Dom Phillips não era e nunca foi malvisto. Malvisto, ele sim, é Jair Bolsonaro

Justiça.

Isso é o mínimo que se quer, é o mínimo que se pede após a confirmação de que o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Philips foram assassinados – brutalmente, selvagemente cruelmente, barbaramente – na região do Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas.

Eles foram mortos e esquartejados, conforme confessou um dos dois homens que estão presos. Tanto é assim que a PF informou que “remanescentes de corpos” foram encontrados e já estão em Brasília, onde serão periciados.

Essa barbárie é o retrato do Brasil.

Como também é o retrato da Amazônia – vilipendiada, agredida, saqueada e devastada em escala crescente há décadas, mas, sobretudo, nos últimos quatro anos, com o desmonte criminoso dos órgãos de fiscalização, entre eles o Ibama.

Que horror!

Mas tão horrível quanto essas mortes é assistirmos a outras mortes. Como a morte da empatia, da tolerância, da sensatez e do mais remoto resquício de humanidade.

Essas outras mortes estão aí, na vitrine do ódio destilado em dimensões tsunâmicas nas redes sociais, inundadas por milhares de assassinos de reputações, que não hesitam, por um segundo sequer, de escabujar seus recalques e a insanidade que os domina, a ponto – vejam só! – de culparem as próprias vítimas por terem sido assassinadas.

Tão escabroso e inaceitável como são essas mortes é o país, ou melhor, o mundo assistir a um elemento como Jair Bolsonaro dizer que Dom Phillips era um jornalista “malvisto” na região, porque fazia “muita matéria contra garimpeiro”.

Esperem aí: malvisto, isso sim, é Jair Bolsonaro.

Malvisto é o governo Bolsonaro.

Malvisto é o saque que o governo Bolsonaro acabou por estimular na Amazônia, quando desmontou criminosamente os órgãos de fiscalização e escancarou-a a hordas de predadores.

Malvista é a política escancarada do governo Bolsonaro, favorável a devassar áreas indígenas a garimpeiros predadores e, no caso do Vale do Javari, também a pescadores que exerciam suas atividades ilegalmente em reservas indígenas, como é o caso dos dois assassinos confessos do indigenista e do jornalista.

Malvisto é um desgoverno que está relegando o Brasil à condição de pária no concerto das Nações.

Malvisto é um cidadão sem qualquer empatia como Bolsonaro, que filtra suas simpatias conforme pendores ideológicos alimentados por preconceitos odiosos.

Servidores públicos como Bruno Pereira e jornalistas como Dom Phillips engrandecem o Brasil.

Personagens como Jair Bolsonaro o degradam.

Fonte: Espaço Aberto.

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