Poema de agora: Ethereal (@cantigadeninar )

Ethereal

há uma citação de Scott Fitzgerald…
there are all types
of love in this world
but never the same love twice.
amores são sempre tão plurais
e singulares em cada recomeço…
basta dar adeus aos ais
abrindo chance para virar-se do avesso.
amores vêm e vão:
alguns resistem aos empecilhos,
outros ficam retidos em algum vão,
uma fresta, lapsos temporais presos em estribilhos
de poemas nunca publicados,
pelo chão espalhados,
por toda a casa;
casa esta que está impregnada
do aroma de antigos buquês de flores
e das lembranças de cada namorada.
eis que entre todos os amores,
um único é o amor de sua vida:
o dono da mais úmida lágrima derramada,
durante meses contida,
na resistência de aceitar a perda da amada.
em meio a esse processo
é perdoável qualquer excesso:
quando dizes se cuida,
no fundo ainda quero ser cuidada.
a tal tristeza é comprida,
cumprida fielmente e a cada dia
crescida na esperança de ser curada.
de todos os amores que tive,
em apenas um me detive:
o amor que se perpe(tua).
em mim há a absoluta certeza
de que serei permanentemente tua
e essa é minha maior fra(n)queza,
porque sou livre e mesmo assim sigo na contramão
ao ser ciente
de que meu efêmero coração
te pertence
eternamente.

Lara Utzig

Sesc Amapá promove o “VII Aniversarau do Pena & Pergaminho”

 

Evento ocorrerá no próximo sábado, 23 de março às 19h no Sesc Centro.

O Sistema Fecomércio AP, por meio do Serviço Social do Comércio (Sesc), inicia as comemorações de sete anos da Associação Cultural Pena & Pergaminho. Em comemoração à data, será realizada mais uma edição comemorativa de aniversário, chamada “Aniversarau”, que acontecerá no dia 23 de março, no Sesc Centro, a partir das 19h e a entrada será gratuita.

Na ocasião será lançada a “Antologia Pena e Pergaminho” que é resultado do trabalho feito durante esses sete anos, valorizando o trabalho de jovens poetas e que, atualmente, conta com a participação de 40 escritores. Além disso, neste dia, terá também declamações poéticas, apresentação musical e intervenções literárias.

Movimento Literário

Com o objetivo de democratização da literatura, o projeto “Movimento Literário” é uma associação cultural sem fins lucrativos, aberta a toda a comunidade, para artistas de diferentes vertentes e para o público apreciador e multiplicador da arte, em suas mais variadas formas e estilos. A associação realiza ações literárias, para apreciadores da arte cultural literária, abarcando todas as faixas etárias, o que engloba um público maior, por não ter censura de idade.

Serviço – Sesc Amapá

Larissa Lobato – Coordenadora de Comunicação & Marketing
Marcel Ferreira – Assessoria de Comunicação e Marketing
Anézia Lima – Estagiária de Jornalismo
Email: [email protected]
Fone: (96)3241-4440 (ramal 235)

Poema de agora: Beijo Divino – Graça Penafort

Beijo Divino

Manhã chuvosa
Lágrimas do céu caem sobre nós.
O coração desconhece a dor e a alegria.
Só os sentidos falam.
Entre o verde repousante,
bela, glamurosa, delicada,
abre-se à Luz a perfeição do Universo.
Limito-me a contemplá-la.
O impulso é devastador: arrasta-me!
Meus lábios tímidos procuram as pétalas molhadas.
Isso basta.
Um quase imperceptível perfume desperta-me à poesia.
É o beijo divino na minha boca profana.

Graça Penafort

Fonte: Blog da Alcinéa

Poema de agora:Bússola – (@cantigadeninar)

Bússola

Imagem de compass, vintage, and grunge
éramos felizes:
encontramo-nos por acaso.
porém, de uns tempos pra cá
começou um descompasso…
antes caminhávamos juntas,
combinando bem os passos.
agora tropeçamos:
meu pé direito, em direção ao futuro,
se atrapalha com teu pé esquerdo
emperrado
no passado.
e no desritmado compasso
estancamos no marasmo
dos desentendimentos estúpidos
no meio da Avenida FAB.
eu quase caí num bueiro,
tu desviaste de um buraco.
nem sei mais pra onde íamos,
tamanho o embaraço.
de tanto discutir em vão,
a fim de não perder o norte
[era para a praça da Bandeira,
Parque do Forte,
ou à orla da cidade?]
soltei de vez tua mão
e segui rumo à liberdade.

Lara Utzig

Poema de agora: (A) POETA DEUS – De Ori Fonseca para Pat Andrade

A poeta Pat Andrade – Foto Paulo Rocha.

