempre fui assim, tão dislexa à paixão
Já fui mais atenta ao meu próprio coração
Mas a vida é assim,
Depois que passei a usar relógio

O tempo caçoa de mim:
– Faz com que tudo tenha exíguo começo, meio e fim –

É que o amor não cabe no curto espaço de 24 horas
isso aos poucos, creia,
A tudo devora –
E apavora

Mas… acalma, Coração
– Quem sabe ainda temos
Uma eternidade a mais
Na próxima Oração –

Quem sabe a gente se tropece
Em meio ao burburinho de um café
Quem sabe aquele velho ditado (Clichê)
Ainda esteja de pé

Ah! Incerta beleza de existir.
O verbo futuro é ingrato
Descumpridor nato
De quem achamos que seremos…

Faz tempo que não chove em Macapá
Mas o Equador vira água num súbito instante!
Quem sabe a vida seja assim: de se sentir o sabor
E agora, sob o intenso calor,

Me demoro a tentar compreender
O porque essa máquina (de bater)
nunca mais digitou a palavra
“Meu amor”…

Jaci Rocha

Fonte: A Lua Não Dorme.

Poesia de agora: Amadure-SER – (@cantigadeninar)

Amadure-SER

Hoje aprendi que posso viver dia após dia
Como se cada dia fosse o último, no presente,
E saber que não o é, na verdade,
Pois o que há depois do fim aparente,
Que a maioria acha,
É a eternidade,
Até que o ser humano renasça
E o ciclo todo recomece
A fim de que a evolução se faça.

Hoje aprendi que posso trabalhar sem demanda
Como se não existissem clientes me fazendo cobrança
E saber que o freguês da minha fila não anda
Pois a caneta sou eu quem comanda.
De tanto escrever sem oferta e procura,
Sou eu que ofereço minha própria cura
Até escorrer em versos, tinta, rima e epifania
Ou o que quer que seja que compõe este ofício
Onde não há encomenda ou precipício
Porque se trata de poesia.

Hoje aprendi que posso sofrer milhões de ofensas
Como se eu fosse um poço de fracassos subsequentes
E saber que perder, às vezes, não é nenhuma doença
Pois agora creio na vertente
De que ser menosprezada não importa.
Quantas vezes cair, mais ainda meu sonho será atraente
Pois é relativo o conceito de sucesso e derrota
Até que eu consiga e a mim mesma prove, por bem,
Que eu não preciso provar nada a ninguém.

Hoje aprendi que posso amar sem barreiras
Como se não existissem fronteiras
E saber que há equilíbrio na balança
Pois sentir sem medo não é sinônimo de ser aventureira.
Que se entregar é quase como ser criança
Quando se atira nos braços de quem deposita confiança.
Reconheci que sofrer é em vão
E entendi que o limite do amor
É o doce e etéreo sabor

Da imensidão.

Lara Utzig

Poesia de agora: Lições da Infância – Jaci Rocha

Lições da Infância

Quando criança,
sob as calçadas encardidas da Salvador Diniz
Aprendi que o céu era o limite!
E que o mapa encantado até a chegada existia
Ao fim dos pulinhos da amarelinha,
Desafio nosso de cada dia…

Oceano era a lagoa do quintal do meu avô
O tesouro, sempre ao fim do arco-íris
Os dragões eram vencidos por príncipes
E éramos grandes navegadores a navegar
E tudo parecia ter o seu lugar…

Passadas décadas, ruas e avenidas
Desaprendi esquinas
Pois a máquina de engolir vida
Apagou as linhas finas
Que apontavam por onde caminhar…

Agora, sigo desalinhada
Sei pouco sobre certezas e chegadas
Canso de ouvir – e escrever –
as mesmas palavras
e não sei onde dobrar…

Queria ter outra tarde
Daquelas mornas e empoeiradas de infância
Brincar de correr para todo lado
E ao fim do dia correr para o colo encantado
Dos olhos de mel da minha irmã…

Mas a máquina de engolir vida
Segue a comer lembranças
E aquela esperança vive
Da luz que existe na memória
Daquelas velhas histórias
Repetidas antes de sonhar!

