Derrubada dos mastros no ‘Domingo do Senhor’, marca o encerramento do Ciclo do Marabaixo 2024

Foto: Aog Rocha

Por volta de 18h de domingo, 2, integrantes do grupo Raízes da Favela fizeram a derrubada do mastro, em frente ao Barracão Dica Congó. O ritual marcou o encerramento do Ciclo do Marabaixo, no chamado “Domingo do Senhor”, após a celebração de Corpus Christi.

Da avenida Mendonça Junior, os marabaixeiros saíram em cortejo rumo à avenida Mendonça Furtado, no bairro Santa Rita, endereço da Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic), que será responsável pela programação em 2025. Lá, a bandeira da Santíssima Trindade foi recebida pelas festeiras.

“Recebemos a bandeira, como forma de pagamento de uma promessa que fiz pela saúde da minha neta. O sentimento é de gratidão, pois o cortejo já mostrou um pouco da dedicação que teremos que entregar no próximo Ciclo”, disse Priscila Silva, festeira responsável pela programação de 2025 e representante do grupo Azebic.

Na rua Eliezer Levy, no bairro do Laguinho, em frente ao Barracão da Tia Biló, sede do grupo Raimundo Ladislau, os mastros do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade também foram derrubados, marcando o fim de mais um ano de programação, com a escolha dos festeiros para 2025. Por lá, quem carregava o sentimento de dever cumprido era Joaquim Ramos, o Mestre Munjoca, coordenador do grupo.

“O encerramento de mais um Ciclo é sempre um aprendizado. É a perpetuação da herança e do legado dos nossos antepassados. Tenho orgulho de ver a nossa juventude cada vez mais presente, garantindo que essa tradição estará sempre viva”, disse Joaquim.

No Barracão Gertrudes Saturnino, sede do grupo Berço do Marabaixo, na Favela (Santa Rita), os mastros também foram abaixo, para celebrar a realização de mais uma programação. Por lá, a felicidade era coletiva, entre integrantes da família Costa, descendentes de Gertrudes e Natalina e outros integrantes do grupo, além de convidados.

“Mais uma vez cumprimos nossa missão de entregar a programação do Ciclo do Marabaixo. Sinto muita gratidão, pois, nossa festa foi grandiosa, com três meses intensos de atividades”, avaliou Valdinete Costa, coordenadora do Berço do Marabaixo.

Na avenida José Tupinambá, no bairro Jesus de Nazaré, também houve a derrubada dos mastros do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade. O ritual marcou a despedida de mais um Ciclo do Marabaixo, a escolha dos festeiros e a preparação das festividades para o próximo ano.

“O Ciclo do Marabaixo é feito de fé e tradição. É uma ação de resistência e de ancestralidade. Somos orgulhosos por manter viva essa riqueza cultural que nos foi deixada pelos nossos ancestrais”, destacou Daniel Ramos, do Marabaixo do Pavão.

Para a realização do Ciclo do Marabaixo 2024, o Governo do Estado investiu R$ 1,4 milhão. A secretária de Estado da Cultura, Clicia Viveira, esteve nos barracões, prestigiando o encerramento das programações e cumprimentado os organizadores.

“Foi um Ciclo muito bonito, organizado e com total apoio do Governo do Estado. Aqui, a programação se encerra, mas outras virão. E estaremos sempre investindo e apoiando as manifestações da nossa cultura afro-amapaense”, destacou a secretária.

Tradição fomentada pelo Governo do Estado

Com o tema: “O rufar dos tambores para além da tradição”, o Ciclo do Marabaixo 2024 foi realizado pelos grupos culturais, como sinônimo de cultura, fé e resistência. A programação, que se integrou com o calendário da Igreja Católica, iniciou no dia 30 de março, “Sábado de Aleluia” e encerrou no “Domingo do Senhor”.

A tradição é fomentada pelo Governo do Estado, por meio da Secult, tendo o apoio da Fundação Marabaixo. Este ano, cada grupo cultural recebeu R$ 82 mil para a realização de suas programações.

Central do Marabaixo

Pelo segundo ano seguido, tradição, cultura e ancestralidade afro-amapaenses foram celebradas pelo Governo do Amapá com a Central do Marabaixo. Com direito a muita música e dança, o evento encantou o público no Centro de Cultura Negra Raimunda Ramos, em Macapá.

No espaço, os amapaenses e turistas conheceram a história e os elementos da cultura negra do estado, como a gengibirra, o cozidão, bandeiras, mastros, a murta e outros símbolos da expressão cultural criadas e mantidas pelas comunidades.

Texto: Gabriel Penha
Foto: Aog Rocha e Gabriel Penha/GEA
Secretaria de Estado da Comunicação

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