“Os patos”, de Rui Barbosa – por Zeca Baleiro

Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:
“- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”
E o ladrão, confuso, diz:
“- Dotô, eu levo ou deixo os pato?”
Zeca Baleiro, faz essa mesma citação em sua música “Vô Imbolá”, mas num contexto diferente que pode-se aplicar muito bem ao nosso dia-a-dia, principalmente aos bucéfalos anácronos:
“- Como é por ignorância transito, mas se fosse unicamente para menoscabar de minha alta prosopopéia, dar-te-ia um soco no alto da sinagoga que por-te-ia mais raso do que solo pátrio!”

O fino da grossura

Por Nelson Motta
Pornopopéia, de Reinaldo Moraes, é o melhor romance brasileiro que li – às gargalhadas – nos últimos anos. Um diretor de comerciais decadente e louco por sexo, drogas e encrencas, se envolve com uma seita de surubrâmanes e mergulha em uma epopeia tragicomicossexual de 480 páginas em que a invenção literária, a cultura pop e o rigor da linguagem estão a serviço do humor e da crítica social com uma graça e uma grossura raramente vistas juntas em nossas letras. É o fino do grosso.
É como se Henry Miller e Bukowski tivessem fumado, bebido, cheirado e viajado de ácido com o devasso Zeca pelo submundo de drogados, bebuns, putas, travecos e traficas da noite paulistana.
Como um Ulisses doidão, priápico e bagaceiro, Pornopopéia é movido por uma sucessão vertiginosa de acontecimentos e narrado em monólogos interiores elaborados com linguagem forte, ágil e precisa, em que Zeca relata sua epopeia pornoescatológica debochando de suas próprias metáforas e hipérboles, avacalhando o seu relato aparentemente caótico, mas baseado em uma sólida estrutura e em personagens tão sórdidos e patéticos quanto divertidos e sedutores. Poucas vezes tanta baixaria foi elevada a tais alturas.
Sem ser um livro de humor ou de sacanagem para excitar o leitor, o guia de autodestruição de Zeca dá alta ajuda para risos e gargalhadas ao evocar as forças selvagens da sexualidade e do desejo com crueza e sofisticação, oferecendo diversos níveis de leitura, entremeando a narrativa com haikais sensacionais, jogos de linguagem de pura bobagem e pensatas baratas que o próprio narrador tem prazer em desmoralizar, só para dar uma alegria extra ao leitor – além da trama eletrizante e dos personagens movidos a sexo, drogas e imaginação em doses cavalares.
Politicamente incorreto, o Ulisses bagaceiro de Pornopopéia é existencialmente incorretíssimo, química e sexualmente insaciável e literariamente inesquecível, proporcionando um prazer intelectual só comparável aos êxtases que o sexo bandalho e as substâncias proibidas dão a Zeca na epopeia que vive dentro de si mesmo e da cabeça do leitor.

HOJE: RADIOPHONE NO BAR DO FRANCÊS.

Com um repertório “cover”, que vai de indie rock, brit pop, alternativo e outras vertentes do rock, a banda Radiophone arrebentou na semana passada. Pra quem não viu, hoje tem de novo.
Ouvir um som bacana, conversar com os amigos e tomar uma cerveja gelada é uma boa depois de um cansativo dia de trabalho.
Pra quem não sabe: O Bar e Pizzaria do Francês fica na esquina da Jovino com a Ernestino Borges, no centro de Macapá.
Mas que horas começa? às 21:00 hs
Vai ser legal… Bora lá!

Feliz aniversário Paulo Tavares!

