Gírias e expressões do Amapá* – (Macapá 263 anos)

Cadernos artesanais com gírias do norte produzidos por Camila Karina (saca lá: https://www.instagram.com/camila_karina/ )

Atire a primeira gramática quem nunca falou uma gíria! Uma expressão tipicamente do Norte.

Se você não tem o hábito de falar “girioguês”, ponto pra você, que mantém a beleza de um bom português falado; mas há de concordar que o nortista tem uma irreverência singular quando se trata da língua portuguesa.

Já você, que não tem mais a noção do que é uma gramática, seu estado verbal é grave, procure o dicionário urgentemente, pois você corre o risco de não ser compreendido.

Muitos blogs já retrataram algumas expressões engraçadas e peculiares da nossa linguagem, mas recolhemos tudo que achamos e resolvemos explicar, da melhor forma, os seus respectivos sentidos. Aprenda, se informe e gargalhe.

No Amapá a gente fala:

Paid’égua! (muito legal!); Eita porra! (impressionado); Mas uh caralho! (muita admiração); Maninho, maninha (pode ser para qualquer pessoa, conhecido ou não); De rocha! (palavra ou assunto com convicção); Não, é cuia! (claro que é); Não, é pão! (claro que é também); Muito escroto (muito ruim); Nããooooooooo (ironizando uma negação); Égua, moleque, tu é doido! (fato realmente surpreendente); Fooolêgo! (muita admiração); Égua da largura! (muita sorte); Égua, moleque! (surpresa, alegria, raiva, este é muito usado); Vai querer queixar? (vais me negar?); Gala seca (idiota); Rapidola (rapidinho); Égua da potoca (que mentira); Ulha, disque! (espanto com desdém); Pega-te (tome esta ou pegue esta, torcida por um ponto feito ou gol marcado); Tu jura, não? (claro que não); Táááá, não! (nunca); Bora lá só tu! (Eu não irei); Tá lá uma hora dessas (eu não); Essa é de grife do varal (roupa roubada); Discunjuro até! (por conta do termo “Te esconjuro”, tipo Deus me livre); Levou o farelo (morreu); Só o filé da gurijuba e só a polpa da bacaba (bacana, legal, ótimo); Já tá do meio-dia pra tarde (quase acabando, velho ou quase morto); Ele é do tempo da calça “tucandeira” (calça com a barra curta). Taááá, “cheiroso!” (o mesmo de Tu Juura!); Virar o zêzeu (botar pra quebrar); Quede mano? (onde está?); Hum, tá não! (nem pensar); Tu acha isso bonito? (reprovação); Tá remando pra beira (tomando cuidado, voltando atrás, sendo cauteloso); Tu é o belo velho (O mesmo que “tá, cheiroso!); Esse é peidado do juízo (Este é louco); Paga uma aí (pague uma bebida); Só te dou-te na cara (vou te bater); É pissica da braba (mandinga); Só pode ser feitiço (quando algo dá errado); Vigia o que tu tás fazendo (preste atenção).

Vigia bem (preste muita atenção); Miudinho (pequeno); Logo quem, não? (já esperava isto dele); Muito enxerido! (intrometido); Bora lá (vamos lá); Umborimbora? (vamos embora?); Ééééééééguaaaa (muito espanto, surpresa); Égua, mas tu é muito cabeça de pica né? (gala-seca, otário); Zé ruela (babaca); Abestado (besta); Mas tu é muito pau no cu (abestado, idiota); Levou ou deu “um Nike” (levou um fora); Dizar (deu um fora, se esquivou); Asilando (dando em cima, paquerando); Na moral (na cara de pau); Paga pau (dá muita moral, invejoso); Migué (Mentira, mentiroso); Égua, não! (não acredito). Não, que não. (afirmando com convicção); Pior né? (afirmação tipo: é verdade!); Porrudo (algo grande); É o vai da estrela (com certeza ele(a) não vai); Charlando (se exibindo); Arreda aê (afasta aí); Teu cu (claro que não).

*(Texto que escrevi em parceria com a jornalista Camila Karina (saquem lá as artes dela: https://www.instagram.com/camila_karina/ ), em 2010 e republicado hoje pelos 263 anos de Macapá) – Elton Tavares

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