Culturas negra e indígena do AP são tema de projetos financiados pelo Itaú Cultural

Coletiva de anúncio aconteceu nesta segunda-feira, em São Paulo

Os projetos selecionados do Amapá serão desenvolvidos na Vila do Cassiporé, em Calçoene e na Aldeia do Manga, em Oiapoque. Foram escolhidos entre 58 inscritos por proponentes do Estado. No total, a edição 2017-2018 do Rumos Itaú Cultural recebeu 12.616 projetos para análise. O anúncio da lista final com 109 escolhidos foi divulgada em coletiva nesta segunda-feira, 28, no Itaú Cultural de São Paulo. Com exclusividade, o Jornal A Gazeta esteve presente no evento.

O Rumos apoia a realização de trabalhos ligados às mais variadas áreas de expressão. Assim, os projetos inscritos abrangem um universo que engloba desde música, artes visuais, artes cênicas, literatura e audiovisual até arquitetura, moda, design e gastronomia, entre outros campos.

Para instigar a participação de proponentes de todas as regiões do Brasil, o Itaú Cultural realizou encontros nas 27 capitais do país, apresentando o programa e solucionando eventuais dúvidas quanto ao processo. Cinquenta e oito dos projetos inscritos vêm de outros países – para que sejam pré-selecionados, eles devem dialogar com a arte e a cultura brasileiras.

Selecionados no AP

Os dois projetos selecionados do Amapá têm algo em comum: garantia da representatividade. Um será executado na comunidade do Cassiporé e outro entre as aldeias do Oiapoque.

Memórias da Terra: Patrimônio Arqueológico e Memória da comunidade de Vila Velha do Cassiporé no Amapá

Proponente: Jelly Juliane Souza de Lima

Região impactada: Amapá

Modalidade: Documentação

Tema: Patrimônio e memória

Recorte: Questão racial

O projeto tem como objetivo contribuir para o fortalecimento do interesse e da valorização do patrimônio arqueológico localizado na comunidade quilombola de Vila Velha do Cassiporé, por meio de um mapeamento do registro material (aqui entendido como os artefatos arqueológicos) e de um registro das narrativas e percepções que a comunidade possui acerca da sua própria história. A metodologia prevê entrevistas orais, capturas audiovisuais e digitais com os moradores de Vila Velha do Cassiporé e oficinas com professores que atuam na comunidade escolar.

Residência e Festival Corpus Urbis – 4ª edição – Oiapoque
Proponente Cristiana Nogueira Menezes Gomes

Região impactada: Amapá

Modalidade: Criação e desenvolvimento

Tema: Performance

Recorte: Questão indígena

O festival de performance e intervenção urbana, que parte de uma residência artística, é dedicado àqueles que desejam investigar e intercambiar processos de criação e pesquisas de linguagem atravessados pelo contexto sociocultural e convivência com as comunidades indígenas do Amapá. A residência será sediada em Oiapoque e terá ações estendidas para as aldeias do Manga e de Santa Isabel. O resultado do trabalho será apresentado em um festival. Por meio de convocatória, artistas de diferentes regiões do Brasil e artistas indígenas dos povos Karipuna, Galibi-Maworno, Galibi-Kalinã, Palikur, Apalai, Waiana, Tiriyó, Waiãpi e Kaxuyana integrarão o projeto.

Quem seleciona?

Além dos gestores do Itaú Cultural, a Comissão de Seleção do Rumos 2017-2018 conta com a participação do jornalista e crítico de cinema Amir Labaki; do músico e escritor Arthur de Faria; da jornalista, professora e pesquisadora de temas como a (in)visibilidade de grupos vulneráveis Fabiana Moraes; do artista cênico, produtor cultural, pesquisador e curador Felipe de Assis; do professor, crítico de arte e curador independente Felipe Scovino; da gerente da área de educação do Museu de Arte do Rio (MAR) Janaina Melo; da atriz, produtora, gestora pública e contadora de histórias Karla Martins; do jornalista, crítico e pesquisador de teatro Kil Abreu; do escritor Marcelino Freire; do músico Mauricio Pereira; da cineasta Paula Gomes; e do bailarino e coreógrafo Rui Moreira.

As inscrições desse edital do Rumos aconteceram ano passado e junto com o período aberto de inscrições, o instituto percorreu o Brasil com uma caravana de escuta, que reuniu os produtores e amantes da cultura, em Macapá, o Rumos Escuta na Biblioteca Elcy Lacerda, dia 19 de outubro.

Representação

Durante o anúncio dos selecionados, o presidente do Itaú Cultural, Eduardo Saron fez questão de falar do crescente de projetos nas temáticas como LGBTFobia, espaços femininos e negritude.

“Observamos nessa edição, que em projetos como esses, de perfil étnico e de comunidades específicas, há uma maior participação do artista, que passa a ser, ao mesmo tempo, sujeito e objeto da ação a que se propõe, afirma.

Os projetos selecionados do Amapá mostram temas que foram bastante abordados nesse ano entre os concorrentes do edital, que foram a formação, audiovisual/cinema, patrimônio e memória. Documentação e pesquisa que ajudam a construir a história do Brasil e suas raízes.

O Rumos

Em 20 anos de atuação, o programa Rumos Itaú Cultural possibilitou ações artísticas e culturais que alcançaram mais de 5,1 milhões de pessoas, selecionou artistas, pesquisadores e produtores, construiu relações culturais e afetivas e gerou outros programas, reinventando-se a cada edição.

Diversidade. Hibridismos. Geografias. Territórios. Polifonia. Redimensionamento de fronteiras, diálogo entre margens, periferias e centros e o Brasil interior. Esses são alguns dos conceitos que norteiam as ações do Itaú Cultural e estão na gênese do programa Rumos.

Um dos pioneiros dos editais públicos no país, ultrapassou os 52 mil projetos inscritos vindos de todos os estados brasileiros e do exterior. Contemplou mais de 1,3 mil propostas, que receberam o apoio do instituto para o desenvolvimento dos projetos selecionados nas mais diversas áreas de expressão ou de pesquisa. Os trabalhos de todas as edições foram vistos por mais de 6 milhões de pessoas.

Entre os critérios para a seleção, destacamos singularidade, relevância e consistência.

O valor de investimento total é de mais de R$ 15 milhões divididos entre os projetos selecionados. Entre os 109 dessa lista, o de menor custa tem orçamento mínimo de R$ 10 mil. Toda a execução e viabilização do projeto e feita em parceria com a equipe do Itaú Cultural durante os dois anos de vigor do edital.

Marcelle Nunes
Assessoria de comunicação do Itaú Cultural

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