Congresso discutirá quadrinhos e cultura pop

Acontece, de 24 a 25 de junho, na Universidade Federal do Amapá, o IV Aspas Norte. O evento, que tem como tema “Cultura pop e quadrinhos”,  será híbrido, com atividades presenciais e online.

O Aspas Norte surgiu em 2018 com o objetivo de estimular a pesquisa sobre quadrinhos e cultura pop na região Amazônica. Ele nasceu da percepção de que muitas pessoas faziam pesquisas na área, mas não tinham condições de se apresentar nos congressos nacionais focados nesses temas – como, por exemplo, os que são anualmente realizados pela ASPAS (Associação de pesquisadores em arte sequencial).

Realizado na cidade de Macapá em 2018 e 2019, o evento contou com apresentações de trabalhos, palestras e oficinas. Os artigos produzidos pelos apresentadores foram reunidos em dois livros, um sobre Linguagem dos quadrinhos e outro sobre Cultura Pop. Em 2020, em decorrência da pandemia, o evento aconteceu de forma totalmente remota.

Para apresentar trabalhos no IV Aspas Norte é necessário produzir apenas um resumo e se inscrever no link https://www.even3.com.br/aspasnorte2022 até o dia 5 de junho. Os trabalhos podem ser sobre quadrinhos ou cultura pop em geral. O edital com todas as informações sobre as apresentações de trabalhos encontra-se no blog do evento: https://aspasnorte.wordpress.com.

Para o público geral as inscrições vão até o dia 20 de junho. O valor, tanto para quem vai apresentar trabalho quanto para ouvintes, é de 10 reais.

Além das apresentações de trabalhos, o Aspas Norte contará com palestras com especialistas na área e oficinas. Também haverá feira geek e lançamento de livros.

Os Tulius Detritus – Crônica de Elton Tavares (do livro “Crônicas De Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”)

Ilustração de Ronaldo Rony

Adoro gibi, sempre gostei. Fui leitor fanático de várias sagas de diversos personagens do universo dos quadrinhos. Meu amigo Fernando Bedran, durante nossas bebedeiras, sempre falava que é aficionado pelos quadrinhos de Asterix, o herói gaulês.

Ah, para quem não saca: “Asterix é uma série de quadrinhos, francesa, que conta a história de uma aldeia de gauleses (antepassados dos franceses) que teima em resistir ao invasor romano – enquanto toda a Gália já se rendeu. A aldeia de Asterix resiste graças a poderes especiais conferidos por uma poção mágica”.

Há anos, Bedran emprestou-me uma revista intitulada “Asterix e a Cizânia” (que aliás eu ainda não devolvi). O quadrinho conta a história de Tullius Detritus, personagem que semeia a discórdia, a cizânia entre os gauleses para enfraquecê-los e assim Roma possa vencê-los. Mas, ao fim, Asterix e seus amigos conseguem derrotá-lo.

Na trama, Tullius Detritus é o mestre da discórdia, astúcia, bandalheira onde ele chega, ele destrói, é a cizânia em pessoa – fofoca, manipulação, articulador da discórdia, dedo de seta, o veneno em pessoa.

Aí penso nos Tullius Detritus do cotidiano. Figuras com jogadas sombrias, ataques sinuosos. Seres com a necessidade constante de mostrar superioridade. Muitos tentam se passar por espirituosos ou autênticos, mas são ardilosos, sombrios e perigosos.

Portanto, tenham muito cuidado com o que vocês falam e principalmente para quem vocês falam suas coisas. Pois tá cheio de secador de pimenteira, escrotos, posers, soberbos , incoerentes e insensatos. Crápulas à espreita, motivados por inveja e armados de calúnias. Enfim, grandes filhos da puta.

Deixo aqui um conselho: não dê papo, muito menos confiança. Acreditem, aprendi isso da pior forma. Além do mais, cedo ou tarde, eles se lascam. É isso!

Elton Tavares

*Texto do livro “Crônicas De Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, de minha autoria, lançado em setembro de 2020.

 

Lugar de maníaco é no manicômio, não na Presidência da República

O capitão Bruce Bairnsfather, que depois de participar da I Guerra Mundial virou cartunista:no Natal de 1914, pausa para celebrar a paz com inimigos, todos imersos na lama das trincheiras

Desde 1º de janeiro de 2019, entra ano, sai ano, e o Brasil – como nos versos cantados por Elis – não conhece o Brasil.

