Poema de agora: Pa de Deux – Jorge Herberth

Pa de Deux (JH)

O SOL derretido
Nas mãos do verão
Nos pés da BAILARINA

No olhar de despedida
O SOL
De barco
Navega um charco
Nos sonhos do PESCA DOR

O SAL no suor
Derretendo
Mágoas risos,flores
Calos dores
No âmago da pele
Textura no palco

O SAL derretido
No convés do corpo
Na maresia da partida

O SOL dissipado
Trinca
Em raios
Foge dos dias
Se abre em lágrimas de SAL
Nas manhãs
Temperadas de SOL
Presente futuro

O SAL pousa nas carnes
Escapa dos ventos
O SOL
AH, o SOL derretido
Derretendo SAL
Vinga em membranas
Aningais

O SOL
O SAL
Temperam em gotas
Sutilezas em corpos
Doces
Água marinha
Sargaço
O SOL não escapa da noite

O SAL derretido
Corre o tempo
Nas lágrimas do mundo sagrado
Amálgamas d’almas
O SOL
Sal dos dias
O SAL
SOL da vida
Das noites fugidias
Derretidos
Em barcos
E nuvens

Onde emergem
PESCADORES
Doces BAILARINAS

Jorge Herberth, em 13/06/2019.

Bárbara Primavera apresenta recital solo “Por Onde Nascem As Flores”

A poeta Bárbara Primavera ensaia seu novo recital “Por Onde Nascem As Flores” desde de março de 2019, e a estreia está marcada para o dia 19 de setembro, no Sesc Araxá. O novo trabalho aborda a temática da força da mulher e suas lutas diárias para se manter em evolução.

Primavera é natural de Afuá-PA e lá iniciou sua carreira como poeta e escritora. Sempre foi uma leitora de poesia e carregava um fascínio pelo poder de transformação dos versos. Através de seus textos busca contar a sua história e a sua visão sobre o lugar que a cerca e os personagens desse lugar. Barbara mora em Macapá desde 2016 e por aqui participou de diversas rodas de poesia e assim tornou-se amiga de grandes poetas como: Bruno Muniz, Ana Anspach, Carla Nobre, Thiago Soeiro, Mary Paes e Pedro Stkls, Claudia Almeida, Rostan Martins.

Em “Por Onde Nascem As Flores” a poeta narra uma tangente entre o rio e o asfalto, recitando versos que falam da mulher amazônida, sua força e misticismo.

Ao seu lado no palco será acompanhada dos músicos Michele Maycoth (Percussão), Jhonathan Jardim (Violão) e Edson Neto (Tambor). O evento aconteceu no são de evento do SESC terá inicio às 19h e a entrada é um 1kg de alimento não perecível.

Serviço:

Por Onde Nascem As Flores
Dia 19 de Setembro
19h00
Salão de Eventos do Sesc Araxá
Entrada 1kg de alimento não perecível

Thiago Soeiro
(096) 99155 – 6451 (whats app)
(096) 98140-4994
Twitter: @ThiagoSoeiro

CD TODO MÚSICA, O PRIMEIRO SOLO DO CANTOR E COMPOSITOR ENRICO DI MICELI – Por Ruy Godinho

Enrico Di Miceli – Foto: Alexandre Brito

Por Ruy Godinho

Eis que chega ao cenário fonográfico brasileiro um laivo de esperança, uma luz no fim do túnel, o CD Todo Música, primeiro solo do cantor e compositor amazônico Enrico Di Miceli, cultivado ao longo de três décadas de profícua carreira.

A causa de tamanho espanto, esperança e reconforto é que, sempre antecedido pelo canto do anun, as notícias que têm sido anunciadas para a área cultural não têm sido lá muito boas. Num cenário fonográfico direcionado por força do poder econômico, este álbum aporta como um alento, um canto alvissareiro de que as coisas boas estão latentes, vivas e que a qualquer momento podem pratear o céu como uma noite de lua cheia.

