Eu e minha mãe – Crônica linda de Lulih Rojanski

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Aí estamos, eu e minha mãe, numa tarde de um desses invernos passados em que todos diziam que o mundo ia acabar. Antes de sair, desliguei a TV, onde o jornal exibia a profecia, escrevi um texto de boas vindas ao apocalipse, vesti meu vestido mais vistoso para uma tarde de sábado e fui para a praça ver a vida passar. Sentei num banco, minha mãe se sentou comigo, segurou minha mão e me disse para confiar. Foi nessa tarde que meu velho mundo acabou. E sobre suas cinzas foi possível plantar o novo, com tudo o que hoje me faz feliz. Pela pieguice dessas palavras, eu me perdoo. Quanto à presença de minha mãe comigo, há quem a veja, há quem não. É preciso que se olhe com a delicadeza com que se deve olhar para os anjos.

Lulih Rojanski – Escritora

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