Parabéns, Keith Richards! (75 anos de uma lenda do Rock and Roll)

O guitarrista, compositor, membro fundador e alma dos Rolling Stones,Keith Richards, após uma vida de excessos e desencontros com o também septuagenário Mick Jagger, completa 75 anos hoje.

Keith Richards nasceu em Datford, Inglaterra, em 18 de dezembro de 1943. Foi vizinho e estudou com vocalista da banda, Mick Jagger, mas só depois perceberiam seu interesse em comum por música boa.

Poucas pessoas no mundo podem dizer que sobreviveram à tríade “sexo, drogas e rock and roll” e estão entre nós para contar esta história. Keith Richards é uma delas. E o guitarrista, que completa 75 anos nesta terça-feira, 18, faz aniversário em plena atividade com os Rolling Stones, banda seminal que completou cinco décadas de estrada, acordes blueseiros e a uma relação volátil entre Keith e o vocalista Mick Jagger.

Uma das mais emblemáticas duplas da música de todos os tempos vive um (raro?) momento de paz neste reencontro dos Stones, com turnê mundial e tudo. Não foi fácil, principalmente porque Keith Richards quis contar todas as suas histórias com a biografia Vida, em 2010. Nela, Jagger apanhou por nocaute. Irritado e ofendido, o vocalista não quis saber do companheiro, muito menos de estar ao lado dele, novamente, no palco. O guitarrista pediu desculpas e os Stones, enfim, voltaram à estrada e aos estúdios – a banda soltou duas músicas inéditas “Doom and Gloom” e “One More Shot”, para engrossar uma nova coletânea.

Este é apenas o mais recente capítulo da história, agora setentona, de Keith Richards. Cinco meses mais novo do que Jagger, o músico viveu os excessos do álcool e das drogas (maconha, cocaína e heroína), tornou-se um dos grandes guitarristas e todos os tempos e uma figura icônica para o rock e para a música mundial.

O sujeito que ficou diante de um juiz em cinco ocasiões por posse de drogas, ou algo relacionado a substâncias ilícitas, nas décadas de 60 e 70 (nos anos 1967, 1973, 1977 e 1978), chegou a dizer, em uma famosa entrevista ao semanário britânico NME, em 2007, que inalou as cinzas do próprio pai. Ainda que, depois, o empresário tenha dito que tudo não passava de uma brincadeira, quem duvidaria de algo assim? Afinal, estamos falando de Keith Richards.

Com a guitarra, o garoto inglês Keith foi abalado pelas influências do blues norte-americano, principalmente de Chicago, que se enraizaram profundamente no estilo dele ao instrumento. Chuck Berry é a o nome mais citado entre as referências que o moldaram. Mas Keith parece ter trazido a neblina londrina ao rhythm and blues, criando assim riffs vorazes como os de “Honky Tonk Women”, “Brown Sugar”, “Start Me Up”, “Paint It, Black” e “Gimme Shelter”.

Em pleno ano de 2018, quem, neste universo roqueiro, não quer dançar ao ouvir as primeiras notas de Keith em “(I Can’t Get No) Satisfaction”, lançada há quase cinquenta anos? É preciso voltar no tempo, para aquele ano de 1965, para perceber que o rock ainda se descobria como gênero quando os Stones chegaram com toda aquela sujeira e indignação – algo que parece permanecer impregnado nas guitarras assim que qualquer garoto a empunha.

Keith também tem um lado vocalista interessante, que parece ter se azeitando com o tempo. Desde “Something Happened to Me Yesterday”, na qual ele alternava nos vocais com Jagger, em Between the Buttons (1967), até o último disco de inéditas dos Stones, lançado no longínquo ano de 2005, A Bigger Bang. Neste álbum, o guitarrista vai ao microfone para cantar “Infamy” e a belíssima “This Place Is Empty”, uma sofrida balada que ganha ainda mais peso emocional com a interpretação blueseira de Keith.

O garoto de 17 anos que, na manhã da terça-feira, 17 de outubro de 1961, encontrou Mick Jagger na estação de Dartford, quando estava a caminho da escola de artes de Sindcup, e decidiu falar com ele por ver, debaixo do braço do futuro “irmão de banda”, LPs de Chuck Berry e Muddy Waters, chegou aos 75. E, para a nossa sorte, ainda no palco, com a guitarra nas mãos.