A impressão que se tem quando da primeira audição, é de que o disco não poderia ter outro nome: Todo Música. E que a faixa título representasse um autoelogio – bem que poderia. Mas, não é, foi composta em homenagem a Gilberto Gil– grande referência de Enrico – e que imprimiu todo o conceito da produção.

Mas, que o “cara é todo música”, é. Tanto que a produção se apresenta como uma vitrine da competência e da criatividade de Enrico Di Miceli, um compositor intuitivo, livre das amarras da teoria, rebelde, que vai e vem solto,em diversos gêneros. Compõe belas melodias que desfilam suas belezas nas já reconhecidas harmonias sofisticadas, que é um diferencial do compositor. No cardápio temos as baladas Todo música (c/Joãozinho Gomes) e Sebastiana (c/Zeca Preto), o bolero Beijo clandestino (c/Joãozinho Gomes), o funk Rita Santana (c/José Inácio Vieira de Melo), o marabaixo Pedra de Mistério (c/Osmar Jr.), os batuques Dançando com a sereia (c/Joãozinho Gomes) e Encontro dos tambores (c/Joãozinho Gomes e Leandro Dias), o reggae-marabaixo Língua intrusa (c/Joãozinho Gomes), o blues Idade não é documento (c/Eliakin Rufino), a balada-jazz Tenho você que me tem (c/Jorge Andrade), a balada pop Vale mais (c/Joãozinho Gomes) e o marabaixo Bacabeira (c/Cléverson Baía e Joãozinho Gomes). A única faixa não autoral é a balada-rock Dia quente (Zeca Baleiro/Joãozinho Gomes), tão constante no repertório de Enrico que não poderia ficar de fora. É de bom alvitre esclarecer que marabaixo e batuque são ritmos tradicionais da africanidade amapaense.O fato é que é difícil classificar só um gênero numa faixa, pelo fato de Enrico estar sempre buscando fundir os ritmos.

Não bastasse, o CD é valorizado com a pluralidade de parcerias, é enriquecido com a qualidade das letras dos parceiros,quase todos poetas amazônicos, que não desassociam letra de música de poesia: Joãozinho Gomes, Zeca Preto, Eliakin Rufino, Jorge Andrade e Osmar Jr., além do baiano José Inácio Vieira de Melo, que lhe presenteou com a letra de Rita Santana, composta em homenagem a uma atriz, poeta e ativista político-social baiana.

À propósito, Zeca Baleiro escreveu no encarte:

O Norte tem sido a grande Meca da música brasileira nos últimos anos, tamanho é o arsenal de ritmos, caminhos harmônicos e sonoridades. E neste belo Todo Música, Enrico Di Miceli põe sua pitada de tempero ao grande banquete musical amazônico. Viva o rico mundo de Enrico! Enrico, sarava, irmão!”

Nas gravações, Enrico Di Miceli escalou um time de virtuoses de Macapá, instrumentistas do mais alto nível, velhos conhecidos. São eles:Edson Costa (Fabinho) (guitarra), Alan Gomes (baixo), Hian Moreira (bateria) e o percussionista mais genuíno para os toques do marabaixo e do batuque, Nena Silva (percussão). A estes, Nilson Chaves, que fez a Produção Geral de Estúdio e a Direção Artística, arregimentou um reforço de primeira linha, de Belém, dentre eles:, Davi Amorim (guitarra e banjo), o próprio Nilson Chaves (violão de nylon), Adelbert Carneiro (baixo), Edgar Matos (teclados), Esdras de Souza (sopros), Edvaldo Cavalcante e Márcio Jardim (bateria), Kleber Benigno (Paturi) (percussão geral) e o quarteto de cordas formado por Bruno Valente (violoncelo), Rodrigo Santana (viola), Marcus Guedes e Ronaldo Sarmanho (violinos).