Paulo Penha Tavares
Hoje é aniversário do meu tio, Paulo Roberto Penha Tavares, o irmão caçula do meu saudoso pai. O cara se define como: “Contador e Administrador de Empresas, inquieto, sempre em busca de mais conhecimentos para entender melhor o mundo em que vivo”. Concordo, ele é assim mesmo. Mas o tio é muito mais que isso, ele é um cara, no mínimo, admirável (sem qualquer tipo de puxasaquismo). Bom, vou explicar:
Paulo é um profissional competente e um empresário de sucesso. O cara é viciado em informação, apaixonado por viagens, cultura, culinária e, como eu, não acompanha a moda (e nem por isso deixa de ser elegante). É um homem muito educado, ambicioso e aplicado, pois trabalha mais que garçom de formatura.
Além disso, Paulo foi, é e acredito que sempre será um estudioso, nerd mesmo (nos dias de hoje todo mundo quer ser nerd), pois ele lê muito, possui dois cursos superiores e caminha para o terceiro canudo, sem falar em pós-graduações. Ah, outra característica marcante deste cidadão é a honestidade, ele é daqueles que nunca burlam as regras, nem consigo imaginá-lo praticando algo ilegal.
Meu tio também ama os prazeres da vida, adora boa música, cerveja gelada e, sobretudo, sua família. Em certos momentos, o acho meio frio, mas basta iniciar eu qualquer diálogo que ele logo se solta e se tiver umas cervas, DVD do Chico, João Bosco, ou outros dos nossos velhos amigos rolando, é muito firme.
O mais bacana de tomar umas com ele, tia Maria e tio Pedro é como consigo enriquecer meus conhecimentos, escutar histórias sobre pessoas da antiga Macapá e se tiver o Emerson para nos fazer rir então, a festa está completa. Voltando ao nosso aniversariante, admiro o Paulo por muitas razões, mas seu apreço pela família é certamente a maior delas, principalmente com a minha avó, sua esposa e suas três filhas, minhas lindas primas queridas.
No poema “Filtro Solar” (não sei quem é o autor) tem uma passagem que diz: “Seja legal com seus irmãos, eles são a melhor ponte com o passado e provavelmente quem sempre vai te apoiar no futuro”. Meu pai que o diga, pois lembro que o Zé Penha, antes de partir, precisou e o Paulo estava lá conosco. Em nome dele, eu só posso dizer muito obrigado!

Paulo e nossa matriarca, Perolina Penha Tavares
Tio, podemos discordar em algumas coisas, ver e viver de forma diferente, mas acredite, eu e Emerson amamos você. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Governo estadual inicia obras da rodovia Norte/Sul em Macapá

Foto: Márcia do Carmo

O governador do Amapá, Camilo Capiberibe, participou, nesta quarta-feira, 25, da solenidade que marcou o início da obra da rodovia Norte/Sul, que interligará a zona Sul à zona Norte de Macapá. O objetivo da pavimentação é melhorar o tráfego dos moradores da zona Norte que precisam atravessar a capital amapaense diariamente.
A autopista consiste em sete quilômetros de via dupla, moderna, com todo aparelhamento de infraestrutura, ciclovia, canteiro central e iluminação. O valor da obra, que será dividida em duas etapas, é de R$ 40 milhões. O dinheiro é fruto de um convênio do governo estadual com o Ministério das Cidades. O investimento do Estado é de R$ 5 milhões.
De acordo com o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio La-Roque, a previsão de conclusão da primeira etapa, iniciada nesta quarta-feira, 25, é de 180 dias, onde serão executados dois quilômetros de rodovia. A segunda parte dos serviços contará com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), na ordem de R$ 35 milhões, que serão liberados após o término da primeira fase.
“Essa obra marca um novo momento no setor viário de Macapá. Ela só foi possível pelo esforço e boa vontade política do governo, que tem se empenhado para não perder recursos federais”, pontuou Sérgio La-Roque.
Para o titular da Secretaria de Estado da Infra-Estrutura (Seinf), Joel Banha, que trabalha em conjunto com a Secretaria de Estado de Transporte (Setrap), a rodovia irá dinamizar o trânsito na capital amapaense.
“Em somente cinco meses de governo, nós estamos mostrando para a população que com vontade as coisas podem ser executadas, é a capacidade de ação do governador Camilo Capiberibe. A rodovia vai desafogar o trânsito na zona Norte”, destacou Joel Banha.
Segundo o governador, a obra é muito importante para a capital amapaense. Camilo Capiberibe explicou, durante o seu pronunciamento, que está trabalhando para organizar o Estado em todas as frentes.
“Queríamos fazer mais do que somente iniciar a rodovia Norte/Sul aos cidadãos de Macapá, gostaríamos de discutir o eixo viário da capital amapaense, assim como estamos fazendo com o município de Santana, mas ainda não tivemos resposta para essa nossa sugestão. Não tem problema se não quiserem trabalhar conosco, no segundo semestre nós vamos asfaltar Macapá, independente dessas questões”, enfatizou o governador.
Descaso da gestão passada
O projeto da rodovia Norte/Sul está pronto há anos, mas por falta de vontade política, a licitação da obra nunca foi realizada. Após adequações no projeto original, a Setrap, em parceria com a Seinf, finalmente executam a obra.
“Essa iniciativa que tomamos em fazer a rodovia poderia ter sido tomada antes, e não foi. Mas, não interessa porque eles não o fizeram, o importante é que nós estamos fazendo”, afirmou o governador.
O reconhecimento do Judiciário
O juiz federal, João Bosco, elogiou a gestão do governador Camilo Capiberibe. Conforme o magistrado, a coerência e atitude do Executivo, que está trabalhando integrado com as demais instituições, firmando parcerias e respeitando as atribuições de cada um dos poderes, faz com que obras como a rodovia Norte/Sul se concretizem.
“Estamos vivendo uma nova dinâmica. Não tenho dúvida que o governador Camilo Capiberibe transformará o nosso Estado em um grande canteiro de obras, gerando empregos e desenvolvimento social. O Amapá terá dois momentos, antes dessa gestão e depois deste governo. Estamos virando a página da ineficiência”, disse o juiz federal.
Prestigiaram a solenidade, além do juiz federal João Bosco, a primeira-dama do Estado, Cláudia Capiberibe, o deputado estadual Aguinaldo Balieiro e parte do secretariado do governo estadual.
Elton Tavares
Assessor de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Comunicação Social

