Poema de Pat Andrade é selecionado para a 15ª edição da Revista Literalivre

A poeta Pat Andrade, colaboradora do Blog De Rocha!, teve seu poema “Pena perpétua” selecionado para a 15ª edição da Revista Literalivre, que é uma publicação brasileira de periodicidade bimestral, com distribuição eletrônica em PDF e totalmente gratuita.

Pat Andrade

A Literalivre trabalha com o intuito principal de dar espaço aos escritores e artistas de todos os lugares, amadores ou profissionais, publicados ou não, que desejam divulgar seus escritos e mostrar seu talento de forma independente e livre.

No momento, está no ar a 14ª edição. A 15ª será publicada até o final do mês de maio. Saquem aqui: http://cultissimo.wixsite.com/revistaliteralivre

Pena perpétua

o poeta aprisiona
não precisa
de corda,
grade ou algema…
o poeta prende
pela palavra
e sua pena.

(Pat Andrade)

Parabéns, Pat!

Poema de agora: Circulando em círculos – Luiz Jorge Ferreira

Circulando em círculos.

…sou Caetanogil sou mano oposto se agosto sou ano tempo sem pátria dia de aula igualmente engano de todo o dia sou bola sou pé ante pés de Cristo


mendigo roto coto da perna direita torta pronto para o apronto do Carnaval sou mal e malsendo sou muito feio mesmo atrás do espelho virado de costas sou absurdamente o avesso o iniciado no fim e o princípio adiado estou afinado com palavras travessas da falada alma afogo a sede e adiante

sou tão o mesmo que posso parecer outro o que mais carece o que sendo mais prece é corpo e sexo mais dentro
trago impresso o lado negro aceito pelo lado de fora fantasia tola de um fantasma albino e pueril.
…né mana…

Luiz Jorge Ferreira

* Do livro de Poemas “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial – São Paulo.

Nesta sexta-feira (17), rola o lançamento da antologia “Semente na Educação” na Biblioteca Pública Elcy Lacerda

Nesta sexta-feira (17), às 18h, na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, ocorrerá o lançamento do livro “Semente na Educação”. A antologia reúne textos de 11 (onze) professores escritores. A obra foi escrita em dois gêneros, prosa e poesia. O evento integra a programação da 17ª Semana Nacional de Museus. A entrada será franca.

O evento foi organizado pelos escritores Lenilson Silva e Leacide Moura, com o objetivo de oportunizar que colegas professores pudessem colocar seus escritos à disposição dos leitores amapaenses e também para que o público possa conhecer novos autores e estilos.

De acordo com a escritora Leacide Moura, que também possui material na antologia, os textos em prosa retratam temáticas regionais amazônicas, de Macapá, Santana e localidades do estado do Amapá; as poesias buscam temáticas diversas, com apanhados no social, regional e universal.

Essa antologia é muito especial para os professores, que guardavam textos nas gavetas, e esta obra têm a felicidade de publica-los. A linguagem é simples, com uso da norma culta e empréstimos da cultura regional no empoderamento do encanto das palavras que conquistam a atenção do leitor”, pontuou Leacide Moura.

Além de Leacide, há outros 10 professores escritores da antologia Semente da Educação. São eles: Fabio Nescal, Amanda Moura, Ana Valéria Oliveira, Annie de Carvalho, Selma Vieira, Afonso Colares, Iramel Lima, Thayná Oliveira, Patrick Oliveira e Santiago Júnior.

Serviço:

Lançamento do livro Semente na Educação, dos professores escritores Leacide Moura e Lenilson Silva
Data: 17 de maio de 2019
Horário: 18h
Local: Biblioteca Elcy Lacerda, que fica na Rua São José, 1800, centro de Macapá.
Entrada: franca.

Elton Tavares, com informações da escritora Leacide Moura.

Poema de agora: SAFRA PERMANENTE (*) – Fernando Canto

SAFRA PERMANENTE (*)

Urge dizer a todos que te amo
e me alastrar, sôfrego, à tua procura diária
falar aos quatro cantos que o amor é necessário
na aventura floral desses caminhos
e que o rio transborda, seca e deixa restos
porque sou resíduo de ti,
que me semeias e me acendes
em busca de um novo tempo.

Tu és fêmea, e como tal carregas, de milênios,
a inconclusa compreensão concebida no teu útero,
estigma mundano – do homem – o preconceito.
Não seria fortuita a insaciável renitência dos olhares
que nos tangem – céticos – a mover pálpebras,
Seria por certo a espelhação daquelas almas
conflitantes e inseguras
Na absoluta podridão de suas mazelas.

Perfurados ou não, nós nos cerzimos
rasgados ou não, nos costuramos,
temos tempo para usar borracha e corrigir
o desenho do futuro – arte coloquial que criticamos
desde a configuração abstrata
delineada no passado.

