Há 30 anos, morreu Raul Seixas

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Raul Seixas foi encontrado morto em seu apartamento no dia 21 de agosto de 1989, há 30 anos. Nascido em Salvador (BA) em 28 de junho de 1945, ele foi um dos pioneiros do rock no Brasil. O músico baiano teve divraul-2ersas fases ao longo de sua carreira. Na Bahia, ainda jovem, foi defensor do rock’n’roll – que naquela época pregava uma mudança radical nos costumes. Com versões de Dick Glasser e dos Beatles, lançou com a banda Os Panteras o LP “Raulzito e Os Panteras”, em 1968.

No restante dos anos 70, a popularidade de Raul só fez aumentar. Em 1973 saiu o primeiro álbum como artista solo, ‘Krig-ha, Bandolo’, já com músicas escritas em parceria com o escritor Paulo Coelho, no qual continha os hits ‘Metamorfose Ambulante’, ‘Ouro de Tolo’, ‘Al Capone’ e ‘Mosca na Sopa’.hqdefault (1)

Longe de ser só musical, a dupla com Paulo Coelho fez com que Raul aprofundasse o seu interesse por questões místicas. Em 1974, criaram a Sociedade Alternativa, baseada nas ideias do bruxo inglês Aleister Crowley. Os principais preceitos da crença foram divulgados na música Sociedade Alternativa, lançada no LP Gita, de 1974.

Raul ainda lançou 2 discos em que a parceria com o “mago” produziu canções famosas: Novo Aeon e Há 10 Mil Anos Atrás.

A partir de 1977, os discos do músico baiano ganharam menos atenção da crítica e em 1978 o cantor passou por complicações decorrentes do consumo excessivo de álcool que lhe acompanhariam pelo resto da vida.tumblr_m9opqfNEQL1r8v3wxo1_1280

Já em 1987 surge a canção ‘Muita Estrela, Pouca Constelação’, a primeira música em parceria entre Marcelo Nova e Raulzito. Um ano depois, já em carreira solo, Marcelo convidou Raul para participar de um show que faria na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador. O que seria uma participação virou uma turnê de 50 shows por todo o Brasil, e terminou no lançamento de um dos discos mais importantes do rock nacional, ‘A Panela do Diabo’. O disco vendeu 150 mil cópias e rendeu a Raul um disco de ouro póstumo.

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Raul criou uma mistura entre blues, folk e música brasileira que o distinguiu de outros artistas que faziam rock na época, como a Jovem Guarda. Já em seu primeiro disco solo, o cantor misturava baião, country rock e música gospel em canções como Ouro de Tolo e Metamorfose Ambulante.

raulzito-2Btra-C3-A7oPassou pelo brega, pelo rockabilly, pelo blues, pela MPB e diversos outros estilos que ampliaram o conceito de ‘roqueiro’, como Raulzito era visto na adolescência. Longe de ser só um representante da Sociedade Alternativa, ele se questionava, fazia crônicas, dialogava com canções da MPB e tinha consciência de que precisava se dividir entre a verdade do universo e a prestação a pagar, como canta em Eu Também Vou Reclamar.

Em 26 anos de carreira ele lançou 21 discos. Com toda a certeza, foi um dos maiores gênios da música brasileira. E lá se vão 30 anos de saudades. A obra deste artista sensacional inspirou e inspira muitos de nós, fãs. Tanto pelo fascínio da linha tênue entre a feliz loucura da autenticidade, quanto pela sinceridade à bruta, sempre poetizada em um rock and roll dos bons. Viva Raul!

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Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz. Coragem, coragem, eu sei que você pode mais” – Raul Seixas

Elton Tavares, com informações de sites de música, revistas de rock e documentários sobre Raul Seixas.

Memórias da imprensa – O jornal Folha do Povo – Via @alcinea

Por Alcinéa Cavalcante

Fundado em 1963 por Elfredo Távora e Amaury Farias, entre outros jornalistas, a Folha do Povo era um jornal semanal de oposição ao governo. Por causa disso seus jornalistas foram presos várias vezes.

Funcionava na avenida Mário Cruz. A foto registra uma das interdições do jornal, após o golpe de 1964. Um policial na porta principal impede a entrada e saída de qualquer pessoa. Neste dia quando Amaury Farias chegou ao jornal já estava lá à sua espera o delegado José Alves e um escrivão de polícia para prendê-lo.

Disse-lhe o delegado: “Amaury, na ausência do Elfredo (Elfredo Távora, editor-chefe do jornal, estava em Belém) tu és o responsável pelo jornal como redator-chefe, e aqui estamos por ordem do governador para te prender e fazer intervenção no jornal porque aqui funciona uma célula comunista.”

E lá foi o Amaury Farias preso mais uma vez. Ele e José Araguarino Mont’Alverne – que era um excelente repórter.

Fonte: Blog da Alcinéa Cavalcante

Hoje é o Dia Mundial do Rock !! (meu texto em homenagem ao melhor estilo musical da galáxia)

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Amo Rock and Roll e hoje (13) é o Dia Mundial do Rock. O gênero sonoro mais legal de todos, fruto da junção do Jazz e Blues, é celebrado nesta data porque em 13 de julho de 1985, o produtor Bob Geldof organizou o “Live Aid”, um show histórico e simultâneo, realizado em Londres (ING) e na Filadélfia (EUA). O objetivo era o fim da fome na Etiópia. Lá se vão 34 anos do show que mudou a história do rock.

