Poema de hoje: Angústia


Angústia

Sob o jugo do próprio olhar
Aprisionou-se em tirania
Quis viver aflito
Triste e oprimido
Reprimiu os sentimentos
E se escondia
Tentou acreditar que assim
Ninguém descobriria
Sua íntima agonia.

Ivan Daniel Amanajás

Desilusões da rosa


Desilusões da rosa 

Dez ilusões, não…
São tantas,
Mal posso mensurar;
Teu discurso repetido, vago,
Sem pontos finais;

Teu olhar que não fala,
Tua fala que não diz nada,
E meus dias,
Todos iguais…

Meus sonetos mortos
Como as águas da chuva
Nas quais não fizemos amor
Morte também dos sentimentos
Que não vingaram…

E, as sementes que não plantamos juntos
Coisas sublimes que o vento não levou
Você cravo, não se feriu
Com as brigas que não tivemos;

Nem debaixo da sacada…
Também não fui despetalada,
Porque por ti…
Não fui amada.

Hellen Cortezolli

Poema de hoje: Prelúdio pra América Latina (Tãgaha Soares)


Prelúdio pra América Latina

Não me venha falar de você
Não me venha falar de Hiroshima
Não me venha falar de Oriente Médio
Nem do remédio pra sua sina
Não me venha falar de seus sonhos
Não fale-me de novas dimensões
Estradas do além pra um mundo distante
De cavaleiros andantes
Na busca de chegar
Bárbara, eu sei da força latina
Dos filhos d’África que cantam teu chão
Ah, chão, pasto, coração
Sangrando a dor
A te decantar
Em tom maior
Agora me pega
E me bota no chão
Hoje sou bem mais
Que teu simples torrão
Sou América…
América do Sul
Eu sou América…
América do Sul
Eu sou América
América sou eu
E você…

Tãgaha Soares

Poema de hoje: Voa, passarinho…(Tãgaha Soares)


Voa, passarinho…

Quem te ver cantar pensa estar feliz
Há água e semente pra te alimentar
Não sabe, porém, que o teu canto é triste
Tuas asas se debatem por entre grades
Assim é o teu cárcere…
Passam dias, passam horas, passa o tempo
E esse é o passatempo da ave canora
Que poderia estar voando pras bandas de lá
Além de lá
E entre campos, cantos, flores, construindo ninhos…
Por que será que o homem
Irracional
Esse animal
Insiste em te prender?
Se a lei da natureza diz
Acima de tudo
Que o passarinho foi feito pra voar?
Voa, voa, passarinho…
Voa, vai além do céu…
Leste, Oeste, Norte, Sul
É tudo azul…
Voa para o infinito…

Tãgaha Soares

Poema de hoje: Sob o vazio do teu olhar


Sob o vazio do teu olhar

Insisto em olhar e vejo que não há nada lá a ser admirado.
Você desvia, e eu imagino que seja por medo.

Tua teoria é mais simples… É um não querer ser visto.
Um não querer prolongar o que acabará logo.

Penso no fim, só no fim.
Mas, não o espero.
Quero sempre mais de ti e mais de mim.

Não há conversa, só diálogo.
Frases sem acabamento e um silêncio…
Então do nada, penso em desistir.

Você então me toma.
Quando acordo, sinto a dor do teu do teu desejo de novo.
E, meu corpo nunca te rejeita.
Desta vez eu só não queria partir, nem que partisses.
Nunca quero te repartir.

Você diz para eu ficar e esperar a noite.
Não acho nada engraçado.

As minhas palavras duras e não ditas eram para me proteger de ti.
Meu olhar perdido, que não queria ser encontrado, era para me defender de ti.

Nada… nada a ser dito, sentido ou lembrado.
Mas, eu queria que tivesses ficado.

Hellen Cortezolli

Cantor Lula Jerônimo e Poetas Azuis se apresentam no Projeto Fim de Tarde no Museu

Mais uma programação especial foi organizada para esta quinta-feira, 12, no projeto “Fim de Tarde no Museu”, na Praça do Pequeno Empreendedor Popular. As apresentações artístico-culturais do Museu Sacaca, elaboradas pela Coordenação de Eventos Culturais, estão voltadas ao público visitante de todas as idades.

