Como os nossos pais – Crônica de Elton Tavares (com ilustrações de Ronaldo Rony)

Ilustração de Ronaldo Rony

O leitorado que acompanha este site sabe: vez ou outra, falo de minha família. Sim, aqueles que me são caros, é assunto sério para mim. Meu clã não são somente as pessoas da sala de jantar que dividem refeições, mas sim seres fantásticos, cheios de vida, personalidade e amor.

Sobre família, lhe digo, tenho mais dos meus pais do que pensava. Sim, mesmo que eu seja uma pessoa diferente deles, possuo características semelhantes de ambos. O que é ótimo!

Quando eu e meu irmão, Emerson, éramos crianças, tivemos uma base familiar sólida, na qual aprendemos valores como caráter, honra, a importância de trabalhar e honestidade. Além da importância de ser educado.

As características de nossos pais se desenvolveram em nós ao longo dos anos. Essa herança me serve como manual de sobrevivência, afinal, como disse Vinícius: “são tantos os perigos dessa vida”.

Ilustração de Ronaldo Rony

Sobre nossa criação e hereditariedade. Mamãe é responsável bem decidida e impetuosa. Possui temperamento forte, atitude, honestidade e é trabalhadora. Ensinou-nos a enfrentar as agruras da vida, a escolher e não ser escolhido. É dela que herdei minha força e sinceridade.

Já o pai era/é (ele fez a passagem em 1998) um cara brincalhão, sempre educado e querido por todos. Nos ensinou a sacar o melhor das pessoas, dizia que todos temos defeitos e virtudes, mas que devíamos aprender a dividir tais peculiaridades e valorizar a vida, vivê-la intensamente sem nos preocuparmos com coisas. Ah, tudo isso sem deslumbramento com poder ou riqueza.

Meu velho era/é coração e minha mãe a razão. As características se misturaram. Vejo em mim e no meu irmão virtudes e defeitos de ambos. Nunca fui dado a hipocrisias, verdades invertidas ou farsas reais. A personalidade forte é coisa da mãe. Em contrapartida, o carisma é coisa do pai.

Ilustração de Ronaldo Rony

Vejo pessoas que são “ótimas” com os outros, mas não valorizam nem um pouco suas famílias, mesmo sendo (com o perdão do gerúndio) totalmente dependente delas. Triste, mas é fato. Ainda bem que não somos como esses imbecis, graças aos nossos pais.

Como eles, penso positivamente e trabalho para criar oportunidades. É, graças a Deus, assim como possuo a capacidade de fazer amigos do meu pai, identifico cretinice a léguas de distância, como minha mãe. Não por acaso, somos pessoas boas, com defeitos, claro. Porém, mas em algum lugar do passado, entendemos que é preciso batalhar, respeitar, amar e, se preciso, brigar, bater e vencer.

Tenho orgulho de ser filho deles, ter um pouco (ou muito) de cada um. Na verdade, acho isso o máximo!

Elton Tavares

Foto: Flávio Cavalcante

*Texto do livro “Crônicas De Rocha – Sobre Bençãos e Canalhices Diárias”, de minha autoria,lançado em setembro de 2020.

Ele voltou, o cronista voltou novamente – Crônica de retorno do Ronaldo Rodrigues (tomara)

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Já faz algum tempo que não venho por aqui. O dono da casa já deve ter esquecido ou desistido de mim. Ele nem cobrou mais a minha visita, nunca mais me fez lembrar que minha presença reforça os alicerces desta casa. Ou será que só eu pensei isso, num momento de falta de modéstia?

Em todo caso, escrevi este bilhete me desculpando pela longa ausência. Vou deixar aqui no pátio e sair devagarinho. Vai que ele está zangado com minha falta de notícias. Ou se ajustou à ausência e cancelou o contrato, ainda que o nosso contrato seja não verbal, mais baseado em afeto do que em cobrança, disciplina, prazo etc.

Espero que me desculpe e, nem se importando com o vasto tempo corrido, ele coloque este singelo bilhete no mural digital que tem na internet.

A minha ausência já foi explicada (entressafra de ideias, muito trampo rolando, falta de tempo etc.), mas nem ele nem eu ficamos satisfeitos com essas pausas prolongadas. Quem escreve sempre encontra, inventa, descola um tempo de escrever algo fora das exigências profissionais de quem vive de criar textos.

Pois bem, Elton. Aí está o meu bilhete junto com um abraço e um P. S.: vou manter a periodicidade. Desta vez é pra valer (rsrsrsrs).

Obrigado por continuar acreditando e me dando este espaço. Valeu! E abre logo essa cerva!

