Ifap prevê aulas on-line a partir de setembro para veteranos; Unifap e Ueap seguem sem previsão

Por Karina Rodrigues e Nixon Frank

A pandemia da Covid-19 afetou o cronograma de aulas das instituições de ensino superior do estado desde março. O Instituto Federal do Amapá (Ifap) informou que prevê retomada do ano letivo para estudantes veteranos do último ano dos cursos no mês de setembro, no formato remoto.

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) e a Universidade do Estado do Amapá (Ueap) planejam maneiras seguras e acessíveis para retomada do ano letivo nem que seja no ambiente virtual, no entanto não há previsão para isso.

Somando as três instituições, são aproximadamente 16 mil estudantes com as aulas suspensas devido à pandemia. O primeiro semestre do ano já encerrou, o segundo começou, e as aulas ainda não foram retomadas nem presencialmente e nem à distância.

O Ministério da Educação autorizou que as atividades não presenciais sejam contadas no calendário do ano letivo para cumprir a carga horária mínima obrigatória. Isso vale para todas as etapas de ensino. Veja a seguir a situação em cada instituição com ensino superior no estado:

Instituto Federal do Amapá — Foto: Carlos Alberto Jr/G1

Ifap

No Instituto Federal, os concluintes de curso têm aulas remotas a partir de 2 de setembro. Para que o método seja acessível a todos, o órgão informou que organiza um edital para oferecer auxílio aos estudantes em risco social.

Foi criado um plano para coletar informações da comunidade escolar para subsidiar o planejamento de retorno das atividades presenciais na instituição. No fim de julho, o Ifap anunciou que a maioria das 2 mil participações – de estudantes, familiares, servidores e terceirizados – relatou não se sentir segura para retornar.

“Nos mostrou a percepção da sociedade acerca desse período de pandemia. Como resultado, foi possível concluir que a sociedade não está preparada para um retorno presencial das atividades. Além desse cenário, optamos para o próximo dia 2 de setembro retornarmos com as atividades acadêmicas de forma remota dos alunos concluintes do ano de 2020”, declarou o pró-reitor de Extensão do Ifap, Romaro Silva.

Para esse retorno das atividades a distância, o pró-reitor de Ensino do Ifap, Victor Hugo Sales, explicou que há o planejamento para auxiliar professores e alunos.

Foto de arquivo do campus Marco Zero da Universidade Federal do Amapá, em Macapá — Foto: John Pacheco/G1

Unifap

“Estamos desenvolvendo uma instrução normativa que irá orientar nossos servidores para as atividades do ensino remoto emergencial. Uma outra ação que está sendo desenvolvida é a elaboração de um edital que tem o objetivo de subsidiar auxílio de conectividade dos nossos alunos para o acompanhamento das aulas”, descreveu.

Diego Balieiro é acadêmico de jornalismo na Unifap, ia se formar esse ano, mas, com a suspensão das aulas, não tem nem previsão da data da formatura.

“Eu fico muito triste de ter perdido esse ano porque eu ia apresentar o TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] agora no final do ano, estava tudo programado, e as disciplinas finais, só que veio a pandemia, acabou adiando todos esses planos. Não sei agora quando eu vou me formar. Também não temos aulas on-line porque, como eu sou do último ano, as matérias são mais práticas. Agora só nos resta esperar”, falou.

Uma comissão especial foi criada na instituição para estudar a possibilidade de retorno das atividades de forma remota. A presidente desse grupo, Daniele Guimarães, cita que a maior dificuldade é a estrutura, porque nem todos os acadêmicos conseguem ter acesso ao ensino on-line.

“Existem alunos em condições de receber aulas remotas, há alunos que não têm condições, [que são] muitos dos nossos discentes. Por isso, nós estamos fazendo um levantamento minucioso para termos certeza das condições e que possamos garantir que esses alunos que não tenham essas condições agora, possam ter e possam ser incluídos se nós tivermos essa decisão sobre ensino remoto. Esse ensino remoto não se configura como EAD, mas vamos precisar de uma estrutura boa de equipamentos e internet”, afirmou.

As outorgas para quem já concluiu a graduação acontecem à distância. Para quem ainda precisa concluir disciplinas, a previsão é que seja feita a reposição das aulas quando as atividades forem retomadas, mas ainda não há data definida para o retorno das aulas. As propostas apresentadas pela comissão vão ser avaliadas pelo conselho universitário.

“O ano de 2020 não é um ano perdido para a educação. Na verdade, é um ano de muitas aprendizagens. A reposição é uma realidade, vai ter que acontecer; entretanto, essa reposição não precisa acontecer necessariamente no ano de 2020. Uma coisa é o ano letivo, outra coisa é o ano civil e os dois não precisam coincidir”, comentou Elda Araújo, pró-reitora de Ensino de Graduação.

Universidade do Estado do Amapá não tem previsão para retorno do ano letivo — Foto: Fabiana Figueiredo/G1

Ueap

Assim como a federal, a universidade estadual ainda não definiu como vai ficar o ano letivo. Foi instalado um comitê de acompanhamento da pandemia, formado por professores especialistas, que auxiliam nas determinações para esse período.

Uma das alternativas apontadas é o uso da internet. As propostas vão ser analisadas e submetidas ao conselho universitário, levando em consideração a opinião dos alunos e dos demais professores da instituição.

Estudante do curso de letras na Ueap, Raíra dos Santos diz que esse é um momento difícil para os estudantes e que muitos ainda não estão preparados para o retorno presencial.

“Na minha opinião, perdemos o ano. A universidade não cancelou o ano letivo, apenas suspendeu o calendário acadêmico mas, a meu ver, essa possibilidade de retornar às aulas pode prejudicar muitas pessoas porque nem todo mundo está preparado psicologicamente para esse retorno, ainda mais presencial”, destacou.

Fonte: G1 Amapá

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