Poema de agora: DILIGÊNCIA NOTURNA – Pat Andrade

DILIGÊNCIA NOTURNA

nas noites sem sono

tento tecer poemas
feitos de alvoradas
de mesas de bar
de palavras embriagadas
de madrugadas desfeitas

tento tecer poemas
de olhares distantes
de toques ausentes
de bocas sedentas
de amores imaginários

tento tecer poemas
de mãos quentes
de beijos doces
de leitos perfeitos
de finais felizes

tento tecer poemas

Pat Andrade

Programação on-line: com diversas atrações culturais, SECULT/AP inicia primeiro final de semana de apresentações do projeto “Ao Vivo Lá Em Casa”

Nesta quarta-feira (8), a Secretaria de Cultura do Amapá (Secult/AP) divulgou a grade de programação do primeiro final de semana do edital “Ao Vivo Lá Em Casa”, iniciativa que contempla diversas apresentações virtuais de artistas amapaenses. Nos próximos dias, serão 91 atrações transmitidas pelo (Facebook e Instagram) e plataformas streaming da Secult e dos profissionais da cultura do Estado. As primeiras apresentações ocorrem de sexta (10) a domingo (12), das 18h às 22h, com show do cantor Naldo Maranhão, Berço do Marabaixo da Favela e muito mais.

A programação definida pela Secult para esse primeiro final de semana, conta com 19 atrações, sendo de Lives e reproduções musicais, teatro de fantoches, capoeira, artes visuais, espetáculos teatrais, dança e festejos juninos, além de demonstrações técnicas sobre iluminação e captação de som, coreografias de hip-hop, discussão sobre a Lei de Emergência Cultural e história da dança capoeira.

Seguindo os critérios de isolamento social – recomendação dos órgãos de saúde para evitar a propagação do novo coronavírus – o projeto levará virtualmente para dentro das residências uma variedade de atrações culturais de artistas amapaenses. A seleção dos profissionais foi feita por meio de chamada pública, onde os proponentes comprovaram atuação continuada na área, o que atendeu técnicos e profissionais da cultura de diversos segmentos.

Por meio dessa iniciativa, a Secult oportuniza a geração de renda aos artistas locais nesse período de crise sanitária, profissionais que foram afetados pela impossibilidade de executarem suas atividades habituais. Ao mesmo tempo, a medida abre uma possibilidade de divulgação global das produções amapaenses, que podem quebrar as barreiras territoriais a partir da internet, chegando a outros estados e países.

É natural dos artistas reunir pessoas com a sua arte, que vem agregar e fortalecer vínculos. Infelizmente as circunstâncias impossibilitaram esses profissionais de estarem próximos de seus públicos, ganhando sua renda; então, como Secretaria de Cultura, precisamos atuar para que essas pessoas tenham a oportunidade de trabalho garantido. O Ao Vivo Lá em Casa vem para quebrar as distâncias e promover em esfera global nossos artistas, trazendo alegria para a população que está isolada cuidando de sua saúde”, declarou o secretário da pasta, Evandro Milhomen.

As atrações ocorrerão nos finais de semana. Acompanhe AQUI a programação completa e agende para não perder nenhuma. PROGRAMAÇÃO DESTE FINAL DE SEMANA.

Poema de agora: A CHUVA NÃO ATRAPALHA NOSSOS PLANOS – Rafael Masim

A CHUVA NÃO ATRAPALHA NOSSOS PLANOS

A chuva não atrapalha nossos planos.
Apenas reconfigura nossos dias
Reescreve algumas cenas da vida
Redimensiona o nosso tempo
Umedece nossos caminhos
E encharca nossas chegadas.

Desfaz o cotidiano
Reorganiza o itinerário
Desloca a outras passagens
Provoca acontecimentos fortuitos
E muitas vezes nos faz cair dando risadas.

Mas a chuva nunca atrapalha nossos planos…

Rafael Masim

Poema de agora: O DEVANEIO É O CETRO DO POETA – Paulo Tarso Barros

O DEVANEIO É O CETRO DO POETA

O devaneio é o cetro do poeta.
Flutua, voa, espairece e carece.
Submerge, ondula e flui.
Reina, plácido, entre os aromas
e os cânticos eternos dos poemas.
Mente, esbraveja subversões em lampejos
que mais parecem cometas siderais.

O devaneio é o cérebro incondicional
do poeta,
o coração, as tripas,
os pulmões extracorpóreos.
E o poeta, triste,
da cor só-limão,
caminha por entre as imaginações
e concebe um mundo antimundo:
nem matéria,
nem resultado do big-bang,
nem overdose ficcional,
nem síntese apocalíptica.