Desde 1º de janeiro de 2019, entra ano, sai ano, avançam a crueldade, a insensatez, a insensibilidade, o fanatismo e a compulsão em destruir o Brasil – ou acabar de destruí-lo.

Desde 1º de janeiro de 2019, entra ano, sai ano, e o Brasil – aquele que não conhece o próprio Brasil – chega a duvidar que este país, cantado em prosa e verso como um oásis de concórdia e de bonomia, como um país apenas do samba e do futebol, seria transformado num laboratório de sandices, em que o mais imbecil dos imbecis foi elevado, vejam só, ao status de mito.

Nos últimos dias de 2021, o emblema de tudo isso – a personificação em carne e osso, a mais perfeita tradução da crueldade, da insensatez, insensibilidade, do fanatismo e da compulsão em destruir o Brasil – protagonizou um show de horrores sob aplausos gerais de fanáticos.

Bolsonaro tirou férias, foi a Santa Catarina, andou de jet ski, dançou funk machista, deu cavalo de pau e externou uma declaração despudorada por dia.

Em meio a essa diversão dantesca, a Bahia contava seus desabrigados em decorrência de uma das maiores tragédias de sua história: até agora, 24 pessoas morreram, 53,9 mil ficaram desalojadas e 629 mil foram afetadas de alguma forma em consequência das enchentes causadas pelas chuvas.

Em meio ao seu exibicionismo de horrores, Bolsonaro recusou ajuda da Argentina e sequer dignou-se suspender um dia de suas traquinagens amalucadas para ir à Bahia para, pelo menos, apertar a mão de um dos sobreviventes.

Bolsonaro, nos últimos dias de 2021, anda de jet ski e se exibe para fanáticos, enquanto a Bahia conta seus mortos e milhares de desabrigados por enchentes: humano só na forma, não no conteúdo

É um elemento como esse que desgoverna o Brasil. É um sujeito como esse que infelicita o País. É um personagem dessa espécie que se abriga nos esconderijos indecorosos que a História reserva àqueles que, com todo o respeito, são humanos apenas na forma, mas não no conteúdo.

E tanto é assim que esse cidadão mostra-se cada vez mais infértil a mínimos sentimentos de humanidade, como os que ainda perduraram, intactos, até mesmo entre inimigos que travaram batalhas cruentas nas piores guerras a que a humanidade já assistiu.

Inimigos confraternizam nas trincheiras – Em sua maravilhosa coluna publicada em O Globo deste domingo (2), Dorrit Harazim lembra uma história comovente pinçada do livro de memórias de Bruce Bairnsfather, o capitão britânico na Grande Guerra de 1914-1918 que mais tarde se tornaria um celebrado cartunista europeu.

O Natal de 1914 era o primeiro daquele conflito que ceifou mais de 21 milhões de vidas. Bairnsfather e e seus companheiros do Primeiro Regimento Real tiritavam de frio numa trincheira enlameada da Bélgica. Por volta das 22h do dia 24 de dezembro, Bairnsfather percebeu um ruído novo no campo de batalha de Ploegsteert, vindo dos boches (como os Aliados chamavam os inimigos alemães).

Escreve Harazim:

“[Bairnsfather] Afinou o ouvido e percebeu, em meio a sombras noturnas, um murmurar de vozes. Seus companheiros também estranharam. Perceberam então tratar-se de cantorias – os temidos soldados do Exército alemão, também entrincheirados e invisíveis, entoavam canções de Natal! Os britânicos decidiram cantar de volta. E subitamente ouviram alguém do lado inimigo gritando algo confuso, em inglês carregado de sotaque germânico. “Venham para cá”, dizia o boche. Um dos sargentos britânicos respondeu: ‘Nos encontramos a meio do caminho’. E assim foi. Feito catadores de caranguejos saindo dos manguezais do Delta do Parnaíba, recrutas encharcados dos dois lados começaram a emergir de suas trincheiras e a se olhar como o que eram: apenas homens, homens jovens longe de casa mandados para a guerra. Houve apertos de mão, oferecimento de tabaco e vinho (as provisões dos alemães eram bem melhores que as dos Aliados), e as cantorias bilíngues se estenderam noite adentro. Em troca de cigarros, os ingleses cortavam o cabelo dos alemães. ‘Naquele dia não disparamos um só tiro, parecia um sonho.'”

Leram bem?

