Como se não fosse para consolar – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

E esse tempo, mano? Que coisa doida.

É o jogador de futebol, craque no campo, perna de pau do lado de cá do jogo.

É a Madonna que vem fazer show. Mas isso não é um revival dos anos 1980?

É um tal de Partido Conservador recolhendo assinaturas para ser criado. Essas pessoas querem conservar o quê? A escravidão? O preconceito? Só pode. Elas fazem a defesa da família tradicional, aquela em que o marido tem três amantes, espanca a esposa e oprime os filhos.

É Jesus Cristo insultado cada vez que um pastor pilantra abre a boca em seu nome.

São stand-ups sem graça e podcasts previsíveis. O humor fuzilado no paredão, com suas vísceras expostas, com transmissão simultânea em todas as plataformas disponíveis.

São os reallity shows e seu lance de transformar nulidades em celebridades. Será a falta de assunto, que precisa ser preenchida?

São as mulheres assassinadas alimentando tristes estatísticas. São os injustiçados do mundo esperando a justiça, que tarda e falha.

É a guerra da guerra da guerra transmitida pela assessoria de imprensa da própria guerra. Só pra gente não perceber que a guerra está em toda parte, caso se tenha consciência.

É a Alexa, que faz tudo por nós. Liga a lâmpada, a TV, nos aconselha, dirige o carro e a nossa vida. Sim. Estamos prontos para a paralisia.

É o clima que está louco, mas compreensível, com tanta porrada que o planeta tem suportado.

É esse patriotismo torto, raso, doente, falsamente cristão, que defende tortura e apoia crimes.

São as ciclovias ocupadas por carros estacionados.

São as calçadas promovidas a estacionamentos privativos.

São os fios elétricos que despencam dos postes e ficam espalhados pela calçada.

É aquela família daqueles bandidos da politicagem federal, que sempre tentaram ser grandes mafiosos, mas não passam de batedores de carteira, ladrões de galinha.

É uma humanidade que matou um cara há 2.000 anos e se acha salva através da morte desse cara.

É esse tempo que a gente tá vivendo, mano. Mas escrevi esta crônica como se fosse para consolar. Sei não. Eu mesmo estou precisando de consolo agora. Mas nem tudo está perdido se as flores continuam nascendo e todo tempo ruim desaparecerá. Eu creio!

  • Eu também creio…
    Que boas Crônicas serão criadas…
    Como essa que acabei de ler.
    O demais vai destrambelhar ladeira abaixo…
    E haja ladeira!

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