Tempos pandêmico e a Era do Rivotril – Crônica de Anne Pariz – @annepariz

Crônica de Anne Pariz

Andava na rua e notava a mudança no andar e nos olhares, afinal as máscaras escondem o rosto, mas intensificam os olhares.

Pessoas sorriem com os olhos, não só o olhar nos mostra tristeza e preocupação.

Em tempos assim a sobrecarga psíquica aponta uma realidade alarmante na saúde da população, sobretudo a mental. O crescimento nas vendas de medicamentos para transtornos de ansiedade, insônia e depressão denuncia uma população em sofrimento psíquico maior do que se imagina, segundo dados da Organização Mundial de saúde.

Conversava com um rapaz e ele relatava tranquilamente que com esse tempo pandêmico seu maior amigo, companheiro de cabeceira é o Rivotril, utilizado para problemas de insônia.

Não muito distante ouço a conversa de duas amigas confidenciando que não vivem hoje sem seus “remedinhos” para dormir. Algo preocupante, visto que, o Rivotril é um medicamento que deve ser receitado por médico especialista e em uso contínuo leva ao vício.

Que sociedade estamos nós tornando que temos que utilizar meios para adormecer diante da crise em que estamos vivendo, não só pandêmica, da crise da fome, do desemprego, da dor e do desamor.

A Era do Rivotril é perigosa mas afirmo que mais perigosa é a Era da descrença de uma sociedade mais justa, igualitária, equânime para toda nossa população.

PS: consulte um médico para consumo responsável de medicamentos

*Anne Pariz é cronista, fisioterapeuta e ativista social – 27 de agosto de 2021.

Da vez que pensaram em trocar o nome do Teatro das Bacabeiras – Crônica de Elton Tavares

De acordo com o sociólogo, escritor, jornalista e compositor Fernando Canto, a alcunha “Teatro das Bacabeiras”, pelo fato de trazer o nome que supostamente originou a palavra Macapá, foi escolhida democraticamente pelos artistas amapaenses para nomear o principal teatro de Macapá. Portanto, a denominação se identifica com a nossa terra.

Em 2015, foi cogitada a possibilidade da mudança do nome do Bacabeiras para que o teatro recebesse o acréscimo do nome do ator, humorista e radialista Pádua Borges, que faleceu em 2014.

Pádua era brilhante, ícone da cultura local e um cara porreta. Ele merece mesmo uma homenagem póstuma, mas não essa.

A questão da modificação do nome do teatro público do Estado iria além da questão de prestar uma homenagem ao importante representante da cultura amapaense. A mudança envolve a construção da identidade cultural do Amapá, processo que se constitui e é defendido a muito custo por nossos artistas e agentes culturais.

Mudar o nome do teatro, cuja escolha parte da construção histórica do amapaense seria descaracterizar uma parte daquilo que temos como memória, elemento agregador (fundamental!) da cultura.

Homenagear Pádua, o eterno e amado “Lurdico” da dupla “Os Cabuçus”? Sim! Com a criação de novos espaços, que poderão beneficiar a comunidade e agregar conhecimento e arte ao nome daqueles que produziram cultura nesse Estado e que ficaram em nossa história.

Ainda bem que desistiram da ideia. É isso.

Elton Tavares

O dono do Cabaré – Crônica porreta de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Depois de receber uma bolada do “PDV” do Governo Federal, onde trabalhou por quase 20 anos, Zé Ramos não sabia nem como nem onde investir o dinheiro. Mas queria ser comerciante. Como também era boêmio inveterado, frequentador de inúmeros botecos, bares e lupanares, alguém lhe falou que um cabaré estava à venda no subúrbio da cidade. A ideia de comprar um estabelecimento comercial já pronto despertou-lhe a cobiça e o sentimento de poder, pois comandaria pessoas e ainda aproveitaria os produtos da casa. Ou seja, uniria o útil e lucrativo negocio ao agradável hábito do bem bom.

Visando o lucro, Zé Ramos investiu toda a sua fortuna na compra do tal lupanar. Porém, despreparado (Naquele tempo não existiam programas de empreendedorismo a pequenas empresas assessorados pelo Sebrae), nosso herói foi levando o negocio com a barriga. Era mais cliente do que dono.

Quatro meses depois o único garçom roubou o caixa e fugiu; dois empregados, encarregados da limpeza e da cozinha, e um segurança o colocaram na justiça do trabalho e as cinco trabalhadoras sexuais da casa apareceram grávidas o acusando de ser o pai das crianças, pois ele às vezes, quando estava doidão, expulsava os clientes e fechava o estabelecimento, para seu usufruto pessoal.

