Poema: Tudos e Nadas – Ori Fonseca

Ilustração: De Quantas Máscaras Você É Feito?, de Paulo Laender.

Tudos e Nadas

Eu quero dizer o poema das vertentes,
Entes
Transbordando dos canais,
Empilhados nas calçadas,
Comendo tudos e nadas
Nos ramais
Correntes.
Eu quero cantar o lamento dos humanos,
Manos
Pululando nas esquinas,
Sufocando as alvoradas,
Temendo tudos e nadas
Nas ruínas
Dos anos.
Eu quero entender os anímicos de andores,
Dores
Dos anêmicos nas ruas,
De crenças desesperadas,
Louvando tudos e nadas
Há zil luas
De horrores.
Eu quero sonhar todo sonho que me aterra,
Terra,
Ventre escuro de onde vim,
Solo de minhas moradas,
Meu chão de tudos e nadas,
Do meu fim
Da guerra.

Ori Fonseca

Poema de agora: Sete – Arley Amanajás – @arley_amanajas

Sete

Todo dia é isso, a coisa se repete
o lixo no poder, e a gente engolindo o chorume
é a burguesa batendo na preta, e o diabo se diverte
o povo comendo osso, com maior pobreza de que de costume
se jogando na vida, no foço, do prédio, do cume
todo dia é assim, banheiro limpo e rosas pra ti
a custa do sal do rosto dela
essa migalha paga com desdém do teu espírito elevado
vai te custar caro, enquanto o futuro repetir o passado.

e se repete.
da tragédia de um genocida.
tragédia já escrita por muitas frases, atos e C.I.A
pelos gritos de amém
pelos trabalhadores de refém
pelo boi e pelo fuzil, também

genocídio desse e de outro povo.
genocídio do povo que era povo desde antes do branco saber o que era mundo novo
e lá na beira d’agua, do barranco seco, olha o rio desse dia
nem novo nem velho, só mais um, de 521 anos de resistência e rebeldia

mas há de custar caro
como custou pra quem pensava, que era só mudar o palácio e a cabana se adequava
como quem pensou que a chibata era mais forte que o dragão que no mar navegava
como quem pensou que poesia era só pra quem estudava

Mas é hoje que a arma vale mais que o feijão, não ontem
é hoje que a subsistência vale menos que a pátria, não amanhã
hoje que o país vale mais que o povo,
que a bandeira é orgulho e a geladeira apavoro
hoje que o passado se repete e o futuro se escreve

nesse dia, por mais que, muitas vezes mais que 7 nos lutamos
e 70 vezes 7 nos levantamos,
em um setembro, por enquanto perdido
vamos traçar nossos planos, sem capitães, nem milicianos

Engasgado com a podridão que escorre do centro para nossa goela, no celular a mensagem é clara: tudo está normal. Nada de novo nesse país continental
Os poderes resistem ao vento e as casas solidas construídas sobre ossos nativos seguem tranquilas: impávidos colossos de sofrimento e estabilidade.
Aqui de cima, pra onde todos olham com os mesmos olhos do passado, não consigo ver. Só sinto isto, neste instante, um estalo, um estopim, um estrondo
com manchas vermelhas no fim.

mas o hoje é só um.
é só mais um dia
de luta, de morte, contra mais um genocida.

Arley Amanajás

Hoje: programa Conhecendo o Artista recebe a poeta e produtora cultural, Andreia Lopes

Nesta terça-feira, às 20h, no insta @srta.modesto, o Programa Conhecendo o Artista integra a programação alusiva em homenagem aos 7 anos de Quilombo Cultural Sankofa, este tem sido vitrine, há anos, para jovens artistas que encontram no Quilombo espaço e visibilidade. Portanto, receberemos Andreia Lopes, idealizadora do projeto itinerante Quarta de Arte da Pleta.

