Poema de agora: O Dia (@idanielsa, em comemoração aos 9 anos de seu casamento)


O Dia

O dia eu não lembro
A hora imagino
O local é inesquecível
O momento é o princípio.

O que fazíamos não importava
Ao redor, desapareceu
Olhares que se encontravam
Para nunca mais se afastar.

Caminhos coincidentes
Para um mesmo fim
De um começo já inaugurado
Que pôde se concretizar.

O dia eu queria lembrar
Para poder comemorar
Mas se te tenho todos os dias
Omitirei essa agonia
E viverei intensamente
Cada dia de alegria.

Ivan Daniel amanajás

Meu comentário: parabéns ao casal pelos 13 anos de convivência e, principalmente, 9 de casamento comemorados hoje.   

Poema de agora: Don Juan da Amazônia (@Laritang)


Don Juan da Amazônia

Engravida as virgens
Conquista sem parcimônia
O Boto nas margens…

Ameaça Boiúna
Cresce mais e mais
Rasteja e inunda
Cobra grande voraz!

Criatura que corre na mata
Com os pés ao contrário
Entidade da floresta nata
Curupira, Caipora!

Sereia que (en)canta no rio
Destruindo sem mágoa
Qualquer homem perde o brio
Iara, mãe d’água!

Assombração que pede tabaco
E apita na madrugada
Quer fumo no escuro opaco
Matinta Pereira, rasga-mortalha…

Mágico amuleto
Que concede pedidos
Presente predileto:
Muiraquitã, artefato querido.

Esse tronco que sobe o rio
Padeceu por amor
Madeira levada pelo vazio
Tarumã, índio sofredor…

Pássaro raro
De plumagem vermelha
Com um canto lendário…
Uirapuru incendeia!

Naiá se afogou
Apaixonada por Jaci
Estrela que virou flor
Vitória Régia boia feliz.

A floresta traz consigo
Riquezas de tradições
A Amazônia habita ainda

O imaginário dos corações…

Lara Utzig

Poema de agora: Do1s (Lara Utzig)


Do1s

Nós
Num nó de dois corpos
Até o nós
Ser um só ser.
Laço de fita,
Menina bonita,
Até desamarrar
Desatar o nó
Do tecido
E (me) amarrar
Em teu quadril despido.
No teu mar de amar,
Par de amor:
A teu dispor
Ponho-me
Pois morrer de amor
É viver o um.
Pois viver o nós…
É ser.

Lara Utzig

Poema de agora: Eremitas urbanos (@idanielsa)


Eremitas urbanos

Quero um chão de terra
molhada por uma chuva fina
que cai e lentamente
lava meu corpo
limpa minha mente
e alimenta meu espírito.

Prefiro esquecer
que continuo vivendo
seco e faminto
por fantasias impuras
de eremitas urbanos
em suas torres de concreto.

Ivan Daniel Amanajás  

Poema de agora: Morada


Morada

Fez-se tempestade em meus olhos com a tua chegada
Era a fim da seca
Dos dias enfeitados de solidão
Dessa metade de mim
A chuva de agora revigora
Vem trazer a esperança
Vem molhar meus lábios secos
Vem encher o rio do meu coração
Deixando um colorido em minha casa
Meus versos
E nas flores da janela que há muito eu não reparava
A chuva de agora trouxe consigo um cheiro novo de paixão
Um sabor novo de pecado
Uma vontade enorme de ficar e
ficar e ficar… morando dentro de tua alma.

PS, te amo.

Poema de agora: Olha-me (Mary Rocha)

Olha-me

olha-me com pureza…
com aquela certeza de quem passou pelo fogo
e não derreteu

com a mágica impressão dos sentidos
que vai além de um gemido
pois se compõe da melodia
que constrói a alma

olha-me com calma
sem aquele velho clichê
que descreve alguém
pela mera aparência
veja-me além
do que a matéria
alcança…

olha-me com esperança!

sinta-me como  a um aroma
um cheiro que não pôde “cair”
de sua mente…

mas,
antes de isso tudo acontecer

olha-me de frente!

veja-me somente
vestida dos princípios
que me constroem

sinta a energia que vem de mim
…simples assim…
como um varal de roupas coloridas
quarando ao sol…

pois eu me faço de versos
mas,
meu “in” verso
também é real…
Mary Rocha

Poema de Quintana, o mestre!