Acabou vendendo o negocio por uma ninharia para um cearense, dono de um minibox que lhe fornecia mercadoria no fiado. Quase não dava para pagar as indenizações dos empregados e as outras despesas que ficaram da sua gestão.

Mesmo assim, Zé Ramos é um cara feliz da vida. Viveu a sua experiência de empresário como um xeique árabe. E diz, sempre rindo, com o maior orgulho: – Já fui dono de puteiro. Não ganhei, mas também não perdi.

Esse é o Zé Ramos com suas histórias.

* PDV: Plano de Demissão Voluntária, implementado nos anos 90.

O Navio dos Cabeludos e a Educação pelo Medo – Crônica porreta de Fernando Canto

Crônica do sociólogo Fernando Canto

O medo de fazer algo errado e ser punido controlava a ação de qualquer moleque da minha idade.

Os mais velhos comentavam com veemência sobre uma tal Ilha de Cutijuba, no Pará, para onde levavam os jovens transgressores das leis, falando misérias sobre ela. Diziam ser um presídio de onde era impossível fugir por causa dos tubarões e pirararas que viviam ao seu redor, perto do oceano; um lugar quase inacessível, que para viver era preciso lavrar a terra na chuva e no sol para produzir seu próprio alimento; uma prisão ao ar livre na qual poucos sobrevivam cumprindo suas penas. Em suma: um inferno.

O controle social bem articulado, posto nas nossas cabeças pelo medo, povoava nossas vidas desde a infância. Para cada situação sempre existia uma história que evitava o fazer errado. Era a educação pelo medo. Até hoje quando vejo uma sandália virada providencio logo que ela fique na posição de calçar, pois me ensinaram a acreditar na superstição de que minha mãe morreria se a sandália não estivesse de cabeça para cima. Espertos esses adultos! Eles inventaram uma forma de fazer as crianças não bagunçarem os espaços da casa e também de não castigá-las com surras e outra correções violentas. Certa vez um dos meus filhos, ainda criança, viu o irmão chutar uma sandália que ficou de cabeça para baixo num canto da sala. Imediatamente ele disse: – A mamãe vai morrer, eu não tô nem aí, eu não tô nem aí! E saiu se isentando da culpa da (im)provável “morte” de sua mãe, causada pela sandália virada.

Situações como essa aprendemos em todos os lugares, seja em casa, na rua ou na escola, onde nossas relações sociais se ampliam e solidificam. E assim a gente vai se educando, variando os conhecimentos, resistindo ou não às novidades, segundo os contextos históricos, sociais, culturais e políticos que se apresentam. Mas dificilmente essas superstições e abusões sairão de nossas memórias, embora entendê-las, hoje, signifique dar boas risadas, porque todas as representações simbólicas produzidas pela consciência coletiva ou individual expressam visões de mundo e de sociedade. É uma visão política de realidade porque as ideologias estão ligadas à compreensão da cultura, que por sua vez é uma percepção ligada às diferenças entre os homens. O controle implícito no gesto de “ajeitar” a sandália é uma experiência de poder.

Bem próximo, na continuação da educação pelo medo, lembro da expressão “- O Navio dos Cabeludos vem te buscar.”, uma forma de coação social e familiar para os que não gostavam de cortar os cabelos, principalmente no tempo da Jovem Guarda, quando era moda usar os cabelos compridos, mesmo se arriscando a ser chamado de “bicha”. Não sei de onde veio a dita expressão, mas desde a Guerra do Paraguai, passando pela Revolução dos Cabanos e pela Segunda Guerra Mundial, muitos jovens se escondiam no mato com medo dos “Pega-pega”, navios que passavam nos rios da Amazônia para alistá-los compulsoriamente e remetê-los aos campos de batalha.

A invenção dessa “pedagogia” não raro ainda se estabelece em muitos lares urbanos e rurais da Amazônia. E funciona com as crianças, porque todas têm medo. Nenhuma delas quer perder a mãe por causa da sandália virada. Ninguém quer viajar a força num desses Navios dos Cabeludos que sempre aparecem na frente da cidade para uma viagem sem destino e sem volta.

Com o perdão do trocadilho, em Deus boto fé! – Crônica de Elton Tavares

Sabem, não sou religioso e muito menos frequento templos. Mas sinto a presença de Deus o tempo todo, sobretudo no amor e carinho da minha família e amigos. Afinal, ELE é amor. Meu saudoso pai dizia que “se você não puder ajudar alguém, não o atrapalhe”. Sigo isso à risca. E ajudo sempre que posso, sejam desconhecidos ou conhecidos. Acredito Nele sem perder a fé, o que também boto fé (com o perdão do trocadilho) que isso resulta nas bênçãos que são dadas a mim e aos meus.

