Entre a vida e a vida – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Fui diagnosticado com uma úlcera braba e uma gastrite meio leve. Mas calma aí, galera! Não estou aqui para me lamuriar. Vim para mostrar que pode haver coisas bacanas atrás de notícias ruins.

O médico foi taxativo ao olhar os exames e me encarar, falando sem rodeios:
– Você tem que fazer uma escolha entre duas coisas: a vida ou a vida!

– Como assim, doutor? – Tive vontade de perguntar, mas eu sabia muito bem o que ele estava dizendo.

– Sim! A vida ou a vida! – Ele continuou – Ou seja, a vida: o prolongamento da sua existência, a perspectiva de mais alguns anos entre os seus entes, a possibilidade de várias realizações. Ou a outra vida: essa vida louca de bebedeiras e madrugadas. As duas coisas não podem conviver!

Como ele soube que eu bebia muito? Ah, sim. Eu havia dito (rsrsrs). Achei que ele pegou pesado, mas melhor assim, pois o efeito foi imediato. Eu, que já havia deixado a cerveja e o cigarro para fazer os exames que ele solicitou, resolvi naquele momento prolongar o saudável jejum de álcool e nicotina.

Saibam, meus caros leitores, que estou seguindo à risca o que o médico aconselhou (ou ameaçou?), com os remédios receitados e também tirei da minha dieta itens como refrigerantes, sucos industrializados e agora estou só nos alimentos integrais, como pão, arroz, macarrão e comidas temperadas da forma mais natural possível. Para não ficar muito longe da cerveja, estou tomando cevada, que pode ser sorvida da mesma forma que o nosso precioso café.

Por falar em cerveja, parei de beber e até agora não sofri nenhuma crise de abstinência nem o desejo incontrolável por um trago. Também não estou evitando amigos que bebem nem fugindo de ambientes onde circula bebida. E aí me veio a constatação de que não sou alcoólatra, como suspeitava (e as muitas noites de bebedeira indicavam). O abandono do cigarro também não causou dependência física e também não preciso me afastar de amigos tabagistas. O que ficou abalado foi o Bar do Seu Jaime, pois as minhas noitadas de farra garantiam quase a metade do faturamento (rsrsrs). Mas ainda vou lá jogar bilhar, beber água e bater-papo com os parceiros.

E as receitas caseiras que me chegam? Basta saber que estou em tratamento de estômago que muita gente passa a me receitar chás, ervas e outras especialidades da medicina popular. É importante – dizem essas pessoas – não ficar só nos remédios da farmácia e no conhecimento dos médicos, mas inserir também a sabedoria dos nossos ancestrais. E o que acho disso? Eu boto fé!

E aqui vou eu experimentando a lombra da normalidade e, pode acreditar, tá sendo o maior barato! Saúde!

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