Enfim, uma lenda viva. Obrigado e parabéns, Keith!

Fontes: Ideia Fixa

New Order cumpre promessa e bota pra quebrar no showzaço em Curitiba

Há 38 anos, em maio de 1980, Ian Curtis, líder da banda Joy Division, colocou uma corda no pescoço do Rock e se matou. O New Order, banda formada pelos remanescentes do JD, prometeu uma apresentação inesquecível em Curitiba. E cumpriu. Eles tocaram ontem (2) na casa de shows Live Curitiba. Eu e meu irmão, Emerson, estávamos lá, no meio das cinco mil pessoas que lotaram o local.

O New Order é uma das mais influentes do mundo nos anos 80 e 90. A banda integra o Hall da Fama Musical do Reino Unido e já vendeu mais de 20 milhões de álbuns em 38 anos.

O New Order arrebentou e embalou muitas festinhas pelo mundo, inclusive em Macapá. O grupo é uma das bandas que escuto há mais de 30 anos. Em 2014, também acompanhado do meu irmão, Emerson Tavares, assisti ao primeiro show da banda, em São Paulo. A apresentação de ontem foi infinitamente melhor.

A banda inglesa tocou, além de seus próprios sucessos, cinco clássicos do Joy Division. Além de excelentes canções, a mística que envolve a banda oitentista faz do New Order especial.

O repertório contou com as canções ‘Singularity’, seguida por ‘Regret’. O setlist ainda previa ‘Age Of Consent’, ‘Ultraviolence’, ‘Academic’, ‘Decades’, ‘Superheated’, ‘Tutti Frutti’, ‘Subculture’, ‘Bizarre Love Triangle’, ‘Vanishing Point’, ‘Waiting for the Sirens’ Call’, ‘Plastic’, ‘The Perfect Kiss’, ‘True Faith’, ‘Blue Monday’ e ‘Temptation’.

Após um suposto fim de show, a banda voltou e tocou os sucessos do Joy Division, como ‘Atmosphere’ e ‘Love Will Tear Us Apart’.

Mesmo com a ausência do carismático baixista Peter Hook, o New Order (com Phil Cunningham, Gillian Gilbert, Stephen Morris, Tom Chapman e Bernard Sumner) fez uma apresentação fantástica e emocionante. Sensacional mesmo! Ficamos felizes por ter vivido mais esse momento marcante em nossas vidas, pois são experiências como essa que fazem tudo valer a pena.

A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio.” – Friedrich Nietzsche, em “Cartas a Peter Gast”, Nice, 15.1. 1888.

Elton Tavares

Há três anos, assisti ao show de Morrissey, em Brasília

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Steven Patrick Morrissey, tido para muitos como o maior inglês vivo, fez um show dia 29 de novembro de 2015, em Brasília (DF). A apresentação rolou na casa de espetáculos NET Live. Eu e um grupo de amigos, irmão e cunhada, estávamos lá. Foi um daqueles momentos únicos na vida. Há exatos três anos.

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Com sua inconfundível voz, topete, dancinhas e jeito marrento, Morrissey fez uma apresentação para fãs de sua carreira solo. Mas também levou três canções dos Smiths, sua antiga banda.

Nós ficamos na Pista Premium, pertinho da lenda viva do rock alternativo britânico. Foi um lance quase inacreditável, pois passamos a vida cultuando o artista e ele tava ali, a metros de nós. Muito doido!

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O show iniciou às 21h30. O cantor, ex-integrante da banda Smiths, abriu logo com Suedehead, um de seus maiores sucessos.

Para os fãs somente dos Smiths, o repertório talvez tenha decepcionado, mas Morrissey já fez o mesmo em outros shows dessa turnê, denominada “World Peace Is None of Your Business”, aliás é o mesmo nome de uma das canções executadas no show.

Mas Morrissey possui uma carreira solo sólida e de muito sucesso. Não à toa a casa de shows estava lotada com um público ávido por escutar suas canções. E teve de tudo, desde o cara tirar a camisa e jogar para a plateia a ativismo contra o consumo de carne (o cantor inglês é vegetariano e acredita que matar animais para consumo é assassinato).

