DIÁLOGO DE DOIDOS – Crônica de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Há uns 16 anos, época de campanha política, anotei com uma velocidade incrível num papel de pacote de cigarros Free, esse interessante diálogo entre os amigos Walmir Capiberibe e Dinho Araújo. Só participei do início do papo para poder anotar, pois na ocasião eu não tinha um gravador. Para variar aconteceu no Bar do Abreu, em 2002.

DINHO: – Fernando, tu não achas que o ser humano, o ser humano brasileiro, tem que encontrar seu mundo aqui na terra e aprender a ser um ser humano melhor?

FERNANDO: – Hunrum!

WALMIR: – O meu negócio agora é a 3ª dimensão, é a espiritualidade.

DINHO: – Porra, de baleia.

WALMIR: – Ah, a baleia, caralho, do Alto Tapajós.

DINHO: – Vou te ralhar. (*)

WALMIR: – Tu já sabes ralhar, caralho? Eu fui convidado pra assistir a peça e fiquei muito puto. Quase que eu tiro o meu 38 e te dou um tiro no pé. Fiquei muito puto. Eu fui assistir à peça e não pegar ralho, caralho!

WALMIR: – Dinho, aquele cara, o Tutancâmon, era teu parente? A cabeça dele era igual a tua. Faz três mil anos que ele viveu e morreu na corrida de biga, maninho. O crânio dele era igual ao teu.

DINHO: – Quando a gente queria que a visita fosse embora, a gente colocava uma vassoura atrás da porta. O japonês peida.

WALMIR: – Eu pensei que ele era teu parente por causa da deformação da tua cabeça. Porra, a próxima vez que eu vir um japonês peidar, eu mato ele.

DINHO: – É cultura!

WALMIR: – Vou pedir pro meu primo, que é maior do que ele, rebentar o japonês. Vai peidar assim no Oriente. O meio do mundo tem que estar cheirando pra caralho. Um peido é foda, meu irmão! Eu vi na Internet que uma mulher foi dar um peido na boca do cara e ele pulou cinco metros de distância.

WALMIR: -Tu já pegou uma linguarada peidada? Com todo o respeito, você já pegou uma linguarada na bunda?

DINHO: – Não.

WALMIR: – Então eu vou lhe dar. Pensando melhor, não. Você vai morrer sem uma linguarada na bunda.

DINHO: – Égua da atitude nobre! O português assume o peido do cu dele e dos outros. O peido do gordo é por minha conta, disse ele.

DINHO: – Tu já viste um português fudido, pobre?

WALMIR: – São tão filhos da puta que até hoje a gente não aprendeu a falar o português.

WALMIR: – Vai fazer o teu exame de próstata, rapaz.

DINHO: – Eu não. O Severino veio de lá capengando e reclamando do toque.

WALMIR: – Era mentira desse filho da puta. Era só o PSA, exame de sangue.

DINHO: – Ah..!

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(*) Dinho Araújo é autor de um monólogo teatral chamado “O Ralho”.

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