Jaci Rocha

Poema de agora: UMA MULHER – Pat Andrade

Pat Andrade – Foto: arquivo pessoal da poeta.

UMA MULHER

não sou vítima
e não aceito o carrasco
que me castiga
não sou objeto
e não aperto a mão
que me bolina
não sou escrava
e não nasci pra te servir

não sou perfeita
e não acato os padrões apodrecidos do high society
não sou deusa
e dispenso teus altares

não sou dondoca
não sou boneca
nem tua gostosa
não sou louca
nem doida varrida
como tentas insinuar

quero e mereço respeito

sou uma mulher
e isso deve bastar

Pat Andrade

Poesia de agora: Prelúdio para a Catedral – Luiz Jorge Ferreira (um belo poema sobre amizade e o Círio de Nazaré)

Prelúdio para a Catedral

Encontro com Fernando Canto, parece que foi Ontem esses dez anos.
Aumentamos o grau dos Óculos.
Estou ileso, chamuscado , teso e ‘liso’, porém pareço eterno.
Ele fala. Eu falo. Bebe-se.
O tempo adoece.

Conversamos então sobre a solidão pousada no prato de azeitona, temo que sejamos herdeiros da mesma angústia que fala de canoas.
Digo-lhe que amaremos a mãe de nossos filhos, ele acha que Cuba pode vir a produzir mamão Papaya.
Divagamos sobre o fim de Tróia, e a glória de estarmos embriagados.
Bebo Conhaque e lhe segredo que sempre amei Helena.
Ele refere-se as Sereias como Sardinhas.
Diz que Deus é brasileiro, acho que tudo começou com um Símio.
Conhece uma Marcha Turca que termina em palmas, canta e eu aplaudo ritmicamente.

Belém está afônica.
Ele imita Sancho, eu imito o Capitão Gancho e Brizola.
Um Padre passa para a Igreja, atiro nele um caroço de azeitona.
Fernando vê-me menino, eu o vejo imberbe, fazendo poemas para as meninas do Colégio.
Digo-lhe que amaremos os netos de nossos filhos.
Ele acha que postumamente.

Os poetas Fernando Canto e Luiz Jorge Ferreira, em algum lugar do passado.

Rimos a ‘bandeiras despregadas’.
Mais ou menos de pé, cantamos o hino, despidos como nascemos.
O dono do bar, nos xinga.
É Domingo, saímos do bar, para a Missa.

Luiz Jorge Ferreira

 

* Do Livro Thybum – Rumo Editorial – 2004 (Primeira Edição) – São Paulo.

 

 

Poesia de agora: Caminhada – Fernando Canto – @fernando__canto

Caminhada

Aos que caminham dentro de si e ainda se assombram

De manhã
Meu corpo
É longo
Em sua sombra
Caminhante

Ao meio-dia
Assombro-me
Em segredo
– Encolhidinho –
No equinócio
Da alma

À tarde
Eu me projeto
Rumo ao mar
Com o sol
A bater meu rosto
Nos umbrais da noite

E se um lado é luz
Que me orienta
E de outro
Meu rastro
É a escuridão

Sou, perdoem-me,
Um obscuro ponto
Na paisagem
Que me embala
Ao sol do dia seguinte.

Fernando Canto

Poesia de agora: DHOIS – Luiz Jorge Ferreira

DHOIS

Ela entrou na minha vida como se fosse a sua casa.
Estendeu a toalha, espalhou seus trecos, seus troços, suas tralhas.
Fez horários, corrigiu meu vocabulário, enviou torpedos, olhares.
Acenou com a minha mão, ensinou-me o sim e o não, pelo telefone, falamos no mesmo tom.

Ela entrou na minha cabeça, e acampou no meu pensamento.
Retirou-me do avesso por dentro, escorou minhas idéias, escancarou as janelas.
Apagou as pegadas, perfumou-se e quando foi noite , partiu.

Leu O Código da Vinci dos vinte aos poucos trinta anos.
Quando Junho chegou e no décimo quarto dia…choveu
Eu amassei minha lua contra a sua, porque eram duas.
Uma já havia tomado posse da casa, a outra queria se apossar de mim.

