Heterofobia?!

                                                                                              Por Silvio Carneiro

Cena 1: O garoto está sofrendo bulling na escola. Os pais são chamados por que o garoto, irritado com as ofensas e perseguições constantes, acaba perdendo a paciência e sai no braço com dois ou três “agressores”. Os pais, preocupados, escutam atentamente as palavras da diretora da escola: “Nós entendemos que seu filho sofreu perseguição e é vítima constante de preconceito. Mas nem por isso ele tem o direito de agredir os outros fisicamente. Nós podemos indicar um psicólogo para vocês conversarem. Ele é especializado nesses casos de heterossexualismo…”

Os pais, já em meio a prantos perguntam atônitos: “Como? A senhora falou heterossexualismo?!”

E a diretora afirma contrita: “Sim. Infelizmente seu filho gosta de meninas. Ele é heterossexual”.

Final de cena: O rapaz vai passar o resto de sua vida em longas terapias e sofrendo preconceitos por gostar do sexo oposto. Talvez ele encontre alguém como ele (no caso, uma mulher que goste de homem), mas vai ser difícil pra um casal como eles, que são uma minoria, viverem felizes para sempre…
Cena 2: Finalmente chegou o grande dia! Marina vai apresentar seus pais ao grande amor da sua vida. Ela está um pouco aflita e insegura com a situação, mas acha que o amor pode vencer tudo, inclusive o preconceito. Marina chega para Estela, respira fundo e diz: “Meu amor, antes de levar você para conhecer meus pais, eu preciso te confessar uma coisa… Não sei nem como falar isso…” [olhos marejados]

Estela conforta Marina: “Pode falar, meu amor! Você sabe que eu te amo muito e, nada do que você venha me contar, poderá acabar o que eu sinto por você. Nós vamos casar, encomendar um bebê por inseminação artificial e ser muito felizes juntas…”.

Marina respira fundo e confessa: “Estela, meus pais são heterossexuais. São um homem e uma mulher de verdade, vivendo juntos. E eu fui realmente concebida pelos dois….”.
Estela abraça Marina ternamente, tentando disfarçar o choque da confissão.
Final de cena: Marina casa com Estela, numa cerimônia simples e discreta com pouquíssimos amigos. Apenas os mais chegados. Os pais de Marina não foram convidados (para não deixar os convidados constrangidos, afinal, eram um um casal hétero!). Marina dizia para os convidados que seus pais estavam num cruzeiro LGBT pela Europa até a Ásia e não conseguiram passagem a tempo para ver o casamento.
Estas duas cenas ainda parecem absurdas para você? Pois, pelas tendências de moda e cultura que estamos vendo por aí a todo momento, cenas como estas serão cada vez mais comuns daqui para frente.
E antes que você me julgue de homofóbico, devo dizer que esse texto não tem pretensão nenhuma de julgar o que é “certo” ou “errado”. A idéia aqui é simplesmente discutir um futuro que me deixa assustado. E garanto que assusta muita gente por aí a fora.
Entendam (meninos/meninas) eu sou plenamente a favor de todas as formas de amor e relacionamento e tenho grandes amigos/amigas homossexuais. Mas está cada vez mais claro que eles estão deixando de ser uma “minoria”. Seja pela moda, pelas novas tendências culturais ou pela natureza própria das coisas, as definições sobre sexualidade humana estão se tornando cada vez mais indefinidas.
Se isso é bom ou ruim, só o tempo dirá. O fato é que a cada dia devemos estar mais e mais preparados para encarar todas essas mudanças com naturalidade, pois se hoje os héteros ainda insistem em descriminar os homo, num futuro bem próximo cenas como as descritas lá no início desse texto poderão estar acontecendo bem dentro de nossas casas.

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