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Suedehead, Everyday Is Like Sunday, First of the Gang to Die e This Charming Man levantaram o público e matou a sede até dos que queriam escutar Smiths.

Com 30 anos de carreira e 56 de idade, Morrissey se recuperava de vários problemas de saúde, o mais grave é um câncer no esôfago, mas apesar disso, o cara mandou muito bem, pois foi um show de 2h10 de duração, cheio de energia, atitude e talento, muito talento. Mas dizer isso deste ilustre britânico é uma redundância tremenda.

Estou muito feliz por ter vivido aquilo, principalmente com o Emerson (meu irmão), Andresa (cunhada), Anderson, Adê, Cid e Patrick, todos companheiros de aventura, viagem e grandes amigos nessa doideira que é a vida. É, trabalhamos muito, mas fazemos o que amamos. Com toda a certeza, um domingo inesquecível.

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Ah, outra coisa muito legal é que fotografei um dos maiores mitos da história do rock e constatei que, definitivamente a Rainha Não está Morta. Vida longa ao Moz!

Elton Tavares – Texto e fotos

27 anos sem Freddie Mercury (o melhor vocalista da história do Rock)

Foi em 1991, no dia 24 de novembro.

Há duas décadas e sete anos, morreu Farrokh Bulsara, o “Freddie Mercury” (nome artístico do cantor). Sim, faz 27 verões que o mundo perdeu o maior vocalista de Rock and Roll da história e um dos maiores cantores de todos os tempos. Eu tinha 15 anos e lembro bem que, na época, sua morte causou repercussão e tristeza em todo o mundo.

Após ficar muito doente, surgiam rumores de que estaria com AIDS, o que se confirmou afinal, através de uma declaração feita por ele mesmo em 23 de novembro, um dia antes de morrer.

O inglês foi vocalista e líder da banda britânica Queen. Também lançou dois discos-solo, aclamados pela crítica e pelo público. Ele foi um dos maiores cantores do Rock and Roll. Além de melhor frontman que já pisou na terra, o cara dominava a plateia com sua performance e vozeirão.

O cara era foda cantando Rock, Pop, Ópera ou o que se propusesse. Não à toa, é um ícone do Rock and Roll e virou um mito na história da música mundial.

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Freddie, como muitos outros seres incríveis que passaram por aqui nesta existência, foi um cara com um talento espantoso. Pessoas assim se eternizam na memória e no coração dos fãs, como eu e outros milhões de apreciadores do Rock and Roll. Sua história foi retrata este ano, no filme Bohemian Rhapsody. aliás, filmaço que rendeu essa resenha CLIQUE AQUI. 

Valeu, Fred!

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Não quero mudar o mundo. O que mais me importa é a felicidade. Quando estou feliz, meu trabalho reflete. No final, os erros e as desculpas são minhas. Gosto de sentir que estou sendo honesto. No que me compete, quero aproveitar a vida, a alegria, a diversão, o máximo que puder nos anos que ainda me restam” – Freddie Mercury.

Elton Tavares

Três anos do show do Pearl Jam em Sampa

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Há exatamente três anos, assisti ao show do Pearl Jam, realizado no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Foi “sensacional”. A quarta apresentação da banda americana no Brasil entrou para a lista dos dias mais felizes da minha vida. Certa vez, li que uma grande obra de arte ou acontecimento não vem atrás de você, é preciso ir atrás desse tipo de vivência. Foi o que fizemos. Sim, graças a Deus, eu estava lá, naquela noite de calor infernal em Sampa.

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O Pearl Jam fez um show mítico, misturou canções famosas com músicas lado B, conhecidas e cantadas somente por fãs aficionados. O estádio estava lotado e Eddie Vedder foi extremamente simpático. O público, é claro, interagiu com o frontman de forma recíproca. Durante 3h10 de show, milhares de pessoas cantaram, pularam e se emocionaram ao som de uma das maiores bandas do mundo.

A banda também homenageou, de uma só vez, os mortos nos atentados terroristas em Paris (FRA), ocorridos na noite anterior ao show, e John Lennon (o falecido beatle completaria 75 anos em 2015). O Pearl Jam tocou “Imagine” e todos no estádio do Morumbi acenderam seus celulares, pois a luz da esperança nunca apaga. Foi emocionante e lindo!