Sei que a vida é feita de vitórias e derrotas que quase sempre dependem de nós mesmos, mas que ELE dá uma força, ah isso dá. Também acredito no livre arbítrio, uma licença pra gente fazer merda e arcar com as consequências. Porém, mesmo após fazermos cagada, a aliança com Deus também ajuda, pois a força que rege tudo sempre tende a favorecer quem é bom ou pelo menos tenta ser bom.

Não rezo para santos ou outros interlocutores. Minha aliança é direta com ELE. Quase nunca faço promessas a Deus, mas costumo cumprir os poucos acordos com o Criador. E temos um tratado fixo e simples: eu trabalho e tento não fazer mal a ninguém e ELE me livra de quem quer me ferrar por aqui.

Todo acontecimento bom é uma benção, sejam elas grandes ou pequenas. E esses milagres do cotidiano são sempre comemorados por este jornalista. O escritor Rubem Alves disse uma vez que, quem benze ou bem diz, é feiticeiro ou mágico. Esse “encantamento”, sempre invocado com as mágicas palavras “amém”, “que assim seja” ou simplesmente “se Deus quiser” costuma funcionar. Sim, vibrar positivamente ajuda na bênção.

Agradeço também aos familiares e amigos que rezam, torcem ou, de alguma forma, emanam boas energias. E no final das contas, Ele é bom o tempo todo e só tenho a agradecer por ser abençoado. Com o perdão do trocadilho, Deus boto fé! Valeu, God! Boa semana pra todos nós!

Elton Tavares

O pobre soberbo – Crônica/reflexão de Elton Tavares

Sabem, não que eu seja um estudioso da natureza humana, nada disso, escrevo sem propriedade alguma, somente baseado nos meus “achismos” e pontos de vista.

Bom, hoje falarei do “pobre soberbo”. Não, não sou elitista, na verdade, nunca liguei para quem tem grana ou sobrenome. Sempre andei com lisos bacanas e agradáveis desconhecidos, assim como eu. Acredito que gente legal atrai gente legal. Mas enfim, voltemos ao pobre soberbo.

Este tipo de cidadão possui uma renda mensal que está sempre abaixo do orçamento que gostaria de ter, até aí, tudo normal. O pobre soberbo costuma ter bom gosto com roupas, culinária e etecétera e tal. Mas é do tipo que gosta de manter a aparência de bacana, usar vestimentas de marcas famosas, mesmo que isso comprometa suas prioridades (como supermercado, prestações ou algo assim).

O importante para este tipo peculiar de pessoa é manter a capa. Elas costumam frequentar locais “chiques”, sempre conversando sobre futilidades e afins. Ah, os assuntos preferidos do pobre soberbo são carros e pessoas que ocupam cargos públicos. Sim, eles são afiados nessa ladainha sobre coisas e pessoas que nomeiam “importantes”.

O pobre soberbo conhece todo figurão ou seus filhos, por estudar anos a fio suas fisionomias, nas inúteis colunas sociais. Aí ele espera só uma oportunidade para “puxasaquear” o tal fulano e aplicar o seu marketing pessoal, pleiteando algum tipo de status.

Ah, quando um pobre soberbo consegue alcançar algum lugar dentro da sociedade, de acordo com sua percepção, fica pior do que os verdadeiros ricos, nojentão total. Conheci várias pessoas assim. Lembro de um figura, nos anos 90, que disse para mãe que iria se matar, se ela não comprasse um carro para ele. Lembro das meninas da faculdade dizendo: “É um Fulano do carro tal” ou “é o Cicrano, filho do Beltrano”.

Outra característica dos pobres soberbos é dizer o preço das coisas que usa: “Saca este sapato, dei R$ 500 nele”. Essas pessoas são de uma superficialidade incrível.

Estes figuras são cheios de falsas certezas. Basta o mínimo de percepção para arrancar suas máscaras. A maioria só faz figuração na vida. Parafraseando Arnaldo Jabor: “eles assumem a verdade das suas mentiras”.

Dos pobres soberbos, que não são pobres só de posses, mas de espírito, eu só sinto pena e desprezo. Deles, só quero distância.

Elton Tavares

Sobre domingos de quando eu era moleque

Quando eu era moleque, nas manhãs de domingo, acordava com a MPB rolando no toca-discos de vinil, meu pai já tomando uma e minha mãe cozinhava (isso quando não íamos comer fora). O cheiro porreta da broca já exalava na casa. Meu irmão ainda tava na parte de cima do beliche, desmaiado. Eu o acordava pra começarmos a brincar, azucrinar e dominar o mundo.

