Fazendo turismo pelas praias tucujus – @gilvana_ap

Praia de Goiabal, no município de Calçoene. Foto: Márcia do Carmo.

Por Gilvana Santos, jornalista

Viajar pelo interior do Amapá em julho parecia não ser uma opção de muitos, mas mudei essa impressão quando resolvi ir com minha irmã e um grupo de amigos passar o último final de semana do “mês das férias escolares” na Praia de Goiabal, município de Calçoene, distante 374 km da capital amapaense. O balneário é o único do Estado banhado por águas oceânicas, sim o Amapá tem praia com água salgada, apesar da cor barrenta por influência do majestoso Rio Amazonas, que diariamente é fonte de inspiração para nós que moramos na capital Macapá.

Na chegada fomos recepcionados por uma placa dando boas-vindas ao “Goiabal Verão”, e logo pudemos perceber que ali seria impossível pernoitar por falta de espaço. Apesar da enorme extensão de praia foi montada uma estrutura para o evento, com um grande palco para shows e praça de alimentação organizada para os empreendedores comercializarem comidas e bebidas, foi então que deduzimos pelo número de carros e banhistas que não teria lugar para ficarmos.

No local existem algumas pousadas da Prefeitura de Calçoene, creio que 10 no total, mas que estavam todas lotadas por famílias que alugam com bastante antecedência, além dos bares e casas dos moradores da vila. Todas como dizemos por aqui, “com gente saindo pelo ladrão”, redes penduradas por todos os esteios disponíveis.

Praia de Goiabal, no município de Calçoene. Foto: Márcia do Carmo.

A praia é linda, segundo informações tem uns 70 km de extensão, mas como chegamos em um horário em que estava com “maré baixa”, a sensação era de muitos quilômetros a mais. Avistar as águas do Atlântico implicam em uma boa caminhada, passando por um pequeno filete de água rasa mais próximo da margem, e o risco de tentar tomar um banho é grande, pois tal qual como a famosa praia de Salinas, no vizinho Estado do Pará, a água sobre muito rapidamente e pela margem, deixando ilhadas as pessoas que se aventuram a ir mais longe. O pequeno filete de água se transforma no perigoso canal, com forte corrente marítima, que já vitimou algumas pessoas.

Praia de Goiabal, no município de Calçoene. Foto: Márcia do Carmo.

O dia estava perfeito, ensolarado, com um cenário deslumbrante de areia e mar se misturando como pintura em aquarela, além é claro da agradável e divertida companhia dos amigos. O povo do local atencioso e simpático, e à medida que o tempo ia passando o número de banhistas ia multiplicando. Caranguejo “dava na canela”, o camarão no bafo não podia faltar, mas um município que tem a pesca como uma das principais atividades econômicas não poderia deixar de oferecer um bom peixe para os visitantes, e a novidade era a tainha, que assada de brasa é uma delícia.

Como bons aventureiros – prefiro denominar dessa forma porque ninguém gosta de ser chamado de “farofeiro”, muito menos eu e meus amigos (risos) – levamos nossa cerveja, churrasqueira, mesas e cadeiras, além de um potente som na carroceria de um dos carros, o nosso próprio “pop som”, mas esquecemos o guarda-sol e para minha pele de laguinhense do Paraguai, tive que me recolher a um dos estabelecimentos e aguardar o sol do final da tarde.

Praia de Goiabal, no município de Calçoene. Foto: Márcia do Carmo.

Quando o sol baixou, voltamos à praia e com a maré enchendo fomos dar o tão ansiado mergulho na Praia de Goiabal. Deixamos as saídas de praia a alguns metros da água, e mal conseguimos nos molhar nos demos conta que a maré já as estava levando para Iemanjá. Bem próximo um trio de salva-vidas do Corpo de Bombeiros observava atentamente os banhistas, mas felizmente estão ali para proteger pessoas e não suas roupas.

Praia de Goiabal, no município de Calçoene. Foto: Márcia do Carmo.

Por falar em banho e roupas, a noite prometia com o show da Banda AR-15, e precisávamos encontrar um lugar para tirar a areia, o sal e o protetor solar do corpo e nos “aprontar” para a festa. Passamos um “óleo de peroba” e abordamos a primeira veranista que encontramos em uma das pousadas da praia. Para nosso espanto e admiração, sem sequer perguntar quem éramos, a Luciana foi logo abrindo as portas para que nós todos pudéssemos tomar banho. Ficamos muito felizes e elogiamos a sua receptividade e solidariedade em nos acolher com tanta simpatia. Enquanto agradecia, fiquei sabendo que se tratava da secretária de Administração de Calçoene, Luciana Palmeira, o que nos causou mais admiração e gratidão pela mão estendida sem saber a quem estava ajudando, ou seja, sem nenhum interesse, senão de retribuir nossa presença.

Como diz o dito popular: “fazer o bem, sem olhar a quem”, convenhamos, uma raridade nos dias atuais. E, com o registro desse gesto encerramos o ótimo dia em Goiabal, claro que só depois de degustarmos um bom peixe frito apreciando a lua e o vento frio vindo do mar.

Cachoeira Grande. Foto: Gilvana Santos.

Sim, nossa viagem continuou. Por conta de que um dos integrantes desta aventura não conhecia nossos principais pontos turísticos do Estado, resolvemos ir para outro balneário de Calçoene, a Cachoeira Grande. Lá estava sendo realizado o “Amapá Verão”. Não pense que errei no título do evento, pois é grande a confusão pelo fato do balneário ficar nos limites e bem mais próximo da sede do município de Amapá.

A cachoeira, neste período de final das chuvas, mais parece uma corredeira por conta das altas dos rios. É um bom local para visitar, mas não aconselho a ir no último domingo de julho por ser um espaço relativamente pequeno para a enorme disputa de banhistas e veranistas procurando as águas doces para se refrescar do sol escaldante do verão amazônico.

Ferreira Gomes. Foto: Gilvana Santos.

Terminamos nosso tour pela não menos ocupada praia às margens do Rio Araguari, na sede do município de Ferreira Gomes. Mesmo com todos os problemas ambientais causados pela exploração do potencial hídrico do um dos principais rios do Estado, ainda é um belo e ótimo lugar para ir no verão, com boa estrutura de pousadas para receber os turistas de última hora.

Claro que se você quiser conhecer esses lugares é bom se programar com certa antecedência, porque os municípios possuem estrutura de pousadas para receber os turistas, mas com pouca disponibilidade de leitos. E, não deixe de levar um kit mínimo de “aventureiro”: isopor com as bebidas, cadeiras, guarda-sol e uma boa dose de desprendimento e disposição para olhar o lado bom das coisas, pois nossos municípios ainda carecem de um trabalho para incentivar projetos de valorização dos espaços para o turismo com estruturas mais adequadas, principalmente de banheiros, e com incentivo ao empreendedorismo.

Fotos: Márcia do Carmo. 

  • Um interessante relato! Demonstra que nosso Estado tem um grande potencial turístico, povo hospitaleiro e excelentes lugares para passar um fim de semana. Parabéns, amiga Gilvana Santos!!!

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