Malandro é malandro e mané é mané…


Tem nego que é leso por natureza. Peseta mesmo, sem muito uso de massa cinzenta. Destes, não sinto na da além de pena. Há outros, que sabem como fazer e o que fazer, mas preferem ser meros repetidores de palavras de terceiros. São verdadeiros papagaios de pirata. Vadiagem ou maucaratismo, não sei, mas é um tal de copia tudo no Ctlrl C + Ctlrl V.

Quando usava frases, expressões ou trechos de colegas, avisava (brincando): “fulano (a), vou te plagiar um tantinho, pois não tenho como mudar muita coisa”. Outra maneira é assinar: Beltrano de tal, com ajuda do Cicrano de tal. Acho normal, mas ser plagiado sistematicamente dá um ódio!

Ultimamente, vejo cópias de escritos meus, refeitos e muito pouco alterados. Às vezes, o tema é o mesmo, noutras, não (escrevi sobre tanta coisa num certo período aí…). Só que a estrutura, desenvolvimento e finalização do release é o mesminho. É preguiça? Só pode. Nunca vi ninguém regredir, desaprender ou algo assim.

O mais engraçado é que o texto chega ao meu e-mail, como a maior novidade redigida. Ainda bem que o figura não é meu amigo, senão deixaria passar na boa (meus brothers sabem disso).

Nunca fui e nunca serei só mais um. E não é por causa de seriedade no trampo ou competência e sim pela amizade que conquisto por onde passo (quem trabalhou comigo sabe que é verdade). Mas a chupação de conteúdo sem o devido crédito (eu credito texto e fotos de todo mundo. Isso é respeito com o trabalho alheio) é uma assinatura triste de incapacidade profissional e intelectual.

Fica aqui o registro da indignação com uns três ou quatro aí. Publiquei este texto pela primeira vez em 2014, por conta do roubo de material intelectual. Quem plagiava naquela época era o Gollum (pessoal sabe quem é e nunca mais soube desse ser infetético), mas há alguns meses, a prática voltou com tudo. Se liguem. Como já disse o Bezerra: “malandro é malandro e mané é mané”.

“O plágio é o aplauso entusiasmado do incompetente” – Fernando Brandi.

Elton Tavares

MPF/AP quer que vítimas de escalpelamento recebam benefício do INSS

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal no Amapá (MPF/AP), quer que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reconheça vítimas de escalpelamento como pessoas com deficiência. A finalidade é que, em casos de impossibilidade de manter ou ter mantido seu sustento pela família, elas tenham direito a receber benefício de um salário mínimo mensal. A orientação consta em recomendação emitida na última quarta-feira, 3 de maio.

Escalpelamentos são comumente registrados na região amazônica, onde há expressivo contingente de população ribeirinha que utiliza embarcação como principal meio de transporte. O acidente, provocado por eixo descoberto que liga o motor à hélice da embarcação, resulta no arrancamento do couro cabeludo e, em alguns casos, de olhos, sobrancelhas e orelhas.

O tratamento médico consiste em frequente higienização e impede as vítimas de se expor ao sol devido ao risco de doenças, como o câncer de pele. Além das sequelas físicas, o escalpelamento costuma provocar doenças psicológicas, entre elas a depressão.

Segundo informações compartilhadas com o MPF/AP pela Defensoria Pública da União, a maioria das vítimas – cerca de 90% – é mulher. “Em razão de sua deficiência, essas mulheres enfrentam dificuldades de inserção no mercado de trabalho, tendo em vista que, em média, somente 8% das vítimas conseguem emprego, o que evidencia serem elas as principais afetadas pelo não recebimento do benefício, implicando clara discriminação de gênero”, destaca o procurador regional dos direitos do cidadão Rodolfo Lopes.

O MPF/AP entende que “os impedimentos – físico e mental – impostos às vítimas de escalpelamento funcionam como uma barreira social que obstrui a sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condição com as demais pessoas, o que denota estrita relação entre tais pessoas e a conceituação de pessoa com deficiência”.

Número de vítimas – A Associação das Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento da Amazônia tem hoje 140 associadas. A presidente, Rosinete Serrão, conta que, somente neste ano, duas meninas, de 5 e 12 anos, sofreram o acidente.

