Poema de hoje – Recado aos amigos distantes

Recado aos amigos distantes 

Meus companheiros amados,

 não vos espero nem chamo:
 porque vou para outros lados.
 Mas é certo que vos amo.

Nem sempre os que estão mais perto
 fazem melhor companhia.
 Mesmo com sol encoberto,
 todos sabem quando é dia.

Pelo vosso campo imenso,
vou cortando meus atalhos.
 Por vosso amor é que penso
 e me dou tantos trabalhos.

Não condeneis, por enquanto,
 minha rebelde maneira.
 Para libertar-me tanto,
 fico vossa prisioneira.

Por mais que longe pareça,
 ides na minha lembrança,
 ides na minha cabeça,
valeis a minha Esperança.
Cecília Meireles

Poema de hoje – Desejo

Desejo – Vítor Hugo
Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar “.

Poema de hoje – Da Observação

Da Observação:


Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás assim do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…”


Mário Quintana

Obs: Juro que queria aprender isso.

Poema de hoje – A quentchura da Amazônia

A quentchura da Amazônia
Toda a quentura de Manaus
O mormaço de Belém
Sol a pino em Macapá
Tudo isso me cai bem
Mas a tal da malaria
E uma muriçoca diminuta
Me deixaram cuma quentura
Por demais filha da puta
Minha draga aposentou
Minha cuca tava em chama
Até visage me visitou
Semana tremendo na cama
Bendita seja a medicina
Pras doença tropical
Pois apesar do figo podre
Agora, já tou legal
Graciliano Galdino

Poema de hoje – A Música

A Música
Essas sonoras ondas que ao coração chegam, abate o cansaço, e a felicidade bendiz notas, obra de DEUS, sua perfeição, sentida em presença, Minh’alma ecoa cada som, meu coração as faz propagar, aumentar, e sentir no físico a felicidade em minha fronte, curto o som, que jazz se vai, trêmulo e compassado, sempre afinado.
By Weverton O. Reis

Poema de hoje – Resíduo

Resíduo

(…) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Carlos Drummond de Andrade

Poema de hoje – O tempo passa ? Não passa – Carlos Drummond de Andrade

O tempo passa ? Não passa
O tempo passa ? Não passa
O tempo passa ? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.
O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.
Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.
E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.
Carlos Drummond de Andrade

Poema de hoje (surrupiado da amiga Bárbara Damas)

A fuga de Jonas

  Jonas em barco estrangeiro foge do Verdadeiro
Lançado ao mar no estômago do grande peixe
Se oculta, se escuta, se desmancha
Desescama o coração…
Oração
 Pssssilêncio!Alguém está em carne viva
O mergulho vai mais além
Até que a besta viajante volte à superfície
E cuspa fora a criatura
 Que cansada da dúvida
 Agora
 Vai
                                             Viver.                                      


Bárbara Damas

Poema de hoje

Foto: Ewerton França
A ponte
Lá se vai mais uma semana
E nenhuma que não te esqueço.
A cabeça rodando por causa da cerveja,
E a raiva do que sinto e desejo.
É como se da casa visse o monte
E do monte o grande abismo
Do outro lado há tudo que preciso:
Amor e amar mesmo que ontem.

E como do abismo ir ao outro monte?
Voando! As asas da paixão que me levem!
Da morte errada se faz a grande ponte!

E é o que ainda me dá vida
Porque mesmo que o voo não aconteça
Terei de volta a liberdade perdida…
Darth J. Vader

Poema de hoje

 
 
‘Perdoe-me amor’

Não queira mal a mim
 Só porque trabalho assim
 Demasiado
 Pense que sou um anjo
 Regando o canto
 De um ser amado
 Assim são as estrelas
 Passam a vida toda trabalhando
 Levam anos, anos luz
 Para serem percebidas
 E quando o são
 Tornam-se infindas
 (07/10/2011)
Fernando França – Jornalista e poeta.

Poema de hoje

Não se acostume
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!
Fernando Pessoa