Andreia é atriz, diretora, declamadora, produtora cultural e incentivadora de novos talentos. Iniciou sua carreira artística aos 15 anos de idade atuando no espetáculo ¨ Do lado de lá” de Celso Dias. A partir daí, participou de diversos grupos, como o Movimento Cultural Desclassificáveis, onde assina como atriz e diretora e o Tatamirô Grupo de Poesias, com o qual realizou em 2008 diversos Recitais Poéticos nas Universidades Estaduais e Federais em diversos municípios do Estado. São tantos recitais poéticos que Andreia esteve em Belém, São Luiz, São Paulo, Rio de Janeiro, Barcelona e Macapá.

Andreia criou o projeto itinerante Quarta de Arte da Pleta com objetivo de incentivar, descobrir, visibilizar e oportunizar novos talentos, em especial mulheres jovens e negras pela multiplicidade artística através da música, poesia, cinema, dança e artes visuais com a parceria de Naldo Amaral Tattoo. Nos últimos anos o Projeto tem sido abraçado pelo Quilombo Cultural Sankofa que hoje comemora 7 anos e o nosso programa especial será gravado diretamente lá, em meio a festa de encerramento da programação oficial.

Vale lembrar que o Sankofa é muito mais do que um ponto de encontro e socialização; tem sido parceiro de muitos projetos culturais; tem abraçado causas sociais e feito um brilhante trabalho de inserir jovens artistas na cena cultural. Entre tantas parcerias, em 2019 sediou cerimonial de encerramento e premiação da I Edição do Festival de Solos Cênicos de Circo e de Teatro – In Solos Tucujus. Conta em sua programação com o Domingo da Tradição, que vem recebendo os grupos de marabaixo e batuque, que trazem um pouco da sua história através das apresentações, dentre eles destaca-se o Berço do Marabaixo, Filhos da Tradição, Açucenas, e Grupo Guá. Em parceria com o estúdio Tatto Naldo Amaral, desenvolve o projeto Tatto Solidário, onde é feita arrecadação e distribuição de brinquedos à comunidade em datas alusivas ao dia das crianças e natal. Vida longa ao Quilombo Cultural Sankofa!

Ficha Técnica:

Produção e Apresentação: Kássia Modesto
Produção: Jubson Blada
Artista Convidado: Andreia Lopes
Roteiro: Marcelo Luz
Arte: Rafael Maciel
Realização: Acessa Cult Produção, Quarta de Arte da Pleta e Quilombo Cultural Sankofa.

Poesia de agora: sexo literal – Pat Andrade

sexo literal

e veio a palavra beijar-me a boca
enfiou em mim sua língua
usou muitos substantivos
deu-me adjetivos
causou-me advérbios

depois de rápida análise
entreguei-me aos seus verbos
apaixonei-me por tempos e modos
me envolvi com sua semântica
lambi cada fonema

encantada com seus significados
vencida por suas conjugações
não tive dúvidas…
fiz amor com ela

Pat Andrade

Poema de agora: SONOROS DESTINOS – Marcelo Abreu e Pat Andrade

SONOROS DESTINOS

palavras ao vento
reverberam num poema
que veio vindo de longe

a vida estendida
num quaradouro
espera ávida
pelo voo da arara

nossas novas roupas velhas
penduradas no varal
enchem as auroras de cor

novos acordes ecoam
em metais e sons etéreos

dançamos felizes na floresta
sob o rufar dos tambores

enquanto a noite não vem
traçamos nossos destinos
no soar dos trovões

Marcelo Abreu e Pat Andrade

Poesia de agora: Route 66 [OS VERMES SOBRE A LUA MORTA] – Para meu irmão Baby Franklin (Marven Junius Franklin)