Governador visita obra da Hidrelétrica de Ferreira Gomes

foto: Márcia do Carmo
O governador do Amapá, Camilo Capiberibe, visitou, nesta terça-feira, 24, o canteiro de obras da Hidrelétrica de Ferreira Gomes, localizada no município homônimo. O objetivo da ação foi inspecionar os serviços e conhecer as atividades do Grupo Alupar, que é subsidiário da empresa Ferreira Gomes Energia, que é responsável pela construção da usina. Cerca de 200 pessoas trabalham na edificação da barragem
O governador conheceu o local acompanhado pelos prefeitos de Ferreira Gomes, Valdo Isackson e de Porto Grande, Antônio Bessa, e os secretários de Estado da Receita Estadual, Cláudio Pinho, do Planejamento, Juliano Del Castilo Silva, do Transporte, Sérgio La-Roque, Segurança, Marcos Roberto e do chefe do Gabinete Civil, Kelson Vaz. Eles foram recebidos pelo presidente do Grupo Alupar, Paulo Godoy.
De acordo com a empresa responsável pela Hidrelétrica, as análises da água do Rio Araguari, feitas em laboratório, comprovam a qualidade do produto, atendendo às exigências da Agência Nacional da Água (ANA).
Para Camilo Capiberibe, a Hidrelétrica, com capacidade para atender uma cidade de até 700 mil habitantes, é fundamental para o desenvolvimento do Amapá, já que ela produzirá 252 MWh de energia elétrica. Depois de concluída, com a previsão para 2015, a usina oportunizará a instalação de indústrias no Estado.
“Um dos principais gargalos do nosso estado hoje é a Energia Elétrica. Essa barragem vai produzir a quantidade de Energia para que as empresas se instalem no Amapá, pois as indústrias não virão para cá enquanto não poderem funcionar por conta dessa deficiência. Estamos conversando com a empresa responsável para minimizar os impactos que essa obra causará”, explicou o governador.
O prefeito de Ferreira Gomes afirmou que, com a ajuda do Governo, foi montado um Fórum de discussão com profissionais da área ambiental para resolver possíveis casos de impacto ambiental.
“Um empreendimento deste porte trará o desenvolvimento para o nosso povo. Tomaremos todas as medidas necessárias para que nossos cidadãos não sofram conseqüências de impactos ambientais, se eles ocorrerem”, afirmou Valdo Isackson
Capacitação.
O prefeito de Porto Grande disse que, em parceria com a Secretaria de Estado do Trabalho e Empreendedorismo (Sete), cadastrarão os moradores dos dois municípios para cursos de capacitação para as áreas profissionais que a usina precisará. Conforme Antônio Bessa, a Hidrelétrica abrirá vagas para cinco mil novos empregos.
“Formalizaremos um Termo de Cooperação com o Governo, por meio da Sete, para capacitar os munícipes de Ferreira Gomes e Porto Grande para trabalharem na Hidrelétrica. Queremos que nossos habitantes ocupem o máximo das vagas de emprego que a Usina oportunizará”, Antônio Bessa.
Plano Básico Ambiental
O Governo do Amapá trabalhará em parceria com as prefeituras de Ferreira Gomes, Porto Grande e com a Ferreira Gomes Energia para implantar o Plano Básico Ambiental. A ação consiste em 36 programas socioambientais que abrangerão reforço à Saúde, Educação e Segurança nos referidos municípios.
A medida também apoiará a qualificação de mão de obra entre os habitantes das duas cidades, incentivo ao Turismo, projetos esportivos e culturais.
Elton Tavares
Assessor de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Comunicação Social

