Chico Buarque fica de quatro na Globo

A Rede Globo se lançou em um projeto inédito na televisão brasileira. Avacalhar por completo a MPB. E o pessoal do plim-plim foi bem sucedido na tarefa. Amor em 4 Atos é baseado nas músicas de Chico Buarque. Mas parece ter sido feita com o único intuito de esculhambar o artista.

Amor em 4 Atos tem direção geral de Roberto Talma, com direção de Tande Bressane, Tadeu Jungle e Bruno Barreto. A série vai ao ar logo após Big Brother Brasil 11. Em tese, as músicas de Chico serviram como guia para a produção da minissérie.

As músicas ‘Mil Perdões’, ‘Ela Faz Cinema’, ‘Construção’, ‘As Vitrines’ e ‘Folhetim’ estão presentes nos quatro capítulos da trama seja como base da história, tema, cenário, clima ou trilha sonora. Porém, os episódios parecem emular a vida como ela é, de Nelson Rodrigues. De Chico Buarque mesmo só a trilha sonora.

Em ‘Ela Faz Cinema’, dirigido por Tadeu Jungle, Letícia (Marjorie Estiano) é uma jovem cineasta que não consegue finalizar seu primeiro clipe por conta de uma obra que acontece no apartamento vizinho. Mas a reforma que traz tanta dor de cabeça para a moça também reserva uma boa surpresa. Ela acaba se apaixonando por um pedreiro Antônio (Malvino Salvador).

Em um bizarro lance do roteiro, o trabalhador é absurdamente bem-articulado. Apesar de que, nos dias de hoje, com o mercado da construção civil superaquecido, é melhor o sujeito trabalhar com argamassa do que editando um vídeo. Pense nisso antes de mandar a sua filha para a faculdade…

O chatíssimo episódio ‘Meu único defeito foi não saber te amar” mostra um casal em crise Maria (Carolina Ferraz) e Lauro (Dalton Vigh). O relacionamento é cercado de ciúme e insegurança. Vale notar que eles pertencem à classe média alta de São Paulo. Ou seja, gente rica não faz barraco, discute a relação.

Em tempo, o episódio foi inspirado na música ‘Mil Perdões’ e dirigido por Roberto Talma e Tande Bressane. Curiosamente a música é colocada como trilha sonora de uma festa. E as pessoas ficam dançando como se estivessem em uma festa rave! Mil Perdões, Globo. Mas essa não colou.

Folhetim’ e ‘Vitrines’, os dois últimos episódios, são dirigidos por Bruno Barreto. Eles contam uma história de amor quase improvável. Depois de um desentendimento com a esposa, Ary (Vladimir Brichita) sai de casa e se aventura pelos bares e inferninhos de São Paulo. Em tempo, como diria aquele sujeito mefistofélico: se inferninho já é bom, o que dirá o inferno.

Enfim, na noite da cidade ele conhece a prostituta Vera (Alline Moraes). E vale dizer: nunca na história desse país houve uma profissional do sexo tão carismática como Vera. Aliás, esse é o melhor motivo para fazer essa minissérie: uma gloriosa cena de nudez com a Alline Moraes. Para justificar uma cena dessa qualidade basta colocar “O meu amor” de trilha sonora.

Para quem tem preguiça de consultar o Google eis um trecho da letra: “O meu amor tem um jeito manso que é só seu/De me fazer rodeios, de me beijar os seios/Me beijar o ventre e me deixar em brasa/Desfruta do meu corpo como se o meu corpo/Fosse a sua casa”. Pronto, está mais do que justificado o nu frontal da Alline Moraes.

Se o projeto vai render continuação é cedo para dizer. Mas fica a dica que tal fazer um projeto baseado (sem trocadilho) nas músicas do Planet Hemp? Com direito, é claro, à participação do Capitão Nascimento…

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    kkkkkkkkkk
    resenha engraçada.
    mas concordo com a idéia central do texto: a série é bem fraquinha e previsível, como tudo o mais que a globo tem feito ultimamente. vi só uns trechos do primeiro episódio e larguei de mão. triste ver isso, as músicas do chico tem um teor adulto incrível que poderia muito bem resultar em histórias impactantes e memoráveis, e não apenas num conjunto de piadinhas de classe média e roteirinhos idiotas de novela.

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