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Caiu um pé d’água torrencial na capital paulista, junto com uma ventania apocalíptica que fez o show parar por 10 minutos. Nada que tenha tirado o brilho da apresentação magnífica do Pearl Jam. Com exceção de Soldier of Love e Last Kiss, PJ tocou todos os hits e clássicos que nós queríamos ouvir. Sobretudo, os do disco “Ten”. Rolou “Even Flow”, “Jeremy”, “Alive” e quando rolou “Black”, o coração bateu mais forte e causou até um suor masculino nos meus olhos.

São esses momentos de felizes loucuras que alimentam nossas almas e corações. Só sabe quem vive tais momentos fantásticos. Estar presente num grande show nos dá uma sensação porreta de sermos indestrutíveis. Sei lá, um lance emocionante de ser jovem para sempre. Essas coisas que somente o Rock and Roll proporciona.

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Definitivamente, aquele 14 de novembro ficará na memória e no coração de todos que ali estavam. Eu agradeço a Deus por ter visto tudo aquilo: meu irmão Emerson, nossos amigos Anderson, Adê e Adriana. Há três anos, mais um capítulo fantástico de um vida feliz. Só sei que foi assim.

*Em 2018, assisti outro show da banda, na mesma cidade. Foda igual ao primeiro. A gente vive o Rock and Roll!

Elton Tavares

Se vivo, Chuck Berry (o talentoso e louco Guitar Hero), faria 92 anos hoje

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Hoje, Chuck Berry, nome artístico de Charles Edward Anderson Berry, completaria 92 anos de vida. E que vida! Nascido em Saint Louis (EUA), em 18 de outubro de 1926, o compositor, cantor e guitarrista é uma lenda da música. O artista está entre os pioneiros que misturaram, Jazz, country music, Blues e R&B, ritmos afro-americanos e transformaram no melhor estilo musical entre as trilhas sonoras da vida, o Rock and Roll. Ele morreu em 18 de março de 2017

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Não á toa, a revista Rolling Stone o escolheu como o 5º maior artista da música de todos os tempos e sétimo melhor guitarrista do mundo.

O precursor do rock ‘n’ roll támbém teve um talento incrível para se meter em confusão. Em 1959, no auge do seu sucesso, pegou quatro anos de prisão por ter levado uma índia apache de 14 anos do México para seu clube noturno em Saint Louis.

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Também teve problemas com o Departamento do Tesouro dos EUA por receber seus shows em dinheiro e não declará-los. Foi acusado de evasão de divisas e pegou 100 dias de prisão. E, em 1988, pagou uma multa para dar fim a um processo de US$ 5 milhões que Marilyn O’Brien Boteler moveu contra ele.

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Assim como Mark Knopfler, Kurt Cobain, Tom Morello, John Frusciante, Joe Satriani, Keith Richards, Jimi Hendrix, Jimmy Page, Neil Young, David Gilmour, Eddie Van Halen, B.B. King, John Fogerty, Brian May, Eric Clapton, entre outros iluminados, Chuck Berry é um herói da guitarra, um menestrel!

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Por tudo que fez e representa para a cultura mundial, rendo homenagens ao lendário músico. Ele foi com certeza um Guitar Hero e um dos maiores do Rock and Roll. Valeu, Chuck. Berry!

Elton Tavares, com informações de sites, revistas e mais de 30 anos escutando e lendo sobre Rock and Roll. 

O Rock nos Anos 60: A invasão britânica dos Beatles e Rolling Stones

Por Adnoel Pinheiro
 
Enquanto notava-se um intenso processo de politização da juventude universitária norte-americana e a ascensão da música de protesto com Bob Dylan e na Inglaterra o rock ‘n’ roll ressurgiu com um ímpeto inesperado que a partir de então se tornou um dos maiores polos de divulgação da cultura jovem mundial. Podemos compreender com mais clareza se levarmos em consideração que desde 1947, com a criação do Plano Marshall os Estados Unidos já vinham com o objetivo de impulsionar e concretizar seu domínio sobre a economia capitalista europeia, despejando dinheiro na Europa capitalista através de empréstimos, créditos para compra de alimentos e matéria prima e recuperando a capacidade de produção e o poder de compra dos ingleses. Devido a essa aproximação e influência americana, os britânicos, principalmente os jovens de classes trabalhadoras escolheram o rock como porta de entrada para a cultura ocidental.