QUEM É BOB DYLAN?

Por Marcelo Nova
24 de maio e Bob Dylan faz setenta anos. Como é possível?
Conheci Bob quando ouvi Like a Rolling Stone no rádio da casa da minha tia Dayse em 1965. Ele tinha vinte e quatro anos e eu quatorze. De 1965 até 2011 numa velocidade que nem Michael Schumacher nas suas melhores voltas conseguiria superar, encontro-me fuçando papéis antigos e logo me deparo com um texto que escrevi sobre Dylan em 1997 e penso que continua válido:
Fazendo o check-out às 4:30 da manhã, caído num sofá de napa num lobby de hotel vagabundo, numa cidade no meio do nada, vejo Natalie, um pequeno anjo magro, aproximadamente 14 anos, rosto talhado e os olhos incisivos, que ao invés de dormir na presumível segurança e conforto do seu lar, mente para os pais a fim de estar na companhia de integrantes de uma banda de rock and roll. Ao ver meu CD Infidelsnas minhas mãos, ela dispara: “Marceleza, quem é Bob Dylan?”. Imediatamente alguém grita: “Todos pro ônibus!”. E eu tenho tempo apenas para dizer: “É o melhor, o melhor de todos…”. Já esparramado na poltrona, ligo o walkman e coloco meus óculos escuros para poder ver melhor o nascer-do-sol. E quando ele surge terrível, cego e indiferente como somente os deuses sabem ser, a pergunta ainda reverbera e se multiplica nos meus ouvidos. Quem é Bob Dylan? O que ele fez? O que estará fazendo agora?
Penso na enorme dimensão do seu trabalho, assim como na inequívoca qualidade (a quantidade não seria tão significativa, se não fosse impregnada de tanto talento).
Centenas de livros já foram escritos sobre ele, que também escreveu o seu Tarantula, aos 23 anos. Fez filmes, desenhos e pinturas, alguns exibidos em público, outros ainda não. Mas acima de tudo estão as apresentações ao vivo. Dylan e seu “torrencial fluxo de trabalho” (a expressão é de Roland Penrose, referindo-se a Picasso) têm através dos anos deixado o público impactado e atônito. Lembro-me de duas apresentações realizadas em agosto de 1991 no Palace, em São Paulo, quando ele foi massacrado por críticos que não conseguiam identificar exatamente quais canções ele desfiava, alterando melodias e cuspindo palavras. Agindo assim, Dylan tirou-lhes o ponto de referência e expôs-lhes verdadeiras, porém incomuns, facetas da arte.
A música, o ritmo e o drama que envolvem uma performance se desenvolvem num momento específico no tempo. É apresentada do ponto de vista do artista, para ser compartilhada no mesmo instante em que é criada. Mas os críticos, acostumados com artistas menores cuja única preocupação é agradar a qualquer preço – mesmo que isso signifique padronizar e banalizar seus próprios trabalhos – não souberam como classificar Bob Dylan. Imersos há muito tempo no oceano da mediocridade, esqueceram que a arte que não destrói o convencional, que não contesta o que a maioria acredita e não nos sugere outras hipóteses de vida, é apenas melodrama ou mero exercício de boas intenções. Sem tentar estabelecer contato com o público que não fosse através da reinterpretação da sua própria obra, Dylan não dirigiu sua palavra nos intervalos das canções, nem esboçou estímulos físicos, tais como gestos ou mesmo palmas para conseguir a tão almejada interação artista-platéia. No final da apresentação, disse apenas: “Merci, merci…”. E as luzes se apagaram enquanto ele voltava para o escuro dos bastidores.
Quem é esse Man In TheLong Black Coat, garoto que fugiu de casa aos 18 anos Like a Rolling Stone? O primeiro punk, aquele que inseriu não apenas vigor poético, mas densidade emocional e guitarras elétricas na folkmusic dos anos 60.
O pacifista inquisidor, cujas respostas ainda hoje são sopradas pelo vento. O soldado que desejou a morte dos MastersOfWar. O cristão que bateu na porta do céu e foi perdoado por Jesus num SlowTrainComing. O errante HandyDandy ainda hoje em busca de dignidade sob o sol vermelho.
O mesmo sol que queimava meu rosto através da janela do ônibus e que me trazia a lembrança da pergunta da pequena Natalie. Quem é Bob Dylan? Como posso lhe dar uma resposta exata, Natalie, se ele nem mesmo se chama Bob Dylan… Nesse momento, uma canção chamada “I and I” vem até meus ouvidos, via walkman: “Eu já fiz sapatos para todos, inclusive para você e no entanto continuo descalço”.
Pedras que rolam não criam limo. Mr. Bob Dylan 70 anos hoje. Que ele continue rolando por aí.

