Sarau O Norte é Forte recebe as poetas Negra Áurea e Pat Andrade neste domingo

O sarau é uma iniciativa da escritora Débora Menezes, autora do livro Amor Roxo por Manaus e Outras Histórias, e começou com escritoras (e alguns escritores) de Manaus no início da quarentena, em março deste ano, e é realizado sempre aos domingos. Os convidados são poetas da região Norte, entre eles, Silvia Grijó, Pricilla Conserva, Tainá Vieira, Priscila Pinto e Rafael Cesar de Manaus; Neto Freitas e Marcelo Freire de Roraima; Marcela Bonfim de Rondônia e Lara Utzig, Mary Paes, Fernanda Canora e Fernanda Magalhães do Amapá.

Agora, as próximas convidadas são as poetas Negra Áurea e Pat Andrade, ambas daqui de Macapá. Durante a live, muito bate-papo, troca de experiências, histórias de vida e, claro, poesia.

Sobre Negra Áurea

Maria Áurea dos Santos do Espirito Santo ou simplesmente “Negra Áurea” é uma poeta nascida em Igarapé-Miri no Pará. Como formação, possui Magistério, é pedagoga pela UNIFAP/AP, especialista em Gestão do Trabalho Pedagógico pela Faculdade Atual e Educação de Jovens e Adultos pelo IFAP/AP e Mestra pela Universidade Três Fronteiras no Paraguay. Mora em Macapá desde 1996 e trabalha na Educação do estado.

É uma das precursoras do Movimento Literário Afrologia Tucuju, que trata da historicidade, religiosidade, autoestima e subjetividade do negro. Um grande movimento literário com temáticas voltadas para a relação étnico-racial, no combate ao racismo, discriminação e preconceito e a consolidação pedagógica das leis 10.639/03 e a 11.645/08.

Sobre Pat Andrade

Pat Andrade é uma poeta amazônida. Atualmente, vive em Macapá. É acadêmica do curso de Letras da UEAP. Há mais de 13 anos, vende seus poemas em publicações que ela mesma produz. Já são mais de 25 livrinhos artesanais e pelo menos dois livros virtuais. A autora é colaboradora do Site De Rocha!; tem poemas publicados na coletânea Jaçanã – Poética Sobre as Águas e seu trabalho é estudado por acadêmicos do curso de Letras da Unifap e em algumas escolas da rede pública estadual de ensino.

Pat se considera uma militante da Literatura: visita escolas, universidades e participa de eventos literários e culturais, os mais diversos. Vai assim, semeando a palavra, colhendo brisa e plantando tempestades.

Neste domingo (24), às 20h, o Sarau O Norte é Forte será transmitido ao vivo, pelo Instagram.

Poema de agora: SEM FIM – (Vídeo poema de Áquila Almeida – @manudosertao)

SEM FIM

eu menti pra você
todas as vezes em que disse que te amo
tudo o que um amor grande pode comportar
não se pode medir um sentimento
o amor não tem distâncias terminadas
margens medidas
contenções ordinárias
o amor não se rende a prosaísmos poéticos
é um sentimento imenso
feito as águas correntes de um rio furioso
não há olhar que o decifre
mãos que o alcancem
palavra que o detenha

áquila e.

Poema de agora: UMA HOMENAGEM À OIAPOQUE – (poesia de Marven Junius Franklin, acompanhado do piano de Natália Ribeiro)

MARVEN JUNIUS FRANKLIN ACOMPANHADO DO PIANO DE NATÁLIA RIBEIRO – UMA HOMENAGEM À OIAPOQUE.