Parte dos arranjos foram feitos por Alan Gomes, Edson Costa (Fabinho) e Hian Moreira; três faixas foram creditadas como ‘arranjo coletivo’, todos contribuindo com seus pitacos.Mas, também constam os arranjos de Nilson Chaves e de dois outros renomados ícones da música paraense: o baixista Adelbert Carneiro e o maestro Tynnoco Costa, este último responsável pelos arranjos de cordas.

O disco foi gravado e mixado no Estúdio APCE (Belém/PA), pelo técnico de gravação Assis Figueiredo, que também o mixou ao lado de Nilson Chaves. A masterização foi feita por Carlos Freitas (Classic Master, SP) e a produção executiva foi de Clícia Vieira Di Miceli.

*Ruy Godinho é pesquisador, radialista e escritor.

Poema de agora: Diário Oficial de Outro DIA – Luiz Jorge Ferreira

Diário Oficial de Outro DIA

Páginas que sobram:- Umas.
1971.
Cai a primeira telha e chove.

Dez anos.
O navio que passa ao largo.
Incorporou-se ao quadro da paisagem.
O dia treze de Abril cai na sexta-feira e chove.

Depois da chuva.
Vendemos a casa para um consertador de guarda chuvas.
Que cobre a lua com um pano preto.
Faço um rabisco triste do navio soltando fumaça.


Dependuro-o na parede do quarto, sob o espaço vazio da primeira telha.
Na fotografia, datada de mil novecentos e sessenta e nove.
Vejo nos três, bizarros, para a Kodak desfocada.
Tomando um táxi.

1970.

Ana suicidou-se com barbituricos.
Eu quebrei um pré-molar comendo Fruta de Conde.
Migraram as Garças pintadas no pano de prato.

1980.

Tomamos um porre de Gim.


Curtimos tim…tim… por tim…tim…
9…1/2…Semanas de Amor.

Em 1990, houve eleições.
Hoje!
Doze de Outubro, chove.
Silvia, continua virgem.


Eu?
…me mudei.

Luiz Jorge Ferreira

* Poema do Livro “O Avesso do Espantalho” – Scortecci – São Paulo – 1998.

Poema de agora: ERRANTE – Ori Fonseca

ERRANTE

O amor é cego
O horizonte fica além do alcance da mão
Cada degrau no rumo
O muro antes do tempo
O buraco no caminho
O escuro…

O
Amor
É
Cego../

O faro como estrada
Onde está meu pai?
Menina! Eu sou menina!
Eu quero a luz! Cadê?
Eu sou menina! Onde?
Eu quero a luz pra ver!
Meu deus, eu sou menina!
Eu menina?
Eu quero a luz!

O
Amo
Re
Ce
Go.:

Os olhos de fumaça
O tato a encher os olhos
O cheiro a encher os olhos
Ouvidos como os olhos
Língua, meus mil olhos.
Passos descabidos
Rumos sem sentidos
Salto além do tempo
Passo aquém do espaço
Olhos de fumaça
Quero ver meu pai!

O
Am
Or
É c
Eg
O!-

O que é justiça?
Onde está Deus?
O que é Deus?
Onde é justiça?
A vida importa?
Justiça e Deus importam?
O que sou eu pra eles?
Deus e justiça, o que que são pra mim?
Por que meu tempo é errante ao tempo de meu pai?

O
A
M
O
É
C
E
G
O

Ori Fonseca

16 anos sem Johnny Cash – Para não esquecer do “Homem de Preto”

Há exatos 16 anos, morreu o cantor, compositor, escritor, diretor e ator norte-americano Johnny Cash, o popular “O Homem de Preto”. O cara foi um dos pioneiros do rock’n roll. Também um dos artistas mais completos que o mundo já viu e certamente está entre os mais influentes do século XX.

Sua inconfundível voz sepulcral, o distintivo som “boom chicka boom” de sua banda de apoio “Tennessee Two”, foram “marcas registradas” do artista que também foi o “rei da música country”.

Criativo, inovador, romântico, rebelde e diferente. Foi um dos pioneiros do rock’n roll, exibia um ar meio maldito andando sempre de preto, mesmo nas coloridas décadas de 60 e 70. Suas canções falavam de crimes, cadeia, de um cotidiano underground e alternativo.