Ao saber da atuação do MPF/AP, ela disse estar emocionada por ser reconhecida como deficiente, uma luta travada desde 2007, quando foi criada a Associação. “A dor de perder um membro, não dói como perder o nosso couro cabeludo, não tem a consequência que a gente tem”, diz ela enfatizando o tratamento contínuo e os problemas de audição e de visão adquiridos depois do acidente.

Prazo – Ao INSS foi concedido prazo de 10 dias para se manifestar sobre o acatamento ou não da recomendação. Caso as orientações sejam descumpridas, providências judiciais podem ser adotadas.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Amapá
(96) 3213 7895

AINDA SOMOS OS MESMOS…Por – @WalterJrCarmo

1976 foi um ano mágico. Era Janeiro. Uma paixão me levou à São Paulo e ao Teatro Bandeirantes para ver o show Falso Brilhante, de Elis Regina.

O show contava a história, vida e carreira da pimentinha, sem deixar de lado as críticas à ditadura militar brasileira; tudo isso num ambiente circense. Era o auge da carreira de Elis Regina Carvalho Costa. “Falso Brilhante”, estreara em dezembro de 1975 deixava plateias boquiaberta e aplaudindo de pé já no primeiro ato. Amparado pelo show, o disco homônimo, lançado em fevereiro, estourava. Todos os holofotes eram dela.

Corajosa, teimosa, visceral, Elis não somente negou o falso brilhante, o vil metal, mas concebeu algo completamente inovador e moderno no show business brasileiro. Um espetáculo revisitando a própria vida.” Assim descreveu Fernando Figueiredo Mello no blog Efemérides do Efemello, o show, 40 anos depois.

O musical teve mais de 1200 apresentações e ficou em cartaz entre o final de 1975 e o início de 1977, tornando-se assim um sucesso absoluto e lendário na história da MPB.

O disco, considerado revolucionário, transgressor e antológico, trazia músicas de João Bosco, Aldir Blanc, Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui,Chico Buarque, Ruy Guerra e outros ícones. Foi considerado o maior sucesso da cantora.

No show, duas músicas me atingiram como uma mordida raivosa na alma e o disco perpetuou essa marca profunda.

Abrindo, com a tal mordida, Como Nossos Pais, uma mistura de rock com MPB num lirismo profano e em plena ditadura militar, a música falava da falta de esperança na juventude acomodada que queria mudar o mundo, mas ficava no mesmo conforto de seus lares observando os aflitos de longe.

A música passa a ser um soco no estômago de muita gente que queria ficar parada no tempo, a espera de um milagre qualquer.

A música foi um adendo para que Belchior, o compositor, virasse estrela de primeira grandeza e, sem querer, Elis gravaria Velha Roupa Colorida, uma extensão da primeira, mas sem a carga depressiva e autoritária que ela carregava.

Embalado pelo furacão Elis, o segundo disco Alucinação (Polygram, 1976), explodiu , resgatou o primeiro LP, Palo Seco, e consolidou a carreira do cantor e compositor cearense.

O Alucinação trazia um punhado de canções de sucesso, como Velha roupa colorida, Como nossos pais, e Apenas um rapaz latino-americano. Outros êxitos incluem Paralelas (lançada por Vanusa) e Galos, noites e quintais (regravada por Jair Rodrigues). Outros artistas também regravaram sucessos de Belchior, entre eles Roberto Carlos e Elis Regina (“Mucuripe”) e Engenheiros do Hawaii (“Alucinação”).

Belchior foi símbolo de toda uma geração e de muitas vidas. É uma roupa que não nos serve mais, mas permanece vestindo e embalando o nosso espírito.

Teu infinito sou eu… Dizia ele.

Walter Júnior

XXI Romaria da Juventude espera mais de 200 jovens para caminhada de fé em Laranjal do Jari

A Pastoral da Juventude da Paróquia Santo Antônio do Jari realiza todos os anos no dia 1° de Maio, a Romaria da Juventude. Em sua 21ª edição, a caminhada objetiva reunir a Juventude num momento de oração, comunhão e louvor, exaltando o papel de Maria, a mãe de Jesus. Para este ano o tema escolhido foi “Juventude com Maria, cultivando a criação” e o Lema: “Maria, mãe e mestra da Igreja”.

A Romaria começa com vigília no domingo, 30, das 18h30 às 21h00 na Comunidade no Senhora do Perpétuo Socorro, no Setor Beira. As 5h da manhã os romeiros se dirigem até o Ramal do Falcão, localizado na BR 156, onde acontece a celebração da missa e saída da romaria. Durante o percurso de 21 quilômetros, haverá paradas de reflexões, e momentos de oração e a reza do terço. A chegada está prevista para o início da noite na igreja matriz da cidade.