Luiz Jorge Ferreira

 

*Do livro Pizza Literária – Coletânea Volume XV – Rumo Editorial – 2012, São Paulo, Brasil.

Amapaense apresenta livro com poesias sobre amor e os sentimentos da alma

Foto: Diário do Amapá

Por Lana Caroline

Em 1997, o ator, poeta e compositor amapaense Nonato Quaresma, lançou seu primeiro livro intitulado “Murmúrios”, na biblioteca pública Elcy Lacerda, e agora, está com sua mais recente obra em mãos. O livro “Sangramentos da Alma” conta com 69 poesias e sonetos que falam sobre os sentimentos da alma. O livro ainda não foi publicado devido à pandemia.

“O lançamento era para ser no mês de março de 2020, mas com a pandemia, não pude fazer o lançamento. Os meus poemas falam muito sobre amor e os sentimentos da alma”, disse o escritor.

Mesmo sem ser lançada, a obra literária está disponível nas Bancas do Dorimar; da Rosinha; do Luiz e do Lucélio, custando apenas R$ 15.

POEMA ‘LUTE’

Por que me deixas esperando,
Se este amor é para valer?
Há muito o tempo está passando,
Sem nada a gente resolver
Tudo muda mundo a fora
E tudo passa pela vida,
Sinto o sonho indo embora
E o que temos feito, querida?
O tempo não espera e nem tem defeito
E tampouco pode parar;
Se algo tem que ser feito,
Lute! Não deixe o sonho acabar!
Preciso de você a todo o instante
Não a quero tão ausente,
Mas sempre tê-la presente!
Vem ser luz dos meus olhos,
Vem me dar esta alegria,
Pois eu sempre te acolho
Das tempestades de dor!

Nonato Quaresma

 

Fonte: Diário do Amapá.

Poema de agora: Voa, passarinho… (Tãgaha Soares Luz)

Foto: Sal Lima

Voa, passarinho…

Quem te ver cantar pensa estar feliz
Há água e semente pra te alimentar
Não sabe, porém, que o teu canto é triste
Tuas asas se debatem por entre grades
Assim é o teu cárcere…
Passam dias, passam horas, passa o tempo
E esse é o passatempo da ave canora
Que poderia estar voando pras bandas de lá
Além de lá
E entre campos, cantos, flores, construindo ninhos…
Por que será que o homem
Irracional
Esse animal
Insiste em te prender?
Se a lei da natureza diz
Acima de tudo
Que o passarinho foi feito pra voar?
Voa, voa, passarinho…
Voa, vai além do céu…
Leste, Oeste, Norte, Sul
É tudo azul…
Voa para o infinito…

Tãgaha Soares Luz

Hoje: Tatamirô Grupo de Poesia lança o recital “Xapiri Curuocangô 4.0” em formato digital

“XAPIRI CURUOCANGÔ 4.0” é o Recital de Poesia Sonora do Tatamirô Grupo de Poesia que vai estrear dia 04 de outubro (04/10/2021), às 20h, no canal do grupo, alojado na plataforma YOUTUBE. O Recital é fruto de estudos sobre os cantos e rituais de etnias indígenas da Amazônia e da leitura do livro “A Queda do Céu” do xamã yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo franco-marroquino Bruce Albert, dialogando com uma diversidade de sons que culminaram em Poesia Sonora.

O Poeta Herbert Emanuel (AP), autor do Poema Sonoro Xapiri Curuocangô, diz que a versão 4.0 é uma “travessia para alteridade. É um poema conectado com o outro: é uma homenagem poética aos nossos parentes, os povos originários, com quem realmente podemos aprender como não destruir de vez nosso planeta; juntando-se à guitarra bluseira do músico Ronilson Mendes e à dança orientupi da bailarina Hayam Chandra. Para nós, é uma obra em processo de construção, diálogos e ajuntamentos permanentes”.

Todos os poemas vocalizados são de Herbert Emanuel. Além destes, há prosas citadas do livro “A queda do Céu”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert; do conto “Meu Tio Iauaretê” de Guimarães Rosa, na voz sampleada do ator Lima Duarte; e a frase “O Amanhã Não está à Venda”, que dá título ao livro do líder indígena Ailton Krenak.