Papai, sempre carinhoso, nos abraçava e cheirava. Mamãe, também amorosa, mas mais comedida, dava um beijo em cada um dos moleques. Uma vida vivida no amor. É assim até hoje, mas sem o velho Zé Penha. Que saudades!

Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez” – Trecho do poema “Filtro Solar”.

Elton Tavares

Hoje é o Dia Nacional do Maçom (minha família tem forte ligação com a Maçonaria no Amapá) – Meus parabéns à Ordem Maçônica

Hoje é o Dia Nacional do Maçom. A data é celebrada em 20 de agosto por conta de uma sessão histórica realizada entre as Lojas de Maçonaria “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade”, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), nesse mesmo dia, em 1822. Na ocasião, o Irmão Gonçalves Ledo teria feito um discurso emocionante e inspirador, pedindo a Independência do Brasil ainda naquele ano.

A data oficial foi oficializada no artigo 179 da Constituição do Grande Oriente do Brasil, tornando o dia 20 de Agosto o Dia do Maçom Brasileiro. A iniciativa dele foi aprovada por todos os maçons presentes e registrada na ata do Calendário Maçônico no 20º dia, do 6º mês do ano da Verdadeira Luz de 5.822. Esta data, convertida para o calendário gregoriano (que é usado na maioria dos países ocidentais), seria equivalente ao dia 20 de Agosto de 1822. Isso teria sido um impulso da sociedade maçônica para que o príncipe regente, Dom Pedro I, proclamasse a Independência do Brasil, no dia 7 de Setembro de 1822 (menos de um mês depois da grande reunião no Rio de Janeiro).

O conceito de Maçom diz: “homens de bons propósitos, perseguindo, incansavelmente, a perfeição. Homens preocupados em ser, em transcender, num preito à espiritualidade e à crença no que é bom e justo. Pregam o dever e o trabalho. Dedicam especial atenção à manutenção da família, ao bem-estar da sociedade, à defesa da Pátria e o culto ao Grande Arquiteto do Universo”.

Maçonaria é uma sociedade discreta e, por essa característica, entende-se que se trata de uma instituição com ação reservada e que interessa exclusivamente àqueles que dela participam. Seus membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade, fraternidade, além do aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciática, filosófica, progressista e filantrópica.

Maçonaria no Amapá e minha família

A Maçonaria existe no Amapá desde 1947, quando foi fundada a Loja Maçônica Duque de Caxias, localizada na Avenida Cloriolano Jucá, Nº 451, no Centro de Macapá. Hoje existem 24 lojas maçônicas no Amapá. Destas, 13 são da Grande Loja do Amapá e 12 da Grande Loja Oriente do Brasil. Além da capital, os municípios de Mazagão, Porto Grande, Santana e Laranjal do Jari possuem uma loja cada.  Meu avô paterno, João Espíndola Tavares, foi maçom. Aliás, foi um homem dedicado à Maçonaria. Vou contar um pouco dessa história:

Foto: Elton Tavares

Em 1968, após ser observado pela sociedade maçônica de Macapá, João Espíndola (meu avô) foi convidado a ingressar na Loja Maçônica Duque de Caxias, sendo iniciado como Maçom. Logo se destacou dentro da Ordem, por conta de seu espírito iluminado. Foi um dos maiores incentivadores de ações filantrópicas maçônicas no Amapá.

João foi agraciado, em 1981, após ocupar 22 cargos maçônicos, com o Grau 33 e o título de “Grande Inspetor Litúrgico”. Ele sedimentou seus conhecimentos sobre literatura mundial lendo de tudo.

Meu avô é o primeiro da esquerda. Nessa foto, com outros maçons, entre eles o senhor Araguarino Mont’Alverne (segundo da direita para a esquerda), avô de amigos meus.

Vô João transitou por todos os cargos da Ordem. As cadeiras que ocupou foram sua ascendência à graduação máxima da instituição. Foi Vigilante, 2ª Mestre de Cerimônias, Venerável Mestre, 1º Experto Tesoureiro, Delegado do Grão Mestre para o 11ª Distrito Maçônico e presidente das Lojas dos Graus Filosóficos. Também foi um dos participantes do Círculo Esotérico da comunhão dos membros.

Ele também integrou o grupo de humanistas da instituição, que objetivava a assistência social e humanitária, oferecendo atendimento médico gratuito ao público. A entidade filantrópica também ministrava aulas preparatórias para candidatos ao exame de admissão ao Curso Ginasial, que hoje conhecemos como Ensino Médio.

Quando ele morreu, em 1996, em nota, a Maçonaria divulgou: “Durante sua estada entre nós, sempre foi ativo colaborador e possuidor de um elevado amor fraterno”.