Para este ano os organizadores esperam superar as expectativas com mais de 200 participantes. As inscrições podem ser feitas nas bases da Pastoral da Juventude no valor de R$ 5 reais até esta quinta-feira, 27. O convite é lançado as demais paróquias do estado, inclusive a quem se dirige ao município de Laranjal do Jari neste fim de semana.

Serviço:

Romaria da Juventude
Diocese de Macapá
Márcia Fonseca / Pascom – 98139-7609 / 99118-7183

Sempre levo comigo a Frase que meu professor de Sociologia fala: “Um povo educado é muito perigoso”

Por Nádia Launé

Quando um país entra em crise, tudo tende a ficar mais caro para suprir o que tá faltando, o governo AQUI no Brasil passa a cobrar mais em impostos e é cortar as verbas destinadas a população

Em países desenvolvidos, a crise é o momento perfeito pra inovar, buscar soluções e alternativas e assim surgem boas ideias. Um exemplo disso é uma professora que ministra a matéria de Gestão e empreendimento nos ensina como ousar… Ela nos ensina como usar vários objetos para vender.

Países de primeiro mundo tem como uma das características, criarem soluções criativas e inovadoras pra fugir da crise. Porém O Brasil não, os governantes cortam gastos públicos e aumentam impostos, ai começa uma espécie de bola de neve pois essas supostas “soluções” não ajudam a parar a crise, e sim a aumenta como se fosse secando os bolsos de todo mundo aos poucos .

Aumentar a passagem de ônibus não é uma solução para nada, aumentar a passagem de ônibus não vai pagar dívida pública ou tirar o país da crise. O que vai acontecer é que vai fazer crianças, adolescentes, jovens a não conseguirem ir pra escola e pessoas a terem que comer menos para se locomover para determinados lugares.

Os trabalhadores que vivem em situações desfavoráveis a passar por mais dificuldades por conta de tirar do bolso um dinheiro a mais para a passagem de ônibus sendo que pode ser usado em várias outras coisas…

Eu gostaria de saber de coração, como vocês governantes querem fazer esse aumento, sendo que são os primeiros a falar sobre a crise que o Brasil sofre?

Porque não cortar gastos com determinados cargos, viagens, motoristas etc. Que são usados por vossas excelências, quer dizer que o certo é logo aumentar os impostos para as pessoas que vivem em situações difíceis?

É bom pensar em nós eleitores que colocamos vocês para nos representar em todas essas questões…Somos nós que vivenciamos essas situações precárias do dia-dia com o serviço público. E eu falo com convicção, como estudante da rede pública federal, como a que usa o transporte público de segunda a sexta. A super lotação nos ônibus, também alguns micro-ônibus que usam de motorista como contador. Estamos sujeitos a acidentes, pois duas coisas para uma pessoa só? Sendo que tem horários de “pico”…

As condições precárias dos ônibus também, estamos sujeitos a assaltos, eu saio de casa e ao pegar ônibus creio que Deus me proteja, meu pai deixa eu ir de ônibus porém tem uma preocupação, Macapá está ficando perigosa. Isso é complicado, pois ficamos com traumas e isso resulta em medo de sair de casa, andar de ônibus…

Outra realidade que vivenciamos, No instituto federal do Amapá- IFAP, não temos parada de ônibus, sendo que descemos em uma BR onde o fluxo de carro é alta e com uma velocidade mais alta. Estamos correndo risco, mesmo que tenha faixa de pedestre, tem motoristas imprudentes que acabam não respeitando as sinalizações de transito.

Será que tudo isto só será providenciado quando acontecer uma tragédia? Não podemos prevenir tudo isto?

Sempre levo comigo a Frase que meu professor de Sociologia fala: “ Um povo educado é muito perigoso”

Gente vamos lutar a favor nossos direitos, não podemos ficar calados com situações que piora a vida da nossa população.

* Nádia Launé cursa o no Instituto Federal do Amapá (IFAP).

Cronovisor: minha resenha do incrível show “Renato Russo, de corpo e alma”

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

Ontem (16), fomos assistir ao show “Renato Russo, de corpo e alma”, da turnê Cronovisor, realizada pelo psicólogo, músico e cantor pernambucano Samuca Luna. A incrível apresentação ocorreu no Teatro das Bacabeiras, no centro de Macapá e mexeu com os sentimentos do público.