No momento em que o rock ‘n’ roll americano atingiu com maior intensidade o mercado britânico, no início da década de 1960, já refletia a mistura de rhythm and blues, o country, o rockabilly, o calipso, a música negra da Motown, recebendo uma nova roupagem por parte dos artistas ingleses.
 
Entre os mais variados grupos musicais de Londres e Liverpool surgidos no início dessa década, dois alcançaram em pouco tempo um sucesso internacional avassalador, modificando de modo profundo não só a música popular mundial, mas todo o estilo de vida da juventude. Os Beatles e o Rolling Stones foram as duas bandas de rock que encabeçaram toda essa convulsão cultural dos anos 60.
 
No decorrer da carreira os Beatles foram um grupo que teve a competência de reunir uma vasta gama de influências e pesquisas que iam da música eletrônica à música folk, da música oriental às mensagens existenciais de suas letras, as quais transmitiam uma visão filosófica do cotidiano existencial. Foi o grupo britânico que mais vezes alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas.
 

O Rolling Stones, menos sutis e mais intensos, se caracterizando pelo balanço de sua batida musical de forma mais crua, bem próxima das tonalidades negras, quer nos temas de suas músicas, quer em suas apresentações ao vivo que contavam com a ótima presença de palco de seu frontman (Mick Jagger). Os Beatles, portanto, foram se tornando mais detalhistas, requintados e experimentais; os Stones mais básicos e intuitivos aprimoravam suas técnicas de estúdio mais também sempre foram ótimos nas apresentações ao vivo.
 
Por trás de todo esse sucesso das bandas inglesas existia uma revolução cultural em que implodia a moral vitoriana. A Inglaterra não era mais o centro do capitalismo mundial desde a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e logo após as dificuldades de reconstrução as novas gerações inglesas sofreram grande influência do american way of life e despertaram para o prazer individual e para o consumismo, eram jovens que vestiam terninhos de lapela e primavam por um visual bem comportado, mas ao contrário dos americanos e de sua rebeldia transviada, os britânicos conseguiram desenvolver uma consciência crítica de sua geração.


A explosão e ascensão do rock inglês acabaram despertando e influenciando a música norte-americana que estava em baixa desde os fins dos anos 50 e início dos anos 60. Essa influência tornou-se acentuada quando os Beatles fizeram sua primeira turnê pelos Estados Unidos abrindo mercado para outros grupos britânicos e influenciando na formação de novos músicos e bandas norte- americanas como: The Doors, Velvet Underground, Frank Zappa entre outros.
 
Podemos afirmar que a década de 60 se dividiu em dois períodos. O primeiro de 1960 a 1965 foi marcado pelo sabor de inocência transcendental nas manifestações sócio-culturais, e na política predominou o idealismo e o entusiasmo no espírito de luta do povo. O segundo de 1966 a 1969 possui um tom mais ácido, rebelde, avassalador e revelam as experiências com drogas, a perda da inocência, os protestos juvenis contra o endurecimento dos governos e a revolução sexual. É esse período que preconizaria o surgimento do inesquecível   movimento punk.
 

 

46 anos do The Concert For Bangladesh

No dia 01º de agosto de 1971, 46 anos atrás, acontecia o The Concert For Bangladesh.

Um pedido especial do amigo Ravi Shankar animou George Harrison a voltar aos palcos para duas apresentações no Madison Square Garden, em Nova York, em 1971.

A ideia era ajudar as vítimas da guerra e da fome no país asiático.

Além do ex-Beatle, Eric Clapton, Bob Dylan, Billy Preston, Leon Russell, Ringo Starr e o próprio Shankar compareceram.

A bola fora: a grana arrecadada com a venda do disco ficou retida pelo governo britânico, que não abriu mão do pagamento do imposto.

George Harrison tirou a diferença do próprio bolso.

Moz Day: feliz aniversário, Morrissey! – O dia do astro!

