Hoje acontece o lançamento da coletânea Poesia na Boca da Noite


O rio Amazonas já mandou avisar que a brisa estará à disposição dos poetas e amantes da poesia hoje (21), quando será lançada em Macapá a coletânea “Poesia na Boca da Noite”, às 18h no entorno da Fortaleza de São José de Macapá (defronte do Banco do Brasil).

A coletânea, de 144 páginas, reúne poemas de 23 poetas amapaenses com idade entre 7 anos e 72 anos e traz textos contando a história do Movimento que começou em janeiro do ano passado com apenas quatro poetas (Rostan Martins, Alcinéa Cavalcante, Osvaldo Simões e Glória Araújo) na calçada da casa de Alcinéa Cavalcante e tomou as ruas, escolas, hospitais, praças e tantos logradouros públicos, chegando a reunir em várias ocasiões até mais de uma centena de poetas e amantes da poesia, como nas escolas Azevedo Costa e Santina Rioli.

Em agosto a coletânea foi lançada na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo, e chamou atenção de professores, escritores, poetas e amantes da poesia de diversos estados do país elevando o nome do Amapá no cenário cultural brasileiro.

Movimento Poesia na Boca da Noite

Poema de hoje: Triste engano (Ivan Daniel Amanajás)


Triste engano

Terra azul
Oceano
De rios curvilíneos
Transbordando
De verdes matas
Queimando
Vidas apagadas
Com a ganância
Devastadas
E solos fecundos
Soterrando o imundo.

Se eu pudesse
Fechava tuas feridas
E se assim o fizesse
Deixava-te protegida
Do animal ser humano
Que se diz teu dono
‘Evoluindo’ do teu dano
Um triste engano.

Ivan Daniel Amanajás

Poema de hoje: Meu Norte (Ivan Daniel Amanajás)


Meu Norte

Eu te vi ali, parada
Esperando a condução
Assim como eu, parado
Mas perdi a direção.

Vendo-te ali, parada
Quis segurar tua mão
Acabar com a espera
E ser tua condução.

Então marquei teus passos
E contei com a sorte
Ao perseguir teu coração
Descobri o meu caminho
Encontrei meu Norte.

Ivan Daniel Amanajás

7º Encontro Pena & Pergaminho


E o Pena & Pergaminho volta esse mês de setembro para mais um encontro, o seu sétimo do ano. Vamos nos deliciar lendo e ouvindo os poemas de nossos escritores amapaenses. 

Esse mês teremos poemas eróticos para comemorar o Dia do Sexo que aconteceu dia 06/09. 
Não percam mais essa noite de arte poética! 

Rodrigo Ferreira.

Poema de hoje: Angústia


Angústia

Sob o jugo do próprio olhar
Aprisionou-se em tirania
Quis viver aflito
Triste e oprimido
Reprimiu os sentimentos
E se escondia
Tentou acreditar que assim
Ninguém descobriria
Sua íntima agonia.

Ivan Daniel Amanajás

Desilusões da rosa


Desilusões da rosa 

Dez ilusões, não…
São tantas,
Mal posso mensurar;
Teu discurso repetido, vago,
Sem pontos finais;

Teu olhar que não fala,
Tua fala que não diz nada,
E meus dias,
Todos iguais…

Meus sonetos mortos
Como as águas da chuva
Nas quais não fizemos amor
Morte também dos sentimentos
Que não vingaram…

E, as sementes que não plantamos juntos
Coisas sublimes que o vento não levou
Você cravo, não se feriu
Com as brigas que não tivemos;

Nem debaixo da sacada…
Também não fui despetalada,
Porque por ti…
Não fui amada.