Com o cetro na mão,
imperador dos reinos metafísicos,
caçador de sensações,
flutua, enlanguesce, desnuda-se,
contradiz-se e sofre,
principalmente se a palavra não chega
e o silêncio triunfa.

Paulo Tarso Barros

Mais tempo para artistas e produtores culturais se inscreverem: Secult/AP prorroga inscrições do Edital “Circula Amapá” para 15 de julho de 2020

A Secretaria de Estado da Cultura do Amapá (Secult/AP) prorrogou, pela terceira vez, as inscrições do Edital “Circula Amapá”. Desta vez, os artistas e produtores terão até o dia 15 de julho de 2020 para se inscreverem. O prazo, que seria encerrado na última terça-feira, 30 de junho, foi estendido, com a finalidade de oportunizar os trabalhadores dos segmentos culturais que não conseguiram se inscrever no período estipulado anteriormente. As propostas podem ser encaminhadas por meio do formulário eletrônico, que se encontra no portal ‘ www.secult.portal.ap.gov.br ’, ou pelo e-mail [email protected]

O Edital “Circula Amapá” visa premiar 137 iniciativas da cadeia produtiva da cultura e das artes em todo Estado. A expectativa da Secult é receber propostas que propiciem experiências artísticas à população amapaense. A proposta prevê contemplar projetos artístico-culturais dos segmentos de Teatro, Dança, Circo, Música popular, erudita e instrumental, Audiovisual, Livro, leitura, literatura, Artes plásticas, artes visuais, Artesanato, Culturas populares, tradicionais e identitárias.

A chamada pública foi lançada no dia 18 de março pela Secult, por meio de emenda federal articulada pelo senador do Amapá, Davi Alcolumbre, com o intuito de valorizar e fortalecer a cultura amapaense, incentivando a produção local com políticas ampliadas para os projetos que favorecem a circulação de bens, produtos e serviços artísticos e culturais em âmbito local, estadual, nacional e internacional. Os prazos foram prorrogados por duas vezes, em atenção às circunstâncias atuais, provenientes da pandemia da Covid-19.

Segundo o secretário da Secult/AP, Evandro Milhomen, a ideia do edital é ampliar o acesso à cultura, uma política que a pasta sempre colocou como prioridade e, agora se torna ainda mais fundamental com a crise de saúde pública. “Com esse incentivo aos segmentos culturais do Estado, ganham os profissionais da cultura, mas principalmente a população do Amapá. Nesse momento triste que o mundo está vivendo, a cultura irá restaurar as esperanças e mostrará um novo caminho para todos nós, porque a humanidade se alimenta da esperança e do processo criativo que de se reinventar, que a cultura e a arte trazem”, ressaltou.

Marabaixo, manifestação artística da cultura popular do Amapá — Foto: Aydano Fonseca/Tambores e Bandeiras

Deste modo, o edital contemplará os múltiplos campos da cultura no Estado, abrangendo os segmentos popular, tradicional e identitária; teatro; arte circense; dança; artes visuais e/ou plásticas; artesanato; audiovisual; livro, leitura, literatura e biblioteca; e música. Poderão participar Microempreendedores Individuais (MEI) e pessoas jurídicas de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos, que comprovem tempo de atuação de acordo com sua área pleiteada.

O projeto atenderá diversos profissionais do setor artístico, como, por exemplo, artistas, produtores, grupos, companhias, associações e demais agentes da cadeia produtiva da cultura. As premiações variam entre cinco e dez mil reais, de acordo com critérios estabelecidos no edital, totalizando um investimento na cultura de R$ 938 mil. Com essa medida, a pasta quer reconhecer o trabalho desenvolvido pelos empreendedores da cultura do Estado.

Atendendo o segmento da cultura popular, tradicional e identitária, o edital contemplará grupos de marabaixo e/ ou batuque, grupos ou comunidades tradicionais, entidades juninas tradicionais ou estilizadas e grupos de capoeira. Já na vertente da leitura, literatura e biblioteca, podem participar escritores (poetas, contistas, cronistas), contadores de histórias, mediadores de leitura e demais agentes.

Os interessados devem realizar o cadastro no Sistema Estadual de Informações e Indicadores Culturais – SEIIC, sendo pré-requisito para participar do edital . A Secult/AP disponibiliza em seu site vídeos, explicando aos interessados sobre o funcionamento do Edital e como proceder no ato da inscrição.

Foto: Divulgação Secom/GEA

Além disso, os técnicos da Secretaria também estarão à disposição dos artistas e produtores culturais para sanar quaisquer dúvidas sobre o certame, por meio de ligações e WhatsApp no número – (96) 98808-0736. O acesso também pode ser via o e-mail da Secult/AP: [email protected]

“delírios & subterfúgios”, o novo livro da poeta Pat Andrade, está disponível para aquisição em versão virtual. Compre e incentive a cultura local!

