Corte dos mastros: tradição e adaptações para que o Ciclo do Marabaixo não acabe

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Instituições que representam os barracões das famílias que realizam o Ciclo do Marabaixo cumpriram mais um ritual do festejo neste final de semana, Sábado e Domingo do Mastro. Quatro famílias de descendentes de pioneiros continuam os festejos 7onde a dança e a fé na Santíssima Trindade e Divino Espirito Santo se encontram, e seguem a tradição dentro do calendário católico. O costume de ir para o Curiaú no caminhão onde o mastro é transportado ainda é valorizado, mas ao contrário do passado, em três grupos as mulheres participam do corte dos mastros.

A programação iniciou na Semana Santa, e segue até 29 de maio, o chamado Domingo do Senhor, quando os mastros são derrubados e os festeiros do próximo ano são escolhidos entre os devotos. No último final de semana, o Ciclo entrou na etapa com mais atividades em louvor à Santíssima Trindade e Divino Espírito Santo, que foi a derrubada dos troncos e o marabaixo do mastro, que levou centenas de pessoas para as matas do Curiaú, distrito do Coração e para o barracões onde aconteceram as rodas de marabaixo.

Os grupos que coorde51nam a programação para a Santíssima e Divino no Laguinho, na casa da Tia Biló e do Mestre Pavão, e o do barracão da Tia Gertrudes, na Favela, seguiram para o Curiaú, e o da família da dona Irene, também da Favela, foi para o Coração. O marabaixo da dona Irene, coordenado pela Confraria Trindade dos Inocentes, retira o mastro para o louvor à Santíssima da forma antiga, quando somente homens iam para as matas e jogavam a Carioca no translado até o barracão.

Os três grupos que foram para o Curiaú seguiram em cortejo nos carros e nos ônibus cedidos pelo Governo do Amapá (GEA) e Prefeitura de Macapá (PMM). Como há décadas, foi usado um caminhão para pegar e trazer os mastros para os barracões, onde os marabaixeiros fazem questão de ir e volta. “35Quando a tradição do marabaixo correu o risco de acabar, muitas mulheres assumiram a função dos homens, de cortar e carregar os mastros. Mas o costume de seguir para o Curiaú no caminhão, tocando, cantando e soltando fogos, ainda mantemos”, explica Danniela Ramos, neta da tia Biló.

A oficialização do Ciclo do Marabaixo garantindo o repasse de recursos públicos para a manutenção da festa, foi outra alternativa que permitiu a continuidade da tradição, uma vez que antigamente quem viabilizava a festa eram as famílias e festeiros que pagavam as promessas. “A festa cresceu e as famílias que antes forneciam carne e verduras para o caldo, e a bebida, que era a gengibirra e leite-de-onça, feitas artesanalmente, reduziram ou acabaram a produção, o que dificulta a doação”, disse Valdinete Costa, neta de Gertrudes Saturnino.

50Com a crise, em 2016, até agora somente a PMM sinalizou repasse de recursos para o Ciclo do Marabaixo. O Governo do Estado, enquanto não define a parceria, garantiu transporte para as comunidades que vêm do interior para os barracões, e para outras programações do Ciclo, além de segurança e as licenças para realização do evento. Durante o cortejo de Sábado do Mastro, a Polícia Militar garantiu a segurança do cortejo festivo com um carro batedor, que acompanhou todo o trajeto.

Mariléia Maciel – Jornalista e assessora de comunicação do Ciclo do Marabaixo

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