Com seu vozeirão típico e sua poesia amarga, Cash foi precursor de um grito social em uma época que ninguém estava muito preocupado com esse assunto, e além de tudo, ele era o tipo de ídolo que apreciava enfiar o pé na lama sem dó. Mas ao contrário de muitos que foram influenciados pela sua poderosa postura marginal e revolucionária, resolveu viver bem mais que 27 anos e assim deixar uma extensa obra musical.

John R. Cash nasceu dia 26 de fevereiro de 1932, em Kingsland, Arkansas e era o quarto de sete irmãos. Eles eram de uma família não muito rica, nem muito pobre. Acho que classe média baixa para aquela época se encaixa bem no perfil. E resumindo bastante a vida dele antes da carreira, ele começou a cantar e tocar violão bem cedo. Chegou a cantar na rádio local músicas gospel na época da escola e até gravou um álbum com essas músicas.

Em 49 anos de carreira, Johnny Cash escreveu mais de 1000 canções, lançou 55 álbuns de estúdio, 6 ao vivo, 84 compilações, 165 singles, 19 videoclipes e 2 trilhas sonoras.

Cash nunca fez um show em que ele não estava usando preto. Cash começou a usar ternos pretos como um amuleto de boa sorte, porque ele usava uma camiseta preta e calça jeans em seu primeiro show ao vivo. Ele uma vez disse a Larry King, “[Eu] nunca fiz um show em qualquer coisa, mas preto. Você anda no meu armário de roupas. É escuro lá dentro.”

 

Recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, como 1 Academy of Country Music, 1 Academy of Achievement, 3 Americana Music Association, 9 Country Music Association, 17 Grammy Awards e 1 MTV Vídeo Music Awards.

Cash faz parte do Hollywood Walk of Fame (1960), Nashville Songwriters Hall of Fame (1977), Songwriters Hall of Fame (1977), Country Music Hall of Fame and Museum (1980), Rock and Roll Hall of Fame (1992), Kennedy Center Honors (1996), Rockabilly Hall of Fame, National Medal of Arts (2001) e Gospel Music Hall of Fame (2011).

Um pouco de sua história foi retratada no filme Johnny & June, de 2006, com Joaquin Phoenix interpretando o homem de preto. Cash teria sido a primeira pessoa a ser processada nos EUA por ter causado um incêndio florestal. Cash que muitas vezes levava seu trailer, Jesse James, para o deserto para farras regadas a metanfetamina. Uma vez, o trailler teve um vazamento de óleo que causou um incêndio no Los Padres National Wildlife Refuge. O incêndio matou quase todos os condores ameaçados do refúgio, e Cash respondeu: “Eu não dou a mínima para seus urubus amarelos.”

O respeito pelo Homem de Preto manteve-se mesmo após sua morte, em 2003. Desde então, trabalhos póstumos alimentam o legado do cantor e essa procura não resume-se apenas ao terreno musical. Em 2016, foi publicada uma coleção de poemas e letras, até então desconhecidos – “Forever Words: The Unknown Poems”. Dezesseis desses textos foram musicadas e o resultado por ser ouvido na recém-lançada compilação “Johnny Cash: Forever Words”. A lista de realizadores presentes na homenagem reúne familiares, amigos ou artistas sobre quem Cash exerceu uma forte influência.

O rock é minha expressão artística favorita e Cash foi um dos maiorais. Todos nós, fãs, guardamos o homem de preto na memória e no coração.  Johnny morreu em 12 de setembro de 2003, aos 71 anos, vítima de diabetes. Ele nunca parou de gravar, de compor e de fazer shows. Deixou um dos maiores exemplos de como um homem deve se portar a frente de uma longa e tortuosa estrada da vida: ser ele mesmo.