Já em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8, para pressionar os líderes do G8 a perdoar a dívida externa dos países mais pobres. Desde então, o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock.

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Lembro o momento exato que me apaixonei perdidamente pelo Rock. Em 1989, assistia a novela Top Model (sim, naquela época eu não tinha tantas opções) e torcia para o Gaspar (Nuno Leal Maia), um hippie remanescente de sua geração e surfista quarentão, lembrar-se da sua esposa, Maria Regina Belatrix (Rita Lee), que o havia abandonado.

Tudo porque durante as lembranças do cara, em imagens preto e branco, tocava “Stairway to Heaven”, canção clássica do rock and roll, da banda inglesa Led Zeppelin. Era firme. Eu tinha 13 anos. Muito antes, eu já curtia rock nacional e Beatles. Acho que curto som bacana desde 1986.

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Desde que cai de amores pelo Rock, foram muitas festas nas quadras de escolas de Macapá, bares, boites, shows na capital amapaense e fora dela. Shows memoráveis e emocionantes nas grandes cidade e festivais inesquecíveis.

Aqui na minha aldeia já vi apresentações de várias bandas nacionais. Fora do Amapá, já fui para quatro festivais Lollapalooza, onde assisti aos shows do Interpol, The Smashing Pumpkins, Raimundos, New Order, Pixies, The XX, Metallica, Duran Duran e The Strokes. Isso sem falar nas excelentes apresentações de Rancid, Jimmy Eat World e Criolo. Também rolou de ver, graças a Deus, Red Hot Chilli Peppers, U2, Pearl Jam, The Killers, Radiohead, Morrissey e The Cure (o melhor de todos).

Além disso, procuro incentivar por meio de divulgação todos os eventos rockers no Amapá. Nos anos 90, produzi algumas festas e até criamos um movimento chamado Lago do Rock, em 2004. Coleciono grandes momentos felizes na vida. A trilha sonora dessa memória afetiva é 90% Rock. Bons tempos!

Dizem por aí que o Rock morreu, ele nunca morre, só está em constante mudança, assim como nossas vidas. O rock é imortal, ele nos salva da mesmice, basta protegê-lo de mãos erradas. Enfim, viva o rock and roll!

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O Rock n’ Roll me salvou. Graças a ele, não tenho uma vida ordinária e nem me tornei um idiota “eclético”. Não só amo o estilo, mas vivo o Rock. Portanto, Feliz Dia Mundial do Rock e LONG LIVE ROCK N’ ROLL!

O Rock é energia, o desejo ardente, as exultações inexplicáveis, um senso ocasional de invencibilidade, a esperança que queima como ácido” – Nick Horby – Romancista inglês

Elton Tavares

 

 

Se vivo, Raul Seixas faria 10.074 anos hoje! – Por Silvio Neto

Por Silvio Neto

Decifre as entrelinhas dos hieróglifos das pirâmides do Egito, do calendário Maia, das Itacoatiaras de Ingá. Leia os símbolos sagrados de Umbanda, as centúrias de Nostradamus e o Tarot de Crowley… Não importa qual seja o mistério, todos serão unânimes em lhe revelar: Existe um cometa errante; uma estrela bailarina que vaga no abismo do espaço sem fim flamejando um rock e um grito! Em sua jornada, ele só passa pelo nosso planeta a cada dez mil anos. É quando ele renasce e encarna como um Moleque Maravilhoso, trazendo ao mundo à sua volta mudanças profundas no seu pensar e no seu comportamento.

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Sua derradeira passagem por aqui durou apenas 44 anos. Mas foi suficiente para que um país inteiro de dimensões continentais se tornasse menos careta. Há exatos 74 anos, quando ele chegou por aqui em mais uma de suas passagens, esse intrépido cometa trouxe em seu rastro a bomba atômica, em 1945, fechando um ciclo da Terra conhecido como velho Aeon e trazendo à luz o Novo Aeon materializado em forma de música. Era o dia 28 de junho. Aquele, foi o dia em que a Terra parou. Mas antes disso, ele usou de seus artifícios alquímicos e conseguiu juntar as águas do rio São Francisco e do rio Mississipi, criando a fusão perfeita do rock’n’roll de Elvis Presley com o baião de Luiz Gonzaga e como um novo Macunaíma desvairado gritou em cima do palco do III Festival Internacional da Canção (1971) “Let me sing, let me sing (my rock’n’roll)”!

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Seu nome é o contrário do luaR pois ele é um cometa iluminado. Em sua metamorfose ambulante pela Terra, se fez de maluco para revelar sua genialidade; brincou de cowboy para mostrar que preferia ser um fora-da-lei; acumulou riquezas e glórias por um tempo para mostrar que o ouro é para o tolo.

Esse ano, em agosto, já terão se passado 30 anos de sua última visita aqui no nosso planeta. Ainda assim, seu rastro é tão presente, tão vivo, que é como se ele ainda estivesse por aqui, cruzando o nosso céu. E assim como as estrelas que vemos são muitas vezes apenas o reflexo de milhões de anos-luz de corpos celestes que ainda nos impressionam a visão, o cometa Raul Seixas, brilhará na mente e no coração de milhares de fãs por muitos e muitos anos até, quem sabe, sua próxima passagem há dez mil anos…

Meu comentário: grande Raulzito. Um artista sensacional que inspirou e inspira muitos de nós, fãs. Tanto pelo fascínio da linha tênue entre a feliz loucura da autenticidade, quanto pela sinceridade à bruta, sempre poetizada em um rock and roll dos bons. Viva Raul! (Elton Tavares)

25 anos do lançamento do disco Raimundos (1994 foi um grande ano mesmo) – Por Marcelo Guido

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Hoje, 2 de abril, completam exatos 25 anos do lançamento do disco Raimundos (1994). Raimundos foi o disco de estreia do da banda homônima (que fez estrondoso sucesso), lançado em 1994 pelo selo Banguela Records, criado pela banda paulista Titãs em parceria com Carlos Eduardo Miranda.