(A) POETA DEUS

“Deus é bom! Obrigada”, disse a poeta
Deus se ri dela que acredita
Deus chora a me pedir que acredite.
A poesia é um jogo de crenças
Eu acredito em Pat
Pat acredita em Deus
Deus não acredita em ninguém
A poesia acredita em tudo
Eu, mudo, quero Pat em tudo
Pat, quer Deus, o orador mudo
A poesia quer a todos, eu escuto
Deus não quer ninguém.
Tá puto!

Ori Fonseca

Poema de agora: Acaso – (@cantigadeninar)

Acaso

Sorveterias sobrevivem de domingos.
Alfajores são vendidos a turistas.
Pet shops enriquecem com a tosa de poodles.
Cinemas encarecem ingressos para filmes 3D.

A parada do Dia de São Patrício desfila.
A fila do banco dá voltas no quarteirão.
O extrato aponta R$0,29 na conta corrente.
Livros emprestados são devolvidos com orelhas.

Carimbos dão ciência em papeladas burocráticas.
A caixa de entrada acumula spams “aumente seu pênis”.
A vida segue seu diário curso como sempre.
Minhas mãos criam rugas e a barriga aumenta.

Escadas rolantes levam à praça de alimentação.
Professores tecnológicos passam slides no datashow.
Carteirinhas estudantis concedem meia-entrada.
Bolsonaro propaga discursos de ódio.

O destino tsunami revolve as ondas da rotina.
Um arco-íris se ergue por detrás do outdoor.
A beleza se manifesta na Orla do Rio Amazonas.
Minha retina assiste a tudo com óculos de sol.

Lara Utzig

Poema de agora: MINHA POESIA

Alcy Araújo

MINHA POESIA

A minha poesia, senhor, é a poesia desmembrada
dos homens que olharam o mundo
pela primeira vez;
dos homens que ouviram o rumor do mundo pela primeira vez.
É a poesia das mãos sem trato
na ânsia do progresso.
Ídolos, crenças, tabus, por que?
Se os homens choram suor na construção do mundo
e bocas se comprimem em massa
clamando pelo pão?
A minha poesia tem o ritmo gritante da sinfonia dos porões e dos guindastes,
do grito do estivador vitimado
sob a lingada que se desprendeu,
do desespero sem nome
da prostituta pobre e mãe, do suor meloso da gafieira
do meu bairro sem bangalôs
onde todo mundo diz nomes feios,
bebe cachaça, briga e ama
sem fiscal de salão. – Já viu, senhor, os peitos amolecidos
da empregada da fábrica
que gosta do soldado da polícia? Pois aqueles seios amamentaram
a caboclinha suja e descalça
que vai com a cuia de açaí
no meio da rua poeirenta.
Cuidado, senhor, para o seu automóvel
não atropelar a menina!…

Alcy Araújo
(1924-1989)

 

Fonte: blog da Alcinéa

Poema de agora: Velho Balcão – Luiz Jorge Ferreira

Velho Balcão

E se sobre a pele dos caboclos o Sol desenhou tatuagens de outras paragens.
Nas suas fêmeas- riscou um Sol aceso, e uma lua apagada.
Já no meio da rua a noite cedeu a azulidade do céu para o breu.
Isso tudo eu escondo nas fotografias dentro da memória onde tenho as cédulas de identidade.

Na fotografia, o balcão da venda de Seu Bill.
Sofre de solidão, marcado dos sulcos deixados pelos cotovelos, e sobrevoado pelo vôo dos copos do balcão a boca.
É uma ilha.
Onde tropegas…sede e fome.
Dão as cartas.


Ele reflete o pôster de Rose de Primo, que estimula os desejos pregado na parede.
Na parede tem a cal que racha e fraqueja, repleta do odor nauseante de carne seca.
Tem a queda de cascas de tinta, e cada casca solitária, cai manchada do tempo que a colocou Ontem lá .


Tem o barulho do sino da igreja que desce pela laje, e cai no bueiro.
Tem a negritude inteira da Noite.
É ela que toma assento nos degraus, sopra ventos mais frios, e cutuca para dentro.
A cor negra que orgulhosamente transborda.No bairro negro do Laguinho.

Indiferente a esse episódio rotineiro.
Vão-se os Janeiros, um a um para detrás da Igreja.
E se eu retiro os cotovelos do horizonte e os acompanho como ordena a vida.
Eu sumo!

Luiz Jorge Ferreira

* Do livro “Nunca mais vou sair de mim, sem levar as Asas”.