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Foto: Elton Tavares

Hoje, 22 de maio, o cantor britânico e ex-vocalista do Smiths (uma das melhores bandas de que se tem notícia), para muitos, “o inglês mais foda vivo” e lenda do rock and roll mundial, Steven Patrick Morrissey, completa 59 anos de vida. E que vida!

Morrissey fez história com o The Smiths (o grupo existiu de 1982 a 1987). Ele foi coautor de todas as músicas com o guitarrista Johnny Marr. Após a separação da banda, o vocalista segue uma carreira solo sólida, recheada de sucessos, de fazer inveja a muitos rockstars.

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Foto: Elton Tavares

Com 30 anos de carreira, Morrissey se recupera de vários problemas de saúde, o mais grave é um câncer no esôfago. Mas está em plena atividade artística. Não à toa, lota casas de shows, como ao que fui em novembro de 2015, com público ávido por escutar suas canções.

Hoje, como já ocorre há vários anos rola o Encontro anual de fãs do Morrissey. Por todo mundo, admiradores do menestrel inglês comemoram a data de seu nascimento.

Ele merece todo esse frisson, pois além do sarcasmo e mau-humor, marcas registradas do cara, ele possui um talento extraordinário para fazer canções. Obrigado, Morrissey. Suas músicas fazem parte da trilha sonora da minha vida ( e da de muitos de minha geração).

Definitivamente a Rainha não está Morta. Palmas pro cara, pois ele é PHoda. Vida longa ao Moz!

Elton Tavares

Há 24 anos, Kurt Cobain fugiu para o Nirvana…

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Há exatos 24 anos, morreu Kurt Cobain. O líder e vocalista da banda Nirvana foi encontrado morto em sua casa, em Seattle (EUA), em 5 de abril de 1994. Ele tinha os mesmos 27 anos que muitos roqueiros falecidos nessa idade.

O relatório do Departamento de Polícia de Seattle sobre o incidente afirmou que Kurt Cobain foi encontrado com uma espingarda ao lado do seu corpo, que ele tinha um ferimento visível na cabeça e que havia uma nota de suicídio descoberta próxima a ele.

Existem lendas e teorias da conspiração sobre a morte do artista. Kurt Cobain estaria de saída do Nirvana, em pleno processo de divórcio com a também cantora Courtney Love. Aliás, dizem que ele iria reescrever seu testamento para excluí-la e se preparando-se para pedir a custódia de sua filha.

De acordo com a autópsia, a quantidade de heroína detectada em seu sangue correspondia a três vezes a dose letal da droga. Como o próprio Cobain ainda poderia ter puxado o gatilho da espingarda?

Bem, se foi ou não suicídio, talvez nunca saberemos, mas o fato é que há 24 anos, nós ficamos atônitos com a partida precoce de um dos heróis do Rock and Roll mundial. Formado por Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic, o Nirvana acabou com a morte prematura de Cobain.

Naquela época, nós caçávamos sons novos como as bruxas eram perseguidas durante a Inquisição, ou seja, incansavelmente. Tempos de festinhas de garagem e TDK 90 minutos, com os nomes das músicas anotadas no papel interior da capa da fita cassete.

Lembro como se fosse ontem, em 1992, a recém chegada MTV em Macapá exibia o vídeo de “Smells Like Teen Spirit” incessantemente e nós não enjoávamos. Fiquei enfeitiçado quando ouvi aquilo pela primeira vez. Música do segundo álbum do Nirvana, o épico “Nevermind”, fez Kurt e sua banda entrarem para o Olimpo da música. E também o Grounge, até então um subgênero do rock alternativo. O disco tirou Michael Jackson do topo das paradas e revolucionou o Rock.

Cheio de atitude e genialidade, como diria meu amigo Régis Sanches: “Kurt Cobain, você fugiu para o Nirvana” (na música Para Sempre Rock and Roll). Bom, tomara que ele tenha achado a paz. Aqui ele faz e sempre fará falta. Valeu, Kurt!

Elton Tavares

Cazuza faria 60 anos hoje – Viva o gênio!


Se vivo, hoje Agenor de Miranda Araújo Neto, o “Cazuza”, completaria 60 anos de idade. Lembro bem daquele 7 de julho de 1990, quando ele morreu, pois estava de férias com minha família em Natal (RN). O gênio da poesia tinha somente 32 anos.