Apesar do clipe da música “Nega Jurema” ser de produção precária, a pedidos do público, ele participou da escolha da audiência na MTV, para representar o Brasil nos Estados Unidos, que concorreu nada mais, nada menos, com o videoclipe “Territory”, da banda mineira de thrash metal Sepultura (que saiu vencedora).

Para celebrar esse clássico álbum do Rock Nacional, republico o texto do amigo Marcelo Guido.

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Discos que formaram meu caráter (Parte 2) – Raimundos (1994)

Então amiguinhos, estamos aqui de novo para falar de mais uma bela “bolacha”, que com certeza fez muita gente, assim como eu, também botar a cabeça pra balançar, poguear e pirar conforme a música.

O disco em questão trata-se de “Raimundos”, primeiro álbum da banda homônima (qualquer semelhança com Ramones não é mera coincidência) que veio do Distrito Federal dar uma nova cara para o Rock Brazuca, no começo dos já longínquos anos 90.

O momento histórico da música brasileira não era lá aquela maravilha, diga-se de passagem, sertanejo e um tal de “new pagode” tomavam conta de todas as paradas musicais naquela época, realmente era um verdadeiro cenário de terror para os fãs do velho e bom rock and roll.raimundos-1

As bandas nacionais sobreviventes dos anos 80 já se encontravam naquele esquema de “vamos fazer um disco conceitual, e sair em turnê para tocar o que a gente já gravou”, patético. (Menção honrosa para os excelentes “Descobrimento do Brasil de 93 da Legião Urbana e “Titanomaquia” dos Titãs, também do mesmo ano”).

Nesse sombrio cenário vê que aparece do cerrado, quatro moleques que falam palavrão a torto e a direito, trazendo uma energia que faltava para aquele angu enjoativo que se tornou a música brasileira.

imagesProduzido pelo Carlos Miranda e lançado pelo selo “Banguela” dos Titãs, “Raimundos” chegou fácil a 150 mil copias. Além disso, o álbum foi inovador por mostrar para nós o “forrócore”, a mistura do forró tradicional com o hardcore, coisa nunca tentada antes.

Meu primeiro contato com o disco foi através de meu grande amigo, Adriano Bago (que hoje também é um Guarani Kaiowa), que em um esquema “brodagem” me presenteou com uma fita gravada onde se encontrava a balada de duplo sentindo “Selim”.

Quando ouvi aquilo pela primeira vez, pensei: “Que porra é essa???”. Tratava-se de algo inovador, os versos da canção que diziam “Eu queria ser o banquinho da bicicleta pra ficar bem no meio das pernas…” era tão novo que me fazia lembrar que ser o caderninho da menina já estava muito ultrapassado. Aquilo sim era Rock, ou melhor, aquilo eu queria ouvir.

Recheado de palavrões, chegou de dois pés e colocou os caras no cenário nacional que era muito difícil na época, já que não tinha ninguém dançando de shortinho coreografias pré-ensaiadas.

O disco mostrou de cara que a banda tinha muito a dizer, o que se tornaria fato no decorrer da década, “Puteiro em João Pessoa” abre o disco contando logo história de uma transa adolescente (virou quadrinho nas mãos do Angeli), vai para “Palhas do Coqueiro”,”MM`S”, que tem a participação do João Gordo, “Nega Jurema” que vem descendo a ladeira trazendo uma sacola de Maria “Tonteira”, enfim, um discaço.

Antes de tudo, é importante falar que o disco remodelou o cenário musical e influenciou praticamente todas as bandas que se formaram depois na década de 90. Considero “Raimundos “como obra fundamental porque a molecada mandou à merda todos os conceitos reinantes na época, com suas guitarras barulhentas pra caralho (será que posso usar esse termo no site do Elton?), letras sujas e bateria passado por cima de tudo com muito orgulho. Foda-se a surdez (opa de novo).

“Puteiro em João Pessoa, MM`S, Be-a-bá”, “Marujo”, “Selim”, realmente entraram no gosto da garotada que estava na rua nos anos 90.“Raimundos” nos mostrou também, que não era mais legal parecermos ingleses como nos anos 80, que legal mesmo era chamar o Zenilton pra tocar….“Por isso que o Raimundos nunca vai se acabar”.

* Marcelo Guido, é Punk, Pai da Lanna e Bento, Jornalista, Professor e Marido da Bia.

Discos que formaram meu caráter – Que pais (Legião Urbana) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve terráqueos espertos, a nave dos bons discos aporta mais uma vez para vocês. Com anos luz de atraso, no qual seu piloto encontrava se em um esquema NAU A DERIVA, mas resgatado das profundezas insanas, vem de muito longe para falar de:

Legião Urbana Que pais e esse (de 1987. Rufem os tambores).

Corria o ano de 1987 , a coisa não andava boa para as bandas daqui. Inflação galopante, Tancredo dançou antes de chegar e o Sarney com seus planos furados caindo no desgosto da população.