E viva o Rock And Roll!!

Homem que é homem… chora. Porra!

                                                                                             Por Jader Pires

Laurence Fishburne, na série “Crying Men”, de Sam Taylor-Wood.

Aposto que Luis Fernando Veríssimo já previa esta discussão quando escreveu a crônica “Homem que é homem” (o famoso HQEH) no livro As mentiras que os homens contam.

Discutir o que é coisa de macho e o que não é coisa de macho pode parecer meio que coisa de mocinha, né? Afinal, o saco-roxo que se preza não fica de análises e estudos sobre a vida de outro saco-roxo, certo?

Errado.

Se você acompanha esse site metido a valentão vai perceber que basicamente tudo o que faz por aqui é analisar e estudar a vida de outros, seja através de opiniões, dicas, no estilo com que transmitimos informações ou na pura macheza com que tratamos nossas pautas. Absorve o que enxerga na vida alheia e adapta o que lhe parece bom e ruim. O saco-roxo é bem mais saco-roxo quando descobre o discernimento.

Mal chegamos à viril conclusão e já partimos em genuíno auxílio aos camaradas que se encolhem nas salas escuras de cinema, que ficam nulos num canto qualquer do sofá ou se afundam na cama em busca de um paliativo esconderijo. Travaremos agora uma batalha sangrenta de ideias pelo direito – e digo mais: pelo dever – das lágrimas de macho ao final de um filme.

Porque, e espero que concordem comigo novamente, pra enfrentar a catarse de ver um ótimo filme sem ter qualquer tipo de reação, tem de ter mesmo a alma vendida e fechada pelo tinhoso. Já pra aqueles que sabem das delícias de se deixar ser atingido pelas propostas que saltam da tela, chorar é um ato de liberdade e de (por que não?) demonstração de gigantes colhões.

Claro que não estou aqui colocando em xeque a empolgação de cada um para com a sétima arte. Quem não chora também mama. É que estampar no rosto aquelas gotas tão sentimentais costuma ser visto como um ato afrescalhado, dito como fraqueza ou até então assimilado como coisa de mulherzinha. Mas se enganam os mais céticos.

Há todo um ritual envolvendo o choro másculo. Ocorre quase como que um ato solidário às personagens que tanto sofrem em seus arcos de herói ou em suas tragédias herdadas lá dos gregos. Não choramos (nós, os praticantes do choro másculo de macho homem) simplesmente por chorar; nos impomos decentemente, arqueando o tórax como um macho dominante, enrijecendo os músculos dos braços como que preparados para qualquer embate e, como com varão, apontamos para a tela e grunhimos palavrões:

“Porra. O cara ama a mina lá, porra. Porra, o cara só quer…(lágrimas)…o cara…(lágrimas)…porra!”

E se a delicinha que te acompanha não se mostrar tão solícita para com o desfecho melodramático, compartilhe sua sentimentalidade com todo o seu status de mulo:

Não se dê por vencido, amigo lenhador! Chorar é parte da tua maldição como latino, como bom brasileiro que abraça forte, bebe cachaça, ouve música brega debaixo de um ventilador de teto e coça o saco no meio da rua.

Orgulhe-se desse sangue quente que nessa veia corre e aja como um macho de respeito, como um macho dono da verdade. Chore.