O artista, filho de João Araújo, produtor fonográfico, e de Lucinha Araújo, nasceu em berço de ouro e conviveu, desde muito cedo, com grandes nomes da cultura brasileira. Foi influenciado por Cartola, Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Maysa e Dalva de Oliveira. Cazuza foi um privilegiado, por causa de seu pai, cresceu convivendo com grandes nomes da MPB, Gilberto Gil, João Gilberto, Novos Baianos, Caetano Veloso, Elis Regina e Gal Costa.

O cara participou de peças teatrais no Circo Voador, local que aglutinava a nata da cultura cênica e musical do Rio de Janeiro, na década de 80. Mas Cazuza apaixonou-se pelo rock and roll quando morou em Londres, em 1972. Alguns anos depois, juntou-se a Roberto Frejat (guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclados) e Guto Goffi (bateria), nascia o Barão Vermelho, uma das maiores bandas do rock nacional.

O produtor musical Ezequiel Neves gostou do som da banda e convenceu o pai de Cazuza a lançar o Barão. O grupo estourou mesmo quando Ney Matogrosso (namorado de Cazuza), gravou, “Pro Dia Nascer Feliz”, “Maior Abandonado”, “Bete Balanço” e “Bilhetinho Azul”.

O artista, sedento por fazer música em outros estilos, saiu do Barão. Sua carreira solo também sólida e foi fantástica, Cazuza flertou com a MPB, a misturou ao rock e gravou as canções “Exagerado”, “Codinome Beija-Flor”, “Ideologia”, “Brasil”, “Faz Parte Do Meu Show”, “O Tempo Não Pára” e “O Nosso Amor A Gente Inventa”. O resto é história.

Em 1989, declarou ser soropositivo, a Aids o levou. Cazuza foi um dos maiores artistas da música brasileira. O cara foi um símbolo de rebeldia, pelo seu talento e sua loucura. Este post é uma pequena homenagem ao gênio da poesia.

Não sei o que ele teria feito se tivesse mais tempo. Com toda certeza, muito mais pela música e arte nacional. O artista foi um dos nossos heróis (ainda tem quem não goste ou reconheça, mas paciência). Viva Cazuza!

Elton Tavares

Sobre o Lollapalooza Brasil 2018 (só deu para escrever algo hoje).

O Lollapalooza Brasil 2018, realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP) no último final de semana, terminou há quatro dias. Mas somente hoje resolvi escrever sobre o Festival de Música que mesclou vários estilos em sua sétima edição no Brasil.

Com mais de 70 atrações, entre artistas nacionais e gringos, o Lollapaloooza teve uma média de público de cem mil pessoas ao dia e mais de 300 nos três dias em que agitou a capital paulista. Ao todo, a maratona diária foi dividida em quatro palcos e com mais de 12 horas ininterruptas de programação de shows. Fui a três edições anteriores e o Lolla deste ano foi sim o maior de todos os tempos.

Para os fãs de Rock, como eu, os melhores shows foram das bandas LCD SoundSystem; Royal Blood; Terno; Imagine Dragons; The National; Red Hot Chili Peppers; Pearl Jam e The Killers, além dos cantores David Byrne; Liam Gallagher.

Graças aos Deuses e os demônios do Rock and Roll, tive o prazer de assistir as três maiores bandas que se apresentaram no Festival: The Killers, Pearl Jam e Red Hot Chilli Peppers.

Na sexta-feira (23), o RHCP fez um show legal e nad amais que isso. O baixista Flea sempre ligado no 220W, o batera Chad Smith tocou o basicão, Anthony Kiedis meio frio nos vocais (com exceção de “Under the bridge” e “Give it away”) e Josh Klinghoffer, guitarrista que nos deixa com saudades de John Frusciante. Sempre quis assistir ao Red Hot Chilli Peppers e gostei, mas esperava mais. Repito, gostei bastante, mas faltou aquele sentimento de “caralho do show”.