Na trupe musical da nossa capital federal, o soneto não estava saindo como o esperado e o compasso estava prestes a desandar. Renato Russo, afogava se em litros de álcool e em seus problemas particulares. Renato Rocha, o Negretti, não conseguia se colocar dentro da banda como membro permanente. A relação entre os caras e a gravadora andava bastante estremecida por conta da negativa do projeto Mitologia e intuição (disco duplo, que foi abortado).

Em um cenário em suma bastante escroto e sob contrato, como fazer algo pelo menos semelhante a os seminais discos anteriores??

A solução só poderia vir da Cabeça pensante e extraordinária de Russo, o cara recorreu a seus arquivos e mostrou ao mundo e para historia canções esquecidas ou deixadas de lado, sobras eu disse SOBRAS , do que seria o projeto duplo.

São sete canções da época de Aborto Elétrico e da fase Trovador Solitário, e duas compostas para este disco ( Angra dos Reis e Mais do Mesmo). Um puta disco foda.

Dissecando a Bolacha:

O projetil musical começa com a faixa titulo Que Pais e Esse, uma ode soberba e vulcana sobre a ordem politica nacional, não foi gravada antes pela esperança de mudanças . Vai para Conexão Amazônica, nos alerta sobre nossos desejos, gostos e afins , melhor ensina que alimento pra cabeça não mata fome. Chegamos Tedio (com T bem brande pra você( , uma homenagem a vida tediosa para juventude de Brasília. Depois do Começo, da fase trovador solitário, um ska , bastante bem trabalhado. Química, esta já tinha sido apresentada pelos Paralamas do Sucesso ( Padrinhos dos caras(, a pressão inerente exercida sobre jovens cabeças pensantes. Eu sei, balada soft, com letra forte um relato quase pessoal , encaixa com perfeição quase profana em alguma fase da vida de muitos de nos. Chegamos em Faroeste Caboclo, a saga de Joao de Santo Cristo, com seus quase 10 minutos , colocou os caras na tela da Globo, ocupando espaço jamais sonhado por alguma banda de rock nacional na programação da Vênus, virou filme. Angra dos Reis, a melancolia operante , aquele gosto de domingo a tarde. Finaliza com Mais do Mesmo, um rock pesado , que não deixa a dever nada para o bom punk.

Resultado, sem o mesmo capricho de Dois , acabou sendo um disco singular, que foi o terceiro mais vendido da banda e laureado com disco de diamante.

Um disco que começa com que pais é esse ??, e termina com invés de luz tem tiroteio no fim do túnel tem que levar a Medalha de ouro da coluna.

Tem que ser celebrado, como grande que é, em suas orações agradeça a Titio Russo por ter compartilhado essas belas canções com vocês.

Esse foi o ultimo registro de Renato Rocha com os caras.

Marcelo Guido e punk, jornalista, professor, pai da Lanna e do Bento e marido da Bia. Ainda se pergunta: que pais é esse?

Discos que formaram meu caráter :“As quatro estações”- Legião Urbana (1989) – Por Marcelo Guido

 

Por Marcelo Guido
 
Saudações, terráqueos! Falaremos de um disco que com certeza para muitos, e inclusive para mim, é considerado uma “Obra Prima”.“As quatro estações”, de 1989, é um álbum clássico, que você pode ouvir hoje e continuará atual. Não que nossas humildes vidas tenham parado no tempo ou coisa parecida, e que se trata de uma obra seminal, na vanguarda de muitos acontecimentos. 
Olha, não sou um cara “Xiita”, daqueles que entram em comparações esdrúxulas com a figura do Renato Russo ou coisa parecida. Não costumo dizer que ele é um Guru, grande pensador ou algo parecido. O vejo como uma pessoa comum que como muitos de nós, passou por fases difíceis em sua existência. Resumindo não o vejo como “Porta-voz” de geração nenhuma (titulo que o próprio odiava). 
 
Falando do disco, foi o primeiro trabalho da banda como trio, também o maior sucesso comercial que os caras tiveram. Eles já vinham de bons trabalhos como “Legião Urbana “, de 85, o magistral “Dois”, de 86 e “E que país e esse”, de 87 (um disco de sobras).
 
Foram 16 meses entre concepção, gravação mixagem e lançamento do disco, ou seja, um hiato relativamente grande na indústria fonográfica, se o disco não fosse bom, com certeza seria o começo do fim para os Legionários. Mas como poderia dar certo? Se pararmos para pensar o quanto é difícil o disco.

Dissecando a bolacha, vemos que começa com “Parece cocaína, mas é só tristeza” (Há tempos), vai para “… Ela se jogou da janela do quinto andar, nada é fácil de entender” (Pais e filhos), canção para alguém especial que esta prestes a morrer (Feedback song for a dyng friend, que alguns acreditam ser para o Cazuza), “ …A Humanidade e desumana” (Quando o sol bater na janela do teu quarto), “…Ontem faltou água , anteontem faltou luz” (Eu era um lobisomem juvenil), mesmo assim “ …O Brasil é o país do futuro” (1965- Duas tribos), cita Camões “..Ainda que eu falasse a língua dos homens” (Monte Castelo), amor não correspondido “…Me sinto tão só, e dizem que a solidão é que me cai bem” (Mauricio), Homo sexualidade assumida “…Eu gosto de meninos e meninas” (Meninos e Meninas), a incapacidade de se entender “… Meu coração é tão tosco e tão pobre..” (Sete Cidades) e termina tudo isso com algo extremamente religioso “…Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo, dai nos a paz” (Se fiquei esperando meu amor passar).Um verdadeiro “Caldo de emoções” (odeio essa expressão, “Caldo”, geralmente intelectuais bundões há utilizam caldo cultural, caldo de emoções etc..), não tinha como esperar que tudo isso, convergido em um único aparato desse certo. Mas deu.