Poesia 1

quando cheguei em Oiapoque
achei que a mata era o céu
e as ruas eram nuvens em silêncio

depois veio o espanto:
o cais se confundia com o arrebol
e o rio era uma aurora boreal
que pulsava defronte

ah, logo o pôr do sol se apresentou

– e confesso:
senti uma calmaria assombrosa

quando amanheceu
observei que o teu rio era blue

ah, em tardes mornas eu assisti
o voo acrobático das andorinhas

e naquele momento adveio o equilíbrio

… hoje
sou um mero observador do cotidiano
e em minha alma pulsa
as asas estilhaçadas de um poeta urbano

sim, Oiapoque
tens o sabor de tempo passado
– dias mornos nos arredores do teu cais

(naus assombradas de Pinzón)

ah, Oiapoque carregas os passos
de mortas vigilengas
que atravessam tuas avenidas
em corcundas de solidão

(em desassossego)

*Poesia OBSERVADOR DO COTIDIANO de Marven Junius Franklin. Música: uma adaptação do 1º movimento de “Serenade” de Franz Schubert interpretada por Natália Ribeiro.

Poesia 2

Da Rampa de Embarque
até o Chez Modestine
catraias multicores a mover meus dias

(horas que morrem
sob luas imaginárias – encantado cais que me abriga).

Ó, demoiselle!
Tu conheces bem os entardeceres frios
& a neblina densa que acende meus medos.

Ó, Oiapoque!
O leito desse teu rio afável
traz a metade lírica de minha vida

(apegos, pores do sol, prantos…solidão).

Ó, Rio Oiapoque! És um blues.

*Poesia RIO OIAPOQUE [IN BLUES] de Marven Junius Franklin. Música “Romance de Amor” de Antônio Rovira Interpretada por Natália Ribeiro

Poema de agora: Apenas ontem doí – Luiz Jorge Ferreira

Apenas ontem doí

O coração é louco…
…se faz de menino…
não me deixa pegar no sono.
Eu fico olhando a ponta dos pés.
Desenho borboletas Prêt-a-Porter com as mãos no reflexo do luar na parede.
Ouço o barulho do vento penteando as telhas.
Ouço as pisadas do tempo pintando de branco minhas sobrancelhas .

E o coração é louco, quer eu regrida um pouco tendo como passaporte, as Canções que ele trás para que eu me lembre.
Põe vontades absurdas, quer me fazer correr nú na chuva.
Gritar teu nome no final da rua.
Quer que eu jogue pedregulhos nas mangueiras, quer que eu dance frevo nas ribeiras, quer que eu amanheça azul.


O coração é louco, abre asas e planeja voos sem direção, quer que veja eu pela milésima vez o sorriso no retrato,e que eu sinta o perfume no frasco vazio, que sumiu,
quando a pele se tornou outrora.

Quer que eu me desenhe no umbral da porta, e escancare todos os horizontes que colecionei em uma agenda do Colégio, quer que eu espalhe todos os meus passos, que eu sorteie todos os abraços que eu guardei na caixa de sapatos, onde um par de meias descolore.

O coração é louco…
Está rouco de cantar um estribilho de uma balada triste e antiga, que fala de um longo dia, em que alguém sumiu na estrada, para se esconder.
O coração quer que eu diga,o que fiz, e onde eu estava.
Desligo o rádio, e ouço longemente ele … cantarolar…Yesterday.

Luiz Jorge Ferreira

* Do Livro “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas”.

Poema de agora: poeminha irrequieto – Pat Andrade

poeminha irrequieto

estendi minha poesia na janela
pra ver se aquecia o coração
mas não veio nem sol, nem calor…

ansiei desesperadamente pela chuva
para ver se refrescava a alma
mas não veio água, nem nuvem…

chateada, guardei a poesia na gaveta
pra ver se ela esquecia do que há de ruim.

mas é tão irrequieta que se livrou de lá
e voltou correndo pra dentro do peito
e não para de me cutucar

mas diz que não sai, de jeito nenhum…

vou esperar que fique mansa,
que se acomode…

quando estiver distraída,
agarro-a pelo primeiro verso
e boto pra fora,
até a última rima

Pat Andrade

Poema de agora: A Terceira Via – Adélia Prado (Vídeo e voz de Áquila Almeida – @manudosertao)