O artista, multi-instrumentista (o cara tocou violão, ukulele, teclado, pedais de bateria, além de técnico de som, mexendo em mesa digital) declamou parte da obra de Renato, ídolo de nove entre 10 fãs do Rock Nacional oitentista e noventista. Samuca também discorreu sobre fatos e curiosidades da vida do líder da Legião Urbana.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

Segundo o psicólogo-artista-boa-praça, a apresentação é originária do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em 2010.

Durante o show, foram exibidas entrevistas marcantes de Renato, além de acontecimentos influenciaram sua obra, assim como relatos da infância traumática do artista. Tudo dentro de um feliz esquema de projeções canções à altura da beleza do conteúdo musical, poemas e muita criatividade. Simples e bem produzido ao mesmo tempo (que realmente não foi perdido).

Entre os pontos altos do show, destaco a execução de “Que País é Este” (com todos os sórdidos presidentes do Brasil exibidos no telão); a junção de “Love Of My Life” (canção da banda inglesa Queen) e “Os Barcos” (música da Legião Urbana), que foi fantástica, genial e tocante mesmo, além de Faroeste Caboclo (com direito a letra em arte na tela) e Tempo Perdido (pois sempre temos que seguir em frente).

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

Samuca nos fez viajar para 20 e poucos anos no passado. Ele fez com que velhas emoções dessem o ar da graça de dentro de antigas memórias afetivas. É incrível como coisas assim nos emocionam. A interação carismática com o público é outro ponto positivo no show.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

Em resumo, o primoroso show é uma preservação da memória e grandeza que Renato Russo representa para a cultura nacional. Além disso, com uma extraordinária apresentação musical com canções de amor ou crítica social. Para a maioria dos presentes, também trilhas sonoras de amores bem sucedidos e de corações partidos. É foi assim.

Força sempre!

Elton Tavares

Coração de prateleira

Meu amor tão dividido é dentro do coração uma prateleira onde guardo em recipientes grandes histórias passadas e presentes, nenhuma tragédia até hoje.
Foram tristes como o adeus e felizes como os encontros.
Mais estarão lá como velhos manuscritos, canções e poemas.
Eu os encontrarei novamente nas esquinas da minha saudade.

Osmar Júnior

Cazuza faria 59 anos hoje – Viva o gênio!

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Se vivo, hoje Agenor de Miranda Araújo Neto, o “Cazuza”, completaria 59 anos de idade. Lembro bem daquele 7 de julho de 1990, quando ele morreu, pois estava de férias com minha família em Natal (RN). O gênio da poesia tinha somente 32 anos.

O artista, filho de João Araújo, produtor fonográfico, e de Lucinha Araújo, nasceu em berço de ouro e conviveu, desde muito cedo, com grandes nomes da cultura brasileira. Foi influenciado por Cartola, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosth-1a, Maysa e Dalva de Oliveira. Cazuza foi um privilegiado, por causa de seu pai, cresceu convivendo com grandes nomes da MPB, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, Caetano Veloso, Elis Regina e Gal Costa.

O cara participou de peças teatrais no Circo Voador, local que aglutinava a nata da cultura cênica e musical do Rio de Janeiro, na década de 80. Mas Cazuza apaixonou-se pelo rock and roll quando morou em Londres, em 1972. Alguns anos depois, juntou-se a Roberto Frejat (guitarra), tumblr_nlyecq5z8Z1rsyxxho1_500Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclados) e Guto Goffi (bateria), nascia o Barão Vermelho, uma das maiores bandas do rock nacional.

O produtor musical Ezequiel Neves gostou do som da banda e convenceu o pai de Cazuza a lançar o Barão. O grupo estourou mesmo quando Ney Matogrosso (namorado de Cazuza), gravou, “Pro Dia Nascer Feliz”, “Maior Abandonado”, “Bete Balanço” e “Bilhetinho Azul”.

O artista, sedento por fazer música em outros estilos, saiu do Barão. G3209E828AEEF4C38A8423111D0AA999CSua carreira solo também sólida e foi fantástica, Cazuza flertou com a MPB, a misturou ao rock e gravou as canções “Exagerado”, “Codinome Beija-Flor”, “Ideologia”, “Brasil”, “Faz Parte Do Meu Show”, “O Tempo Não Pára” e “O Nosso Amor A Gente Inventa”. O resto é história.

tumblr_mkqgzsPAFX1r74xmqo1_500Em 1989, declarou ser soropositivo, a Aids o levou. Cazuza foi um dos maiores artistas da música brasileira. O cara foi um símbolo de rebeldia, pelo seu talento e sua loucura. Este post é uma pequena homenagem ao gênio da poesia.