Isso ocorreu numa guerra mundial, em que mais de 20 milhões de pessoas foram mortas.
Isso aconteceu entre inimigos.
Aconteceu numa trincheira, um reduto bélico em que vale tudo – ou quase tudo, inclusive, claro, matar e morrer.
Aconteceu no Natal de 1914.
Pois é a mesma Dorrit Harazim quem conclui em seu artigo.

“O Brasil já teve um leque bastante improvável de chefes de nação – inclusive a galeria militar cujo programa de manutenção no poder incluiu matar seus adversários políticos. Ainda assim, Jair Bolsonaro consegue ser único – seu ostensivo desprezo pelo povo que governa, pela dor do outro, é maníaco. E lugar de maníaco é no manicômio, não na Presidência da República. Que venha 2022.”

É sim: lugar de maníaco é no manicômio, não na Presidência da República.
E que venha 2022.

Fonte: Espaço Aberto.

Os Tulius Detritus – Crônica de Elton Tavares (com ilustração de Ronaldo Rony)

Ilustração de Ronaldo Rony

Adoro gibi, sempre gostei. Fui leitor fanático de várias sagas de diversos personagens do universo dos quadrinhos. Meu amigo Fernando Bedran, durante nossas bebedeiras, sempre falava que é aficionado pelos quadrinhos de Asterix, o herói gaulês.

Ah, para quem não saca: “Asterix é uma série de quadrinhos, francesa, que conta a história de uma aldeia de gauleses (antepassados dos franceses) que teima em resistir ao invasor romano – enquanto toda a Gália já se rendeu. A aldeia de Asterix resiste graças a poderes especiais conferidos por uma poção mágica”.

Há anos, Bedran emprestou-me uma revista intitulada “Asterix e a Cizânia” (que aliás eu ainda não devolvi). O quadrinho conta a história de Tullius Detritus, personagem que semeia a discórdia, a cizânia entre os gauleses para enfraquecê-los e assim Roma possa vencê-los. Mas, ao fim, Asterix e seus amigos conseguem derrotá-lo.

Na trama, Tullius Detritus é o mestre da discórdia, astúcia, bandalheira onde ele chega, ele destrói, é a cizânia em pessoa – fofoca, manipulação, articulador da discórdia, dedo de seta, o veneno em pessoa.

Aí penso nos Tullius Detritus do cotidiano. Figuras com jogadas sombrias, ataques sinuosos. Seres com a necessidade constante de mostrar superioridade. Muitos tentam se passar por espirituosos ou autênticos, mas são ardilosos, sombrios e perigosos.

Portanto, tenham muito cuidado com o que vocês falam e principalmente para quem vocês falam suas coisas. Pois tá cheio de secador de pimenteira, escrotos, posers, soberbos , incoerentes e insensatos. Crápulas à espreita, motivados por inveja e armados de calúnias. Enfim, grandes filhos da puta.

Deixo aqui um conselho: não dê papo, muito menos confiança. Acreditem, aprendi isso da pior forma. Além do mais, cedo ou tarde, eles se lascam. É isso!

Elton Tavares

*Do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, de minha autoria, lançado em setembro de 2020

Há 415 anos, morria Guy Fawkes (para alguns, conspirador, para outros, herói)

Preso, torturado e condenado à morte, Guy Fawkes teve os testículos e o coração arrancados, e acabou decapitado e com o corpo não só esquartejado, como exposto em praça pública para apodrecer e servir de alimento aos corvos. Tudo porque ele era católico na Inglaterra (país de maioria anglicana) e decidiu participar de um complô para explodir o Parlamento, matar o rei, sequestrar sua filha e liderar uma insurreição popular. Ele morreu em 31 de janeiro de 1606. Há exatos 415 anos.

Guy Fawkes nasceu em 1570, em família anglicana e se converteu ao catolicismo aos 18. Em 1588, junta-se à armada espanhola contra os ingleses e adota o nome Guido Fawkes. Cinco anos depois, alista-se no exército do arquiduque da Áustria. Os católicos ingleses recuperam o direito ao voto em 1829 e o 5 de novembro vira o Guy Fawkes Day, feriado nacional.

Em 1977, Johnny Rotten, líder da banda Sex Pistols, chama-o de precursor do anarquismo punk.

Sua história inspirou a HQ V for Vendetta (V de Vingança), de Alan Moore. Em 2006, V de Vingança foi adaptado para o cinema. Dois anos depois, o movimento hacker Anonymous adotou a máscara para protestar contra a Igreja da Cientologia nos Estados Unidos.