Foto: Pedro Stkls

Route 66 [OS VERMES SOBRE A LUA MORTA] – Para meu irmão Baby Franklin

Baby!
Tu não estavas comigo
quando fiz a rota estonteante de Kerouac [Oh! uma caça insana
pelas cercanias do fim do mundo!]
Sim brother!
Tu nem sabes…
mais como Edgar Allan Poe [ The mad poet]
solvi o néctar insípido da inspiração alucinada
Pasme Baby!
Em tardes mornas de Oiapoque [quando as tardes ateavam fogo no rio]
vi os vermes que se moviam doentios pela lua morta
a alastrar fés prolixas pelo píer de embarque
Entenda mano!
Que navegando a esmo pelas alamedas gris de Oiapoque
escutei a vozearia que emanava dos mortos em garimpos longínquos… [mortos adornados de paralelepípedos e face aterrorizada de tempestade]
Ó Baby!
Bukoviski deve ter rido de mim [amanhecido num pub em Los Angeles]
encharcado de boilermaker e delírios
[seu olhar impudico me disse do aspecto extenuado da velha prostituta]
Ah! Mano!
a embriaguez de agora é destinado aos meus mortos particulares
[a quem destinei todas as minhas noites em aberto defronte ao rio…]
Sabe Baby!
A Route 66 eu trago em meu cerne nômade
[a enaltecer o insólito]
sob as lonas policromados de um circo na velha Santarém
Sim! Sim!
Nosso velho pai [cor de aveia quaker] deve ter ambicionado fugir com os tristes saltimbancos em alguns momentos[ quando sentiu frio no pátio gélido do campo de aviação]
Baby! Baby!
Com os poetas excomungados [aprendi o que se pode ver além das velhas cercas de arame farpado que divisam castas e credos]
com Ginsberg e Whitman [desaprendi a predisser o empíreo com a lupa do conformismo…]
Ah! Baby!
Quantas noites em claro passei
lendo as estrelas que surgiam inermes em meu anfiteatro de dor [esperando que um trem de ferro cruzasse minha sala de jantar]
Sim brother!
Louis Zukofsky sou eu a galopar estradas de Imagismo
[vomitando rancor] quando as injustiças
espalhavam engodos e miséria pelas cidades perecidas
Ah! Irmão!
Do terraço do Bar do Parque
que in(lúcido) de bier[divaguei em desatinos]
aguardei o estranho adeus
[observando o ir e vir dos transeuntes
caminhando para o acaso!]

Marven Junius Franklin

Poesia de agora: Calendário – (@cantigadeninar)

Calendário

Imagem de breakfast, food, and morning
os dias são feitos de papel
contados na folhinha
páginas da agenda
e a noite é troféu

os números são tinta
que pinta liquidações
50% off
no shopping das ilusões

os meses são o próprio tempo
astuto e traiçoeiro
setembro, novembro, dezembro
a gosto de fevereiro

as feiras são sempre as mesmas:
aguardam sábados domingos
em que não há protocolo e memorando
só pão quentinho sobre a mesa.

Lara Utzig

Poema de agora: FUNDO FOSCO – Marcelo Abreu

FUNDO FOSCO

Nada muda
Nessa moda antiga
Nessa pátria muda
De sorrisos tristes
De abraços frios
De discursos mórbidos

Nada passa
Essa gente apática
De palavras bélicas
De hipocrisia farta
De bravura pífia

Nada finda
Na República elitista
No separatismo imposto
Nesse fundo fosco
De almas sem vidas

Nada alcança
Esse país sem fé
Sem esperança
Sem o ouro arbítrio
Sem o doce afago
Sem a grandeza
da inocência
de uma criança

Marcelo Abreu

Poesia de agora: Contas a pagar – Luiz Jorge Ferreira

CONTAS A PAGAR

Eu diria,
entre, seja bem-vinda,
não atropele as lembranças jogadas pela sala.
Tudo continua como antes, cada coisa fora de seu lugar.
Por arrumar.
Os meninos rasgando papel, uma lua esquecida no quintal,
um violão sobre o sofá, afinado em Lá, desafinado em Sol.

Tudo continua igual.
Eu continuo sentado pelos cantos.
Escrevendo versos de desencanto, procurando o JR e o jornal,
lembrando algo que esqueci, sem importância,
e dando importância a coisas banais.