Não sei o que ele teria feito se tivesse mais tempo. Com toda certeza, muito mais pela música e arte nacional. O artista foi um dos nossos heróis (ainda tem quem não goste ou reconheça, mas paciência). Viva Cazuza!

Elton Tavares

Declaração de amor cabocla ou Carta à Noca – Por Hélio Pennafort (contribuição de Fernando Canto)

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Hélio Pennafort, é um dos maiores ícones do jornalismo amapaense. Ainda jovem eu saía com ele pelo interior na companhia de Odilardo Lima e Manoel João, o “Papa-arroz”, fazendo matéria para “A voz Católica” e para a Rádio Educadora no início dos anos 70. Numa dessas viagens Hélio colheu (segundo ele!!?) essa bonita declaração de amor a uma cabocla. Trata-se da “Carta à Noca”, uma poesia pura apesar de toda a ingenuidade que faz os corações apaixonados dizerem o que dizem. O texto foi extraído do livro “Micro Reportagem”, DIO/GTFA, Macapá, 1980″, Fernando Canto.

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“AMOR, POESIA E PRECONCEITO”

“Querida Noca escrevo-te somente esta porque não aguento mais a cuíra de saber de nossas difíceis notícias, Noca.

Domingo, no ucuubal, como eu te mandei dizer, não deixa de falar comigo, porque eu quero falar contigo, Noca.

Eu gosto do teu amor, da tua paixão, dos teus carinhos, tão bem como o buritizeiro que adora a mãe lua, quando ela tange com o seu clarão as nuvens que não querem deixar o seu luar tocar os brotos das palmeiras, mexer com o siriubal ou alegrar o furo do Jenipapo.

Ainda me lemHelio1-246x300bro, Noca, da primeira vez que te vi na reza da casa do tio Macário. Enxerguei teus cabelos, Noca, clareados pela lamparina, mais bonito do que as espigas de milho da roça do Zé Manduca. Teus olhinhos, Noca, eram uma graça… Brilhavam mais do que duas porongas de pesqueira, na noite escura, chuventa e panema de peixe…

Tudo em ti é belo, linda Noca, por isto eu gosto de ti. E tu também gosta de mim? Quando já… Eu não sou suficiente nem tenho competência para possuir o amor da garota mais faceira que existe em toda a extensão do Cassiporé. Mas espero um dia ao menos poder te tocar, te acariciar, te cheirar, te beijar… Noca”.

Festival Lollapalooza 2017 – EU VOU!

Neste final de semana, eu, meu irmão, Emerson e nossos queridos Anderson e Adê (nosso casal preferido de amigos e companheiros de muitas viagens) embarcaremos para mais uma aventura rocker na babilônia: o Festival Lollapalooza 2017. O evento gringo ocorrerá nos dias 25 e 26 de março, sábado e domingo, respectivamente. A versão brasileira sempre é realizada em São Paulo (SP). O local do evento Rock and Roll será o mesmo de 2014, 2015 e 2016 (só não fomos no ano passado): o Autódromo de Interlagos.

O festival terá várias atrações, entre bandas de Rock e Música Eletrônica, divididas em tendas e vários palcos. Mas além de viajar com o meu irmão (o meu principal parceiro na vida) tenho quatro fortíssimos motivos para enfrentar 6h de voo de Macapá até a capital paulistana. São eles:

No sábado sobe ao Palco Onix, às 19h40, o grupo indie The XX e fechando a primeira noite, no Palco Skol, a lendária banda de heavi metal, Metallica. Já no domingo, no Palco Onix (16h30) rola show da a clássica banda oitentista Duran Duran. No Palco Skol, fechará a segunda noite, o renomado grupo alternativo The Strokes  (às 20h30). Isso sem mencionar aqui outros tantos artistas gringos e nacionais.

Tá, é caro pra caralho, ainda mais que a gente sempre fica na área vip (momento boçalidade mesmo), mas é pra isso que trabalhamos tanto. Afinal, “não viemos ao mundo só para pagar contas”.