A poetisa, escritora e colaboradora deste site, que assina a seção “Caleidoscópio da Pat”, Pat Andrade, lança mais um livro virtual.

“delírios & subterfúgios” tem apenas 16 poemas. Todos autorais. A arte e diagramação do trabalho são também assinados pela Pat.

A intenção da poeta é arrecadar recursos financeiros nessa época de isolamento social, por conta da epidemia de coronavírus. Além, é claro, de divulgar sua poesia.

Há 21 anos em Macapá, a poetisa paraense escreve belos poemas, declama e edita ela mesma os seus livros. Em tempos normais, comercializa suas obras em eventos culturais, cafés, bares e restaurantes da capital amapaense, o que não é possível nestes tempos de Covid-19.

Sempre compro e recomendo o trabalho de Pat Andrade, de quem sou fã e tenho a honra de ser também amigo.

Eu já tenho o meu “delírios &subterfúgios”. Corre, fala com a Pat, e adquire o teu exemplar virtual. A cultura agradece.

Poema de agora: Cenário – Lara Utzig (@cantigadeninar)

Cenário

quero a Companhia das Letras
quero letras sem companhia

quero ausência de hierarquia
quero legitimação

quero blog
quero livro

quero virtual
quero físico

quero o marginal
deixando de ser periférico

quero zine
se tornando cânone

quero fanfic
na FLIP

quero sarau
quero bienal

quero autonomia
quero edital

quero independência
quero prêmio

quero o underground
ocupando o mainstream

quero slam
mobilizando multidões

quero um infinito leque
de batalhas de rap

quero escritora
ditando regras à editora

quero troca
quero mercado

quero saída
para essa aporia

utopia
sem degrau
múltiplos passos
em patamar igual
nos diversos espaços
do horizonte plural
que é a literatura

Lara Utzig

Poema de agora: Feliz Aniversário, Flávio Cavalcante, Amigo de fé. Irmão. Camarada! – ( do poeta Obdias Araújo para @PedraDeClariana)

“OB” e Flávio Cavalcante

Feliz Aniversário, Flávio Cavalcante, Amigo de fé. Irmão. Camarada!

Cinco de julho é o
septuagésimo
octogésimo dia do ano
no gregorianocalendário.

Flávio Cavalcante
Escolheu este dia
Para imprimir
Seus pedaleiros pés
Molhando de suor menino
O chão e o coração do Agreste.

Neste cinco de julho
Eu te saúdo Flávio
Agradecendo à Deusa
Do Poema que a mim
Mostrou o Azimute de teus
Companheiros passos!

Obdias Araújo

 

Flávio Cavalcante, a fotógrafa Márcia do Carmo, o jornalista Everlando Mathias e eu, em um encontro de trabalho em abril de 2019.

*Dou uma de “enxerido” e pego carona na homenagem do “OB” (como o Fernando Canto chama o Obdias Araújo e ele não gosta) para também desejar ao aniversariante, a quem considero um amigo, além de um de meus chefes, muita saúde, ainda mais sucesso e tudo que couber no seu conceito de felicidade.

Pai, filho, marido e irmão amoroso (gosto de ver suas manifestações para com a família nas redes sociais), escritor (poeta, cronista e contista) ciclista, fotógrafo e incentivador de esportes (também um de seus principais retratistas), Flávio Cavalcante é, sobretudo, um cara muito porreta e um homem de bem. A ele, todo amor que houver nesta vida! (Elton Tavares)

Poema de agora: Prelúdio para a Catedral – Luiz Jorge Ferreira

Prelúdio para a Catedral

Encontro com Fernando Canto, parece que foi Ontem esses dez anos.
Aumentamos o grau dos Óculos.
Estou ileso, chamuscado , teso e ‘liso’, porém pareço eterno.
Ele fala.Eu falo.Bebe-se.
O tempo adoece.


Conversamos então sobre a solidão pousada no prato de azeitona, temo que sejamos herdeiros da mesma angústia que fala de canoas.
Digo-lhe que amaremos a mãe de nossos filhos, ele acha que Cuba pode vir a produzir mamão Papaya.
Divagamos sobre o fim de Tróia, e a glória de estarmos embriagados.
Bebo Conhaque e lhe segredo que sempre amei Helena.
Ele refere-se as Sereias como Sardinhas.
Diz que Deus é brasileiro, acho que tudo começou com um Símio.
Conhece uma Marcha Turca que termina em palmas, canta e eu aplaudo ritmicamente.