A Terceira Via

‘Jonathan me traiu com uma mulher
que não sofreu por ele
um terço do que eu sofri,
uma mulher turista espairecendo na Europa.
Jonathan é bastante tolo.
Estou sem saber se me mudo
para alguém mais ladino,
se espero Jonathan crescer.
Sem descasar-me, sem gastar um tostão,
o moço oferece-me pensamentos diários
com irresistível margem de perigos:
posso ficar tísica,
posso engordar
posso entender de física,
posso jejuar
produzindo sua imagem na hora mais quente do dia.
Ismália me diz: ‘Deus é um tijolo,
está aqui no nariz do meu cachorro.
eu sou puro pecado’.
E imediatamente come docinho de aletria
com descansada certeza:
‘Irei salvar-me porque Deus me ama’.
Não tenho o peito de Ismália
para chegar perto de Deus.
Por isso fico ganindo
e chego perto dos homens,
cheiro a camisa de Pedro,
o travo ingrato de Jonathan.
Todos viram que minha boca secou
quando disse muito prazer e desfaleci na cadeira.
O amor me envergonha.
Da geração da cachaça,
do é ou não é,
do ou casa ou vai pro convento,
não posso ser gay e dizer: depende, vou ver, vou tratar do seu caso.
Comigo é na pândega
ou na santidade mais rigorosa.
Eu não servia para ter nascido,
para comer com boca, andar com pés
e ter dentro de mim oito metros de tripas
desejando a filigrana de tua íris
cuja cor não digo para não estragar tudo
e novamente ficar coberta de ridículo.
Sei agora, a duras penas,
porque os santos levitam.
Sem o corpo a alma de um homem não goza.
Por isto Cristo sofreu no corpo a sua paixão,
adoro Cristo na Cruz.
Meu desejo é atômico,
minha unha é como meu sexo,
meu pé te deseja, meu nariz,
meu espírito – que é o alento de Deus em mim – te deseja
pra fazer não sei o quê com você.
Não é beijar, nem abraçar, muito menos casar
e ter um monte de filhos.
Quero você na minha frente, extático
– Francisco e o Serafim, abrasados -,
e eu para todo o sempre
olhando, olhando, olhando…’

Adélia Prado

Instrumental: Silence of Siberia, do Andy Othling.
Voz e Imagem: Áquila Emanuelle.

Poema de agora: Peito na Cidade – @stkls (Vídeo e voz de Áquila Almeida) @manudosertao

O PEITO DA CIDADE

agora posso olhar a cidade nos olhos
recitar um poema de forma que
se eu encostar o meu ouvido
sobre o seu peito de terra
sou capaz de ouvir que por ali o mar
já desenhou ondas
a cidade é sertão por ser infinita
assim como céu
como tudo que a poesia toca
e transforma em palavra
lágrima e estrada para um mundo novo
a cidade será beijada pelo hemisfério norte
dois sois dois poemas azuis

Pedro Stkls – Vídeo e voz de Áquila Almeida

Poema de agora: ALHEIO – ALHEIO

Ilustração: AGONIA. Óleo sobre cartão, de Ismael Nery – 1931.

ALHEIO

Não! Não dormirás o sono dos justos
Enquanto te pesar o fardo
Da dor alheia.
A tua sabedoria de cifrões,
Os teus livros de contabilidade,
Os teus anéis de muitas pedras
Não aplacarão o horror de teus pesadelos.

Não suportarás com paciência
A dor no fígado alheio.
Tuas entranhas também se contorcerão,
Mas de fome moral.
Tua alma faminta
Estenderá a mão pendinte sem resposta.
A boca de teu espírito magríssimo
Mastigará o pão que o diabo vomitou,
Teu estômago de esfinge
Roncará na noite infinda.

