Discos que formaram meu caráter (parte 28) – “Transpiração Continua Prolongada”- Charlie Brown Jr-( 1997)


Muito bem galera, sei que já faz muito tempo, mas por muitos percalços e também por extrema falta de tempo a  viagem por discos, músicas e histórias em geral esteve interrompida, mas é com muito orgulho que digo que, NOSSA MUITO LOUCA NAVE está de volta para continuarmos nossa caminhada pelo mais estrondoso, escuro, imenso mundos dos DISCOS, MÚSICAS E AFINS, todos de pé, de pé.

Sem mais delongas e frescuras a parte vamos logo ao que interessa. Nossa nave nos leva à famigerada década de 90, sim a retomada do rock “brazuca” (gosto desse termo). O ano era 1997, é com orgulho e lagrimas nos olhos que apresento a vocês, “TRASPIRAÇÃO CONTINUA PROLONGADA”, o disco de estréia do Charlie Brow Jr. Palmas.

Corria ali o final da década, e muitos ainda tinham um medo no ano 2000, mas o rock nacional que tinha ressuscitado no longínquo ano de 1994 com os caras do RAIMUNDOS (já falei disso) continuava rendendo bons frutos. Era muita banda boa aparecendo, muita banda ruim também o que importava era que semente jogada no solo árido do mercado fonográfico nacional pela molecada de Brasília (DF), tinha dado certo e frutos já tinham sido colhidos. 


“ O RAPPA ”, por exemplo, já era uma realidade com o seu “Rappa Mundi”, os próprios “RAIMUNDOS” já se davam ao luxo de lançar “LAPADAS DO POVO”, um disco extremante punk (sem baladinhas radiofônicas), o PLANET HEMP, ainda com “ Os cães ladram mas a caravana não passa” davam muito o que falar, ou seja tudo conspirava favor.


Na batalha desde 1992 a molecada de Santos, procurava um lugar ao sol e acabou caindo na graça de um cara chamado Rick Bonadino, que estava com a moral lá em cima depois dos “Mamonas Assinas” e pode bancar aquela banda de “SANTOSSSS”.

Com uma linguagem simples, que elevava à máxima potência a cultura de rua, palavreado do skate, temática fantástica que ia da vida familiar, a relacionamentos e não um simples “rolê” urbano, a banda de Chorão (com certeza o vocalista mais carismático dessa geração) mostrou logo a que veio no seu primeiro disco.

Deixando as gloriosas mesmices de lado, e todo aquele papo chato de critico musical vamos logo ao que interessa e dichavar (ops) o belo disco.

O disco começa com uma singela vinhetinha, com lance meio descomprometido chamado “O ultimo frango da Malásia”, tecnicamente instrumental. Caindo logo para “O coro vai comer”, que avisava os menos entendidos (cruzes) que “os caras do Charlie Brow invadiram a cidade” e era bom avisar a mãe o cachorro e a sogra que “o couro ia comê”. Indo para uma história de amargar chamada “Tudo que ela gosta de escutar”, singela e simples historinha de romance entre um cara largado e uma patricinha (muitos saberão o que falo). 


Chegando em “Sheik”, a velha lenda do cara que é o ás da mulherada. “ Hei Arreia”, instrumental para relaxar. “Gimme o Anel” dos inesquecíveis versos “Dinheiro você já tem, eu te ofereço meu míssil”. “ Molengol`s Groove” outra da linha instrumental. “ Aquela Paz”, o julgamento feito pelos outros, suas atitudes mostrando que você realmente é. 

Segue com “Quinta Feira”, um flerte com o Ska, uma batida simples, letra fundamental que conta algo sobre o que parece inofensivo, mas que te domina. “Proibida pra mim”, a mais “jabá” do disco, essa levou os caras ao Monte Olimpo, uma porrada na cara de quem naquela época não se pegou cantando “…ela achou meu cabelo engraçado..”. 

Continua com “Lombra”, aqui um flerte com Rap. “Corra Vagabundo”, aqui uma dose de criticas contra as autoridades policiais. “Falar Falar”, a critica versátil contra todos os repetitivos discursos. “Festa”, uma verdadeira zona só com pessoas legais, sem os “pau no cu” e adjacentes. “Escalas Tropicais”, um dia normal, na vida boa de sombra e cerveja. E fechando tudo com “Charlie Brown Jr”(deixa estar que eu sigo em frente), com certeza um aviso que aquilo tudo era só um começo.

O disco vendeu tranquilamente mais de 250 mil cópias, nada mal para um álbum estréia. Um trabalho regado a muita energia e muitos causos a parte. Com certeza merece sua estatueta de CLÁSSICO. 

O Charlie Brown apareceu em uma época onde tudo já parecia pronto, onde novidades já estavam sendo aclamadas pelo grande público. Depois da morte do Chico Science, com um tipo de música que quase que por osmose e adquirida pela parcela jovem, um público dos esportes radicais por exemplo. Com influencias claras das bandas nacionais, como O Rappa, Raimundos, Planet Hemp (Chorão nunca escondeu isso) misturando tudo com a “gringalhada” do Blink 182, Rage Against the Machine, Sublime e Suicidal Tendencies, os caras conseguiram emplacar um discos bom atrás do outro e esse meus jovens foi só o primeiro.

Meus parabéns Chorão pela eficiente mistura de cultura de rua, skate rock e rap de branco. Um verdadeiro Red Hot Chili Peppers nacional, um disco essencial por que todos nós já tivemos 18 anos.

Marcelo Guido é Punk, pai da Lanna, Namorado da Bia, Jornalista e Professor “…gosta mais de cerveja do que de pessoas”.

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