O acessório se tornou um símbolo de 2011, quando foi visto em protestos por todo o mundo, como nos movimentos Occupy. Mesmo sendo um ícone anticorporações, a venda da máscara dá dinheiro a uma grande empresa. A Time Warner detém seus direitos autorais.

Vídeo sobre a história de Guy Fawkes:

Fonte: Superinteressante.

 

Terceiro congresso de quadrinhos da região norte será on-line e gratuito

A terceira edição do Aspas Norte – congresso de quadrinhos da região norte – terá uma novidade: devido à pandemia, as apresentações serão online. Além disso, não será cobrada taxa de inscrição para os participantes.

O evento acontece dia 14 de novembro e as inscrições encerraram no dia 30 de setembro.

O Aspas Norte surgiu em 2018 com o objetivo de estimular a pesquisa sobre quadrinhos e cultura pop na região Amazônica. Ele nasceu da percepção de que muitas pessoas faziam pesquisas na área, mas não tinham condições de se apresentar nos congressos nacionais focados nesses temas – como, por exemplo, os que são anualmente realizados pela ASPAS (Associação de pesquisadores em arte sequencial).

Realizado na cidade de Macapá em 2018 e 2019, o evento contou com apresentações de trabalhos, palestras e oficinas. Os artigos produzidos pelos apresentadores foram reunidos em dois livros, um sobre Linguagem dos quadrinhos e outro sobre Cultura Pop, que serão lançados durante o evento deste ano.

Para a inscrição no III Aspas Norte é necessário produzir apenas um resumo e então apresentar no dia 14 de novembro. As apresentações podem ser sobre quadrinhos ou cultura pop em geral. As inscrições podem ser feitas até o dia 30 de setembro no site https://aspasnorte.wordpress.com. São apenas dez vagas.

Fonte: Ideias Jeca-Tatu

O Capitão Açaí e outros trampos de Ronaldo Rony

Por Paula Monteiro

O artista Ronaldo Rony, 54 anos, diverte a todos com o personagem “Capitão Açaí”, uma paródia de super-herói que reforça seus poderes com uma cuia de açaí com farinha. Além de cartunista, ele também é chargista, quadrinhista, ilustrador e artista plástico.

A superforça do açaí vem acompanhada de um supersono, que faz o super-herói dormir e, em princípio, deixar de atender quem precisa da sua ajuda. No fim das contas, tudo dá certo e ele, mesmo atrapalhado e preguiçoso, acaba resolvendo as situações.

Foto: Arquivo Pessoal

“No início, eu não pensei em fazer o personagem voltado para o público infantil, mas o Capitão Açaí caiu no gosto da criançada. Aí eu passei a ter mais cuidado com as histórias e sempre procuro deixar alguma mensagem positiva, de respeito, de cidadania, de solidariedade. Neste período de pandemia, por exemplo, o Capitão Açaí foi muito acionado para alertar sobre os cuidados que se deve ter”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal

O personagem foi lançado em formato de fanzine tradicional, uma revista feita sem auxílio de computador, desenhada direto no papel e reproduzida com impressão xerográfica.

Nascido em Curuçá (PA), o artista se criou em Belém e há 23 anos mora em Macapá. “Quando criança, tive atração por vários gêneros de desenho e as histórias em quadrinhos tiveram extrema importância, inclusive aprendi a ler num gibi. Criei personagens que iam de caubói a herói espacial, passando por craque de futebol e troglodita”, lembra.

Foto: Gabriel Flores

Ele conta que começou a desenhar, repetindo o caminho da maioria dos desenhistas: copiava as histórias e personagens, como Batman e Homem-Aranha, tentando desenhar dentro do mais profundo realismo. Com o tempo, Ronaldo Rony passou a se interessar pelo desenho mais solto, caricato, com boneco narigudo e temas voltados ao humor.

Foto: Arquivo Pessoal

“Passei a desenhar cartum, charge e fazer quadrinhos de humor, o que me levou a ser cartunista. Apesar de desenhar desde muito cedo, considero o marco inicial da minha carreira a publicação de uma charge na Xibé, página dominical do jornal A Província do Pará, que publicava desenhos de humor. Essa foi minha estreia, em 1986, aos 20 anos de idade”, disse.

“De tanto vagar pelas estrelas, Jordana veio parar no ciberespaço” – Ronaldo Rony.