O recital do grupo amapaense, nas versões anteriores, já passou pelo palco centenário do Teatro Municipal de São João Del Rei e por outros espaços culturais desse município das vertentes mineiras (2017). Em Macapá, na programação literária do Serviço Social do Comércio (SESC/AP-2019) e configurou as atrações artísticas da primeira noite do Macapá Verão – Estação Lunar (PMM-2020).

“É uma satisfação enorme poder se apresentar nesses palcos homenageando os povos ancestrais, mostrar a nossa cultura e o resultado de uma criação poética. Há treze (13) anos fazemos isto, investimos na tarefa de irradiar a palavra poética, em suas mais diversas modalidades, como gostamos de afirmar. Agora, com a filmagem, o Poema Sonoro Xapiri-Curocangô 4.0 vai atingir novos públicos, ganhando muito mais abrangência” – ressalta a Diretora do Recital, a declamadora Adriana Abreu.

A captação de imagens, montagem, edição e mixagem de som ficou por conta da equipe do “Tenebroso Crew”, formada por jovens cineastas que tem se destacado na cena contemporânea do audiovisual amapaense. Esse Recital foi contemplado pela lei Aldir Blanc – Edital nº: 002/2020 – Secult/AP – Fábio Mont’alverne “Rato Batera”.

O Tatamirô Grupo de Poesia é um grupo amapaense de declamação e dramatização de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de verso ou prosa, em suas múltiplas manifestações verbivocovisuais. Criado em 2008, o Tatamirô nasceu do desejo de dizer Poesia às pessoas, de colocar a voz a serviço da Poesia, de dizer as coisas do mundo de forma diferente, além de fomentar ações em proveito da leitura, da literatura, principalmente, e das demais artes. O Tatamirô Grupo de Poesia, que atua há treze (13) anos fomentando a leitura com apresentações voltadas para as artes em âmbito geral – destacando a poesia, tem participado por estes “Brasis” afora em diversos eventos e projetos culturais, tais como: Feira Pan-Amazônica do Livro de Belém-PA, Sesc Amazônia das Artes, Sesc Arte da Palavra, Inverno Cultural de São João Del Rey-MG, Poesia de Cena de Cabo Frio-RJ, Balada Literária de São Paulo, Congresso Brasileiro de Poesia; assim como em eventos internacionais, destacando o 8º Salon du Livre de Cayenne na Guiana Francesa.

FICHA TÉCNICA DO RECITAL XAPIRI-CURUOCANGÔ 4.0

Vocalização, mixagem, disparo de samples e autoria do Poema Sonoro “Xapiri Curuocangô 4.0”: Herbert Emanuel
Declamação, roteiro e direção: Adriana Abreu
Coreografia e dança do primeiro movimento do poema sonoro “Xapiri”: Hayam Chandra
Partitura musical e guitarra do primeiro movimento do poema sonoro “Xapiri”: Ronilson Mendes
Cenografia e Figurino: Paulo Rocha
Figurino de Adriana Abreu: Amarilda Marinho
Figurino de Herbert Emanuel: Ilce Rocha e Paulo Rocha
Figurino de Hayam Chandra: Kelly Maia
Customização de figurino: Rosemere Pires e Jasmine Pires
Produção: Paulo Rocha, Herbert Emanuel e Adriana Abreu
Assistente de produção: Pedro Henrique
Assistentes de direção e contrarregras: Thayse Panda e Zeca Corrêa
Maquiagem: Jasmine Pires
Ambientação: Dilda Picanço e Luiza Picanço
Realização: Tatamirô Grupo de Poesia

FICHA TÉCNICA – TENEBROSO CREW

Produção/Direção/Câmera: Jamie Gurjão
Fotografia: Ianca Moreira
Câmera: Dyego Bucchiery
Som/Mixagem: Alecsandro Cantuária

Recital contemplado pela LEI ALDIR BLANC – EDITAL Nº: 002/2020- SECULT/AP – FÁBIO MONT’ALVERNE “RATO BATERA”

SERVIÇO

Recital “Poema Sonoro Xapiri-Curuocangô”
Lançamento: 04/10/2021, às 20h
Local: YOUTUBE – CANAL “Tatamirô Grupo de Poesia”
Classificação: Livre
Realização: Tatamirô Grupo de Poesia

Contatos: 96 98412-4600 [Paulo Rocha]/ (96) 98131-8463 [Thayse Panda]/ (96) 98807-8670 [Herbert Emanuel]

Cocadas ao sol: e-book será lançado neste sábado (2) em live com convidados

Neste sábado (2), às 18h, será lançado em uma live o e-book do livro Cocadas ao sol, do jornalista e escritor Júlio Miragaia.