Não! Não morrerás sem agonia
Enquanto te assombrarem mortes
De inocentes.
O teu terno de papel moeda,
Os teus óculos de raio-x,
O teu colchão de água benta
Não aliviarão teu inumano grito.

Precipitarás em abismos eternos,
E deixarás partes de ti nas encostas
E sangrarás cada suor que bebeste,
E te olharão os olhos que fechaste,
E te devorarão as bocas que costuraste,
E te açoitarão as mãos que pregaste.

E nascerá o dia sem que vejas a luz,
E soprará o vento sem que possas respirar,
E brotarão as flores sem que sintas perfume algum,
Mas sentirás, é certo,
A tua decomposição maldita
Sem testemunha,
Sem lamento de outrem,
Sem lágrima alheia,
Sem nada do que possa lembrar
Saudade!

Ori Fonseca

Poema de agora: Cuidando da chuva sob a mesa – Luiz Jorge Ferreira

Cuidando da chuva sob a mesa

Ela diz que é gente.
Eu a belisco com minhas unhas sujas de piche…
Ela me diz que é Vênus.
Eu arranco uma tatuagem tribal do seu tornozelo esquerdo.
Esfrego sabão em seus olhos verdes.
E faço silêncio quando ela respira.

De manhã eu decoro a casa com mensagens, algumas coisas ouvidas no Colégio, outras lidas no Facebook.
As vírgulas, retiro de uma música de propaganda da Panair.
E os vestidos que dependuro na janela, e lhe mostro, recorto de uma antiga Revista Vogue, Pierre Cardin e Clodovil.

Os cães de louça olham-me, hostis.
Eu os acaricio com os adedos molhados de Anil.


Às 15:45… é hora do lanche.
Eu como você, e você me come.

Luiz Jorge Ferreira

Poema de agora: Música, corpo e madrugada – @juliomiragaia

Música, corpo e madrugada

Tua dança
Transborda
Serpentinamente
Num abismo quente
E noturno
De excitação

Tua pele,
Teus ossos
E espírito
Mergulham
Apaixonados por ti
Para dentro
E somente de ti

És uma pantera
Que de tão
Fêmea
És
Fruto
E fera
De um bruto
Beijo
No escuro

Descansas
Tua cintura
Diabólica e bela
Entre o silêncio
E teus sussurros:
Equinócios

És de um mel
Selvagem
E bélico
A precipitar
O que desejo
Em cada gota
Desta língua:
Em pororoca

Júlio Miragaia

Poema de agora: Carta – Adélia Prado (Vídeo e voz de Áquila Almeida)

Carta

Jonathan,
por sua causa
começam a acontecer coisas comigo.
Ando cheia de medo.
Quero me mudar daqui.
Enfarei dos parentes, do meu cargo na paróquia
e cismei de arrumar os cabelos como certas cantoras.
Não tenho mais paciência com assuntos de morreu, quem casou,
caí no ciclo esquisito de quando te conheci.
Fico sem comer por dias, meu sono é quase nenhum,
ensaiando diálogos pra quando nos encontrarmos
naquele lugar distante dos olhos da Marcionília
que perguntou com maldade se vi passarinho verde.
Me diga a que horas pensa em mim,
pra eu acertar meu relógio pela hora de Madagascar,
onde você se aguenta sem me mandar um postal.
A não ser o Soledade e minha querida irmã
ninguém mais sabe de nós.
Só a eles conto meu desvario.
Bem podia você telefonar, escrever, telegrafar,
mandar um sinal de vida.
Há o perigo de eu ficar doente.
Me surpreendi grunhindo, beijando meu próprio braço.
Estou louca mesmo. De saudade. Tudo por sua causa.
Me escreve. Ou inventa um jeito – eu sei mil –
de me mandar um recado.
Da janela do quarto onde não durmo
fico olhando Alfa e Beta – que na minha imaginação
representam nós dois.
Você me acha infantil, Jonathan?
Pediram insistentemente para eu saudar o Embaixador.
Respondi não. Com todas as letras, não.
Só pra me divertir expliquei
que aguardo nesta mesma data visita da Manchúria,
professor ilustre vem saber
por que encho tantos cadernos com este código espelhado:
OMAETUE NAHTANOJ.
Torço para estourar uma guerra
e você se ver obrigado a emigrar para Arvoredos.
Me inspecionaram. Devo ter falado muito alto.
Beijo sua unha amarela e seus olhos que finge distraídos
só para aumentar minha paixão.
Sei disso e ainda assim ela aumenta.
Alfa querido, ciao.
Sua sempre, Beta.

