Do nordeste para a Amazônia! Governo do Estado apoia a tradição junina que já se consolidou no Amapá

Quem vê a alegria da quadra junina talvez não conheça as origens de um dos festejos mais celebrados pelos amapaenses. A tradição chegou ao Amapá a partir de 1943, com a criação do território federal, que atraiu nordestinos para trabalhar na construção da infraestrutura das cidades.

Junto com a vontade de trabalhar, os imigrantes trouxeram as festas de ‘São João’, que se adaptaram à cultura tucuju, ganharam força e hoje, estão mais organizadas e profissionais. As quadras juninas fortalecem a cultura de geração em geração, oportunizam lazer e movimentam toda uma cadeia econômica ao gerar emprego e renda para profissionais como costureiros, figurinistas e
coreógrafos.

Este ano, o Governo do Estado investe R$2 milhões na realização do Arraiá do Povo, com apresentações de 75 grupos na Cidade Junina, que será montada ao lado da Fortaleza de São José. A estrutura será composta por palco, arena de apresentações, praça de alimentação, arquibancadas, espaço para exposição de artesanato, barraca do beijo, cadeia, barraca do correio do amor, pau de sebo, entre outras atrações.

Do nordeste para a Amazônia

O consultor temático e pesquisador Cláudio Rogério explica que a presença nordestina foi essencial para impulsionar a quadra junina no Amapá.

“Esses trabalhadores trouxeram suas tradições e assim foram surgindo as festas nos bairros, com destaques para nomes como mestre Biroba, no bairro do Trem; Tia Lucinha, no Centro; mestre Jacinto, no bairro Perpétuo Socorro, que inclusive foi um dos precursores do festejo do Boi Bumbá na região. Hoje, temos muito do Amapá expresso no São João, como nosso marabaixo”, conta.

Cláudio Rogério detalha que a história da quadra junina do Amapá é diferente nos outros estados da Amazônia, quando a tradição começou com o Ciclo da Borracha, que também provocou o deslocamento de muitos nordestinos ao norte do país em busca de trabalho.

A tradição nos dias atuais

Com o passar dos anos, a festa junina se tornou mais organizada e seus participantes se profissionalizaram. Em 2012, essa organização resultou em uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Macapá e, com lei de autoria do atual governador do Amapá, Clécio Luís, vereador de Macapá à época, foi instituído o dia 27 de junho como Dia Municipal do Quadrilheiro Junino.

“A organização dos, até então, brincantes, fomentou uma movimentação política necessária para a valorização de uma manifestação cultural que agrega toda a sociedade na economia, no social, educacional, entre tantas outras esferas, nós deixamos de ser apenas ‘os brincantes’ e passamos a ser quadrilheiros, seguindo uma política de valorização nacional que já ocorria na época e volta a ocorrer agora com o maior repasse financeiro que a quadra junina já recebeu”, reforça Rogério.

Texto: Rafaela Bittencourt
Foto: Maksuel Martins/GEA
Secom – GEA

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