“Tenho várias referências e uma das mais fortes é o Henfil, cartunista mineiro já falecido, que tinha um traço bem particular, original. Ele atuou durante o período da ditadura militar e fez uma resistência bem lúcida à censura e à falta de liberdade que existia na época”.

Foto: Arquivo Pessoal

Atuação em movimentos e coletivos

Em Belém, o cartunista participou de diversos projetos independentes de fomento à cultura, como o Galrar Cultural (1988), que envolvia diversas modalidades artísticas; o Marambuzá, que acontece regularmente e tem o mesmo viés: mostrar o maior número de artes e dar espaço para quem está iniciando. Em Macapá, ele participa do Grupo Urucum, Catita Clube, Espaço Caos, Festival Imagem-Movimento (FIM), AP Quadrinhos e Cartunistas Amapá.

“Cartum selecionado no Salão de Humor de Volta Redonda de uns sete anos atrás. Ou mais. Gosto desse desenho” – Ronaldo Rony.

Ronaldo Rony ainda participou de salões de humor de Piracicaba (o mais tradicional do Brasil), Rio de Janeiro, Volta Redonda, Ceará, Pernambuco, Belém e vários outros. Fora do Brasil, foi selecionado nos salões da Sérvia e do Uruguai. Ganhou o prêmio de primeiro lugar no Salão de Humor Ri Guamá-Pará (1992), e o Salão de Humor de Bragança/PA (2004), ambos prêmios em dinheiro.

Foto: Arquivo Pessoal

Livros e outras publicações

Ronaldo Rony já teve páginas e espaços em diversos jornais e revistas de Macapá, como Identidade Marginal, Gilete no Pulso!, Feliz Natal é o Caralho!, as revistas do Capitão Açaí e Mixtureba Comix (publicação do coletivo AP Quadrinhos). Em Belém, lançou as fanzines Pai d’Égua!, Humor Sapiens e PUM!

Foto: Elton Tavares

O cartunista possui três livros lançados: Ícaro, Liberdade Ainda Que Nunca! (história em quadrinhos); A Chave da Porta da Poesia (literatura infantil em parceria com a poeta paraense Roseli Sousa); e Papo Casal (cartuns sobre relações amorosas).

Foto: Arquivo Pessoal

Projetos futuros

“Tenho um projeto de publicação de um livro em parceria com os cartunistas Paulo Emmanuel (de Belém) e Junior Lopes (paraense que mora em São Paulo). Livro este ainda em fase embrionária. Tenho o desejo de lançar dois livros futuramente: MusiCartum, com o tema música, e Livro Livre, sobre pássaros e liberdade”, adianta.

Fonte: Portal Égua, mano!

Programa “Conhecendo o Artista”: hoje Kássia Modesto entrevista o cartunista, chargista, quadrinhista, ilustrador e artista plástico, Ronaldo Rony e o redator publicitário, cronista, contista, poeta e letrista, Ronaldo Rodrigues

Por Kassia Modesto

Hoje é dia de… Cartum… no Conhecendo o Artista. Aliás, não apenas Cartum, hoje recebemos Ronaldo Augusto Moreira Rodrigues, Ronaldo Rony, cartunista, chargista, quadrinhista, ilustrador, artista plástico, redator publicitário, cronista, contista, poeta e letrista. Nascido no Pará em Curuçá, criado em Belém, mas se considera amaparaense. Como bem se denomina, Ronaldo é cartunista para viver e redator publicitário para sobreviver, porque não vive de arte, no sentido de se sustentar financeiramente, dela. É o trabalho como redator que paga as contas. Mas, sem arte, não dá pra viver.

Ronaldo Rony & Ronaldo Rodrigues – Foto: arquivo pessoal do artista.

Ronaldo desenha desde muito cedo, sempre atraído pelas histórias em quadrinhos, era de se esperar, Inclusive, que ele viesse a aprender a ler através de um gibi. De tantas viagens pelas heroicas aventuras Ronaldo criou personagens que variavam de caubói a herói espacial, passando por craque de futebol e troglodita, repetindo o caminho da maioria dos desenhistas iniciais: de copiar as histórias e personagens, como Batman e Homem-Aranha, tentando desenhar dentro do mais profundo realismo, com perspectiva, os caras musculosos e tal.