O lançamento será transmitido no Facebook e YouTube do autor e contará com a participação de convidados especiais da cultura amapaense e também de autores de outros estados. A atriz Hayam Chandra fará a apresentação.

Entre os convidados estão o Coletivo Amazonizando, que fará performances juntando marabaixo com os textos da obra. Participam também o jornalista paraense Adriano Abbade, os escritores amapaenses Paulo Tarso Barros, Pat Andrade, Lulih Rojanski, Thiago Soeiro, o ilustrador do livro, Roberto Vanderley, a design Olívia Ferreira e a cantora e ativista cultural Heluana Quintas. O escritor cearense, Alan Mendonça, e o mineiro Sérgio Fantini também marcam presença.

“É um momento de celebração com amigos. Depois da versão impressa, estamos lançando o e-book para contar na plataforma digital as histórias de Cocadas ao sol”, explicou Júlio Miragaia.

A obra reúne 33 poemas e 3 contos que abordam, entre os temas questões sociais como a fome, a pobreza e dramas de meninos de rua em Macapá. A versão física do livro foi lançada no dia 25 de julho.

Agora em e-book, Cocadas ao sol está disponível no site da Amazon para Kindle e qualquer plataforma digital. O livro custa R$ 20.

O link para comprar o livro é:

Transmissão

No Facebook: https://www.facebook.com/julio.miragaia

YouTube: https://youtube.com/channel/UCQXSfLFFQ7W8gFgf2G8o6GQ

Sobre o autor

Júlio Ricardo Araújo, o Júlio Miragaia, tem 36 anos. Natural de Belém (PA), passou os últimos anos entre a terra natal e Macapá (AP), onde hoje mora.

É jornalista, pós-graduado em gestão e docência no ensino superior, e autor do livro de poemas “O estrangeiro de pedras e ventos” (2014, Multifoco-RJ).

Começou a publicar em 2005 poemas, contos, resenhas e crônicas no blog pessoal “O desuniverso do jovem messias”. Foi editor e articulista no Portal Selesnafes.com e, atualmente, tem postado algumas de suas produções literárias no Blog De Rocha.

Foi vencedor do Prêmio Literário Isnard Lima Filho, no concurso literário “Macapá com todas as letras” na categoria crônica (2006). No concurso, promovido à época pela Biblioteca Pública Elcy Lacerda e Prefeitura Municipal de Macapá, o texto premiado foi “A Banda”, registro sobre o bloco da Terça-feira Gorda de Carnaval em Macapá.

Poesia de agora: Os meninos contemplados pelo sol – @juliomiragaia

Foto: Júlio Miragaia

Os meninos contemplados pelo sol

Depois da chuva ensolarada,
Os meninos equilibram
Entre o tempo, o espaço,
O vento e a Fortaleza
Um pequeno
Fruto da memória

Arquitetam,
em papel de seda,
Talas, linha e rabiola
O que se brinca
E o que se basta
Nas cores do Flamengo

O sol observa a partícula
De vida dos meninos-pipa
Enquanto descansa
A sua astroexistência
Ao lado do baluarte de São José

É um entardecer qualquer
Dum sábado esquecível
Não fosse a memória-pipa
Daqueles meninos,
Contemplados pela velha estrela

O ancião sideral guarda consigo
Os fragmentos de memórias e rios amazonas
Inteiros de auroras e crepúsculos

Guardará depois de hoje,
No nada das coisas,
A ternura da imagem
Dos meninos-pipa
Que cultivaram
Depois da chuva ensolarada
Frutos e ventos
Da memória

Júlio Miragaia