Já realizei alguns dos meus sonhos, como assistir a apresentações assim. Estamos no extremo oposto de onde essas coisas acontecem, por isso é preciso esforço e planejamento (pra não dizer coragem e loucura se você não é rico, assim como eu) para coisas assim.

À exemplo dos shows de Radiohead (2009), U2 (2011), The Cure (2013), Lollapalooza’s (2014 e 2015Pearl Jam e Morrissey (2016), a ansiedade já me corrói. Para finalizar, quem já foi a um grande festival, sabe: é uma onda caralhenta de porreta. É isso e bora viver o Rock and Roll, mais uma vez!!

Elton Tavares

Aos 90 anos, morre Chuck Berry e nasce a lenda Chuck Berry

Chuck Berry, um dos “Guitar’s Heros”, morreu hoje (18), aos 90 anos de vida. E que vida! Segundo a BBC, ele foi encontrado sem sinais de vida em sua casa, em Missouri, nos Estados Unidos. A polícia local recebeu uma chamada de emergência, mas não chegou a tempo de salvá-lo. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Charles “Chuck” Berry nasceu em St Louis, Missouri, em 18 de outubro de 1926. Com sete décadas de carreira, o artista está entre os pioneiros que misturaram, Jazz, country music, Blues e R&B, ritmos afro-americanos e transformaram no melhor estilo musical entre as trilhas sonoras da vida, o Rock and Roll.

Não á toa, a revista Rolling Stone o escolheu como o 5º maior artista da música de todos os tempos e sétimo melhor guitarrista do mundo.

O precursor do rock ‘n’ roll támbém teve um talento incrível para se meter em confusão. Em 1959, no auge do seu sucesso, pegou quatro anos de prisão por ter levado uma índia apache de 14 anos do México para seu clube noturno em Saint Louis.

Também teve problemas com o Departamento do Tesouro dos EUA por receber seus shows em dinheiro e não declará-los. Foi acusado de evasão de divisas e pegou 100 dias de prisão. E, em 1988, pagou uma multa para dar fim a um processo de US$ 5 milhões que Marilyn O’Brien Boteler moveu contra ele.

Assim como Mark Knopfler, Kurt Cobain, Tom Morello, John Frusciante, Joe Satriani, Keith Richards, Jimi Hendrix, Jimmy Page, Neil Young, David Gilmour, Eddie Van Halen, B.B. King, John Fogerty, Brian May, Eric Clapton, entre outros iluminados, Chuck Berry é um herói da guitarra, um menestrel!

Por tudo que fez e representa para a cultura mundial, rendo homenagens ao velho músico doido. Certamente, tocará no céu (ou no inferno, com B.B. King e Jimmy Hendrix). Go, go, Chuck Berry, siga pelas estrelas e muito obrigado!

Elton Tavares, com informações de sites, revistas e mais de 30 anos escutando e lendo sobre Rock and Roll.

Terceira Carta – Por May Sousa

Faz um tempo que todas as coisas são desconhecidas, desconexas e descabidas. Parece que no relógio houve uma inversão de tempo, eu parei, você continuou. Eu me perdi. Cadê o ponteiro disso tudo? Do jeito que se adianta as coisas e nada acontece, quando o que eu mais quero é que simplesmente se faça. E eu nem sei o quê que eu quero. Ta amontoando vários espaços pra você aqui, na casa, no quarto, no terraço e no meu corpo. Na quentura do meu corpo. Onde há suor e tudo em ebulição.

Tu vem? A minha cabeça ta fazendo um jogo de esconde, tem dia que eu nem acho. Tô jogando. Tô perdendo. O ponteiro parado, que ora parece adiantado, ora atrasado, só me traz a dúvida estúpida de arriscar no vento a melhor hora pra te encontrar… espera!? Tu ta jogando o jogo do esconde? Mas… eu não tava sozinha? Ah, já nem sei. As coisas estão sem calço correto e vão pendendo para o lado que querem, desisti de ter controle sobre elas, combinando essa bagunça ao que tu me dedicas: dúvida, pedaços de ‘para sempre’, tiras enormes de ‘porquês’ e saliva rala de quem quer tentar segurar o tempo no intervalo de um beijo.

Esse experimento de querer ta me condenando à fórmula absoluta de provar e somente provar… um gosto provisório daquilo que não pertence ao meu ficar, e, assim sendo não sei que horas chega ou que se um dia nunca irá.

Uma roda gigante de mim mesma que se desfaz em pequenas coisas, e eu vou me recompondo aos poucos em um esboço tímido de alegria reclusa.