Evento na Loja Maçônica do município de Mazagão – Foto: Elton Tavares

Há 12 anos a Loja Maçônica do município de Mazagão, Francisco Torquato de Araújo, comemorou 20 anos de fundação. No evento, a instituição homenageou seus fundadores, entre eles o patriarca da minha família paterna, João Espíndola Tavares. Naquele dia, nossa matriarca, vó Peró, também foi honrada. Ela recebeu o “Ramo das Olivas”, uma espécie de broche, que seria destinado somente às esposas dos maçons daquela casa. Foi uma experiência emocionante, diferente, contagiante e extremamente familiar.

Senhor José Odair e nossa Peró – Foto: Maria Penha

Em agosto de 2020, o venerável mestre da loja maçônica Francisco Torquato de Araújo, do município de Mazagão, José Odair, fez uma visita à nonagenária mais linda do mundo, nossa Peró. Na ocasião, ele a presenteou com um histórico da unidade maçônica mazaganense encadernado, por conta da contribuição do vovô.

Meu tio e querido amigo, Pedro Aurélio Penha Tavares, é o único maçom da minha família. Ele também foi venerável Mestre da Loja Duque de Caxias, que possui 74 anos. Meu avô, lá nas estrelas, deve ter muito orgulho de seu filho, que seguiu seu caminho Maçônico.

Tio Pedro, na época de venerável da Loja Duque de Caxias

O Maçom, por princípio, não deve ter um dia específico para agir maçônicamente. Todos os dias são Dias de Maçom, pois a construção do Templo Interior é um trabalho árduo, diuturno e que leva uma vida para ser concluído. Parabéns a todos os IIR . ‘ ., livres e de bons costumes, especialmente os que buscam viver como verdadeiros MMaç . ‘ ., “levantando TT. ‘ . à virtude e cavando masmorras ao vício” para que sejam “Justos e Perfeitos”, parabeniza Pedro Aurélio todos os seus irmãos de Maçonaria.

Honrar é preciso. A história, a memória e o legado, que também é de amor. Pois meu avô ajudou na história disso aí. Meu tio idem. Meus parabéns à Ordem Maçônica.

“Fale de sua aldeia e estará falando do mundo” – Leon Tolstoi.

Elton Tavares

Hoje é Dia Mundial da Fotografia #diamundialdafotografia

Foto: Elton Tavares

Hoje é comemorado o Dia do Mundial da Fotografia. A data é celebrada porque em Paris (FRA), no dia 19 de agosto do ano de 1839, foi anunciada e apresentada ao mundo a tal Fotografia, desenvolvida pelo francês Louis Daguérre. Aliás, “fotografia” significa escrita com a luz (foto = luz & escrita = grafia).

Amo fotos, um dos inventos mais fascinantes que o ser humano produziu até os dias de hoje. São momentos congelados e muitas vezes, “poesia em pixels” (uma vez li isso em algum lugar que não lembro agora, mas é firme). Sabem aquela famosa frase: “Uma imagem vale mais do que mil palavras”? Pois é, tem muita gente que faz fotos que não precisam de um grande texto ou legenda. Admiro quem é capaz de fazer fotografias deste tipo.

Foto: Elton Tavares

Já trabalhei com muitos fotógrafos, a maioria deles muito bons e uma minoria nem tanto. Admiro muitos deles. Alguns pelo talento, outros pelo profissionalismo e aqueles que são grandes amigos. Sou apenas um apertador de botões, nem sei mexer direito no equipamento, mas já consegui fazer umas imagens legais. Por sorte, claro, pois não tenho técnica alguma.

Dia desses, li que não fazemos fotos, construímos fotos. Sim, percepção, olhar e não “a câmera boa”. Aliás, para muitos mágicos da fotografia, o equipamento é somente um tubo onde eles materializam seus olhares cirúrgicos.

Portanto, hoje homenageio estes profissionais, que às vezes não são reconhecidos, mas que são fundamentais para o jornalismo e para a melhoria da nossa percepção de mundo. Minhas homenagens aos repórteres fotográficos e aos fotojornalistas que fazem fotos com maestria, muitas das vezes colocando poesia em pixels.

O artista Andy Warhol disse: “a melhor coisa sobre uma fotografia é que ela não muda mesmo quando as pessoas mudam”. Verdade! Adoro momentos congelados. Eternizados nas fotos.

Momento que um gavião apanha um sapo, no Gurijuba, região do Pacuí (AP)- Foto: Elton Tavares

O poeta Fernando Canto me disse uma vez: “fotografar é, para mim, registrar o mundo real com a sutileza supradimensional da psiquê. Só para sensíveis e sensitivos que veem além da paisagem as cores do cosmo”.

