Ciclo do Marabaixo: festa para Santíssima Trindade


Neste fim de semana continua a programação do Ciclo do Marabaixo nos dois bairros que tradicionalmente realizam os festejos, Laguinho e Santa Rita, agora em honra à Santíssima Trindade. No domingo, 8, inicia com missa na Igreja São Benedito e café da manhã, e à tarde os festeiros pegam os ramos de murta em casas próximas e logo depois fazem o cruzamento das bandeiras no Centro de Macapá. A programação segue nas quatro residências onde acontecem os festejos até 7h da manhã, quando os mastros são levantados.

Ao contrário do Laguinho, que rende homenagem ao Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade, no Santa Rita, antiga Favela, os festejos são para a tríade sagrada. A Associação Cultural Berço das Tradições Amapaenses, da família de descendentes de Gertrudes Saturnino, pioneira que levou o marabaixo do Centro para a Favela, festeja a Santíssima Trindade, que é um dos Mistérios da crença cristã, que acredita em um só Deus, formado pelo Pai, Filho e Espírito Santo. A Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic), também da Favela, faz o mesmo ritual.

A presidente do Berço do Marabaixo, Marilda Costa, neta de Gertrudes e filha de Natalina Costa, explica a comprovação da fé na Santíssima Trindade. “Mamãe não conseguia engravidar, e minha vó fez uma promessa para a Santíssima, que já era homenageada nos festejos do marabaixo, e nasceu meu irmão mais velho, Manoel. Com a graça alcançada, começamos a pagar a promessa com o almoço dos Inocentes, para doze crianças, que se incorporou à nossa tradição. Assim começamos a festejar a Santíssima Trindade dos Inocentes e até hoje o almoço é feito”, relata.

Com a urbanização do bairro, as tradições tiveram que ser adaptadas para não criar conflito com a comunidade, e a educação ambiental começou a ser implantada. Os bailes dos sócios foram substituídos por rodadas de marabaixo, os fogos liberados até 22h, e o som das caixas não ultrapassam o permitido por Lei . “Os bailes são abertos e atraem qualquer pessoa, o que pode trazer problema. No marabaixo vai quem gosta da tradição”, disse a presidente. Atualmente não se retiram mais mastros na mata, e levantam cilindros de fibra, para incentivar a preservação da natureza.

Na sexta-feira, 6, iniciam as novenas na casa de dona Natalina Costa,  a partir das 19h. Domingo, 8, às 16h, os brincantes e devotos seguem percorrem o bairro com os ramos de  murta e às 17h se encontram com os demais grupos da Favela e Laguinho na avenida Fab onde fazem o cruzamento das bandeiras da Santíssima e do Divino. Logo após, seguem para as casas dos festeiros onde dançam marabaixo até 7h da segunda-feira, 9, quando os mastros são levantados.

Texto: Mariléia Maciel
Fotos: Márcia do Carmo
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