Mad World

Enquanto o fim não chega… continuamos caminhando neste Mundo Louco…

Mundo Louco (Roland Orzabal e Curt Smith)
Tudo ao meu redor são rostos familiares
Lugares desgastados, faces desgastadas
Claro e cedo para suas corridas diárias
Indo a lugar nenhum, indo a lugar nenhum
Suas lágrimas estão enchendo seus copos
Sem expressão, sem expressão
Escondo minha cabeça, eu quero afogar meu sofrimento
Sem amanhã, sem amanhã
Eu acho isso meio divertido
Eu acho isso meio triste
Os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que já tive
Eu acho difícil para dizer-lhe
Eu acho difícil para aceitar
Quando pessoas correm em círculos,
Este é um mundo louco, mundo louco
Crianças esperam pelo dia que se sintam bem
Feliz aniversário, feliz aniversário
Eu me sinto como toda criança deveria
Sentar e escutar, sentar e escutar
Fui para a escola e eu estava muito nervoso
Ninguém me conhecia, ninguém me conhecia
Olá professor me diga qual é minha lição
Olhe bem pra mim, olhe bem pra mim

Divulgada primeira foto de Bane no novo Batman

Foi divulgada nesta sexta-feira (20) a primeira foto oficial do filme Batman – The Dark Knight Rises, continuação de Batman – O Cavaleiro das Trevas.

A imagem mostra o vilão Bane, interpretado por Tom Hardy, que já trabalhou com o diretor Christopher Nolan em A Origem. Em fevereiro, o ator chegou a comentar que estava preocupado em ganhar os músculos necessários para interpretar o personagem. E, pelo visto, deu bastante certo.

História

Bane é um personagem fictício, supervilão inimigo do Batman no Universo DC. Foi criado em 1993 por Chuck Dixon, Doug Moench e Graham Nolan.

Bane nasceu na prisão de Pietra Dura, localizada na ilha de Santa Prisca, no Caribe.

Na infância, passou a ser cuidado por um padre jesuíta, que viria a ser assassinado pelo próprio Bane, anos mais tarde.

Teve de cumprir a prisão perpétua, condenado pelos crimes cometidos por seu pai, o Rei Cobra.

Mesmo aprisionado, Bane não deixou de aperfeiçoar suas habilidades naturais: dedicou-se à leitura de diversos livros, modelou seu corpo no ginásio da prisão e aprendeu a lutar para poder se defender de outros prisioneiros.

Tornou-se lenda quando passou dez anos na solitária e sair dela são.

Teve visões do seu futuro e descobriu que o medo de um morcego poderia impedi-lo de conseguir seus objetivos.

Tornou-se obcecado pela leitura sobre Gotham City (lugar que, assim como a prisão, era comandada pelo medo, e sobre seu guardião.

Bane fez sua primeira aparição na revista Batman: The Vengeance of Bane, em 1º de janeiro de 1993.

Ficou conhecido como o único vilão a ter causado dano mais grave ao Homem-Morcego, quando Bane o deixou paralítico da cintura para baixo, ao quebrar-lhe a espinha.

O fato é relatado na história “Batman: Knightfall”, na edição nº 497 da revista Batman de julho de 1993.

O Filme

The Dark Knight Rises ainda traz no elenco Anne Hathaway, como Mulher-Gato, e Joseph Gordon-Levitt (A Origem), além de Morgan Freeman, Michael Caine e Christian Bale, como Batman, que fizeram os outros dois filmes do Homem-Morcego dirigido por Chris Nolan.

O longa, que está sendo rodado em alta definição e em formato IMAX, tem previsão de lançamento nos cinemas americanos para o dia 20 de julho de 2012.