Foto: Gabriel Flores

Aos poucos, novas fazes foram somando a trajetória de composições do artista e Ronaldo se identificou com o gênero do humor, criando cartum, charge e fazendo quadrinhos de humor. O criador do icônico Capitão Açaí, um super herói nortista de gostos peculiares, que reforça seus poderes com uma cuia de açaí com farinha, com isso, vem uma superforça, acompanhada de um supersono, que faz ele dormir e deixar de atender quem precisa de sua ajuda. No fim das histórias, tudo dá certo e ele, mesmo atrapalhado e preguiçoso, acaba resolvendo as situações.

Bem do jeito de ser, do povo daqui. O Capitão Açaí tem sido lançado regularmente, em formato de fanzine tradicional, uma revista feita sem auxílio de computador, desenhada direto no papel e reproduzida com impressão xerográfica.

Ilustração de Ronaldo Rony na crônica “O Capitão Caverna, o meu super- herói favorito”, do livro “Crônicas De Rocha, do escritor Elton Tavares.

O fenômeno que tomou gosto pela criançada precisou de mais atenção ainda do artista, com relação as histórias e a preocupação de deixar alguma mensagem positiva, de respeito, de cidadania, de solidariedade, uma vez que, originalmente, não era um conteúdo voltado para o público infantil. O fato, é que todos amaram esse herói do norte.

Criatura e seu criador, o cartunista Ronaldo Rony com a nova revista do Capitão Açaí .

Dentre as referências que marcaram a sua história, Ronaldo cita; Henfil, cartunista mineiro já falecido, que tinha um traço bem particular e original que atuou durante o período da ditadura militar e fez uma resistência bem lúcida à censura e à falta de liberdade que existia na época, Glauco, Laerte, Angeli, Nani, Jaguar e Ziraldo. Os argentinos, Quino e Mordillo e o estaduninense Gary Larson. Era leitor assíduo da revista Mad, que trazia muitos desenhos satíricos e influenciou várias gerações de cartunistas. Nessa revista, teve contato com a arte de Don Martin e Sérgio Aragonés, por exemplo.

Ronaldo Rony participou do coletivo AP Quadrinhos, que chegou a lançar revista. Hoje, faz parte do coletivo Cartunistas Amapá, que tenta levantar a bandeira do desenho de humor, a duras penas, pois a muita dispersão para com o gênero. Com o coletivo, tem feito exposições e eventos como oficinas, encontros, bate-papo etc.

Cartum selecionado no Salão de Humor de Volta Redonda de uns sete anos atrás

SALÕES DE HUMOR

Salões de humor são concursos em que o cartunista se inscreve e, caso selecionado, tem seu desenho exposto no evento, além de concorrer a prêmios. Já participou de salões de humor de Piracicaba (o mais tradicional do Brasil), Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Belém e vários outros. Fora do Brasil, Ronaldo participou de salões na Sérvia e no Uruguai. Ganhando o prêmio de primeiro lugar no Salão Ri… Guamá, em Belém (1992), e o Salão de Humor de Bragança/PA (2004), ambos prêmios em dinheiro.

Seus livros, lançados, somam; Ícaro, Liberdade Ainda Que Nunca! (história em quadrinhos); A Chave da Porta da Poesia (literatura infantil em parceria com a poeta paraense Roseli Sousa) e Papo Casal (cartuns sobre relações amorosas). E os fanzines; Em Belém: Pai d’Égua!, Humor Sapiens e PUM! Em Macapá: Identidade Marginal, Feliz Natal é o Caralho!, Mixtureba Comix (publicação do coletivo AP Quadrinhos) e as revistas do Capitão Açaí.

Foto: Gabriel Flores

Como Ronaldo descreve sua relação com a arte.

Creio que não deve ser diferente de mim para a maioria dos que produzem arte, seja em qual modalidade for. Somos compulsivos, somos meio (ou totalmente) malucos, pois nos propomos a nos expressar como parte vital da nossa sobrevivência, mesmo que corramos o risco de ser incompreendidos. Eu sou envolvido com arte desde sempre: em Belém, participando de movimentos culturais no bairro da Marambaia; em Macapá, participando de coletivos, de intervenções artísticas, de eventos multiculturais, em grupos ou individualmente. Creio que eu não seria completo sem arte e vou insistir nela até o fim, mesmo porque eu não sei ser de outra forma. Vou findar com uma frase de minha autoria da qual gosto muito quando perguntado se dá pra viver de arte. Eu digo que, no meu caso, não dá pra viver de arte. Mas também não dá pra viver sem arte. É isso. Obrigado.”