Não sou fotógrafo profissional, somente um apertador de botões. Fiz algumas imagens legais desde que comecei a curtir fotos. Mas este registro (acima) feito no Rio Gurijuba, na fazendo dos meus tios Pedro Aurélio e Lucia Roberta Pinto Pimentel, é um dos que mais gostei de ter feito. O momento que um gavião apanha um sapo para o almoço.

Arte: Ascom MP-AP.

Meus parabéns vão principalmente aos talentosos amigos Hellen Cortezolli, Sal Lima, Maksuel Martins, Aog Rocha, Regi Cavaleiro, Alexandre Brito, Jorge Junior, Antônio Sena (in memoriam), Toninho Javali, Kitt Nascimento, Chico Terra, Juvenal Canto, Camila Karina, Fabiano Menezes, Jorge Junior, Erich Macias, Marcelo Corrêa, Max Renê, Adriana Ribeiro, Jorge Mareco, Kise Machado, Flávio Cavalcante, Jéssica Alves, José Seixas, Nicole Cavalcante, Carol Chaves, Tatiana Jacomé, Livia Almeida, Raimundo Fonseca, Floriano Lima, Bruno Vinícius, Cíntia Souza, Gilberto Almeida, Jenny Quaresma, Rafael Santos, Ewerton França, Márcio Pinheiro, Rui Brandão, Rosivaldo Nascimento, Daniel Alves, Mary Paes, Luciana Macedo, Toninho Javali, Wender Gemaque, Alex Silveira, Gabriel Penha, Jaciguara Cruz, Mariozinho Rocha, Paulo Gil, Herval Barbosa, Cássia Lima, Irineu Ribeiro, Cleiton Souza e Márcia do Carmo. Além de um monte de gente que sou fã lá do Grupo Fotógrafos Anônimos do Amapá. Congratulações!

A fotografia, cujos progressos são imensos e que está, a nosso ver, mui bem classificada entre os materiais das artes liberais, fala aos olhos e detém cativa os curiosos fatigados” – Eça de Queirós.

Elton Tavares

Poema de agora: Rock and roll forever (a poesia marginal do Régis Sanches)

Rock and roll forever

John Bonham!
Você mergulhou
Para flutuar com Brian Jones
No fundo da piscina.
Não sei, por que razão?
Às vezes,
Também faço coisas
Que ninguém imagina.

Jimi Hendrix!
Você quiz voar
Com o “Rei Lagarto”
Nos céus de Paris.
Embarcaram em uma nave
Que “bad trip”!
Com Janis Joplin
E Elis.

Um dia, eu também quiz voar
Num mergulho sem fim
Abro as asas sobre o mar.
Mas, veja, eu não desisti
Estou aqui,
Mil histórias prá contar.

Kurt Cobain!
Você fugiu para o Nirvana
E o Himalaia é logo aqui
Cássia Eller!
Você não me engana.

Estou na selva
Dias negros, noites obscuras
Eu vou nas ruas
Com meu skate esfarelado
Veja, o meu corpo suado
Minha cabeça
Vomita versos delirantes
Minha guitarra-flamejante
Vou lapidando diamantes
Veja, a luz nos olhos meus
Aquela velha chama
Nunca se apagou
Rock and roll.

Régis Sanches

Há 52 anos, rolava o Festival Woodstock – #Woodstock #Woodstock69

Há exatos 52 anos, rolou o Festival de Woodstock. O evento foi realizado, de 15 há 18 de agosto de 1969, em uma fazenda de 600 acres de Max Yasgur, na área rural de Bethel, no estado de Nova York (EUA). Com o objetivo de reunir lendas do rock, a festa levou milhares de jovens até lá. Foi o acontecimento mais importante da história da música.

Anunciado como “Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música”, o festival deveria ocorrer originalmente na pequena cidade de Woodstock, mas os moradores locais não aceitaram, o que levou o evento para a Bethel, a uma hora e meia de distância (160 km de NY).

Cerca de 400 mil pessoas invadiram a cidade de Bethel para o Woodstock, onde residiam somente 2.300 cidadãos. Como a organização esperava “apenas” 60 mil pessoas, somando o público de todos os dias, a saída foi improvisar postos de alimentação gratuitos quando eles se depararam com uma massa sete vezes maior. Cidades vizinhas doaram frutas, enlatados e sanduíches.

Até hoje, o Woodstock é considerado um marco na história da música mundial. Mesmo depois de 52 anos, os relatos sobre o festival são de que o mundo parou por três dias de agosto de 69 (número sugestivo, não?) para uma grande confraternização e celebração .