Esqueça 2012. Estão dizendo que o mundo vai acabar amanhã

Você está preparado para o fim do mundo? Pois ele vai acabar amanhã. É o que promete Harold Camping, um americano de 89 anos que preside a Family Stations, emissora que produz e transmite programas religiosos para dezenas de estações de rádio nos EUA e no mundo.
Segundo informações que Camping diz ter tirado de uma interpretação da Bíblia, neste sábado deve acontecer um terremoto que se espalhará pelo globo. Esse será o início da destruição da raça humana – que levará cinco meses para se completar e ainda contará com outras pragas. Em outubro, não só a Terra, mas todo o universo chegará ao seu fim.
Uma das explicações se relaciona ao Dilúvio. Em um trecho da Bíblia, Deus aparece dizendo a Noé que iria trazer o Dilúvio dentro de sete dias. Outro, no Novo Testamento, afirma que “um dia para Deus é como mil anos e mil anos como um dia”. Camping considerou que a destruição nos dias de Noé ocorreu 4990 anos antes de Cristo. Depois, somou sete mil anos a essa data e chegou ao ano de 2011.
Ele afirma que os escolhidos serão arrebatados e transportados para o paraíso. Quem não deu atenção ao aviso será deixado para sofrer na terra por cinco meses. “Finalmente, em 21 de outubro de 2011, o universo inteiro, incluindo a terra e todas as suas obras, serão queimadas, e eles nunca mais tornarão a existir”, diz o seu site http://migre.me/4ALje (disponível em vários idiomas, inclusive português).
Harold Camping já havia predito o fim do mundo em setembro de 1994, mas não rolou. Será que desta vez vai?
Meu comentário: Isso me lembra uma música…

31 Anos atrás, uma corda no pescoço do ROCK

Há exatos 31 anos, o jovem músico Ian Curtis, atormentado por angústias e culpa, sentindo a pressão do sucesso crescente de sua banda, se enforcou dentro de casa. Ian Curtis morreria ali, mas o seu mito, um dos maiores da história do rock, acabava de nascer.
Ian Curtis era líder do Joy Division, banda que mudou a cara do rock com sua postura e sonoridade. Suas ideias seguem reverberando pela música até hoje.
A carreira de Ian Curtis de A à Z.
Anton Corbijn – fotógrafo e diretor de clipes de bandas como U2 e Depeche Mode. Ele dirigiu o longa Control, sobre a vida de Ian Curtis
Bowie, David – A fase glam do roqueiro, de discos como Ziggy Stardust e Diamond Dogs, foi uma forte influência no jovem Ian.
Closer – Segundo álbum do Joy Division, saiu um pouco depois da morte de Ian e é considerado sua obra-prima. Tem faixas como A Means To An End, Isolation e Atrocity Exhibition.
Ouça A Means To An End
Deborah Curtis – Mulher de Ian até sua morte. O casamento foi problemático, com um Ian cada vez mais difícil de conviver e infiel. Deborah escreveu em 1995 o livro Touching from a Distance: Ian Curtis and Joy Division.
Epilepsia – Ian sofria da doença. Sua dança desengonçada no palco às vezes descambava em ataques epilépticos de verdade. Ele tinha que ser removido do palco e levado ao camarim para ser socorrido.
Factory – A gravadora independente comandada pelo apresentador de TV Tony Wilson. A Factory foi a casa de grande parte das bandas pós-punk de Manchester, incluindo o Joy Division, que por ela lançou todos os seus singles e álbuns.

Góticos – Com sua postura depressiva e clima nublado, a música do Joy Division foi uma enorme inspiração para o movimento dos casacões pretos e lápis borrado no olho que surgiu nos anos 80.
Haçienda – Clube/casa de shows que tinha como sócios o pessoal do New Order e Wilson, da Factory. Abriu dois anos depois da morte de Ian, mas é certo que o sucesso póstumo do Joy Division ajudou a bancar o projeto.
Iggy Pop – Consta que Ian estava ouvindo muito o álbum The Idiot, de Iggy Pop, quando se matou. O roqueiro americano sempre foi uma de suas maiores influências.
Jovem – Nascido em 15 de julho de 1956, Ian Curtis tinha apenas 23 anos quando se matou em 18 de maio de 1980. Ele se enforcou.
Kraut-rock – O estilo percussivo e experimental de bandas alemãs como Can e Faust serviu de fonte para os grooves secos do Joy Division.
Love Will Tear Us Apart – O maior hit do Joy Division. Considerada em 2002 pela revista inglesa NME como o melhor single da história e pela Rolling Stone como uma das 200 melhores de todo o sempre.
Veja o clipe de Love Will Tear Us Apart.

