Discos que Formaram meu Caráter (Parte 38) – “Tears Roll Down (Greats Hits 82-92)”…Tears For Fears (1992) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Muito bem moçadinha vivente e alegre deste mundo inebriante e consciente, o espetacular viajante muito louco das ondas sonoras vem com sua nave repleta de histórias, para trazer a vocês mais um disco marcante.

É com muita honra que apresento a vocês:

“Tears Roll Dow”, coletânea que pegou o melhor do trabalho dos caras do Tears For Fears entre os anos de 1982 e 92.

Palmas pra ele!

Formada em 1981 na Inglaterra, pelos remanescentes do Graduate (banda legal) Roland Orzabal e Curt Smith o Tears For Fears (TFF) já gozava de um reconhecimento mundial e sucesso pela extrema qualidade da obra, um dos marcos na segunda invasão britânica nas paradas americanas, que foi promovida pela então recém criada MTV.

Conhecida por ser umas das precursoras no uso de sintetizadores e batidas eletrônicas – onda que varreu o rock nos anos 80 e ficou conhecida como “new wave” -, a banda se mostrou sempre contundente no que fez, seus discos nunca deixaram a desejar, o debut (uiuiui) “The Hurting” (1983) alcançou, logo na primeira semana, o Disco de Ouro nas paradas da terra da Rainha. O segundo, o excelentíssimo “Songs From The Big Chair” (1985), já de cara levou logo multiplatina nos EUA e na Inglaterra, ou seja, o mundo era dos caras.

A fama alcançada, levou-os a serem convidados a se apresentar no “Live Aid” em 1985, o que acabou não rolando por problemas contratuais; eles foram substituídos em última hora pelos rapazes do George Thorogood and the Destroyers. Esta apresentação, que seria histórica, rolaria no JFK Stadium na Filadélfia.

Então como já escrito, material para uma coletânea já existia. Dez anos de banda na crista da onda, com vários sucessos tocados a esmo nas rádios – sim rock tocava na rádio (pasmem) – já me fazia ter um interesse pela banda. Mas era daquelas bandas “música legal, mas quem toca?” (risos).

Conheci esse belo exemplar de bons sons em um velho e bom churrasco (um frango e milhares de latas de antártica), lá por 1996, naquele esquema “escuta isso aqui”. Puta merda, o disco do sol na capa. Sim, confesso meu total desconhecimento até aquele momento sobre os caras. Josean Torres me passou. E eu ouvi, na segunda feira estava adentrando a importadora Nely Monte, onde comprei meu exemplar das mãos do Gilson Rodrigues (o cara mais parecido com meu irmão que eu).

Ao ouvir a primeira “Sowing The Seeds of Love”, me veio a memória afetiva, quase que nítida do clipe que passava na programação da Tv Equatorial, que transmitia a programação da finada Manchete (Jaspion, Jiraya e afins)

Deixemos as lágrimas pelos anos que não voltam mais pra trás e vamos dissecar o elemento sonoro:

“Sowing The Seeds Of Love”, uma destacada canção de amor, mas que fala das várias formas como esse amor pode ser vencedor ou não. “Everybody” “Whants To Rule The Word”, clássica para embalar o namorinho, trilha sonora de muito romance. “Woman in Chains”, a bateria eletrônica já te chama a dançar.

“Shout”, com certeza a porta de entrada para muitos que gostam da banda. “Head over hells”, uma declaração de amor puro, para a pessoa merecedora. “Mad World”, critica a procura pela perfeição, é difícil viver em círculos no mundo louco. “Pale Shelter”, a proteção dada por alguém, mas você não esta satisfeito. “I Believe”, as lições que as dores das derrotas na vida nos passam. “Laid so Low”, até então inédita, foi gravada especialmente para este disco. “Mothers Talk”, as mudanças que o tempo faz você sofrer. “Change”, clássica e dançante, não faltava nas festinhas. “Advice For Young At Heart”, uma relevante ode sobre o tempo.

Genial! Sensacional! Com certeza, alguma dessas músicas já tocaram um período ou mais na vida de cada um que está lendo essas frases tortas que estão sendo escritas.

O cara que não conhece esse disco nem tem que se candidatar a ter uma medalha de foda.

As batidas eletrônicas, mescladas (hummm) com as letras tortuosas dos caras mostraram estar em sintonia perfeita em toda carreira da dupla.

Entre idas e vindas, a banda continuou e continua relevante até os dias atuais. Este disco foi relançado em 2005 com um disco bônus, álbum duplo. Com edições das músicas sendo remixadas, versões novas e atualizadas, mas a icônica capa com o sol está lá.

Antes que falem algo do tipo, “Ah, coletânea não vale”, eu digo: Foda-se! Esta obra está longe de ser um caça níqueis. É um serviço didático para apresentar uma banda do caralho. Um belo cartão de visitas, assim como “Standing on a Beach” (Disco do velho na capa) do The Cure e os The Best Of 1 e 2 do The Smiths.

Este texto é dedicado a todos aqueles que andaram no “Maldito”, um chevette preto que aterrorizou a cidade na década de 1990.

*Marcelo Guido é Jornalista, Pai da Lanna e do Bento, maridão da Bia.

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