DISCUSSÃO DE BAR – Pequenas histórias diárias (parte 2) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Existem casos que acontecem com a gente que dão sentido à vida. Talvez sem essas estórias, historias e “causos”, a vida perderia um “Q” de graça e – por que não – o próprio sentido.

Isso realmente aconteceu comigo.

Bares da vida são lugares extremamente democráticos, onde sua condição financeira, classe social, escolaridade e outras congruências não fazem a mínima diferença. No bar, todos somos iguais.

Frequentador nato de botecos que sou, costumo interagir com vários tipos de pessoa. Quão divertido é toda essa simbiose de conhecimento inútil, tiradas inesperadas e palavrões. De tudo se aprende. É realmente um ambiente de saber, uma escola para a vida.

A discussão de bar deveria ser alvo de estudo pelas mais importantes universidades e centros mundo, porque em nenhum outro ambiente está concentrada uma gama tão grande de especialistas sobre os mais inimagináveis assuntos correntes.

Encontramos advogados de causas ganhas, engenheiros de obras prontas, historiadores de fofocas, técnicos de futebol, comentaristas de mesa redonda, craques de futebol, cozinheiros fantásticos, conselheiros espirituais; ou seja, uma verdadeira Barsa etílica.

Certa vez, me meti numa discussão em um bar. Assunto corrente: futebol, claro. Especialista que sou no jogo, não iria perder a oportunidade de mostrar ao meu oponente que não seria fácil ganhar a “quisinba”. O negócio estava feio.

Ringue montado, eu inspirado rebatendo todo tipo de argumento, as pessoas em volta vibrando, o tintilar dos copos americanos juntos aos cristais “Cica”, fumaça de cigarro. O oponente ia às cordas e voltava; eu já me divertia com tal situação. Na maior das tranquilidades, sem utilizar de argumentos ou ofensas pessoais (coisa rara em um bar).

Torcedor do Vasco que sou, é muito difícil ganhar discussões futebolísticas com teu time por baixo. Teu conhecimento sobre títulos, partidas memoráveis, artilheiros, história do clube e bons jogadores tem que estar em dia. E estava.

Em um ato impensável resolvi me levantar para consolidar minha vitória. Com o dedo em riste, me posicionei na frente do adversário e o impensável aconteceu.

Minha calça caiu. Putaquepariu! Nunca! Nem em meus piores pesadelos tal coisa tinha acontecido comigo. E todo meu conhecimento futebolístico não foi páreo para uma única frase do meu oponente:

“LEVANTA ESSA TUA CALÇA FILHO DA PUTA”.

Entre gargalhadas aleatórias, no qual tu tens que participar, se não acaba ficando enfurecido com o acontecido, fui derrotado.

Uso roupas quatro números maiores que o meu, desde a adolescência, e meus cintos nunca tinham me traído, até esse dia.

Duas coisas eu aprendi com tal episódio:

Não devemos ter plena confiança em nossos cintos e que ninguém ganha uma discussão com as calças abaixadas.

*Marcelo Guido é Jornalista, Pai da Lanna Guido e do Bento Guido e Maridão da Bia.


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