Manchester – Antigo centro da Revolução Industrial e inspiração para um jovem Engels formular suas teorias socialistas, a cidade chegou nos anos 70 do século 20 combalida e ultrapassada. Foi onde Ian morou a maior parte de sua vida e o epicentro do pós-punk no norte da Inglaterra.
New Order – Depois de sua morte, os três membros restantes do Joy Division, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris, decidiram seguir em frente com um novo nome, New Order. No começo, o som era uma continuação do JD. Com o passar do tempo, o New Order ganhou cara própria, mais eletrônico, pop e dançante.
Oitenta – Algumas das principais bandas dessa década são admiradoras do som do Joy Division e das letras de Ian Curtis: U2, The Cure, Echo and the Bunnymen e Simple Minds.
Peter Saville – O designer que deu à Factory sua identidade visual minimalista e elegante, co-autor de clássicas capas do Joy Division como Closer e Unknown Pleasures.
Quieto – Uma das características marcantes de Ian Curtis era sua introversão. Durante as gravações da banda ele quase não interagia com seus companheiros.
Retrospectivas – A obra do Joy Division pode ser encontrada em várias coletâneas lançadas em diferentes épocas. Algumas importantes: Still, Substance, Heart and Soul (caixa), Joy Division The Complete BBC Recordings, The Best of Joy Division e The Peel Sessions.
Sex Pistols – Quando eles tocaram em Manchester pela primeira vez, apenas um punhado de gente foi ver. Todos que foram, porém, tiveram uma epifania e saíram de lá determinados a montar uma banda, incluindo Ian Curtis e seus amigos.
Twenty-Four Party People (A Festa Nunca Termina) – Ótimo filme que conta a trajetória de Tony Wilson, Factory, Haçienda e a cena de Manchester. Traz Ian Curtis como um jovem agressivo e extremamente sarcástico.
Unknown Pleasures – Primeiro álbum do Joy Division, contém clássicos como New Dawn Fades e She’s Lost Control.
Volta – Peter Hook anunciou ano passado que pretendia excursionar tocando clássicos do Joy Division. Foi acusado de ser oportunista e de cometer sacrilégio.
Warsaw – Primeiro nome do Joy Division.
Xerox – Na esteira do Joy, a Factory lançou uma série de bandinhas que copiava o som deles como The Wake, Crispy Ambulance e Stockholm Monsters. O próprio New Order no início soava igual ao Joy Division.
You’re Not Good For Me – Uma das primeiras faixas da banda, encontrada no EP que saiu quando o JD ainda se chamava Warsaw.
Zero Zero – A década que acabou de terminar foi cheio de artistas que devem muito ao Joy Division, como Bloc Party, Franz Ferdinand, Interpol, The Editors e Moby.

Pink Floyd se reúne em show em Londres

Roger Waters, David Gilmour e Nick Mason dividiram o palco nesta quinta-feira (12), em Londres, na primeira reunião do Pink Floyd em seis anos. O show fazia parte da turnê “The Wall Live”, de Roger Waters, que resgata as músicas do disco lançado pela banda em 1979.

Gilmour acompanhou Waters em “Confortably Numb”, e o baterista Nick Mason, que estava na plateia, se juntou à dupla para tocar “Outside The Wall”, música que encerrou o show.

A última vez que o Pink Floyd esteve junto no palco foi durante a apresentação no Live 8, em 2005. Na época, também participou do show o tecladista Richard Wright, falecido em 2008.

FONTE: http://musica.uol.com.br/

HOUSE OF BLUES

Diz a mais antiga, ou pelo menos a mais famosa, lenda do Blues que Robert Johnson vendeu sua alma ao diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississippi em troca da proeza de saber esmerilhar na guitarra. Se ele vendeu mesmo, talvez tenha até feito um bom negócio, pois com apenas 29 músicas conseguiu se tornar uma lenda do Blues. De The Rolling Stones ao The White Stripes, muitos já gravaram versões que prestam homenagem a Johnson e a sua misteriosa vida.
Pois bem, agora outro grande nome também vai prestar a devida homenagem a Robert Johnson, Ray Charles e outros mestres do Blues. Trata-se de Hugh Laurie, que interpreta o sádico (para nossa alegria) Dr. House. Além de ser o melhor ator de séries da atualidade (fãs do Sheldon e Hank Moody se manifestem), também é um talentoso músico. No disco é ele quem comanda a bateria, o saxofone e a gaita.
Já tem uma edição limitada à venda, que vem com um photobook e outras coisitas. E nós estamos super ansiosos para encontrar o disco na “importadora”! Se alguém já souber o link, mande por favor!