Dou valor! (cinco anos com a ruiva)

Dou valor no cheiro dela, nos seus cabelos vermelhos e na sua voz rouca. Dou valor na ironia fina e inteligente, às vezes visceral. Dou valor na sua loucura por literatura, música e cultura geral.

Dou valor em seus poemas. No jeito que declama e que gesticula. Dou valor como se expressa, no seu vasto e pouco usual vocabulário. Dou valor quando ela canta e me encanta. Dou valor quando ela diz: “bisurdo”, “ei doido” e ‘pretinho”.

Dou valor no seu jeito correto, com momentos “non sense”, lento e acelerado. Dou valor no seu modo calmo, pontual e sagaz. Dou valor na sua falta de urgência, na leveza e em sua paz. Dou valor em sua estranheza charmosa, nos posicionamentos seguros e na confiança que me passa.

Dou valor no papo reto, sincero, direto e franco. Dou valor nas similaridades e diferenças. Dou valor até nos embates que nos fazem melhorar. Dou valor no dedo cruzado que firma o pacto e de dizer “formô”.

Dou valor nos olhares, nas caras e bocas. Dou valor no batom com gosto de chiclete nos lábios, no estilo que se veste e até que anda. Dou valor no sabor da fruta vermelha e no perfume da rosa. Dou valor nos dias e noites felizes e no calor dentro do frio.

Dou valor em valorar detalhes, no cuidado dela comigo e no bem que ela me faz. Dou valor em quase tudo que vivo junto dela. Enfim, dou valor na bruxa com jeito de princesa. E demais valor em ser absurdamente apaixonado por ela!

*Escrevi este texto há cinco anos. Sim, há cinco anos comecei a namorar a minha bruxinha ruiva e rouca. Dentro deste período, a gente viveu tanta coisa bacana juntos que é impossível listar aqui. Também brigamos um bocado, quase matamos um ao outro de raiva e nos separamos algumas vezes também. Vivemos essa tórrida relação amorosa, cheia de emoções fortes. Já disse e repito: o amor é um grande laço, mas no nosso caso, ele é um nó cego. Te amo demais, Jaci Rocha!

Esta é uma história simples, mas não é fácil contá-la. Como uma fábula, há dor e, como uma fábula, está cheia de admiração e felicidade.” – A Vida É Bela, 1997.

Elton Tavares

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