Homenagem ao Zeca Mont’alverne

                                                                                                       Por Elton Tavares

José Sebastião de Mont’alverne – Foto: Blog Canto da Amazônia
O Centro de Cultura Pura Raiz homenageará amanhã (26), ás 20h, na sede da entidade, localizada na Avenida Piauí, nº 971, no bairro Pacoval, zona Norte de Macapá, o músico amapaense José Sebastião de Mont’alverne. O instrumentista receberá a honraria por ter contribuído, durante 50 anos, para a o desenvolvimento da música do Amapá.
O Centro de Cultura Pura Raiz
O Centro, que também é conhecido Casa de Chorinho, é propriedade do músico “Ceará da Cuíca”, como é popularmente chamado em Macapá. O local, fundado em 2008, incentiva a cultura musical da cidade e já tem fama pela qualidade de suas promoções e público fiel, amantes do chorinho e samba de raiz.

José Sebastião de Mont’alverne

José Sebastião de Mont’alverne, o “Zeca”, “Caboquinho” ou “Sabá”, é um dos (senão o melhor) melhores violonistas do Amapá. O instrumentista nasceu em Belém (PA), em 1945. Filho do fazendeiro José Jucá de Mont’alverne e da professora Aracy Miranda de Mont’alverne. Passou sua infância, desde o 1ª ano de vida, no interior do extinto Território Federal do Amapá, na fazenda Redenção, propriedade de seu genitor.

Sebastião foi alfabetizado por sua mãe, fez todo o ensino fundamental, antigo primário, com sua genitora. Sabá aprendeu a tocar com o violão da mãe, um Digiorgio que ela guardava no guarda-roupa e Zeca tocava escondido. Dona Aracy chegou a proibi-lo, já que ser tocador era “coisa de boêmio” e ela que o filho estudasse.

Sabá só veio morar na capital amapaense aos 12 anos de idade, mas aos nove, o então menino, que tinha fascínio pela música e já era um violonista autodidata, sim, aprendeu só, mas ouviu muitos conselhos para melhorar como músico, como o do seu tio, Jurandir, que lhe disse para nunca bater nas cordas e sim tocá-las.

Zeca se inscreveu no programa “Clube do Gurí”, da Rádio Difusora de Macapá. Na época, o Caboquinho foi incentivado pelo músico Nonato Leal, seu irmão Oleno Leal, além de Walter Banhos. Logo o menino, que evoluiu rápido, estava solando, tornou-se um exímio violonista e entrou para a Regional daquele veículo, acompanhando cantores na rádio como Miltinho, Rosimary, Walter Bandeira.

Ainda jovem, tocou, em Belém, com o cantor Orlando Pereira e banda The Kings, que se apresentavam nos clubes do Remo, Payssandú e Tuna Luso Brasileira. O Caboquinho também foi integrante da banda Os Cometas, que fez muito sucesso no Amapá.

Sebastião Mont’alverne, que era fã do violonista Baden Powell, tocou ao lado de muitos instrumentistas famosos como Sebastião Tapajós, Salomão Habib, Paulo Porto Alegre e Nego Nelson.

Algumas curiosidades sobre o Caboquinho: Ele é o único afinador de piano do Amapá. Em 1980, ele fez um curso em São Paulo, que o habilitou para a função. Zeca também foi, em 1962, fotógrafo da campanha do ex governador do Amapá, Janary Nunes, á deputado. Sebastião foi um dos fundadores do “Bar do Gilson”, local que reúne os melhores e mais respeitados músicos de Belém.

Sabá foi professor de violão Clássico, por cinco anos, na Escola Walkíria Lima, aonde chegou ao cargo de diretor. Ocupou o mesmo cargo na Escola de Música Almir Brenha e, em 1997, trabalhou na assessoria de comunicação do Instituto de Previdência do Amapá (Ipeap).

Em 2001, Sebastião participou do projeto “Pedagogia Sabiá”, que ensinava música nas escolas da rede pública. O Caboquinho trabalhou também na Universidade Federal do Amapá (Unifap), hoje está aposentado do serviço público.

A Prefeitura de Macapá (PMM) o homenageou, em 2005, com uma Placa, pela grande contribuição para a musicalidade do Amapá. O Conselho Estadual de Cultura o honrou, em 2008, com a “Medalha a Cultura”, pela vida dedicada á música.

Enfim, contei um pouco da trajetória de um ícone da música local. O Sebastião Mont’alverne, ou “mestre”, como o chamo carinhosamente, é uma figuraça, homem de bem, que criou três filhos (inclusive, um deles é o meu grande amigo/irmão, Gustavo Mont’alverne, o popular “Guga”) com muita dignidade.

Falando no Guga, é melhor vocês lerem o que ele disse sobre o pai:

“Meu pai é um símbolo de respeito, motivo de orgulho e admiração. Eu o tenho como um grande amigo, carinhoso e atencioso, o tipo de pai que todos deveriam ter.”

Finalizo este post convidando todos os que se interessam por música e cultura a prestigiar o evento. Parabéns aos organizadores da homenagem, o Caboquinho, com seus acordes fantásticos, tocando estilos diversos como choro, bossa nova e samba, fez por merecer e MUITO!

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