Faz-se urgente empanar a couve-flor, enrolar charutos turcos e beber vinho do porto.
A água está no copo de alumínio para tirar a espinha atravessada na garganta Pois o rio dá de comer e o peixe não tem culpa desta fome incontrolável.

Decididamente tenho que gritar acompanhando o vento
ainda que me vire de repente,
pois a alastração do meu amor por ti é inevitável
é profusa, é disseminadora.

“Quem é esse?” Hão de inquirir, procurando mais motivos:
– Ofiófago, furfurácio, bucéfalo, hendecágono, biltre,
escatológico, onívoro, herbicida, satrapanca, hetacombático,
súcio, teratológico, celeumático, metacromático, tabífico,
santiâmem, ovovivíparo, safilítrico, tribático, safídico,
troglodítico, tranchucho, safardana…?
Ou ainda: – Onírico? Um pássaro? Um avião?

– Pelos poderes dos heróis no limite dos quadrinhos e dos desenhos animados, eu tenho o sonho!
A força desmedida e crua – extensão do meu amor.

Por essa ambientação do cosmo que transformo
O sal em sol
O sol em sonho
O sonho em safra permanente de existência.

E não haverá ritmo ou canção:
o brilho desse amor estará preso ao laço
que se ampliará conforme o tempo.
A chuva pingará o essencial nas estranhas da terra
e ela germinará para que vingue a flor
e a flor perfumará o necessário para estimular os sentidos
todos eles, inclusive aquele
inventado à noite para que o sonho sobreviva na memória, de manhã.

Fernando Canto

(*) Escrito em dezembro de 1986. Achado por estes dias em uma pasta azul, de papel com elástico.

Poema de agora: CAPÍTULO DA BALEIA – @PedroStkls1

CAPÍTULO DA BALEIA

um poema começado pelo fim
feito águas que não voltam
aquela coisa que move o coração
que deixa a casa da poesia
revirada pelo avesso
você me diz que a poesia
agora é vendida a preço de banana
que nada acontece
na fronteira do amor
ou no tráfego das estrelas
eu te olho com os olhos
da falta de crença


eu te olho como quem acredita
na poética pobre
que bate nas portas alheias
oferecendo um verso cansado
uma rima pré-aquecida
e uma ideia presa ao semicírculo
da falta de contemplação
o protocolo aqui é outro
é o arrepio é o incêndio
é apagar o fogo


botando mais lenha na fogueira
abrindo as feridas antigas
recosturando dando pontos
que doam mais que antes
até deixar começar o processo
de cicatrização
e abrir e abrir até sangrar sangue novo
a poesia precisa de poetas de coragem
barulhentos o suficiente
para deixar o silêncio mudo
é preciso revirar palavras
metáforas ruídos golpes
vigas reflexos de vidros
e carcaça de sentimento


exposto contraluz
avesso e poeira de palavras
que falam sobre sol beijando mar
um poema que traduza
a morte de uma baleia
que veio sonhar o pra sempre
nas águas do amazonas
é preciso um ritual
é preciso um capítulo
sobre a mitologia da perda
uma baleia um poema
maior que o próprio ser poesia
só não vê poesia na morte da baleia
os que não acreditam
na salvação pela palavra
na cura pela transformação
é preciso imaginar aqui
por quais águas o corpo da baleia
agora vivo e destemido
seguiu até perder o sentido
até se perder da vida


o que sentiu pela última vez
o coração da baleia?
quando se cruza o amazonas
ou se vive ou se morre
morrer é sempre mais bonito
morrer tem um gosto de eterno
e a poesia enquanto fúria
ama tragédias inesperadas
você já imaginou como seria
o enterro da baleia?


como seria o seu nascer de novo?
um poema sobre uma baleia perdida
como um poema que sabe
a hora de voltar pra casa

Pedro Stkls

Poema de agora: PARALELEPÍPEDOS DE NUVENS – Marven Junius Franklin

Imagem: Shimoney Aberg

PARALELEPÍPEDOS DE NUVENS

Parto e regresso
quando [um tanto] me convém
– porquanto o céu é o limite
para quem age [tal Ícaro – em arroubo]

[O céu]
e seus paralelepípedos
de nuvens – marasmo que faz vibrar
úvulas de silêncio

Ah, permaneço desamparado – cá!
Minha menina
achou de encalçar lepidópteros
em arrabaldes de fins de mundo

(eu fiquei [aqui]
abocanhando (in) verdades
e esperas)

Marven Junius Franklin

Poema de agora: A AMANTE – Do poeta Ori Fonseca para a poetisa Patrícia Andrade

Patrícia Andrade

A AMANTE

Eu quero a mulher das sardas infindas
Eu quero aquela que fala em carícia
Eu quero a bruxa da fala propícia
Eu quero dela as palavras mais lindas.

Poeta amante das idas e vindas
Mulher amante a escrever-se em delícia
Amante amante da língua patrícia
Patrícia, amante do amor, boas-vindas!