 

Nove, das 11 musicas, tocaram no rádio (Amiguinhos, já existiu um tempo que a abreviação “FM” tinha relevância) até torrarem a paciência, talvez algo parecido só tenha rolado com “Nós vamos invadir a sua praia”,“Radio Pirata”. Sucesso estrondoso. A fúria dos trabalhos anteriores deu lugar a uma sutileza marcante, realmente a Legião tinha se tornado algo mais parecido com o “Pop”, mas não aquela escrotice descartável e sim algo marcante para muitos.
“As quatro estações” marca a melhor fase letrista de Renato, e de certo o disco obteve êxito em falar intimamente de maneira popular, poucos discos conseguem. 
 
Enfim o trabalho é cheio de características que marcaram para sempre a carreira e a personalidade da banda, acredito eu que depois desse LP começa o terrível processo de mitificação. Deixo uma pergunta pra vocês: Quem não chorou, sorriu, viveu ou apenas se pegou cantando algum verso presente nesse disco??
 
A partir desse momento a Legião Urbana passa ser conhecida apenas como Dado, Renato e Bonfá.
 
URBANA LEGIO OMNIA VINCIT (Legião Urbana Vence Tudo).
 
Marcelo Guido é Punk, Pai, Jornalista, Professor e Marido. Acredita que mesmo que de vez enquanto faltem água e luz “o Brasil ainda é o País do Futuro”. 

Passeio pela nossa Rua Almirante Barroso – Alcinéa Cavalcante

Vamos, eu e tu, andar por esta rua que se estende preguiçosa como uma tarde de domingo.

Te mostrarei as marcas da infância deixadas pelos meus pés descalços quando havia um pote de ouro no fim daquele arco-íris que atravessava a mata onde a matinta-perera morava.

Conheço cada pedacinho dessa rua, suas pedras, flores, janelas e personagens.

Vê! Ali morava Mané Pedro e sua bicicleta azul. Já não existe a casa. Nem a bicicleta. Desconfio que Mané Pedro foi pedalando para o céu e deixou uma saudade estacionada na rua.

Ah, a casa da Maria Banha. Era bem ali, do lado do Mané Pedro. Não tinha pátio nem varanda. Era coberta de palha e era tão singela.

Mais aqui morava “Vó” Etelvina. A casa era verde, de venezianas. Essa tinha pátio com duas cadeiras de vime. À tardinha, ‘Vó Etelvina”, sempre de vestido estampadinho, sentava no pátio e nos contava histórias sob os olhares atentos das flores que emolduravam a entrada.

Vó Etelvina era linda e doce, cheirosa e sorridente. Tinha os cabelos da cor do luar. Dela a criançada tomava bênção. Mas também morria de medo e chorava, mas só quando estava com a garganta inflamada. É que Vó Etelvina era “curadeira” de garganta. Encharcava um algodão com copaíba, andiroba e limão, enrolava no dedo e enfiava na garganta do doente fazendo movimentos circulares. Juro que me dava vontade de morder a mão dela para que nunca mais fizesse isso. Mas era um santo remédio.

Aliás, nessa rua havia também uma benzedeira, que tirava quebranto e costurava rasgadura. Mas isso te conto no próximo passeio e te falo também dos demais vizinhos, como o campeão brasileiro de natação Anselmo Guedes e a professora Odete (que ainda moram no mesmo endereço), o jogador de futebol Tamundo, o professor Pardal, dona Carmina, dona Lourdes (que fazia o melhor mingau de mucajá do mundo), dona Ermínia e os japoneses da esquina.

Alcinéa Cavalcante

O trajeto da A Banda através do tempo e antigos pontos de referência (croniqueta saudosista)

A Banda, maior bloco de sujos do Norte do Brasil, tem o mesmo trajeto nestes 54 anos de existência, mas o que ficou pelo caminho do tempo nestas mesmas ruas de Macapá? Fiz uma espécie de resgate (um tanto desordenado) de vários locais que povoam a memória afetiva do macapaense. Deixa suas lembranças agirem e vamos lá:

O ponto de partida do bloco, o mais popular dos festejos de Momo no Amapá, é na esquina da lanchonete Gato Azul e a loja Clark. Os foliões seguirão pela frente da loja A Pernambucana, dobrarão na esquina do Banco Bamerindus (pois “o tempo passa, o tempo voa…); Farmácia São Benedito; Moderninha e da Banca do Dorimar. As pessoas se trombam ao redor dos trios e carros de som. Todos molhados de suor, ou chuva.

A folia desce a Rua Cândido Mendes e o trajeto passa em frente também da Irmãos Zagury – Concessionária da Ford; Farmácia Modelo; do Banap; lojas São Paulo Saldo; Esplanada; Cruzeiro; Hotel Mercúrio; Casa Estrela; Casa Marcelo; Setalar; Tecidos do povo; Tecidos do Sul; A Acreditar; Casa Estrela; Beirute na America, ponte do Canal; Banco Econômico e Farmácia Serrano. Pelo caminho, muitos se juntarão a multidão.