Belém está afônica.
Ele imita Sancho, eu imito o Capitão Gancho e Brizola.
Um Padre passa para a Igreja, atiro nele um caroço de azeitona.
Fernando vê-me menino, eu o vejo imberbe, fazendo poemas para as meninas do Colégio.
Digo-lhe que amaremos os netos de nossos filhos.
Ele acha que postumamente.

Os poetas Fernando Canto e Luiz Jorge Ferreira, em algum lugar do passado.

Rimos a ‘bandeiras despregadas’.
Mais ou menos de pé, cantamos o hino, despidos como nascemos.
O dono do bar, nos xinga.
É Domingo, saímos do bar, para a Missa.

Luiz Jorge Ferreira

* Do Livro Thybum – Rumo Editorial – 2004 (Primeira Edição) – São Paulo.

Poema de agora: Sempre a Poesia (Ana Anspach e Patrícia Andrade)

Sempre a Poesia

as notícias sobre o vírus
chegam de todos os lados
o número de óbitos
supera os de cura
meu peito dói
pela dor do mundo

então descanso
olhos e ouvidos
ouço Lenine
leio Cecília
e releio Cora

meu coração pulsa
a poesia que há
bem no fundo de mim
no fim de tudo.

Ana Anspach & Patrícia Andrade

Poema de agora: O DELTA – Ori Fonseca

O DELTA

Dize-me, irmão, por que tens medo dela.
O teu fascínio louco, a tua procura,
O delta pra onde corres na loucura,
Sem nem saber se o mar se encontra nela.

O feromônio, irmão, está naquela
Que, muitas vezes, se em querer te atura;
Aquela que desprezas, a criatura
Que quebra as tuas colunas: ela, Ela!

Que sabes da vagina só de vista?
A vista é a única coisa que te anima?
O que de fato nela te aproxima?

Se achas que a mulher é uma conquista,
E que só parte dela é “terra à vista”,
Nasce de novo, o ponto é mais em cima.

Ori Fonseca

Poema de agora: Atirando pedras por sobre os Ombros – Luiz Jorge Ferreira

 

Atirando pedras por sobre os Ombros

Eu vou me associar a você.
Sentados de costas para a terceira rua invernamos.
Rascunho com um pouco de saliva, desenhos a esmo.
A cara de um anjo careca tocando gaita.
Uma baleia azul vestida em um Suéter…Made in Pernambucana…voltada para Oeste.
Assobio mais da metade de uma Música de dois compassos que termina em Lá.
18:-45 .


Cruzo dois dedos polegares de unhas roídas, e os mordo até que sangrem.
Posso mergulhar meus dedos entre os teus cabelos úmidos de laquê.
Próximo escrever em Braile o décimo primeiro mandamento.
Aquele que diz:-NãoCreia.

Nada disso me importa quando caminho por ruas tortas com meus sapatos puídos de passos.
Eu amo os passos, os pés, e os sapatos.
Amo, os nós,os cós,e o Cal.


Amo o sal, e a brisa que enxuga o suor, e que penteia em mim os enfins espalhados pelas lembranças.
Ami a criança que fui e abandonei no Alpendre onde o Sol dormia a sesta na sexta-feira 13.
Adiante de mim o tempo como um imoral, mostrava-se despido.

Eu saí de mim, e passei a segui-lo.
Ele em um ritmo cada vez mais acentuado.
Hoje sei que fiz errado em arranhar a lua, e cuspir nas estrelas.
Enquanto eu corria entre os outros, que corriam entre outros, não havia lado que terminasse.
Os Corvos voavam as cegas e as penas que caiam, eu as pregava no corpo para ensaiar um vôo.
Por fim repleto de cicatrizes, tatuagens, garras, e tropeços.


Vejo-me as voltas com o retorno.
Hoje! Sozinho. Aqui estou.Como um Boto Cor de Rosa.
Menino e Avô.

Luiz Jorge Ferreira

*Do livro de Poemas “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial – São Paulo.

Poema de agora: MISÉRIA II – Patrícia Andrade

MISÉRIA II

dá pra ver o desamparo
nos teus olhos cansados
no rastro da lágrima seca

não há raiva em ti
e nem dor se manifesta

é só a tristeza dura
de quem passa ao largo

(daquilo que chamam vida)

teus lábios feridos e rachados
não acham mais palavra

(nem sombra de sorriso)

é só um rosnar
um gemido tosco e rouco
um quase grito

(que ninguém quer ouvir)

nessa sobrevida
te escondes e te revelas
sem sequer incomodar

(a quem mal te enxerga)

Patrícia Andrade