Escritos de insônia (textos-dropes de Ronaldo Rodrigues)

Chegará o dia em que você, saindo de casa, já no jardim, se dirigindo à garagem, dará por falta das chaves do carro.
Aí será tarde demais.
Você terá que prosseguir a pé todo o seu caminho.
 
O espelho se recusou a me olhar de frente.
Pior pra ele.
O cinzeiro o acertou em cheio.
Ficaram os estilhaços do meu rosto 
espalhados/espelhados pelo chão.

 

Os ossos dos meus ancestrais andam junto comigo.
Fazem parte do meu esqueleto.
Dividem comigo os rangidos e gemidos do meu reumatismo.
 
Existe um momento da vida em que você é o mocinho do filme que tem que desarmar uma bomba, salvar a humanidade e beijar a mocinha.

Para isso você só precisa cortar um fiozinho vermelho ou um fiozinho azul.
Quando esse momento chegar, largue tudo e vá tomar uma cerveja.

 

O ventilador oscilando pra lá oscilando pra cá pra lá pra cá pra lá pra cá acaba de me hipnotizar.
 
Mulheres são amantes e mães.
Às vezes nos confundimos e ficamos entre seus seios.
Tentando descobrir qual deles sugar com volúpia.
Qual deles sorver com paixão.

 

Quando nascemos viemos nus.
É a gloriosa mecânica da vida.
Viemos nus pra que venham a Família, a Sociedade, 
o Estado e a Religião nos cobrir de roupas, ideias, comportamentos, dogmas…
E fazer alguns de nós pensar que é possível lutar contra tudo isso.
 
Ronaldo Rodrigues
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