Nada como um boteco barato no meio da semana (hoje eu vou tomar umas)

 
Fim de expediente. Resolvi tomar umas naquele boteco barato.  Ao chegar lá, constato o que já sabia: conheço a maioria dos que estão ali. Por todos os lugares que vou é assim. É a vida boêmia. Falo com alguns conhecidos, todos com diálogos curtos sobre algum feito do passado. Nada de novo. De atualidades, somente as picuinhas políticas e papos furados sobre bobagens de internet ou algo assim.  
 
Sorte seria encontrar os Fernandos, o Tãga, os tios, mas não marquei nada com essas figuras porretas. No mesmo bar, quase sempre encontro rostos bem conhecidos como antigos adversários, ex amigos e até ex amores. Não desejo mal a nenhum deles. Aliás, falo cumprimento a maioria. Mas o papo fica nisso mesmo.  Afinal, para alguns, sou um vilão desprezível (risos). 
 
Nas noites de boteco, a gente encontra até com aquele pessoal que vive pra falar mal de todo mundo, inclusive de você, mas te cumprimentam tão cordialmente. É o jogo. Observo estranhos e vejo muitos garotos pagando de super inteligentes, outros de ultra descolados arrotando conquistas imaginárias. Seria o mesmo que eu quisesse dar dicas de dieta. 
 
Aí chegam os velhos amigos, alguns brothers jornalistas e até malucos legais. Ah, como é bom ver aquela meia dúzia de figuras. Um ou dois nem conheço há tanto tempo, mas parece que nem um desastre nuclear pode abalar a consideração deles por mim e a minha por eles. Eu disse parece.  A noite segue tranquila. No menu, o de sempre: muita cerveja, música e papos legais. Entre os papos com os amigos, muito aprendizado, análises sobre experiências alheias, desabafos  e muita bobagem legal (pois até pra falar merda é preciso ser safo). 
 
A grande verdade é que adoro bar no meio de semana porque tem de tudo: Os escrotinhos que a gente não gosta, o pessoal bacana e os que não fedem nem cheiram. No boteco, devaneios são disparados para a diversão da mesa. Muitos destes estalos inspiram textos ou rendem boas piadas.  Muita cumplicidade e molecagem. De repente,  já deu 1h da madruga. É preciso ir, pois o trampo de amanhã será pesado. 
 
Talvez um dia, quando eu for um jornalista velho, gordo e de barba branca, tome umas só nos finais de semana. No futuro, certamente vou rir destes tempos e me queixar um pouco de saudade da época de boteco. Não se trata do “bar ruim e lindo” do Mário Prata, mas a atmosfera de boteco é algo encantador para biriteiros. Talvez seja genético, pois meu pai foi um grande boêmio. E gosto dessa herança. É isso. 
 
Elton Tavares
*Texto republicado. Motivo? Vou tomar umas hoje!

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