Ciclo do Marabaixo: Festeiros irão transmitir o Marabaixo da Aceitação ao vivo no Sábado de Aleluia e arrecadar alimentos para doação

A prevenção contra o coronavírus mudou uma das tradições cultural e religiosa mais importantes do estado, que é o Ciclo do Marabaixo, e os festeiros estão se adequando à tecnologia para que a abertura do Ciclo do Marabaixo seja preservada em 2020. No barracão da Tia Gertrudes, no bairro Santa Rita, a ladainha e roda de marabaixo estão confirmados na abertura do calendário deste ano, e serão transmitidas ao vivo nas redes sociais. O grupo Berço do Marabaixo, que realiza o Ciclo no barracão da Tia Gertrudes, irá aproveitar para arrecadar alimentos que serão distribuídos para trabalhadores informais.

O Ciclo do Marabaixo inicia na Semana Santa, no Laguinho e Favela, atual bairro Santa Rita, e segue até 14 de junho, quando se comemora o Domingo do Senhor. Na Favela os louvores são para a Santíssima Trindade dos Inocentes, e no Laguinho, para a Santíssima e Divino Espírito Santo, com uma série de rituais religiosos e festivos, rodas de marabaixo e bailes, almoços e lanches, seguindo a tradição secular enraizada na cultura amapaense. Com os decretos estaduais e municipais que pedem o isolamento e que se evite aglomerações, os festeiros aderem à tendência universal de transmissão através de lives.

Do barracão de Getrudes Saturnino, pioneira amapaense, o Marabaixo da Aceitação será transmitido através da “Live do Bem – Vozes da Favela”, que também tem objetivos beneficentes, para angariar alimentos para compor cestas básicas que serão doadas para vendedores ambulantes, cozinheiras, ajudantes de cozinha e serviços gerais que todos os anos trabalham durante o Ciclo do Marabaixo neste barracão. “São parceiros nossos que anualmente esperam esta festividade para ganhar seu dinheiro, vendendo ou ajudando na limpeza e cozinha, por isso resolvemos ajudá-los”.

Os festeiros deste ano são os filhos de Natalina Costa, falecida, que dão continuidade à tradição iniciada pela a avó, Gertrudes, que nos anos 40, trouxe o costume do marabaixo do centro de Macapá para a Favela. Cantadeira, dançadeira de marabaixo, Gertrudes também tocava caixa e fazia versos. Foi em razão de uma promessa sua para que a filha Natalina engravidasse, que iniciou o oferecimento do almoço para as 12 crianças, os chamados inocentes, durante o Ciclo do Marabaixo. Esta tradição ainda hoje é repetida pela família.

A ladainha e a roda de marabaixo serão rezadas e cantadas por um pequeno grupo de cantadeiras, formado por Valdinete Costa, Priscila Silva e Lorrany Mendes, que formam o grupo Vozes da Favela. Elas estarão acompanhadas por tocadores de caixas, também protegidos para que não corram o risco de contágio pelo COVID-19. “Estamos tomando todos os cuidados para que nossa saúde seja preservada, e os devotos possam acompanhar de suas casas a abertura do Ciclo do Marabaixo neste Sábado de Aleluia, com o Marabaixo da Aceitação. E pedimos para que não se dirijam ao barracão, para o bem de todos”.

A live inicia às 18h, com a ladainha, e às 19h começa a roda de marabaixo. As cestas serão distribuídas no Domingo de Páscoa. A transmissão pode ser acompanhada nos endereços: IG: Berço da Favela e Facebook: Berço do Marabaixo.

Mariléia Maciel

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