Os foliões passarão em frente a Fortaleza de São José de Macapá, dobrarão na esquina da Yamada, subindo pela lateral da Feira do Caranguejo, em frente a boate Freedom e subirão a ladeira até o supermercado Romana. Sempre com os ritmos levantam nosso astral.

A marcha alegre seguirá pela Feliciano Coelho, onde a maioria já estará possuído pela cerveja, passará pelo Urca Bar; Leão das Peças; Cine Veneza e Farmatrem. A Banda chegará à Esquina do Barrigudo, na Leopoldo Machado. Continuará a passar em frente a Acredilar, lanchonete Chaparral, Casa Nabil, Hotel Glória e Baby Doll. Na brincadeira terá folião de toda idade, a maioria na maior curtição, sempre driblando os poucos que querem confusão.

A Banda é sempre cheia de colombinas faceiras, pierrôs malucos, palhaços embriagados, piratas sorridentes, enfermeiras enxeridas, bailarinas cambaleantes, diabos bonzinhos, anjos não tão angelicais, etc. O importante é alegria de quem vive a emoção de estar lá ou somente ver a banda passar.

A Banda dobrará na Avenida Fab, no canto do CCA (o couro continuará comendo); passa pela Prefeitura de Macapá; Palácio do Governo; Esporte Club Macapá; Praça da Bandeira; lanchonete Táxi Lanches; Bar do Abreu e novamente a Cândido Mendes até a Praça do Barão, onde as bandas Placa Luminosa e Brind’s farão um som até mais tarde.

Nunca saberemos quantos fantasmas carnavalescos seguem conosco na Banda, mas se assim for, que venham e sigam pela luz e brilho do encanto deste sublime momento (entre o ontem e o hoje).

O dia só começou e mais tarde é hora de cair na folia ou ver a Banda passar. É o fim do Carnaval, mas o real começo do ano. É por aí.

Elton Tavares

Calças de Linho Flutuantes e os Nomes dos Blocos- Crônica porreta de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Na constelação de brilho intermitente do carnaval você pode se tornar uma estrela. Basta querer. Quem não se identificar com o samba tem a opção de sair no meio de um bloco carnavalesco, onde os brincantes se esbaldam no frevo rasgado ou ao som das tradicionais marchinhas que trazem temas diversos na competição anual entre eles.

Dada a sugestão está feito o convite. Um pouco tardio, creio, mas feito com o carinho de quem quer ver o carnaval macapaense brilhar mais do que do que brilhou no passado. “Um passado de glórias”, como diz um antigo samba dos Boêmios do Laguinho. Um passado feito de desfiles e batalhas de confetes que encantavam as crianças nos domingos de fevereiro em diversos pontos da cidade e faziam a alegria da juventude.

É inesquecível para mim a figura da porta-bandeira Telma e do mestre-sala Sucuriju rodopiando no asfalto da avenida FAB sob o calor dos holofotes e do aplauso do povo laguinhense. O povo aplaudia e gritava quando o grande passista, o Mestre Falconeri dançava, balançando as largas calças de linho que pareciam fazê-lo flutuar sobre o chão.

Mas o povo delirava mesmo era cantando o samba aprendido às pressas nos últimos dias que antecediam ao desfile, uma prática usual de todas as escolas. Era a partir do samba que se faziam os enredos. Então ele era guardado a sete chaves até próximo do dia do desfile oficial para que as escolas concorrentes não o plagiassem e nem ao enredo. Francisco Lino, o Menestrel, que o diga.

As escolas da déuntitledcada de 60 e parte da de 70 eram parecidas com os blocos de hoje que almejam serem escolas de samba: traziam apenas um carro alegórico e um pequeno contingente de brincantes. A diferença é que a maioria dos instrumentos musicais era fabricada por aqui mesmo. Os próprios brincantes faziam seus querequexés e agogôs, frigideiras e tamborins. Minutos antes de entrarem na passarela acendiam fogueiras para esticar o couro dos tambores a fim de evitar que murchassem devido ao tempo ou a uma chuva inesperada. De acordo com o Pedro Ramos, o maior repiquinista dos Estilizados, o instrumentista tinha que levar uma folha de jornal no bolso para esquentar os tamborins feitos de couro de cobra pelo seu Joaquim Suçuarana. Sambistas e passistas mirins, como o Neck e o Kipilino, se revelavam novos talentos e se tornaram o orgulho de sua escola.

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Antigo Carnaval na Avenida Fab. A multidão amanhecia e ia atrás da última escola a desfilar

Enquanto Luís do Apito (pai do Bababá, atual mestre de Bateria dos Boêmios) organizava a batucada, R. Peixe se preparava para trazer a sua recém-criada Embaixada do Samba, uma dissidência da Piratas da Batucada. Esta, por sua vez, trazia em suas hostes os incansáveis e pouco reconhecidos compositores Jeconias Araújo e Juriel Monteiro. Lá atrás Pelé e Fifita, Neusona e Escurinho aguardavam sua vez de desfilar ao som dos sambas de Izar Leão ou de Nonato Leal e Alcy Araújo, apaixonados que eram pela verde-rosOLYMPUS DIGITAL CAMERAa macapaense.