Já no sábado (24), o Pearl Jam fechou o Lolla. A banda tocou por 2 horas e meia um setlist repleto de sucessos como ‘Jeremy’, ‘Better Man’, ‘Sirens’ e , ‘Black’. Eddie Vedder e seus companheiros emocionaram os fãs, como eu e fizeram valer aquele momento. Uma coisa sobre o PJ: esse sensacional grupo de rock sempre faz um show como fosse o último deles. E olha que já vi duas apresentações. Os caras são phodas e a apresentação nos deixou com aquele sentimento que faltou na sexta, o de “caralho do show”.

Brandon Flowers e sua banda arrebentaram no palco Budweiser, no último domingo (25). O The Killers mostrou que o indie rock vive e nos faz felizes. Eles tocaram ‘Run For Cover’; ‘Runaways’, ‘Somebody Told Me’, ‘Smile Like You Mean It’, ‘Human’ Flowers e ‘Mr. Brightside’. Sem nenhum exagero vos digo: o show do Killers conseguiu ser melhor que o do Pearl Jam. FDC do show!

Claro que eu não vi tudo de bacana que o Lollapaloooza tinha a oferecer, mas assisti aos shows que queria (perdi The National e David Byrne, uma pena) , me diverti com os amigos, bebi, sorri e fui feliz. E é isso que vale a pena.

Um estudo cientifico afirma que em um show de música ao vivo, por apenas 20 minutos, você aumenta em 21% a sensação de bem-estar. Num festival destes e apresentações de grandes bandas de Rock, eu me sinto feliz quase o dia todo. Valeu, gente. Até a próxima aventura Rock and Roll e vida longa ao Lollapaloooza!

Elton Tavares

Billy Corgan completa 51 anos. Parabéns ao antipático e genial careca do Rock

Foto: Revista Rolling Stones

William Patrick Corgan, mundialmente conhecido como “Billy Corgan”, cantor, compositor, líder, produtor e guitarrista da banda de Rock Smashing Pumpkins, completa 51 anos hoje. Nascido em Elk Grove Village, nos EUA, o careca não é apenas um excelente artista, ele é um ícone cultural acalmado por sua (minha) geração. Seu grupo musical ajudou a definir o rock dos anos 1990.

Billy Corgan começou a tocar guitarra por influência de seu pai, que sempre tocava em bandas de jazz (e dizem ter sido um dos melhores guitarristas jazz de Chicago) e o presenteou com sua primeira guitarra, uma Flying-V 1979, que ganhou quando tinha 15 anos.

O Smashing Pumpkins possui grande influência no cenário alternativo, álbuns históricos do rock’n roll e vendeu mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, além de terem ganhado vários prêmios Grammy.

Em 1995, Kurt Cobain já tinha ido para as estrelas e tudo que surgia de genial era mais uma esperança. No final, sabemos que o Rock nunca morre. Ele adoece, mas sempre volta com tudo.

Até hoje, as músicas de Mellon Collie (meu disco predileto do Smashing Pumpkins) emocionam e transportam no tempo quem tem mais de 30 anos. Sim, nostálgico. Agora é só escutar Tonight, Tonight, onde o velho Corgan canta “acredite em mim” ou 1979 e viajar no tempo.

Billy Corgan – São Paulo – 2015 – Foto: Elton Tavares

No Lollapalooza Brasil 2015, realizado em março daquele ano, em São Paulo, o Smashing Pumpkins fechou o festival no palco Onix. Corgan, único membro da formação original do grupo e dono da bola mandou muito bem. Ele veio acompanhado do guitarrista Jeff Schroeder (na banda desde 2007), pelo baixista Mark Stoermer (The Killers) e baterista Brad Wilk (Rage Against the Machine).

Eu aguardava um show do Smashing Pumpkins desde os anos 90. Eles levaram sons como “Tonight, Tonight”, “Ava Adore, Bullet With Butterfly Wings”, “Disarm”, “Cherub Rock”, Today, 1979, a nova “Being Beige”.

O público estava hipnotizado com a apresentação, muita gente, como eu foi às lágrimas. Como não chorar? O careca antipático do rock cantou com o coração e a banda tocou de forma perfeita. Foi um shonzaço e entrou para a galeria de momentos fodas da minha vida.

Enfim, por tudo dito aí em cima e pela obra de Billy Corgan, rendo homenagens ao cara. Que ele viva muito e produza mais Rock and Roll pra gente. É isso.

Elton Tavares.