Eu diria, sente, pode ligar a televisão.
Ouvir meus discos independentes,
perguntar por alguém que a gente conhece
e nunca mais viu.
Tem café, tem vinho branco, tem cachaça,
têm uns livros novos dos mesmos
que você às vezes não conhece num retrato desfocado,
e outras vezes reconhece quando entram em casa com ares de sensatos,
e se desfazem do rosto.

Pode tirar seus sapatos e pô-los por aí.
Eu fico olhando distraído do horizonte para o teu umbigo,
pode ser sábado, pode ser domingo.
E se der na telha beijo os meninos e vou dormir.
E se for outubro, ligo para Belém e pergunto pelo círio,
pela fé, pelo pato no tucupi.
E se eu deixar você sorrir você não chora
e conta estórias do arco-da-velha,
faz-me acreditar que vai chover de madrugada.
Faz dengos sociais, pergunta se comi bem,
se deitei cedo, se fui feliz com o enredo do poema nestes últimos dois meses.
Eu digo que fui, e que sou, entre um espirro e outro,
se for setembro, falamos de aniversário.
E se toca o telefone você atende, se for engano você desliga.

Se for para mim, eu atendo sentado,
um ouvido no papo,
e olho, do teu umbigo, para o quarto.

Luiz Jorge Ferreira

*Do livro “Beco das Araras” (1990).

A Reforma Maderária – Texto poético de Bruno Muniz

“A Reforma Maderária”

Roto e gasto, o Toco conversa com o Tamborete.
De ouvido uma Cadeira senta e não balança.
De fina madeira e pregos de ouro o Trono escuta de travessa.
O Sofá, da sala, espicha o olho.
“Lá vem o Toco reclamar, falar de socialismo, de Reforma Maderária”, diz a Espreguiçadeira saindo da piscina de toalha.
“Acredito que todos têm direito ao acabamento mínimo”, comenta o Divã, forrado de camurça, seda e caxemira, tomando o chá das cinco deitado no escritório.
“O Bolsa Acabamento está deixando esse povo mal acostumado”,
diz irritado o Banco de Macacaúba.
“Pau Brasil querendo verniz de primeira? Que respeite o artigo quinto da Constituição: “Todos são iguais perante as Madeiras de Lei””, disse, corando, imponente, a Mesinha de peroba rosa.
E o Toco, cabisbaixo, volta à casa de ripa, tira a farpa do nariz, pega o livro de Karl Marx do calço da Cadeira Manca e dorme sonhando com aguarrás no óleo de peroba e cheiro de alfazema pra Amazônia inteira.

Bruno Muniz

Poema de agora: Setembro – Thiago Soeiro – @ThiagoSoeiro

Setembro

Silenciosamente as flores esperam a próxima chuva.
Querem banhar-se de água doce do céu.
Haveria eu como adiantar a chuva?
Esse setembro corre seco em minha boca,
não me deixa falar algumas palavras passadas
Existe salvação para as flores secas?
Acreditar…


A palavra toma conta dos dias alaranjados
É mais que querer.
É fé que dias melhores estão por vir
Tem flores morrendo nos campos esta primavera
Só pra nascer em teus cabelos no próximo verão.

Thiago Soeiro

Poema de agora: Retrovisor – Ori Fonseca

Ilustração: René Magritte – Os amantes (1928)
RETROVISOR
A mim me basta a tua paixão sem hálito,
Os teus olhos vagando no planalto,
O teu corpo rarefeito.
Eu posso te entender na temperatura da sala,
Nas manchetes que te assustam nos sites
(Que há muito chamei de sítios),
Nas páginas das revistas sem páginas,
Na intimidade com quem não conheces.
Eu te perdi sem nunca ter te achado,
Sem nunca ter me livrado de ti.
Vejo-te no retrovisor,
Subindo as escadas rolantes,
Atravessando a rua estressada,
Com a cara cheia de razão.
E te sinto entrar no meu quarto por debaixo da porta
(Teu cheiro não me abandonou como tu),
E me amar nos meus pesadelos à tarde,
E, no abismo, soltar minha mão sem dizer palavra.
Um dia, quando nossas dimensões se tocarem,
Talvez possamos reconhecer que já nos conhecemos
E que andamos juntos,
E que não fomos mútuos estranhos
E que já rimos honestamente da mesma graça
E que nos olhamos nos olhos
E pudemos morar na alma do outro,
E sentindo efemeramente
Algo que se pode confundir
Com amor.
Ori Fonseca