Poema de agora: UM RIO EM MIM – Pat Andrade

UM RIO EM MIM

o rio que corre em mim
carrega estrelas pro teu mar
desemboca em mil amores
deságua dores em marés

o rio que corre em mim
é um eterno pororocar
nasce e cresce nas tuas fontes
desfaz os sonhos no horizonte

o rio que corre em mim
vive em pleno preamar
no encontro de nossas águas
lava e leva minhas mágoas

PAT ANDRADE

Poema de agora: Eu Que Nunca Falei de Amor – Marven Junius Franklin

EU QUE NUNCA FALEI DE AMOR

quando te conheci ouvia Friday I’m In Love
[e fazia um frio dilacerante em frente à plataforma de embarque]

quando te conheci andava feito saltimbanco por ruas e luas imaginarias
[estava deveras abatido dentro de meu guarda-roupa de sombras]

meus olhos buscavam o tempo que passou[ e já passava das 19h ]
sempre imerso em meu castelo de pedra

as verdades eram o que os meus mortos diziam
e a claridade[falsa incandescência] me ofuscava quando amanhecia lá pros lados de Saint George

ah! ao te conhecer beirava o suicídio
e quando você chegou [vestida de girassóis] as flores renasceram em meu horto de mentira [e agora as horas são sonetos de Pessoa que ouço em transe!]

ah! quando você chegou…Eu renasci vestido de bruma!

Marven Junius Franklin

Promovido pela Secult, “Projeto Escadaria” traz dança, música e poesia ao Teatro das Bacabeiras, nesta sexta-feira (6)

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult), por meio de sua Coordenadoria de Ação e Difusão Cultural, realizará nesta sexta-feira (6), a partir das 18h, nas escadarias do Teatro das Bacabeiras, o “Projeto Escadaria”, que consiste em proporcionar à população apresentações artísticas-culturais gratuitas em frente à casa de espetáculos. O encontro contará com dança, poesia, marabaixo, capoeira e música ao vivo.

De acordo com o secretário de Estado da Cultura, Evandro Milhomen, o evento oportuniza a classe artística e promove cultura na capital amapaense.

“Queremos abrir espaço para diferentes vertentes culturais, dos saberes, fazeres e tradições do Amapá. O projeto favorece artistas e sociedade, pois integra vários segmentos culturais, assegura a ocupação dos espaços do Teatro das Bacabeiras e incentiva a população a comparecer”, pontuou o gestor.

Programação:

Brenda Melo
Paulo Bastos
Afrobrasil
Bruno Muniz
Claudeth Machado
Staly Break
Raízes do Bolão
União Capoeira

Serviço:

Local: Teatro das Bacabeiras
Data: 06/09/2019
Horário: 18h
Classificação: Livre
Entrada: gratuita

SESC Amapá realiza evento de vivência literária com a apresentação “MARÉ LITERÁRIA”

O SESC Amapá promove a apresentação “MARÉ LITERÁRIA” nos dias 05 e 06 de setembro, com abertura para às 19h30, com a interversão literária – A Magia da Palavra – no Salão de Eventos do SESC Araxá. A programação segue com show, oficina e mesa redonda.

A Maré Literária põe em evidência a literatura local, nacional e internacional, trazendo nomes como Pedro Stkls, Thiago Soeiro, Carla Nobre, Aline Monteiro, Lucão, Mary Paes, Neth Brazão, Claudia Almeida, entre outros.

Oportunizando novos diálogos e interações com os leitores, o Festival Maré Literária busca trazer o intercâmbio entre autores nacionais e locais proporcionando uma programação voltada para a qualificação daqueles que escrevem e daqueles que se deleitam com a literatura.

Assessoria de Comunicação Sesc
Celular e WhatsApp: (96) 98407-9956

Poema de agora: PARALELO – Ori Fonseca

PARALELO

Levarei de ti o teu sorriso largo,
O brilho de teus olhos,
O doce de teus seios,
O cheiro de tua alma.
Deixarei contigo o meu pranto ardente,
O meu passo torto,
A minha escrita errada,
O medo de tudo.