May Sousa

Reverência ao poeta Alcy Araújo – Por Fernando Canto

Por Fernando Canto

A reinauguração da Galeria e sala Alcy Araújo, dentro de Biblioteca Eucy Lacerda, foi fundamental para a divulgação da obra daquele que foi um dos nossos mais importantes poetas, e intelectual militante da cultura.

Não fosse o esforço familiar em colaborar para a reformulação do espaço, talvez o nome do Alcy ficasse apenas na memória dos seus contemporâneos, já que há muito tempo necessitava de reforma e de valorização de sua obra poética.

Na noite de 14 março, dia do Poeta, muitos escritores, poetas e artistas compareceram para prestigiar, e até mesmo para reverenciar o legado de Alcy Araújo, aquele que influenciou várias gerações de artistas e que colaborou decisivamente para a formação cultural e intelectual de vários deles.

Muitos presentes, como Manoel Bispo, Carlos Nilson, Obdias Araújo, Aroldo Pedrosa e Santana fizeram depoimentos emocionantes sobre o autor de “Autogeografia”, relatando histórias individuais vividas com ele. O grupo de poetas Boca da Noite realizou uma sessão de declamações com textos poéticos de Alcy, causando momentos de emoção junto à plateia. Os filhos do Poeta, presentes, também se pronunciaram e uma de suas filhas declamou um poema.

Estão de parabéns Alcinéa, Alcione e Alcilene Cavalcante pela iniciativa, pois certamente a lembrança de Alcy e sua obra permanecerão na memória coletiva do povo amapaense depois disso. Só falta agora que se edite e se divulgue a obra completa do nosso maior Poeta. E viva a poesia do Alcy!

Meu comentário: eu queria poder te ido ontem, inclusive fui convidado pelas amigas Alcinéa e Alcilene, mas não pude. Fica aqui o registro do respeito e admiração pelo poeta Alcy, em mais um escrito do Canto, que eu queria ter redigido (Elton Tavares).

Fotos: blogs da Alcinéa e Alcilene. 

O Resumo da Ópera (uma história de jornalismo) – Por @WalterJrCarmo

Durante três dias dedilhei uma Olivette no escritório da Construtora Carmo , em Belém. Trabalhava no resumo da peça teatral do magistral escritor amazonense Márcio Souza: A Maravilhosa História do Sapo Tarô Bequê, a ópera sobre uma lenda da floresta com animais e humanos nativos, onde o Urubu Rei era o grande tirano pretendente a dominar e comandar e o Sapo Tarô-Bequê, o paladino ecológico descarado, ladino e libidinoso.

Era o ano de 1977, eu havia feito um curso profissionalizante de teatro e cursado engenharia civil no Rio de Janeiro e agora estava de volta a Belem, onde havia conquistado a classificação no vestibular da UFPA. Matriculado, de férias, aguardava o início das aulas.

Assistindo o Jornal Hoje, da TV Liberal, vi um anúncio de um grupo de teatro recrutando atores para uma peça épica, uma ópera amazônica.

“Há muito tempo, no início do mundo, depois do sereno e do orvalho, choveu muito…

Do alto do rio Negro, Amazonas ecoa uma lenda: Tarô-Bequê é sapo e é gente!”

Era uma ópera longa que exigiria um investimento muito alto. Foi esta a conclusão que o diretor João Mercês, o Ronald Junqueiro, o Luis Pardal e outros, cchegamo após alguns ensaios. Uma das saídas seria resumir o roteiro.

“Convencendo Cainhamé de que era bom ser gente, o sapo virou humano e ainda encontrou uma moça, Juriti, para namoro…

“Teria que ser igual aos outros homens…” Agora toda vez que o verão rega as doces frutas com as poucas águas de agosto, Cainhamé se lembra da estória de Tarô-Bequê e suas aventuras com monstros, mitos e os encantamentos da floresta.”

As aulas da faculdade iniciaram e eu acabei não participando da peça, mas graças ao resumo do roteiro recebi um convite do Ronald Junqueiro para fazer um teste como redator na TV Liberal. Ele era o redator-chefe do Jornal Hoje, edição local.

Comecei redigindo notas para o Hoje. Na época, a TV Liberal possuía quatro telejornais: o “Bom Dia Belém”, “Jornal Hoje” e “Jornal Nacional”, edição local, e o “Jornalismo Eletrônico”.