Lançamento da Antologia Poética: “A beleza de ser negro”, na Ueap (com intervenção poética de Pat Andrade a Arílson Souza)

Nesta terça-feira (31), às 19h, no auditório da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), será lançado o Antologia Poética: “A beleza de ser negro, elevando a autoestima e a subjetividade do ser”. A obra, que tem como organizador o escritor Ivaldo Souza, conta com 20 autores. A proposta do livro  é, ´por meio da poesia, elevar a autoestima da população afrodescendente. O evento contará com intervenção poética de Patrícia Andrade e Arílson Souza.

A obra traz a composição poética de vários autores, que fazem do universo da poesia um veículo para ajudar a vencer o preconceito étnico-racial. O livro possui uma rica seleção poética com composições de vários escritores, favorecendo assim, seus esquemas mentais e contribuindo para a internalização de suas subjetividades.

O novo livro  traz informações científicas com base em pesquisas acadêmicas, cujo conteúdo vem mostrando como se desenvolvem e se manifestam as relações do preconceito étnico-racial em sala de aula. A obra enfatiza ainda os prejuízos que o preconceito pode trazer à vida das pessoas. Nela apresenta-se também uma visão religiosa e científica a respeito da igualdade entre os seres humanos e, além disso, como sugestão de combate ao preconceito, traz a poesia negra, recheada de informações que envolvem o combate ao preconceito étnico-racial.

De acordo com a lei, 11.645/08, todas as escolas devem recontar a história da população negra e mostrar o verdadeiro potencial, a verdadeira capacidade que temos em desenvolver nosso cognitivo, partindo desse pressuposto, selecionamos poemas que pudessem expressar toda a grandiosidade de ser negro.

“Precisamos sim nos preocupar em vencer o preconceito étnico-racial, sabemos que o preconceito pode afetar todo o desenvolvimento de uma pessoa, e a poesia é uma forma simples e prazerosa de ajudar nas construções da subjetividade do ser humano, assim digo: as palavras são armas poderosas capazes de mudar nossas ações, nossos esquemas mentais, nossa autoestima e nossas emoções subjetivas”, ressalta o organizador da Antologia.

Apoio

Esta obra é formada pela junção de outros livros já publicados pelo autor – As relações étnico-raciais em sala de aula, Preconceito e discriminação racial e Afrologia tucuju – uma espécie de reedição atualizada com informações inéditas. O livro conta com apoio da Secretaria de Estado da Cultura. A publicação foi selecionada e financiada pelo edital 003/2020 – SECULT CARLOS LIMA “SEU PORTUGA”, da Lei Aldir Blanc 14.17/2020.

Poesia de agora: O ÓBVIO – Pat Andrade

O ÓBVIO

ainda que arrancassem meus olhos
não deixaria de enxergar
o desespero do cotidiano
pelas esquinas
bancos comércios
baixadas prédios

toda a desilusão
devidamente contida
caprichosamente disfarçada

os carros passam indiferentes
há uma morbidez aparente
e a poesia manifesta

somos mortos vivos
implorando por dias mágicos
músicas etéreas
pratos colossais

estamos à beira do caos

somos míseros poetas
rabiscando diante do cais
a desejar mares e horizontes
que não podemos alcançar

somos pássaros tristes
que mesmo fora da gaiola
perderam a vontade de voar

Pat Andrade