Poesia que não se esgota (do poeta Fernando Canto)

A poesia não se esgota no pensamento porque ela é o esforço da linguagem para fazer um mundo mais doce, mais puro em sua essência;

A poesia procura tocar o inacessível e conhecer o incognoscível na medida em que articula e conecta palavras e significados;

Cada imagem representada, projetada pelo sonho, pela imaginação ou pela realidade, é um símbolo que marca o que sabemos da vida e seus desdobramentos, às vezes fugidios.

Mas nem sempre é o poeta o autor dessa representação, pois tudo o que surge tem base social e comunitária, depende da vivência de realidade de quem propõe a linguagem e a criação poética.

Quando isso ocorre estamos diante da autenticidade do texto poético. E todos somos poetas, embora nem sempre saibamos disso. E ainda que nem tentemos sê-lo.

Fernando Canto

Poema de agora: Poetas – Marven Junius Franklin

Imagem: Logan Zillmer

Poetas

avalio que os poetas
são despojadas criaturas aladas
que habitam mundos isomorfos
e vez ou outra
Declinam a dois palmos do chão
[ao modo terrestre]

emanam em busca de suas Pasárgadas estilhaçadas
só assim são notados
e geralmente correndo atrás
de estrelas cadentes
[repousando exaustos]
no sopé
de singelas
auroras boreais

assim mano Benny
somos na verdade viajantes atemporais
nos iludindo com fantasmagóricos
moinhos de vento
que surgem [aleatórios] por trás de
suntuosos castelos de brisa

Marven Junius Franklin

Poema de agora: Poetas – (Carla Nobre e Eliakin Rufino)

POETAS

Poetas deixam vestígios
Por onde passam
Poetas deixam pegadas
Sinais de fumaça
Poetas deixam a língua
Em tremor e alucinação
Pedras e corais no caminho

Poetas deixam pontas de cigarro
E garrafas de vinho
Poetas deixam temperos
Te chamam pra cozinha
Poetas deixam alquimia
Chamam a chuva
Deixam poções
Varinhas de condão

Poetas deixam rastros
Poetas deixam pistas
Impressões digitais
Luz, descobertas navais

Poetas deixam poemas
Deixam catedrais
Deixam espumas
Deixam promessas
Poetas deixam ritos ancestrais

Carla Nobre e Eliakin Rufino

Edição do “Encontro com o Escritor”, na Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda, recebe Fernando Canto nesta quinta-feira (14)

Nesta quinta-feira (14), a partir das 15h30, na Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda, será realizada mais uma edição do “Encontro com o Escritor”, com o poeta e escritor, Fernando Canto. A entrada será gratuita. A iniciativa, da direção da Biblioteca em parceria com a Associação Literária do Estado do Amapá (Alieap), visa proporcionar a estudantes, professores, leitores, amantes da literatura o contato direto com poetas, contistas, cronistas e romancistas amapaenses.

Sobre Fernando Canto

Fernando Pimentel Canto, natural de Óbidos (PA), é macapaense em seu coração há mais de meio século. O Tucuju “pegado de galho” desde os sete anos, tem o título de Cidadão Amapaense. Também é imortal membro da Academia Amapaense de Letras (AAL), compositor, cantor, músico, jornalista, sociólogo, professor, Doutor, poeta, contador de histórias, causos e estórias, contista e cronista brilhante, apreciador e incentivador de arte, ícone da cultura amapaense, escritor “imparável, incentivador de todas as vertentes artísticas, membro fundador do Grupo Pilão e servidor da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Ao todo, Fernando Canto possui 16 obras publicadas. O escritor é estudioso e observador do seu mundo. Além de ser contista, poeta e cronista brilhante, também é um detalhista da memória, comportamento e cenários do Amapá. Tenho a honra de ser amigo deste gênio, pois é impossível contabilizar a contribuição dele para o desenvolvimento da nossa cultura.

Serviço:

Encontro com o escritor com Fernando Canto.
Data: 14/03/2019
Local: Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda
Hora: 15h30
Entrada: gratuita

Elton Tavares

Poema de agora: MORMAÇO – Poetas Azuis (com participação da @rebeccabraga)

MORMAÇO – (Pedro Stkls/ Igor de Oliveira) – Com participação de Rebecca Braga

Você plantou em mim uma saudade
Dessas de raízes fortes
Que vão pro fundo da terra
E não sabem voltar

Tanta coisa linda pra viver
Tanta chuva pra se aproveitar
E nós dois aqui nessa distância
De lembranças e remendos

Hoje vou pegar o meu barco
E do meio do mar
Eu vou cantar aquela canção
Sobre a roseira
E debaixo do sol sob o mormaço
Vou lembrar que um dia
Eu te transformei em poesia