Quem encerrou a festa foi nada mais, nada menos que o maior guitarrista da história. Ele mesmo, Jimi Hendrix. Antes dele, grandes nomes do rock estiveram no palco do festival, como Janis Joplin , Joe Cocker, Santana, Grateful Dead, Joan Baez, The Band, Johnny Winter e The Who.

Além de reunir alguns dos artistas mais consagrados do rock dos anos 60, o Woodstock foi a maior contestação social da juventude da época.

Woodstock pode ser considerada também a festa que teve a maior quantidade de penetras da história mundial. Em contrapartida muitos artistas convidados pensaram duas vezes em participar, The Doors e Led Zeppelin são os exemplos mais famosos. Os produtores até tentaram os The Beatles, que não toparam porque não convidaram a banda da Yoko Ono, obviamente uma negação de John Lennon.

Os que entraram para a História foram aqueles que se arriscaram, público e artistas que participaram e fizeram sua parte. Ao todo foram 35 apresentações. Literalmente eles deram um show.

Setlist dos shows que rolaram em Woodstock:

Richie Havens – Here comes the sun (George Harrison)
Sweetwater – Join the band (Alex Delzoppo, Fred Herrera)
Joan Baez – Diamonds and rust

Santana Oye como va (Tito Puente)
Grateful Dead – Fire on the mountain (Mickey Hart, Robert Hunter)
Janis Joplin Maybe (Richard Barrett)
The Who – My generation (Pete Townshend)

Joe Cocker – With a little help from my friends (John Lennon, Paul McCartney)
The Band – Mystery train (Junior Parker)
Johnny Winter – I smell smoke (Roger Reale, Jon Tiven, Sally Tiven)
Jimi Hendrix – Wait until tomorrow

Fontes: revistas, jornais, sites e nossas conversas de mesa de bar sobre Rock and Roll.

Saudades, amizade e rock’n’roll: neste sábado (14), rola live/homenagem póstuma ao advogado e músico Nilson Montoril Júnior

Caricatura do artista Andrew Punk

Neste sábado (14), a partir das 18h, familiares e amigos do advogado e músico Nilson Montoril Júnior, que desde 2020 não está mais conosco, promoverão uma live em homenagem póstuma a ele. “Nilsinho”, um dos apelidos do saudoso amigo (sim, era meu amigo também) foi, além de excelente profissional do Direito, contrabaixista, líder e fundador da banda The Malk. O show on-line é uma mistura de saudades e honrarias ao cara, querido e considerado pela galera da antiga que curte som em Macapá.

A apresentação será transmitida pelo canal da The Malk no Youtube. A live contará com a participação dos companheiros de banda e outros músicos que tocarão na evento virtual, além de  depoimentos de amigos de toda a vida e familiares do Montora. E, ainda, exibição de fotos de momentos da trajetória do “Maizena” (Nilson era uma cara de muitos apelidos).

Banda The Malk, no tributo ao The Cure. Bar Do Vila, em 2019. Foto: Elton Tavares

Para que não conviveu com o Nilsinho, com aquele jeito ácido de ser (igual ao meu) que todos adoravam, é uma excelente oportunidade de saber mais do cara, que foi um grande amigo dos seus amigos, inteligente demais e figuraça porreta. Pois vão rolar boas histórias sobre ele.

Além de operador do direito e músico, Montora era um marido apaixonado e amoroso pai de dois caras.  E, ainda, maçon, flamenguista, amante de rock’n’roll, um dos maiores fãs de Cure e Smiths que conheci e brother das antigas da galera. Ele morreu no dia 16 de dezembro de 2020, aos 47 anos, devido a uma parada cardiorrespiratória em decorrência de complicações da Covid-19. E deixou saudades, pois a gente dava muito valor naquele bicho.

Eu e Nilson em dois momentos de 2016: encontro de trabalho no TRE/AP (esquerda) e show da Legião Urbana (direita).

O evento virtual foi carinhosamente organizado por muita gente que amava o cara, como a Gabriela Dias e o Adroaldo Júnior, entre tantos outros brothers. Se o Nilson  já assistiu, deve ter reprovado alguma coisa, seja o som, o setlist ou algo assim, pois ele tinha que reclamar com algo ou chamar a atenção do Adriano Bago sobre algo que o mesmo tinha esquecido. Esse era o Montoril, um cara perfeccionista  e, às vezes, até cri-cri, mas a gente gostava. A música sempre me uniu ao Nilsinho. Recomendo a live.

Serviço:

Live/homenagem póstuma ao advogado e músico Nilson Montoril Júnior
Data: 14 de agosto de 2021 (também conhecido como hoje)
Horário: a partir das 18h.
Transmissão pelo canal da banda The Malk no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCzwrV6fDW2GfEz139qQwhRQ

Elton Tavares