O objetivo é valorizar e difundir a produção artística e cultural do Amapá enquanto patrimônio cultural do povo amapaense, possibilitando ao público do Museu conhecer a música, a poesia e a gastronomia amapaense, interagindo com os artistas e produtores culturais.

Nesta quinta-feira, a atração ficará por conta do cantor Lula Jerônimo, que preparou um repertório totalmente eclético, em clima de férias. Entre uma música e outra, terá também a apresentação performática do Grupo de Poetas Azuis.

O projeto “Fim de Tarde no Museu” acontece todas as quintas-feiras, das 17h30 às 22h, na Praça da Alimentação do Pequeno Empreendedor Popular, onde a poesia e a música amapaense se encontram para o deleite dos visitantes.

Angela Andrade/Iepa

Poema de hoje : Desejos (Carlos Drummond de Andrade)


DESEJOS

Desejo a vocês…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

Poema de hoje: Metade (do ano)

Hoje, 2 de julho, é o “Dia do Meio do Ano” (182+1+182=365). Achei este poema e resolvi postar:

Metade 

Meio, de metade.
meio do ano…

sem meio termo,
sem meios desonestos
para viver…

Meio do tempo
que temos para
cumprir os planos
para 2012.

no Meio disso tudo,
meio receosos,
vivemos em meio ao
mundo que ora nos
assusta, ora nos alegra.

Desejo que todos encontrem meios
de viver com felicidade…

Mesmo que para isso, tenham que
fazer limonada, se a vida te oferecer
limão.

O meu meio de viver … é com AMOR
muito amor em absolutamente tudo que estou no meio.

Marli Andrade

Poema de hoje: Errante


Errante

Foi embora
infeliz
como sempre
foi
levando consigo
orgulhoso
o egoísmo
e a solidão
companheira
fiel
testemunha
espetáculos psicóticos
monólogos silenciosos
até o fim…
extinguiu-se
mas não sabe.

Ivan Daniel Amanajás

Poema de hoje: Certeza


Certeza

Olhar-te assim, bem de perto
Tão suave, sorriso aberto
É privilégio, já se sabe
Causa em mim
Felicidade.

Quando à noite no cansaço
Ouço o choro inquieto
Pelo toque que te cerco
Só assim te aquieto.

E na penumbra, à luz da vela
Sinto o cheiro e fico certo
É pedaço
Meu e dela.

– Navi Leinad –

Poema de hoje: Certidão de Nascimento (Carla Nobre)


Certidão de Nascimento (Carla Nobre)

Sou fruto
Do caso de amor
Entre o rio
E a lua

Sou feita de um calor
Que flutua

Mas fui gestada no Rio
Com seus silêncios
E suas maresias

Da lua herdei
As fases
A claridade
E a melancolia

Mas fui parida pelo Rio
Nasci das entranhas
Do barro

O Rio
Se fez mãe
E se abriu para me entregar
Ao mundo

A lua
Minha outra mãe
Apenas sorriu
Com seu amor profundo

Sou assim
Filha sem pai
Toda feita feminina

Só tenho
um nome faceiro
E dentro dele
Cabe até o mundo
Inteiro

Sou toda feita
Do tecido
Da noite

Sem eclipse
Sem guerreiros

*Poema indicado para leitura obrigatória do vestibular da Universidade Federal do Amapá (Unifap) – 2011 e publicado no livro O amor é Urgente.

Vinícius sabia das coisas ….



“Chore, grite, ame.
Diga que valeu, que doeu, que daqui pra frente só vai melhorar.
Perdoe, insista, ame novamente.
Não leve a vida tão a sério.
Descomplique.
Quebre regras, perdoe rápido beije lentamente.
Ame de verdade, ria descontroladamente e nunca lamente nada que tenha feito você sorrir…”
(Vinícius de Moraes)


Fonte: http://alelameira.blogspot.com/