Há 36 anos Fernando Canto lançou seu primeiro livro – @fernando__canto Via @alcinea

Alcineá Cavalcante e Fernando Canto. Poetas e escritores. Foto: Flávio Cavalcante.

Por Alcinéa Cavalcante

Há 36 anos Fernando Canto lançou seu primeiro livro: “Os periquitos comem manga na avenida”, uma obra maravilhosa que, inclusive, merece uma segunda edição. O lançamento foi na praça Veiga Cabral e contou com a presença dos mais expressivos poetas, músicos, escritores e demais artistas. Foi um sucesso. De lá pra cá Fernando já publicou mais de 15 livros (poesias, contos e crônicas), participa de importantes antologias nacionais e acumula premiações.

Fernando autografando o livro para o poeta Alcy Araujo, que fez o prefácio da obra – Foto: acervo da Alcinéa

Fernando autografando o livro para o poeta Alcy Araujo, que fez o prefácio da obra

Mas, voltando ao primeiro livro. O sucesso foi tanto que Fernando foi chamado para lançar também em outros estados como, por exemplo no Rio Janeiro, a convite do Sindicato dos Escritores daquele Estado. E foi notícia na imprensa carioca.

Em artigo publicado no “Jornal do País” em março de 1985 o poeta Ivo Torres escreveu que “Os Periquitos Comem Mangas na Avenida, a partir do saboroso título, é trabalho belo, colorido, seivado de amor”

Do meu baú, resgatei o artigo. Leiam:

“OS PERIQUITOS COMEM MANGAS NA AVENIDA
Por Ivo Torres (*)

Sereno, lídimo, aparentando timidez, porém vigorosamente desperto – como diz todo bom caboclo da Amazônia – o poeta Fernando Canto desceu no céu cultural do Rio, sobraçando, altaneiro, os “Periquitos Comem mangas na Avenida”, seu primeiro volume de poemas, editado em Macapá, Território do Amapá, e aqui lançado numa bonita e comovente festa promovida pelo Sindicato dos Escritores do Rio de janeiro.

Não só desceu como ascendeu. Porque Fernando canto estreia, entretanto não é estreante. Trata-se de valioso poeta: claro, apurado, instigante, esperto inventor. às vezes amargo, amargurado, triste; outras vezes alegre, cordial, amoroso. Mas sempre digno intérprete do chão e da chama da sortilégica região norte brasileira.

Os Periquitos Comem Mangas na Avenida, a partir do saboroso título, é trabalho belo, colorido, seivado de amor, perpassado de magias encantadas, decantadas por Fernando, com singelas ilustrações do artista plástico amapaense Manoel Bispo.

Mais ainda: o autor mergulha passional, responsável e competente, na temática amazônica, sem atoleimar-se contudo, na pieguice, na empáfia discursiva, tão comuns aos que se aventuram a cantar ou contar o regional.

E o poeta atinge outros pontos de fulgor:

“o mais difícil
É mastigar o eterno
E engolir a flor”.

Pontos de rubor: “É na decisão do nó
Que a corda aperta o laço”.

Pontos de sonhador:
“Ainda acredito que o sonho do gato
É pegar o pássaro”.

O lugar do poeta é à frente, na vanguarda do acontecer, na pulsação consciente do instante histórico. A poesia continua e continuará sendo o idioma natural e adequado para a compreensão e identidade dos homens.

No momento em que, nós brasileiros, estamos empenhados na construção democrática do nosso País, muito justo, portanto, registrar e louvar, um poeta do Amapá nos trazendo, solidário, sua contribuição ao necessário dever de amarmos a perenidade das nossas coisas e da nossa gente.”

Ivo Torres – Foto: Blog da Alcinéa

Ivo Torres é poeta, escritor e administrador. Autor dos 18 livros de poesia , entre os quais “Cromossomos”, “O Trono do Amor”. Participou da Antologia dos Modernos Poetas do Amapá (1960) e aqui no Amapá dirigiu e escreveu em várias revistas, juntamente com Alcy Araújo e Álvaro da Cunha. Foi um dos fundadores e diretor da Revista Rumo, Clube de Arte Rumo e Editora Rumo, foi presidente da Associação Amapaense de Imprensa e Rádio e da Sociedade Artística Amapaense.

No Rio de Janeiro foi subsecretário de Planejamento do Governo Brizola e é membro fundador do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, junto com José Louzeiro.

Aos 89 anos Ivo Torres continua super ativo no Rio Janeiro e está como novo livro para ser lançado ainda este ano.

Fonte: Blog da Alcinéa.

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