Como seria?

                                                  Por Elton Tavares

Lendo textos do meu velho arquivo, encontrei o “Alternativas”, do Luís Fernando Veríssimo. Resolvi, pretensamente, fazer uma espécie de cópia sobre minhas aventuras e desventuras na mesma linha que o mestre da crônica escreveu. Aí saiu esse devaneio aí debaixo:

Farei 37 anos em setembro, sei que a vida é feita de escolhas, mas como seria se tivesse escolhido diferente? Se não tivesse ido morar com aquela menina em 1996? Talvez hoje em dia não soubesse improvisar na cozinha (risos).

Se tivesse escutado mais os meus pais e passado direto em todas as séries do segundo grau e me formado em Belém (PA)? Talvez não tivesse me envolvido em tantas brigas e furadas, mas saberia do que os maus são capazes? Certamente não.

Ah, se tivesse continuado com a natação ou o basquete, ao invés de ter começado a beber aos 14 anos? A única certeza é que seria mais saudável (risos). E se não tivesse me empolgado ao ponto de pensar em ir para a Bolívia (BOL) atrás daquela maluca? Aí sim eu teria me ferrado feio.

Se tivesse feito tudo certo naquela empresa de consultoria talvez não fosse jornalista e será que estaria feliz profissionalmente? Não, não estaria. E se tivesse casado com a colega de trampo que namorei na mesma época? Com toda certeza seríamos infelizes, pois opostos podem até se atrair, mas só os dispostos levam uma história adiante, que não era o caso.

Se não tivesse ido para a Fortaleza (CE) em 2007? Com certeza uma outra vida estaria diferente. E se tivesse lido mais livros do que ouvido discos de rock? Não, prefiro do jeito que foi mesmo. De para sorver conhecimento divertindo-me com música.

Se tivesse topado aquele convite da chefe de redação do Portal Amazônia e ido morar em Manaus (AM) estaria lá ainda? Não tenho certeza, mas se estivesse, seria doloroso, pois sou muito apegado aos meus.

Se não tivesse dito a dura verdade tantas vezes e magoado amigos? Não, prefiro a verdade, doa a quem doer.

Essas foram somente algumas das dezenas de escolhas que fiz, como todos nós. Voltando ao mestre Veríssimo, ele explica: “Sua vida não é feita de decisões que você não toma, ou das atitudes que você não teve, mas sim, daquilo que foi feito! Se bom ou não, penso, é melhor viver do futuro que do passado”


Aí, durante uma conversa despretensiosa, minha querida amiga Camila Karina dispara: “a vida as vezes é tão irônica”. Ela está absurdamente certa, aliás, merece elogios por essa colocação. Pois se você trabalha, faz o bem e não interfere na felicidade alheia, tudo se ajeita com o tempo.

Arrependimentos ou desculpas não desatam nós ou colam o que se quebrou. Seja lá qual foi a sua escolha no passado, seja nostálgico, triste, feliz ou engraçado. O importante é o hoje e o amanhã, mas isso não impede de pensar como seria? 

Tenham todos uma ótima semana!

  • É mano do que mais é feita a vida? Senão de dúvidas,devaneios,decepções,escolhas,alegrias e tristezas.Muitas questões as vezes são nos apresentadas, levantadas para nos moldar,ensinar, sei lá, mas sãoimprescindíveis na formação do caráter.A vida ensina muito e cobra caro.A muito tempo me contam que temos um tal “livre arbítrio”, que não vem com manual,ou seja acabamos de uma maneira ou de outra tendo que aprender na marra.Erros,cagadas ou coisas que nos trazem arrependimento são tudo parte de um ensinamento que temos que ter, para nos tornarmos homens, pelo menos acredito eu.Não se arrepende de escolhas que fez no passado, talvéz taís questões chegaram na hora errada, o dicernimento só vem com experiência, e essa só aparece pra quem tenta, e geralmente quem tenta erra.O passado e pra ficar ali atraz, como algo que teve um dia seu valor, jamais ser esquecido, mas também não ser levado muito a sério, como o próprio nome diz passou.Mas antes de tudo meu bom amigo só sabe quem vive, e quem vive erra, e quem erra sabe.

  • acho que é impossível não se perder nesse tipo de pensamento de vez em quando. é muito dificil viver sem se frustrar ou carregar o peso de escolhas furadas, mas isso não é impossível.
    muito mais escroto do que aprender conviver com pessoas idiotas é aprender a conviver consigo mesmo. isso é realmente terrível e problemático, acho que é o grande desafio de toda vida.
    mas no fim quando balanceamos as coisas, se o saldo final for positivo, bem, acho que o caminho ainda é o certo e ainda valhe a pena ir mais fundo.
    é difícil, mas não impossível.
    curti o texto elton, fiquei até meio reflexivo…

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