Poema de hoje: Casablanca


Casablanca

Te acalma, minha loucura!
Veste galochas nos teus cílios tontos e habitados!
Este som de serra de afiar facas
não chegará nem perto do teu canteiro de taquicardias…

Estas molas a gemer no quarto ao lado
Roberto Carlos a gemer nas curvas da Bahia
O cheiro inebriante dos cabelos na fila em frente no cinema…

As chaminés espumam pros meus olhos
As hélices do adeus despertam pros meus olhos
Os tamancos e os sinos me acordam depressa na
madrugada feita de binóculos de gávea
e chuveirinhos de bidê que escuto rígida nos lençóis de pano

Ana Cristina César (Ana C.)

Poema de hoje: DECEPÇÃO


DECEPÇÃO

       No caminho ao desespero,
    Na casa do POVO, ferve o caldeirão
  E o amor da educação ao mosteiro
Acaba-se no gesto do bolso e da mão.
      O silêncio quebra a monotonia,
    O amor abate-se com o acórdão,
  A mira atinge o alvo da melancolia
E a luva de película mancha a mão.
       Mancha a mão de negligência,
    De dólar na meia e cueca carregado,
  Ao POVO, desrespeito a sua inteligência.
E ao pobre, o gosto do voto amargo.
              Perda da vara de condão, só violência,
                      Mensalinho, mensalão, mesadão,  
                    Filhotismo, verba indenizatória, excelência,
                  Fraco, covarde, falso e zangão.
      Vida, morte, mãos sujas, contramão,
    Mundo, IMUNDO, comunhão,
  Negativo? Não!
Crença, consciência, com o voto, a PUNIÇÃO.

               JOÃO BARBOSA

Fonte: http://escritoresap.blogspot.com.br/

Poema de hoje: Incumbência


Incumbência

Dois corpos, dois corações
Separados e distantes
Existências combinadas
Indispensável expiação
Encontros e desencontros
Limitando a missão.

Duas vidas, duas afeições
Unidas por desígnio
Intuito de evolução
Oportuna incumbência
Deu-lhes a Criação
Uma nova existência
Amplifica a provação.

Três essências, uma inquietação
Um ser, dois em atenção
Doce encargo
Edificante obrigação.

Ivan Daniel

II poema de hoje: E se foi em uma noite chuvosa…


E se foi em uma noite chuvosa… 

Passou o dia em um inferno sem fim…
Trabalhou pouco, escreveu mal…
Pensou em brincar na neve… lembrou o Natal…
Viu sua filha virar puta… Ufa! Não era ela, afinal…

Fez o rancho da feijoada, esqueceu a tintura…
Foi pintar o cabelo, a grana num dava para unha …
Saiu para voltar para casa… e voltou para a sua…
A mulher não estava lá… e sim na rua…

Publicou em um blog… fez sua parte…
Redefiniu sua vida… escreveu uma carta…
Resumiu o que não sentia… E perdeu sua arte…

A chuva lá fora emana umidade,
A vida é pequena, querida…
E ela fica triste e tem saudades…

Darth J. Vader

POESIA-POEMA


POESIA-POEMA

Qualquer revelia consome
um dolo ou eventual deslumbramento.

Qualquer sentimento de tolo
promessa, vaga luz, que seja fome.

Um dia esse tudo vai ter nome,
ou seja lá algo que mereça um puro momento.

Nem que tudo pare por um tempo todo
nessa espera doida que vivos assim nos consome.

Toda mensagem vaga será justa
ideia trocada num novelo de vento.

Luciano Magnus de Araújo

Poema de hoje : Verdade


Verdade

Nesta vida tão pequena
Que vivemos sem saber
O sentido verdadeiro
Do que é o bem-querer
Só fazemos do viver
Simples gozo de poder
Doação incondicional
É o que basta pra viver
E o mistério do amor
Fica claro pra você.

Ivan Daniel

Poema de hoje: “A Bunda, que engraçada”


A BUNDA, QUE ENGRAÇADA

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por
sina cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda, 
redunda.

Carlos Drummond de Andrade

Poema de hoje: A neblina de Pedra Branca

Pedra Branca (de manhã cedinho) – Foto: Elton Tavares
A neblina de Pedra Branca
Pedra Branca amanheceu branca
 Serração branca
 Manhã fria e um sol refrescante
 E a felicidade logo tornou-se branca
 Com leve tom azulado
 Agradeci a Deus primeiramente
 Depois ao Zé Tupinabá
 Ao seu Baiano
 À Vovó Servana
 A São Jorge
 Ao meu pai que olha por mim sempre
 A minha mãe que sempre me acompanha em suas orações
 Aos anjos
 Querubins e a todos os guerreiros de Deus que me protegem
 Agradeci também a todos que sorriem quando me aproximo
 Aos que possuem boas energias
Fernando França 

Poema de hoje: “DESEJOS”

Desejo à você…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.”
Carlos Drumond de Andrade