(Carta, Adélia Prado, “A Faca no Peito” – Vídeo e voz de Áquila Almeida)

Poema de agora: Ilha de Santana – @elle_custodio

Foto: DaniElle Custódio

Ilha de Santana

Perdida nos pensamentos
me tornei andarilha, 
veja só o que aconteceu
quando percebi, já estava na Ilha.

Cá estou despercebida
tão despretensiosa,
olhando a Ilha gloriosa
embora tão esquecida.

A rua vestida de poeira
sem eira nem beira,
trazia a criança faceira
que brincava a brincadeira.

Aqueles sorrisos alegres
que me encantavam então,
aqueles felizes moleques
que brincavam no chão.

Na roda, rodavam
cantando a cantiga,
na rua brincavam
com a infância amiga.

Na Ilha esquecida
me encho de emoção,
pois vi a inocência
neste mundo de cão.

DaniElle Custódio

Poema de agora: FOMES – Ori Fonseca

Ilustração: Retirantes, de Cândido Portinari.

FOMES

Qual o tamanho exato de tua fome?
Quanto naco de pão jogaste fora?
Vidas reclamam por teu lixo agora,
Alguma boca junto a ti não come.

Que latas buscas quando a tarde some?
O que procuras tanto noite afora?
A fome d’alma assombra-te na aurora,
Mas é a do corpo que humilha e consome.

O mundo fez da fome tua amiga,
Ela é essência de tua natureza.
Morres de fome e matas na incerteza

De não saber qual fome te castiga,
De quanta fome é cheia tua barriga,
De quanta fome é te servida à mesa.

Ori Fonseca

Poema de agora: ECLIPSE MATERNAL (*) – Luiz Jorge Ferreira

ECLIPSE MATERNAL

Entro em você, mãe, não para que seu calor me
Aqueça, para que eu lhe aqueça.
Não para que você me proteja com seu abraço,
Mas para que a lembrança dos seus braços,
Receba os meus abraços

Entro em você, mãe, não para que eu volte
Ao lugar onde muitas vezes estive,
Mas para que sua consciência cósmica receba
Minhas vibrações íntimas, como um beijo.

Entro em você, mãe para que entre nós se
Fortaleça a criação que se iniciou quando você de
De mim engravidou, e estará consigo quando eu, mãe,
For também.

Entro em você, mãe, para que mesmo dormindo
Nunca perca de vista esta distância que só se faz
Crescer entre nós

Mas dentro do seu desenho, no interior do seu
Interior, recomeço.
Recomeço sempre, embebida nas suas lembranças,
Carrego comigo todos os algos de você que nunca
Saíram de mim, dentro da sua figura desenhada.

(Para quem nos olha)
A figura é a minha, aninhada, terna,
Cicatrizada nas pupilas do tempo.
Louvo a distância que me fez reconhecê-la
Aqui na superfície fria deste chão.

Luiz Jorge Ferreira

(*) MÃE EM UMA FOTO

Recebi de um amigo a foto (uma garotinha, órfã de guerra, desenhou um corpo de mulher representando sua mãe, a giz, no chão do pátio do lugar onde se abrigava. E nele entrou e se deitou, tendo o cuidado de deixar de fora do esboço traçado no chão, os chinelos, como fazem os asiáticos, em forma de respeito, ao adentrar o solo sagrado do lar). Daí o poema.