Égua-moleque-tu-é-doido: na incerteza dos desfiles no Amapá, barracões de escolas seguem vazios

Com a não definição oficial de datas para o tradicional desfile das agremiações no carnaval no Sambódromo de Macapá em 2017, os barracões das escolas seguem vazios na Cidade do Samba, localizada na Zona Sul de Macapá. Os espaços de cinco barracões, geralmente utilizados para confecção de alegorias, estão com as portas trancadas.

O G1 percorreu nesta segunda-feira (9) os barracões da Cidade do Samba e constatou o impacto da possibilidade de cancelamento do carnaval em fevereiro. Nos locais estão estruturas antigas de alegorias, além de materiais como barras de ferro, aço, madeira e tecidos, espalhados no chão. As portas estavam trancadas e as luzes apagadas.

A Liga das Escolas de Samba do Amapá (Liesap) avalia uma proposta de transferência do evento para outro mês, ainda não definido. De acordo a liga, o projeto será oficializado junto com as agremiações.

A decisão foi motivada, segundo a entidade, pelo anúncio de indisponibilidade financeira do governo amapaense e de investidores privados para oferta de recursos no orçamento das escolas de samba e restante da programação carnavalesca.

Mesmo com a possibilidade de mudança na data, o presidente da escola Boêmios do Laguinho, Jocildo Lemos, adiantou que a escola está se preparando para desfilar em 2017, com confecção de fantasias e enredo. Sobre as alegorias, a escola diz que aguarda o posicionamento oficial da Liesap.

“Estamos trabalhando para desfilar em 2017 e por isso estamos confeccionando fantasias e vamos participar, independente da data que for definida. Sobre as alegorias, devido à data não ser divulgada, vamos aguardar para iniciar a confecção”, destacou.

A vice-presidente da escola de samba Maracatu da Favela, Ruth de Souza, reforçou que a mudança de data dos desfiles pode ser inviável para as agremiações. já que, segundo ela, o público é acostumado a acompanhar os desfiles no período carnavalesco.

Ela completa que mesmo que o desfile seja confirmado em fevereiro, não haverá tempo para que a escola inicie a confecção de alegorias e por isso, a agremiação aguarda um posicionamento oficial da Liesap.

“Ainda estamos aguardando a posição oficial da Liesap, mas avaliando a situação, vemos que tem mais tempo hábil para nos prepararmos para o carnaval em fevereiro. Não estamos trabalhando em questão de fantasias e alegorias, por causa dessa incerteza. Vamos reunir com a liga para definir se a Maracatu vai participar do carnaval em 2017”, enfatizou.

A Liesap reforça que haverá o desfile em 2017, e se ocorrer em outra data, a Liga pretende trabalhar um projeto para atrair público local e turistas para o evento, que pode ocorrer também simultâneamente com outras programações típicas do Amapá.

O G1 tenta contato telefônico com os representantes das demais escolas de samba.

Cancelamento

Em 2016, ocorreu o cancelamento do tradicional desfile das agremiações, motivado pelo não financiamento do governo amapaense para o carnaval. Foi a segunda vez em cinco anos que o desfile das escolas de samba foi cancelado por falta de incentivo financeiro do governo amapaense. A primeira vez ocorreu em 2011, também por baixa de recursos públicos.

No carnaval de 2015, último realizado com o repasse de verbas públicas, o governo investiu R$ 4,1 milhões. Parte desse dinheiro foi repassado para a Liesap, que transferiu para cada uma das dez agremiações, cerca de R$ 250 mil. O restante foi repassado para programações como A Banda, associações de blocos e outros. Em 2016, o Estado não fez o repasse para os desfiles.

Fonte: G1 Amapá

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