O “Jornal Hoje” era apresentado pela Vera Cascaes e pelo Alex Fiúza de Melo. Tinha uma coluna social, apresentada pela Vera Castro. O “Jornal Nacional” trazia a dupla Aldo e Francisco César. Possuía um quadro chamado “O Bolso do Repórter”, apresentado pelo Joaquim Antunes. Após os telejornais, eu recolhia também os filmes com as reportagens, rebobinava e os enviava para o arquivo.

Naquele tempo, as matérias eram filmadas em 16 milímetros. A TV Liberal possuía duas Câmeras RCA e um laboratório, onde os filmes eram revelados. A maioria das matérias era em preto e branco. Só as reportagens especiais eram filmadas em cores. Os filmes eram montados em uma moviola de dois pratos, em que o Nélio e o Sávio Palheta faziam loucuras.

Era tudo ao vivo e artesanal. As matérias chegavam ao complexo exibidor aos pedaços. A abertura de video do repórter em um rolo de filme, o off em cartucho, as imagens que cobririam o off em um outro carretel, a entrevista em um carretel separado. As legendas eram preparadas em cartão preto, focalizadas por uma câmera e sobrepostas na imagem por meio de uma mesa de corte. Cada nome, uma cartela. A edição era feita com o jornal no ar. O Nélio Palheta, como um maestro, ia montado o quebra-cabeça. Um erro e todo o trabalho de um dia inteiro estaria comprometido. Haja adrenalina.

Um dia, na ausência de um repórter, fui convocado para cobrir o caso de um advogado acusado de assassinar a esposa, também advogada. O caso teve uma enorme repercussão na época.

Fui ao local do crime. Fizemos o registro. Soubemos que toda imprensa policial estava na porta do pai da vítima, um desembargador muito conhecido. Rumamos para lá. Ao chegar notei que toda a imprensa não havia conseguido passar pela portaria. Falei para o nosso cinegrafista: – Vou lá! Me espere no carro. E ele retrucou: “Walter, você não terá a menor chance. Aí estão os melhores repórteres policiais de Belém. Se eles não conseguiram entrar, você também nao irá conseguir.”

Fui passando no meio dos jornalistas: Ítalo Gouveia, do Jornal O Liberal; Adamor Filho, da Radio Marajoara e outros ícones do jornalismo policial. Eles eram conhecidos, eu não. Cheguei na portaria e falei ao porteiro: estou aqui em nome do seu Rômulo Maiorana e tenho uma mensagem do Grupo Liberal para o desembargador. O porteiro me olhou de cima a baixo – estava de terno – e me autorizou a subir.

Nervoso apertei a campainha do apartamento. A porta se abriu parcialmente, presa por uma corrente. Repeti a mesma história e a porta de abriu. Fui conduzido à sala de visita. Instantes depois surgiu o desembargador com rosto inchado e os olhos vermelhos revelando que havia chorado muito. Repeti a história: estou aqui em nome do seu Rômulo para lhe prestar a nossa mais profunda solidariedade e colocar o grupo Liberal à sua disposição. Caso,o senhor queira, o jornal, a rádio e a TV estão à sua disposição. Um silêncio ensurdecedor tomou conta do ambiente. Acrescentei: caso o senhor queira fazer um desabafo na TV… Ele me interrompeu e disse: – Eu quero!

Sai às pressas. Chamei a equipe no carro. Passamos pela portaria e subimos sob os protestos dos ícones.

Gravamos a entrevista. Entre lágrimas, o desembargador fez um desabafo emocionado e emocionante. Agradeci e saímos correndo para TV.

A matéria programada para o Jornalismo Eletronico das 22h, foi a reportagem principal do Jornal Nacional, edição local, o mais importante da emissora.

No dia seguinte o Jornal O Liberal estampou na capa a manchete da entrevista do desembargador, ilustrada com a foto retirada do fotograma do filme da nossa tepirtagem.

Foi a minha primeira matéria como repórter.

Na mesma noite da façanha. O jornalista Rômulo Maiorana montou uma equipe do jornal, da rádio e da TV Liberal. O meu nome estava na pauta como repórter da TV. O objetivo era sair à caça do acusado que estava foragido e encontrá-lo antes da . Eu iria trabalhar com os ícones do jornalismo policial. Mas essa é uma outra história. Em breve vou contá-lá.

Walter do Carmo Júnior – Jornalista e publicitário.