Hoje é o Dia da Luta Antimanicomial – Por Janisse Carvalho

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Pelo que lutamos é o que dá sentido a nossa vida!

Ao me graduar em psicologia em 1996 não tinha muita noção das coisas, e nem acredito que hoje a tenho por completo (risos) – com certeza estou em busca de; mas o fato é que quando estamos no processo de graduação os fenômenos que estudamos não estão muito claros. Assim foi comigo quando iniciei meu estágio num hospital psiquiátrico no Pará. 10320374_604908682938125_8556550675787846300_nLá a única certeza que tinha é que aquele tipo de “tratamento” não era legal e alguma coisa precisava ser feita para transformar a realidade da vida das pessoas que viviam literalmente abandonadas, assim como também com relação a suas famílias e com os trabalhadores que lá perdiam sua saúde.

Foi então que dei o starte para encontrar uma solução. Não tardou, conheci o Movimento da Luta Antimanicomial brasileiro e por conseguinte o movimento de reforma psiquiátrica italiana. Aos poucos os princípios que me moviam e movem até hoje nessas lutas, foi tomando conta de mim, de meus pensamentos, de meus juízos de valor. Mexeu com todas as minhas certezas naturalizadas e bem acomodadas em discursos que mais tarde qualifiquei de preconceituosos ou superficiais. Lemas como respeito às diferenças, tolerância, compaixão, diversidade, consciência crítica, humanidade me transformaram. Pra mim, para melhor.1379611_546362545444695_1775662244_n

Hoje, continuo mergulhando nestes e em outros conceitos, como política, democracia, direitos de cidadania e emancipação humana. E nesse mergulho a realidade se revela e me faz afirmar que aquilo pelo que lutamos nessa vida, dá sentido a ela (vida).

A aprovação da Lei 10.216/2001 foi só mais um passo concretizado rumo a uma sociedade mais democrática e fortalecida politicamente. Hoje convivo com pessoas que ainda vivem em situação de sofrimento e que precisam de acompanhamento psicossocial, mas que suas existências ganharam um sentido quando foram chamadas a participar da nossa “maravilhosa” vida em sociedade, sem serem internadas, segregadas e estigmatizadas (este ultimo ainda é um processo em desconstrução). 1378733_544484888965794_186461783_n (1)É obvio que ainda tempos desafios enormes para enfrentar, como a falta de assistência, inoperância dos governos, desvio de verbas publicas, privatização da saúde pública, e problemas mais estruturais como desemprego, desigualdade social e exploração capitalista da força de trabalho.

Mas mesmo assim, isso não nos impede de dizer que estamos no caminho mais acertado, pelo menos dadas as condicionantes históricas e salvaguardado o fato de que somos sujeitos fazendo a história, transformando vidas, inclusive a nossa!images (4)

Por uma sociedade sem manicômios!

Por uma sociedade que estimule a consciência critica e nos faça mais humanos.

Janisse Carvalho, psicóloga, professora universitária e militante antimanicomial

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