XCVI. DOS HÓSPEDES

Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia…


XCVII. DA CALÚNIA

Sorri com tranqüilidade
Quando alguém te calunia.
Quem sabe o que não seria
Se ele dissesse a verdade…


XCVIII. DA EXPERIÊNCIA

A experiência de nada serve à gente.
um médico tardio, distraído:
Põe-se à forjar receitas quando o doente
Já está perdido…


XCIX. DAS DEVOTAS

Depois de todos os encantos idos,
Lhes chega a Devoção, em vôo silencioso,
Coruja triste que só faz o pouso
No oco dos velhos troncos carcomidos…


[Mario Quintana; Espelho Mágico, 1945]

Poema de agora: Justiça (@idanielsa)

Justiça

Semelhança imperfeita
Fragmentos da pureza
Em cabal oposição
E propósito singular
Evoluir e retornar.

Antes só instinto
A maldade subjuga
Todavia a consciência
Encerra no âmago bondade
Cumulada à razão
Educa a existência
Faz buscar a ventura
E residir na divindade.
Ivan Daniel Amanajás

Hoje é Dia do Funcionário público aposentado

Muitos não sabem, mas hoje comemora-se o Dia do Funcionário Público Aposentado e reservamos este espaço para saudar aqueles que dividiram conosco as responsabilidades dos serviços e agora desfrutam da merecida aposentadoria. 


Ao Funcionário Público Aposentado 

É hora de contemplar, 
De ver, que tudo não foi em vão, 
Que as sementes lançadas ao vento, 
Produziram alimentos para o corpo, 
E para o espírito. 

É hora de se orgulhar, 
E de refletir … 
A sua contribuição, 
Dia após dia, 
Foi registrada no tempo, 
E nem mesmo o vento, 
Poderá apagá-la. 

Peças encaixadas com maestria, 
No grande quebra-cabeças da vida. 
Exposto a todos aqueles, 
Que em algum dia 
Também irão dizer: 
EU VENCI!!! 

Fonte: http://www.alegre.es.gov.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=255:homenagem-ao-dia-do-funcion%C3%A1rio-p%C3%BAblico-aposentado&Itemid=135

Poema de agora: Recado (@Laritang)


Recado 

Humildade é dom que poucos possuem;
Antipatia é desnecessária, mas muitos assumem.
E a maioria dos que se julgam estrelas
Nem são a última Coca-Cola gelada do deserto:
São encontrados no minibox que estiver mais perto.
Não passam de glitter de qualquer papelaria,
Perdidos entre artigos baratos e velharias,
Entre promoções de queima de estoque.
Você não é tudo isso: se toque!
Lamento informar essa notícia de choque:

Ainda há várias bolachinhas restantes no pacote.

Lara Utzig

Poema de agora: O brilho intenso (@idanielsa)


O brilho intenso 

Ai de mim se um dia meus olhos
deixarem de te olhar nos olhos
dizendo-te, sem palavras,
que eu te amo profundamente!

Não seria mais digno de tê-los.

Foram esses mesmos olhos
que se perderam presos aos teus
sob a luz de um raio de sol
entre as folhas de uma árvore,
surgido para o momento
e eternizado pelo tempo.

E cada vez que os olho,
profundamente,
há um brilho intenso
revelando-me claramente
aquele mesmo ânimo
para a devoção extrema,
como se ainda fosse
à primeira vista.

Ivan Daniel Amanajás

Poema de agora: Transcriação (@Laritang)

Transcriação

Ereção a cada palavra.
O sêmen na caligrafia,
O desejo que escorre em fila,
Os dedos penetram uma linha.
Jorra e se espalha em cores,
A língua sem dissabores.
A preliminar veloz,
A escolha de um título feroz
Que resuma toda a cópula.
Eis que o processo de criação
Nada mais é que procriação
De uma espécie feita de tinta.
Na safadeza explícita,
Não me julgo prostituta
Pois ofereço-me gratuita
A serviço de um verso.
E nesse coito,
Papel-eu-pena,
Masturbo, com carinho, um poema…
E no ápice, sem aborto,
Gozo, enfim, uma estrofe:
– Engole ou cospe?
E orgulhosa, exibo minha cria:
Um orgasmo em poesia.
Lara Utzig