E esse grande artista estará conosco hoje, às 21h no insta @srta.modesto na Live Programa “Conhecendo o Artista” que recebe às quintas e sábados diversos artistas para juntos falarmos sobre seus processos criativos, trabalhos e suas vidas em quarentena.

Apresentadora: Kássia Modesto
Roteiro: Marcelo Luz
Produção: Wanderson Viana
Arte: Rafael Maciel
Artista Convidado: Ronaldo Rony

Asterix, na edição “Astérix e a Transitálica”, previu o “Coronavírus”

Adoro gibi, sempre gostei. Fui leitor fanático de várias sagas de diversos personagens do universo dos quadrinhos. Meu amigo Fernando Bedran, que é aficionado pelos quadrinhos de Asterix – o herói gaulês, mostrou-me dia desses que na edição “Astérix e a Transitálica”, os gauleses previram o “Coronavírus”.

Ah, para quem não saca: “Asterix é uma série de quadrinhos, francesa, que conta a história de uma aldeia de gauleses (antepassados dos franceses) que teima em resistir ao invasor romano – enquanto toda a Gália já se rendeu. A aldeia de Asterix resiste graças a poderes especiais conferidos por uma poção mágica”.

“Astérix e a Transitálica” foi a 37ª edição da revista, lançada em mais de 25 países, em 1977. Curiosamente, em uma parte da história, quando os irredutíveis gauleses visitam a Itália, um cocheiro (de máscara) fala “Coronavírus!” “Coronavírus!”, para seus cavalos negros que puxavam a biga do mascarado (na verdade é um elmo dourado, mas a gente contextualiza como máscara por causa da doença da moda no nosso mundo louco).

A HQ tem enredo de Jean-Yves Ferri e arte de Didier Conrad, com supervisão de Albert Uderzo. Asterix é uma criação de René Goscinny (falecido em 1977) e Albert Uderzo, e sua primeira aventura começou a ser publicada em 29 de outubro de 1959, nas páginas de revista Pilote # 1.

O mundo está em polvorosa por conta da enfermidade. A doença já chegou ao Brasil e bate na porta do Amapá via Guiana Francesa. Espero que, como no gibi, o Coronavírus seja domado e sigamos nossas vidas sem esse alarde ou medo de qualquer relincho/espirro.

Elton Tavares

Capitão Açaí no aniversário de 262 de Macapá

No aniversário de Macapá, uma vasta programação cultural acontece em diferentes pontos da cidade. Na Praça Floriano Peixoto, nesta terça-feira, 4, quem visitou o local pôde apreciar a exposição Capitão Açaí, do cartunista Ronaldo Rony.

Há 30 anos, o cartunista Ronaldo Rony retrata aspectos que envolvem o dia a dia da sociedade macapaense vivido pelo personagem Capitão Açaí. “É o meu personagem de quadrinho muito ligado a cidade. O Capitão Açaí tem a ver com esse nosso hábito de tomar açaí. Ele é um personagem meio atrapalhado, mas que, no final, resolve as coisas”, explicou.

Em comemoração aos 262 anos de Macapá, o Capitão Açaí tem uma edição especial. Envolvido em uma missão no estilo habitual do personagem, no final, ele também celebra o aniversário da capital amapaense. “Nessa exposição estou colocando algumas coisas diretamente ligadas ao aniversário da cidade e outros cartoons mais soltos, mostrando o conjunto que é o Capitão Açaí”, comentou Ronaldo Rony.

O trabalho é feito em revistas no estilo fanzine, sendo desenhados diretamente pelo cartunista, sem o uso de computador. Ronaldo destacou o espaço da programação concedido para artistas de diferentes segmentos. “Viram no meu trabalho um potencial em homenagear a cidade. Tem vários tipos de manifestações para reverenciar esse momento de afirmação de uma cidade rica em cultura, e é importante quando são valorizados”, concluiu.

Sávio Almeida
Assessor de comunicação/PMM
Foto: Gabriel Flores

Hoje é o Dia do Quadrinho Nacional

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Gibi Nhô Quim

Hoje, 30 de janeiro, é Dia do Quadrinho Nacional. Nesta data, nos idos de 1869, no Rio de Janeiro, foi publicada pelo pioneiro ítalo-brasileiro Angelo Agostini, o gibi Nhô Quim ou Impressões de uma viagem à corte, a primeira história em quadrinhos feita (e publicada) no Brasil. Soube disso há tempos, graças ao cartunista e quadrinista Ronaldo Rony.