Nos anos 80 surgiram as escolas de samba de 2º grupo, como a Piratas Estilizados (que foi bloco por muitos anos) a Unidos da Coaracy Nunes, a Quilombo dos Palmares, Emissários da Cegonha e a Solidariedade. Daí, então, o carnaval amapaense teve outra formatação até o advento do sambódromo, que foi o território do Piratão por um longo reinado. De 1997 para cá, o brilho do carnaval foi mais intenso.kubalanca_2005_thumb[2]

Mas uma coisa marcante, hoje, é o desfile dos blocos. Eles estão em todos os bairros e todo ano se multiplicam levando suas temáticas e irreverências pelas ruas da cidade até se encontrarem no desfile da terça-feira na Banda. Creio que são a cara do nosso carnaval, ainda que queiram embotar-lhe o brilho com falso moralismo, em função dos nomes de dupla conotação que carregam. Carnaval em São Paulo no início do século XXOra, o carnaval amapaense é muito brasileiro. É irreverente e feliz. Traz como características a eliminação da repressão e da censura e a liberdade de atitudes críticas e eróticas. Realça o sorriso das crianças e não descarta nem esconde a sensualidade das mulheres tão sensualmente amapaenses, tão lindas e alegres, que optaram por brilhar no carnaval.

As praças dos velhos tempos – Crônica porreta de Fernando Canto

 

Crônica de Fernando Canto

Creio que todos nós nos lembramos de algum logradouro público da cidade como um espaço que marcou determinado momento de nossas vidas. E, claro, nada como um passeio nas praças de Macapá para fazer vir à tona os clipes nos quais fomos felizes protagonistas ou solitários incompreendidos frente às decepções e vicissitudes que a vida traz, inexoravelmente.

Quando Macapá era menor um passeio à praça significava um caminho para a conquista. Depois da missa ou depois da matinê do cinema, um toque na mão da namoradinha, um ousado “tocha” na despedida era “a glória” dos enamorados, era o sonho realizado sob o embalo da canção romântica interpretada por Ronnie Von que tanto sutumblr_mdlmayxg841re4txro1_500_largecesso fez na década de setenta. Alheios aos acontecimentos políticos, nem dávamos conta das transformações que se operavam no país naqueles tempos. O importante era a afirmação como homem e a curtição daquilo que chegava a nós de forma inócua, como os modismos americanos: a calça Lee, os cabelos longos e o som do Credence Revival de do Jonnhy Rivers, que o Agostinho e o Velton esnobavam em danças supostamente de moda para agitar a juventude nos salões dos clubes da cidade. A versão tupiniquim do calhambeque do Roberto Carlos e das roupas e sapatos da novela “Cavalo de PraçadaBandeira-fotos-antigas-de-macapá-433Aço”, também faziam sucesso, mesmo que a ainda não tivesse televisão funcionando em Macapá.

Nessa época todas as atividades cívicas se concentravam na Praça da Bandeira, bem como a do Barão (área em frente aos Correios) era usada para educação física dos alunos dos colégios próximos e a Veiga Cabral (área onde está hoje o Teatro das Bacabeiras) servia para a instalação de circos e arraiais de festas de santos. A da Bandeira fora a Praça da SPraça-Veiga-Cabral-2audade, onde havia três velas enormes em homenagem ao deputado Coaracy Nunes, ao promotor e suplente de deputado Hildemar Maia, e ao piloto Hamilton Silva, mortos em acidente no Macacoary, no final dos anos cinqüenta. A do Barão era a antiga Praça São José, onde ficava o pelourinho na planta desenhada pelo engenheiro João Gaspar de Gronfelds, em 1761. Depois virou Largo de São João e finalmente Barão do Rio Branco, no início do Território Federal do Amapá. A que hoje chamamos Veiga Cabral já foi a Praça de São Sebastião, onde foi fSem títuloundada a Vila de Macapá pelo governador Mendonça Furtado. Situada em frente à Igreja de São José, entre as ruas Formosa (hoje Cândido Mendes) e São José (a única que não mudou de nome desde a fundação de Macapá), já foi palco do Marabaixo, de comícios e de muitos concertos musicais realizados no coreto pelas bandas dos alunos do Padre Julio Lombaerd e do Mestre Oscar.

Vale ressaltar que nessa planta de Gronfelds, só havia então duas praças, e Macapá começava a ser planejada espacialmente por ele, cujas concepções nós estamos usufruindo até hoje. Segundo o urbanista e professor Alberto TostesOs Mocambos (1972), os grandes quarteirões e as ruas largas foram idealizados por Gronfelds porque o nosso clima quente e úmido é de massa equatorial, então toda a força para suprir essa diversidade vinha exatamente do rio Amazonas, daí a sua preocupação, antes mesmo da construção da fortaleza de São José, em planejar ruas largas e imensos quarteirões, em contraste com as ruas estreitas das cidades européias e coloniais. Ao resto, o engenheiro militar idealizou um grande sombreamento a partir do plantio de árvores para fazer a cobertura climática, o que suscita uma visão sustentável de cidade concebida há quase 250 anos.

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“A Praça é do povo”, recitava impetuosamente Castro Alves, é nela que se cruzam diariamente sonhos e textos, interesses e esperas, risos e lágrimas e tudo o mais que os seres humanos deixam escapar pelas janelas da alma. Suas aparências, sem dúvida, como dizem os pára-choques de caminhão, refletem o estado administrativo da cidade: são os espelhos das intenções e dos gestos políticos. Por isso, então, merecem os mais profundos cuidados no corte da grama, na poda de árvores e no conserto dos passeios e bancos, usados freqüentemente poempinando pipa (25)r quem tem pouca mobilidade. Não podem ficar à míngua, tomadas pelo mato, como a que existe na descida em frente à residência governamental, um velho e rasgado cartão postal, destruída por vândalos e esquecida pelo poder público, sob o testemunho triste dos velhos coqueiros balançantes na contraluz da nascente.