Vem correr risco, vem, deusa maldita
Arrisca e risca o verbo da Babel
Confunde e funde a dor com teu pincel.

A vida corre risco em ser bonita
O risco amante da palavra escrita
O risco da palavra no papel.

Ori Fonseca

À minha amada Patrícia Andrade

Poema de agora: Soneto da ilusão – Bruno Muniz

Soneto da ilusão

Cortejo as linhas fúteis do teu corpo
Que outrora foram minhas por direito
Fuligens de um orvalho tortuoso
Migalhas desse amor que tens no peito.

Servi-me das descrenças que são tuas
Fui frio entre sóis de primavera
Deixei minhas verdades todas nuas
Tombei-me ante a dor que degenera.

E hoje lembro inócuo e reticente
O dia em que jurei não mais querer-te
O dia em que entreguei-me à solidão.

Não pude te esquecer eternamente
Por mais que eu jurei não pertencer-te
O fiz sem perguntar meu coração.

Bruno Muniz

Poema de agora: NOME DE MÃE – Maria Aurea Santos

NOME DE MÃE

Nome sublime que irradia o viver.
Da prole que tende lhe enaltecer.
Por toda a vida, ao reconhecer.
A grande missão que tem este ser.

Nome que é canção de alívio
Como música suave ao ouvido.
Propaga-se além do infinito.
Consolo dos filhos aflitos.

Nome que protege e consola,
Que disciplina, que ensina.
Procura mediar a formação,
Nos trilhos da educação.

Nome que retata noites mal dormidas
Pensando sempre em proteção.
Embora em todo momento da vida
Tenha mostrado boa direção .

Nome que assume as madrugadas
À Deus suplicando com fervor.
Suas bênçãos àos seus queridos
Criados com tanto amor.

Seja rica ou pobre
É mulher! É humana! É nobre!
Independente de religião ou cor.
Seu nome tem excelso valor.

Nome de mãe, rainha do lar
Nome que traduz a arte de amar.
Flores, corações e lindas mensagens!
Recebam mamães esta homenagem.

Maria Aurea Santos

Poema de agora: Mãe – Jô Araújo

Mãe.

Em saudades me vejo mergulhada
Tua lembrança aquece meu viver
Sempre fostes a mão abençoada
Estrela guia do caminho a seguir

Se não segui a todos os conselhos
Muitos deles guardei no coração
E ainda hoje é deles que me valho
Para meus filhos ensinar a direção

Este ser tão completo de carinho
De ternura, de amor, de compaixão
Mesmo morta permanece com seus filhos
A palavra “mãe” tem a força de oração.

Jô Araújo

Poema de agora: ECLIPSE MATERNAL (*) – Luiz Jorge Ferreira

ECLIPSE MATERNAL

Entro em você, mãe, não para que seu calor me
Aqueça, para que eu lhe aqueça.
Não para que você me proteja com seu abraço,
Mas para que a lembrança dos seus braços,
Receba os meus abraços

Entro em você, mãe, não para que eu volte
Ao lugar onde muitas vezes estive,
Mas para que sua consciência cósmica receba
Minhas vibrações íntimas, como um beijo.

Entro em você, mãe para que entre nós se
Fortaleça a criação que se iniciou quando você de
De mim engravidou, e estará consigo quando eu, mãe,
For também.

Entro em você, mãe, para que mesmo dormindo
Nunca perca de vista esta distância que só se faz
Crescer entre nós

Mas dentro do seu desenho, no interior do seu
Interior, recomeço.
Recomeço sempre, embebida nas suas lembranças,
Carrego comigo todos os algos de você que nunca
Saíram de mim, dentro da sua figura desenhada.

(Para quem nos olha)
A figura é a minha, aninhada, terna,
Cicatrizada nas pupilas do tempo.
Louvo a distância que me fez reconhecê-la
Aqui na superfície fria deste chão.

Luiz Jorge Ferreira

(*) MÃE EM UMA FOTO

Recebi de um amigo a foto (uma garotinha, órfã de guerra, desenhou um corpo de mulher representando sua mãe, a giz, no chão do pátio do lugar onde se abrigava. E nele entrou e se deitou, tendo o cuidado de deixar de fora do esboço traçado no chão, os chinelos, como fazem os asiáticos, em forma de respeito, ao adentrar o solo sagrado do lar). Daí o poema.

Poema de agora: Escólio (para Fernando Canto) – Obdias Araújo

Desenho de Obdias feito por Fernando

Escólio (para Fernando Canto) – Obdias Araújo

A palavra é conto e canto
O calar é desencanto
A palavra é alegria.
Por isso
meu povo
canta
Que o calar é nostalgia
A palavra é conto e canto
O silêncio é desencanto
A palavra é alegria.
E se a palavra é alegria
O silêncio é desencanto.
A palavra é conto e canto
Por isso
Meu povo
Canta
Que o calar é nostalgia!

Obdias Araújo