Hellen Cortezolli

Poema de hoje: Prelúdio pra América Latina (Tãgaha Soares)


Prelúdio pra América Latina

Não me venha falar de você
Não me venha falar de Hiroshima
Não me venha falar de Oriente Médio
Nem do remédio pra sua sina
Não me venha falar de seus sonhos
Não fale-me de novas dimensões
Estradas do além pra um mundo distante
De cavaleiros andantes
Na busca de chegar
Bárbara, eu sei da força latina
Dos filhos d’África que cantam teu chão
Ah, chão, pasto, coração
Sangrando a dor
A te decantar
Em tom maior
Agora me pega
E me bota no chão
Hoje sou bem mais
Que teu simples torrão
Sou América…
América do Sul
Eu sou América…
América do Sul
Eu sou América
América sou eu
E você…

Tãgaha Soares

Poema de hoje: Voa, passarinho…(Tãgaha Soares)


Voa, passarinho…

Quem te ver cantar pensa estar feliz
Há água e semente pra te alimentar
Não sabe, porém, que o teu canto é triste
Tuas asas se debatem por entre grades
Assim é o teu cárcere…
Passam dias, passam horas, passa o tempo
E esse é o passatempo da ave canora
Que poderia estar voando pras bandas de lá
Além de lá
E entre campos, cantos, flores, construindo ninhos…
Por que será que o homem
Irracional
Esse animal
Insiste em te prender?
Se a lei da natureza diz
Acima de tudo
Que o passarinho foi feito pra voar?
Voa, voa, passarinho…
Voa, vai além do céu…
Leste, Oeste, Norte, Sul
É tudo azul…
Voa para o infinito…

Tãgaha Soares

Poema de hoje: Sob o vazio do teu olhar


Sob o vazio do teu olhar

Insisto em olhar e vejo que não há nada lá a ser admirado.
Você desvia, e eu imagino que seja por medo.

Tua teoria é mais simples… É um não querer ser visto.
Um não querer prolongar o que acabará logo.

Penso no fim, só no fim.
Mas, não o espero.
Quero sempre mais de ti e mais de mim.

Não há conversa, só diálogo.
Frases sem acabamento e um silêncio…
Então do nada, penso em desistir.

Você então me toma.
Quando acordo, sinto a dor do teu do teu desejo de novo.
E, meu corpo nunca te rejeita.
Desta vez eu só não queria partir, nem que partisses.
Nunca quero te repartir.

Você diz para eu ficar e esperar a noite.
Não acho nada engraçado.

As minhas palavras duras e não ditas eram para me proteger de ti.
Meu olhar perdido, que não queria ser encontrado, era para me defender de ti.

Nada… nada a ser dito, sentido ou lembrado.
Mas, eu queria que tivesses ficado.

Hellen Cortezolli

Cantor Lula Jerônimo e Poetas Azuis se apresentam no Projeto Fim de Tarde no Museu

Mais uma programação especial foi organizada para esta quinta-feira, 12, no projeto “Fim de Tarde no Museu”, na Praça do Pequeno Empreendedor Popular. As apresentações artístico-culturais do Museu Sacaca, elaboradas pela Coordenação de Eventos Culturais, estão voltadas ao público visitante de todas as idades.

O objetivo é valorizar e difundir a produção artística e cultural do Amapá enquanto patrimônio cultural do povo amapaense, possibilitando ao público do Museu conhecer a música, a poesia e a gastronomia amapaense, interagindo com os artistas e produtores culturais.

Nesta quinta-feira, a atração ficará por conta do cantor Lula Jerônimo, que preparou um repertório totalmente eclético, em clima de férias. Entre uma música e outra, terá também a apresentação performática do Grupo de Poetas Azuis.

O projeto “Fim de Tarde no Museu” acontece todas as quintas-feiras, das 17h30 às 22h, na Praça da Alimentação do Pequeno Empreendedor Popular, onde a poesia e a música amapaense se encontram para o deleite dos visitantes.

Angela Andrade/Iepa

Poema de hoje : Desejos (Carlos Drummond de Andrade)


DESEJOS

Desejo a vocês…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade