Poema de hoje: Flores e espinhos (Ivan Daniel Amanajás)


Flores e espinhos

Quisera ter sido
como a roseira
antes só espinho
depois a flor sorrindo.

Trocamos rosas
livres do perigo,
gentilezas de beleza
fingida e incompreendida.

Um tempo pretérito
de mágoas perdidas
que não se encontram
mas rimam,
suplicadas na lembrança
e refletidas no presente.
Pretextos legítimos,
sementes de um futuro
de tristeza contínua.

Ivan Daniel Amanajás

Branco e negro


Eu sou branco
Orixá me abençoou
Se me chamar de negro
Vou falar que também sou

Eu sou negro
Orixá me abençoou
Se me chamar de branco
Vou falar que também sou

Racismo é um rio poluído

(André Abujamra)

*Contribuição de Ronaldo Rodrigues

Poema de hoje: Silêncio



Silêncio

Estado de quem cala
Ausência de ruído
Sigilo, Segredo.
Calma, imaginação….
Para um corpo, um minuto de homenagem.
Morte, eternidade…
Arnaldo Antunes, a primeira coisa que existiu…
Orson Welles, êxito
Guerra dos Mundos…
Gerando CAOS…
Voz de quem ouve
Opinião…
Para o mestre, atenção e autoridade.
Para o aluno, castigo e obediência.
Para um milhão de pessoas, o pânico.
PARA a VIDA, EXISTÊNCIA.

Marcelo Guido

Poema sobre o Dia de Finados: Enfrentando a razão (Ivan Daniel Amanajás)


Enfrentando a razão 

Quão admirável é
a virtude e a coragem,
essa força moral
que nos permite evoluir.

Recebemos nossas missões
conscientes de realizá-las
por impulsos do inconsciente,
não conhecendo os defechos
nem o tempo necessário, 
mas sempre sabendo
que um dia voltaremos.

Afortunados aqueles despidos da carne, 
os que partiram antes
e retornaram à plenitude
da eterna morada,
pois morrer é transcender,
o corpo perece
mas a alma permance.

Aos que partiram antes de nós, 
meu respeito e admiração
por estarem enfrentando,
mais uma vez, a razão. 

Ivan Daniel Amanajás

Poema de agora: AUTOPSICOGRAFIA


AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
 Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve
Na dor lida sentem bem

Não as duas que ele teve
Mas só as que ele não têm
 E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão
Esse comboio de corda
 Que se chama coração
  
Fernando Pessoa

Poema de hoje: “Força Sempre” (Ivan Daniel Amanajás)


“Força Sempre”

e aquele dia que começou escuro
permaneceu
e prosseguiu ríspido
porque ninguém esperava
ninguém acreditava
todos confiavam
e ficaram acostumados
mas esqueceram de verificar
se era intenção continuar

e então aconteceu
e todos souberam da entrega
serena e consciente
do triste poeta que venceu

e desde aquele dia
tudo tem sido sombrio
a perda era inestimável
porque antes era identidade
e depois só alucinação
foram pífias as tentativas
todas em vão

urbana legio omnia vincit
dezesseis anos de ratificação

Ivan Daniel Amanajás

Poema de hoje: A falta não é ausência em todo (por Juçara Menezes)


A falta não é ausência em todo (por Juçara Menezes)

A falta não é ausência em todo.
Pode estar livre e ao todo presa.
Mas ao ligar, está-se em rolo
E dói ao saber que não mereça.

Fazer diferença é certa coisa
De que mal não há em essência.
Quem do outro lado fica, aparenta,
Estar satisfeita só desta maneira.

E no íntimo pede, e se incendeia.
Querer quem quer e não pode ter
Mas sonha, logra, cede, chilrreia.

Relembra promessas, mas ouve verdades.
Sabe do hoje e assume a vaidade
De ter dividido ao menos uma veia.