E te visitarei nos infortúnios,
Em cada aumento de preço,
Em cada árvore caída,
Em cada topada surpresa,
Em cada amor perdido.
E arderemos juntos como bruxas nas fogueiras,
Como livros nas fogueiras,
Como dinossauros.
E viajaremos por universos sem dimensão,
Sem forma nem peso.

Eu estarei em teu sonho lúcido,
Assombrarei tua paralisia do sono,
Repuxarei tua perna em câimbras,
Cansarei teu sossego.
E me expulsarás.

Quanto tempo dura uma queda no sonho?
Quantos séculos Ana Karenina passou consciente debaixo do trem?
Quantas vezes morri e morrerei por ti, minha bem-amada, neste relógio de mil ponteiros?

Mundos que se cruzam,
Vidas que se atraem,
Histórias espelhadas – opostas e mesmas.
Eu me conheço em ti, em mais nada.
No sal do teu sorriso,
Na preguiça dos teus olhos,
No gelo dos teus seios,
Na pressa da tua alma.

E chocamo-nos casualmente
Num lance de dados mallarmaico,
E a sorte nos definiu.
Sei-te olhando nos meu olhos,
Sei-te vendo minha sombra,
Sei-te gota do meu sangue,
Cheiro do meu suor.

Não importa com quantas vidas colidirás.
Teus mundos paralelos são paralelos teus.
Não me dizem respeito teus eus sem “eu”.
És-me estranha o mais das vezes – sorte tua.
Sorte é tudo. Tudo é sorte!

Eu seguirei apontando para a expansão,
Viajando para o invisível,
Ouvindo gritos, gemidos, gozos, explosões…
E vendo em cada carcaça de estrela
A tua mão se estendendo à minha
E me chamando a sentar à mesa
E me oferecendo um prato quente
E me perguntando como têm sido as vidas.

Ori Fonseca

Poema de agora: O ESPANTALHO SÓ – Pat Andrade

O ESPANTALHO SÓ

Adquiri um espantalho.
Está sempre a espreitar
Quando chego ou saio…
Instala-se na janela,
Pendura-se no teto
e de onde está
Me conta em silêncio
O quanto se sente só.
E vai tecendo teorias
Sobre o que pode fazer
Sendo um feio boneco.
Me olha cabisbaixo
Com seu olho de botão
E pergunta tristemente
Se não me canso da solidão

PAT ANDRADE

Amapaenses integram Conselho Editorial do Senado Federal

Na última quinta-feira (29), o Presidente do Conselho Editorial do Senado Federal, Senador Randolfe Rodrigues, deu posse aos novos integrantes do Conselho Editorial, no Salão Nobre do Senado Federal. A Jornalista Alcinea Cavalcante e o poeta Joãozinho Gomes são os novos Conselheiros da Sociedade Civil.

O Conselho Editorial (Cedit), criado em 1997, é o órgão normativo responsável pela formulação e implementação da política editorial do Senado Federal. Este setor cumpre com a atribuição de publicar obras fundamentais da cultura brasileira de caráter econômico, social, político e histórico.

O Senador Randolfe Rodrigues, ao assumir a presidência do Conselho, reestruturou o Órgão dando-lhe nova configuração com o predomínio de conselheiros da sociedade civil. Nessa nova fase, o Conselho contará com intelectuais, escritores, reitores, jornalistas, educadores e atores, representativos da diversidade étnica e cultural do país.

Além do presidente, fazem parte da nova composição do conselho Esther Bermeguy de Albuquerque (Vice-presidente), Alcinéa Cavalcante, Aldrin Moura, Ana Luísa Escorel, Ana Maria Machado, Ricardo Caichiolo, Cid Benjamin, Cristovam Buarque, Elisa Lucinda, Fabricio Ferrão, Ilana Feldman, Ilana Trombka, Joãozinho Gomes, Ladislau Dowbor, Márcia Abrahão Moura, Rita Potyguara, TT Catalão, Toni Carlos Pereira.

Assessoria de comunicação do senador Randolfe Rodrigues