Aliás, Ronaldo Rony é decano do Coletivo Quadrinhos Amapá, grupo independente que realizou reuniões no Museu da Imagem e do Som (MIS), Espaço Caos e em sua sede, no bairro Santa Rita.

O Coletivo Quadrinhos Amapá é formado por amantes, entusiastas, profissionais, produtores e aprendizes HQs. O grupo promove debates, oficinas de desenho e roteiro. O objetivo é consolidar o cenário quadrinista no estado.

O Coletivo Quadrinhos Amapá laçou várias edições de revistas, como a Mixtureba Comix e digital, como a HQ “Amazônia em quadrinhos”.

Enfim, parabéns aos artistas que nos proporcionam ler e apreciar Quadrinhos. Congratulações!

Sesc Amapá realiza I Campanha de arrecadação de gibis

Com o objetivo de desenvolver, fomentar e disseminar o hábito da leitura entre as crianças e jovens usuários das bibliotecas do Sesc Amapá, proporcionando assim a formação de novos leitores, o Sesc Amapá realiza a 1ª campanha do Gibi, do dia 04 de novembro ao dia 06 de dezembro.

A campanha se dá através de arrecadação de gibis por meio de doações da comunidade interna e externa do Sesc Amapá. As doações serão recebidas até o dia 05 de dezembro e a culminância do projeto se dará no dia 06 de dezembro com o sorteio e premiação.

A campanha funcionará como um embrião para o projeto que se chamará Semana do Livro e da Biblioteca, que deverá acontecer anualmente, na última semana do mês de outubro, alusivo a comemoração dia nacional do livro (29 de outubro).

Pontos de arrecadação:

Sesc Araxá – Rua Jovino Dinoá, 4311 A – Beirol, Macapá/AP
Escola Sesc – Rua Jovino Dinoá, 4311 B – Beirol, Macapá/AP
Sesc Centro – Rua Tiradentes, 998 – Centro, Macapá/AP
Rede Amazônica – Av. Diógenes Silva, 2221 – Buritizal, Macapá/AP

Período de arrecadação
Data: 04/11 a 06/12
Hora: manhã e tarde (horário comercial)

Lançamento oficial da revista do Capitão Açaí

Capitão Açaí em Aventuras Familiares é a mais recente revista do super-herói amazônida cabuçu tucuju.

O cartunista Ronaldo Rony, criador desse espetacular personagem do humor gráfico local, circula pelas ruas da cidade a bordo de seu veículo não poluente, a bicicleta, vendendo a revista de mão em mão. E também aproveita os eventos culturais para se infiltrar, armar sua banquinha e vender esse produto artesanal, feito diretamente no papel, sem passar por computador, com lápis e caneta nanquim e reproduzido com impressão xerográfica.

Desta vez, o autor foi convidado por um amigo a fazer o lançamento oficial da revista no seu estabelecimento (enfatizamos o termo lançamento oficial, pois acontecem vários lançamentos informais, em locais e horários aleatórios).

A história mostra o Capitão Açaí em seu ambiente familiar, envolto em missões domésticas, como fazer a broca dos filhos e trocar lâmpadas. Nem sempre obtendo sucesso nessas empreitadas. A narrativa também faz o herói dar umas voltas com sua família por esta cidade que o adotou e foi adotada por ele.

Ronaldo Rony e seu personagem mais famoso (mais famoso que o próprio criador) chegou há 22 anos a Macapá e a revista é também uma declaração de amor a este lugar.

A revista é vendida nas ruas da cidade, encomendadas através do 99139-1360, e no lançamento oficial no Vinil Café, onde se pode tomar um belo café acompanhado de deliciosas iguarias, ouvir discos de vinil, recordar a experiência de escrever numa máquina de escrever e se encantar com o tom retrô da ambientação.

Então fique ligado, vá conhecer ou revisitar o local, participar do lançamento, comprar a revista e bater um papo com o autor.

Serviço:

Lançamento oficial da revista Capitão Açaí em Aventuras Familiares (formato A4, 18 pág., capa colorida, preço: R$ 5,00 – ou mais se o comprador quiser dar uma força maior ao Capitão Açaí).
Data: 11 de setembro (quarta-feira)
Hora: a partir das 19h
Local: Vinil Café (Av. Mendonça Furtado, 2430, entre Santos Dumont e Marcelo Cândia)

Assessoria de Imprensa do herói