Favela prepara tradicional Ciclo do Marabaixo com adaptações para garantir mais sossego e segurança


A preparação para o Ciclo do Marabaixo ganha os contornos finais no bairro Santa Rita, onde a Associação Cultural Berço das Tradições Amapaenses realiza os festejos para a Santíssima Trindade. De 19 de abril, Sábado da Aleluia, a 22 de junho, a família Costa, descendentes de Gertrudes Saturnino, recebe os brincantes e devotos para mais um Ciclo do Marabaixo, que este ano será um dos maiores já realizados. Marilda Costa, presidente da entidade, garante a manutenção da cultura, política ambiental e mais segurança.

Conhecido popularmente como Favela, o bairro Santa Rita iniciou como o Laguinho, da transferência dos moradores, na maioria negros, da frente de Macapá, para estas duas áreas, que povoaram e levaram suas tradições, como a cultura do marabaixo. Dona Gertrudes é a mais forte referência desta época e liderou a mudança. Entre os treze filhos que gerou, está dona Natalina Costa, de 84 anos, moradora da casa onde acontecem os festejos na Favela e matriarca da Associação Berço do Marabaixo.

Durante três meses serão realizados marabaixos, novenas e missa. A tradição é mantida, mas com algumas adaptações, como a inclusão de medidas que garantam a manutenção da natureza, o direito ao silêncio dos moradores e a segurança. O costume de retirar mastro no Curiaú continua, mas, em vez de dois mastros para a Santíssima Trindade, apenas um é cortado, o outro foi substituído foi um cilindro de fibra, do mesmo tamanho e circunferência do natural. Os devotos trazem ainda do Curiaú, pés de árvores nativas para serem plantadas em uma área do bairro.

Para assegurar que os moradores que não participam tenham sossego, os fogos são acesos somente até 22h, e os Bailes dos Sócios foram substituídos por rodadas de marabaixo. “Temos a responsabilidade de não deixar a tradição acabar, mas temos que nos adaptar à realidade. Não soltamos mais fogos a noite inteira porque moramos em uma área urbana e temos que respeitar a comunidade, e os bailes foram substituídos porque no marabaixo, vai quem gosta, e os bailes, muitas vezes atraem pessoas que vêm só para fazer confusão, por isso a mudança”, diz Marilda Costa.  

Texto: Mariléia Maciel 
Fotos: Márcia do Carmo
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