Embrapa Amapá promove intercâmbio entre produtores do Bailique e Xingu

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A Embrapa Amapá participou da 2ª Expedição da Rede de Sementes do Xingu, realizada em vários municípios da região Xingu Araguaia, estado do Mato Grosso. A iniciativa reuniu cerca de 50 pessoas, em um percurso de visitas in loco nas áreas de produção, beneficiamento e plantio de sementes florestais. A pesquisadora Ana Euler e a extrativista Raymunda Cordeiro Lopes, mais conhecida como dona Clara, residente na comunidade Arraiol do Bailique, estiveram na expedição, como parte da programação do Projeto Semear. Este projeto prevê o intercâmbio de experiências entre representantes do arquipélago do Bailique (Macapá, AP) e da Rede de Sementes do Xingu, que reúne atualmente 350 coletores agricultores e indígenas (www.sementesdoxingu.org.br). O objetivo central do intercâmbio é aprender com a experiência de organização da Rede de Sementes do Xingu quando à coleta, beneficiamento, armazenamento, teste de germinação, transporte e distribuição; verificar de perto a forma de organização dos produtores para a gestão do negócio; e compreender como é o relacionamento com o mercado destas sementes. “No caso do Bailique, iniciamos o projeto para atender uma comunidade, mas a ideia é que este possa ser ampliado, quem sabe no formato de uma Rede de Produtores. A demanda para isso existe, produtores rurais e indígenas têm demostrado interesse em se capacitar para produzir sementes”, observou a pesquisadora Ana Euler, responsável pelo Projeto Semear.

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A Rede de Sementes do Xingu é uma das referências do Brasil na produção de sementes florestais. Surgiu em 2007, com a proposta de produzir sementes para recuperar as nascentes dos rios do Parque Indígena do Xingu, através de trocas e encomendas de sementes de árvores e outras plantas nativas da região do Xingu, Araguaia e Tele Pires, promovendo conhecimentos sobre uso e recuperação das florestas e cerrados do Mato Grosso. O negócio já movimentou mais de R$ 2 milhões em nove anos de existência, gerando renda para centenas de famílias na região Xingu Araguaia. Além disso, as sementes possibilitaram o reflorestamento de mais de 3,5 mil hectares de florestas.

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A Expedição – De acordo com publicação da Rede de Sementes do Xingu, o objetivo principal da Expedição é mostrar o trabalho da Rede de Sementes do Xingu para coletores, financiadores, outras redes e atores envolvidos com esta cadeia produtiva. A programação iniciou com o encontro dos participantes da Expedição na Chácara Jatobá, em Canarana, para conhecer o histórico da Campanha Y Ikatu Xingu, iniciativa que deu origem à Rede de Sementes do Xingu. Na parte da tarde foi visitada a Casa de Sementes, onde são armazenadas as sementes, a qual funciona em anexo ao Viveiro Municipal de Canarana. O segundo dia da Expedição prosseguiu com visita em uma área de coleta localizada na Terra Indígena Pimentel Barboza, da etnia Xavante. Além de visitarem a área, os participantes conheceram a metodologia de coleta do grupo e como os indígenas beneficiam as sementes de sua cesta de coleta, entre eles o baru, o jatobá e o murici. O dia terminou com uma noite cultural com a feira de troca de sementes e a participação da comitiva e dos indígenas. No terceiro e último dia, os participantes foram apresentados também à muvuca, uma técnica de plantio direto de sementes florestais. “Aprendemos a preparar a muvuca, que nada mais é do que a mistura de sementes de dezenas de espécies florestais de diferentes estágios sucessionais + feijao de porco e guandu (pode ter maracujá, abóbora). Quebra-se a dormência das sementes mais duras com choque térmico. O plantio é feito lançando as sementes em áreas previamente preparadas (controle de brachiaria e outros tipos de capim). Depois o solo é gradeado para que as sementes recebam uma leve cobertura de terra, explicou Euler. Depois de preparar a muvuca, os participantes conheceram as áreas de restauro florestal na fazenda Rancho 60, localizada no município de Bom Jesus do Araguaia. A fazenda possui várias áreas de restauro com diferentes idades e estágios de desenvolvimento. Na oportunidade, foi realizado o plantio em uma nova área utilizando a técnica muvuca a partir da semeadura direta. “Este foi o dia de plantar. Momento histórico de conexão entre coletores e compradores, ver o fim da cadeia e os seus resultados no chão, acrescentando que “o mais emocionante foi a reação dos coletores, ao ver as jovens florestas crescendo e a natureza ressurgindo em meio ao campo de soja. Dona Odete, de 73 anos, disse “essa floresta também é minha, isso é fruto do nosso trabalho”. Esse plantio foi comemorado como a primeira ação da campanha Amazonia Live promovida pela organização do evento Rock’n Rio, cuja meta é plantar um milhão de árvores.

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Dulcivânia Freitas, Jornalista DRT/PB 1063-96
Embrapa Amapá
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Macapá/AP

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Telefone: + 55 (96) 3203-0287 / 98137-7559 I

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