*Fotos encontradas nos blogs da Alcinéa, Alcilene e Porta Retrato.

28 anos do Estádio Zerão

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Hoje (17), o Estádio Milton de Sousa Corrêa, o popular “Zerão”, completa 26 anos. A inauguração do Zerão, contou com as presenças do craque Zico e o então presidente Fernando Collor (sim, aquele que nos fez pintar a cara pouco depois). Isso na gestão do governador Gilton Garcia. O público naquele dia foi de 10 mil pessoas.

No Zerão, vi meu Ypiranga ser campeão amapaense de futebol do primeiro campeonato no novo campo, com direito a golaço do Miranda, agora comandante do Corpo de Bombeiros do Amapá (CBM/AP), como “Gol do Fantástico”.

É, vivi algumas fortes emoções no Zerão. Tanto como torcedor, quanto jornalista. Uma pena que o estádio ficou em ruínas por um período e fechado por sete (7) anos. Reinaugurado em 15 de fevereiro de 2014.

O Estádio do meio do mundo ainda está longe de ser uma grande arena de futebol, assim como este esporte está anos luz de ter um grande campeonato no Amapá. Mas seguimos na torcida para que um dia isso ocorra, de fato. E lá se vão 28 anos.

Elton Tavares

Boas lembranças de nossos pais – Por Allison Veríssimo

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Allison Veríssimo

Meu pai, Zé Penha e minha mais que maravilhosa mãe, Lúcia Vale, foram muito amigos do casal Aílson e Vera Lobato. Desde meados dos anos 80, quando papai e tio Aílson foram funcionários do Banco da Amazônia (Basa) e mamãe e tia Vera trabalharam juntas na Escola Zolito Nunes (na época, ambas professoras).

Consequepapaietioailsonntemente, fomos (eu e meu irmão Emerson) criados como primos dos filhos do casal amigo, os queridos Alice, Allison e Andrew.

Há pouco mais de um ano, o Allison lembrou de um lance bacana de nossa infância. Me emocionei com o relato. Leiam:

“Esses dias me vieram à mente, um fato muito agradável de minha infância. Estávamos no BASA Clube, o ano era 1990, nossa família e mais a família do saudoso tio Penha. Era um domingo. Daqueles super quentes, típico de nossa capital. Meu pai e tio Penha estavam tomando cerveja – eram grandes amigos.

Pelo meio da tarde, começou o famoso bingo que rolava por lá, já tradicional e um dos prêmios era um vídeo game. Fiquei enlouquecido com a idéia de poder ganhar aquele aparelho, era a realização de um possível sonho.

Pois no final bateram juntos, meu pai e o tio Penha e foram então pra disputa da pedra maior. Nessa, o tio Penha levou a melhor e ganhou o vídeo game para meus primos Elton Tavares e Emerson Tavares (sim, primos, pois foi como tal que crescemos). Chorei muito, pois não acreditava que tinha chegado tão perto e havia perdido aquele prêmio.

Mas o Tio Penha me disse que a noite eu teria uma surpresa. Fomos pra casa e quando eu esperava, ele chegou com um Atari. Eu não acreditava naquilo! Aquele vídeo game alegrou muito a nós por muitos anos, mas o que mais me marcou foi a amizade entre nossos pais, além da generosidade do saudoso Tio Penha… imagino que deve estar com meu velho lá em cima de boa, olhando por nós… velhos, vocês fazem muita falta, mas estamos aqui tentando nosso melhor para honrar vocês sempre da melhor forma.

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Lembrei muito do Tio Penha esses dias e resolvi relembrar esse dia bacana para ilustrar sua marcante passagem nesse mundo! Só Saudades!”

Allison Veríssimo

Papai morreu em março de 1998 e tio Aílson partiu em julho de 2013. Ambos foram caras porretas. É como eu e Allisson tentamos sermos. Seguimos com nossas nostalgias, com a esperança de um dia encontramos os dois do outro lado ou na próxima vida, sei lá. Mas na tentativa de fazer valer cada dia por aqui. É isso!

Elton Tavares

*Republicado por conta do Dia dos Pais. 

O carroceiro (relato porreta sobre a antiga Macapá) – Por Floriano Lima

Os mais antigos como eu, lembram o apogeu desses veículos em nossa Macapá. Transportando a madeira, o cimento e até mesmo fazendo “mudança”…ficavam em seus pontos de frete, na feira central, no Buritizal e outros locais. Mas nunca um carroceiro foi tão folclórico como o “Mucura”, que o conheci e conversei pessoalmente com ele.

Era um “galego magro dos olhos claros” com voz rouca e “metido” a galanteador, que sempre que as moças passavam, ele “jogava” todo o seu charme. Até que aconteceu o fato que entrou no imaginário popular. Ele “deu” a sua tradicional “cantada”, sendo que a mesma era casada e participou ao “digníssimo”, que tomando as “dores” da amada partiu ao seu encontro.

Chegando entre os carroceiros perguntou: Quem é o “Mucura” aqui? Ele, pensando que era um “gordo” frete, respondeu: Quantas carradas patrão ? O sujeito respondeu: só duas e desceu o braço no Mucura. Desde esse dia, quando se aproximavam dele, diziam…quantas carradas patrão ? São histórias de uma Macapá que não existe mais…

Floriano Lima