João Espíndola Tavares, meu avô

                                                                                        Por Elton Tavares

João Espíndola Tavares, o nosso “Juca”
Hoje, meu saudoso avô, João Espíndola Tavares, faria 84 anos. Nosso patriarca partiu para a outra vida em janeiro de 1996. Espíndola, como era conhecido em Macapá, onde foi delegado, diretor da Penitenciaria Agrícola do Estado (hoje Iapen), entre tantos outros cargos públicos. Ele nasceu em 27 de janeiro de 1927, filho de Gracindo Nelson Espíndola e Raimunda Emiliana Espíndola, na Região do Alto Maracá, no Sítio Bom Jesus, uma região de difícil acesso, no município de Mazagão.

Vovô também foi prefeito de Mazagão, onde se casou com a minha amada avó, Perolina Penha Tavares. Lá nasceram o meu pai, José Penha Tavares e meus tios, Maria Conceição Penha Tavares e Pedro Aurélio Penha Tavares. João era um visionário doméstico, pois resolveu vir morar na capital para que os filhos tivessem acesso à educação.

Em Mazagão, seu patrimônio era relativamente grande para um interiorano da década de 40. Entre os bens, estavam galpões para a armazenagem de Castanha do Pará, barco com motor de popa e motor de energia elétrica, que abastecia a vila de moradores da propriedade.
Vovô junto com autoridades do antigo Território Federal do Amapá.

 
Já em Macapá, nasceram os filhos Maria do Socorro Penha Tavares e Paulo Roberto Penha Tavares. Com força de vontade e determinação, Espíndola também conseguiu sorver conhecimento e concluiu o segundo grau (hoje ensino médio) na Escola Gabriel Almeida Café.

Além do sucesso no campo profissional e pessoal, João Espíndola foi um estudioso da filosofia maçônica. Vovô atingiu o ponto alto da nobre ordem, o “Grau 33”. Ele foi muito respeitado pelos membros da augusta arte real. Vovô foi um dos amapaenses presos injustamente, durante o golpe militar de 1964. Mas provou sua inocência com altivez e retomou sua gloriosa vida.

Uma curiosidade sobre o velho João era que, diversas pessoas o procuravam em sua residência, no centro de Macapá, em busca de conselhos. Eram ricos, pobres, brancos, negros, de diferentes posicionamentos políticos e religiosos. Às vezes, ele nem falava nada, só escutava o desabafo daqueles homens, que já saiam do muro das lamentações (apelido dado a uma área ao lado da casa, pelos seus filhos), de alma aliviada.

Pouco antes de seu falecimento, Espíndola vivia um bom momento da vida, havia criado os filhos com sucesso, tinha uma bela casa, uma família unida e era respeitado no Estado. Em uma ocasião, um festejo em sua residência, João agradeceu sua mulher por todos os anos de dedicação, disse-lhe, em frente familiares e amigos, que o grande homem que ele se tornou devia tudo a ela. Ao envelhecer, o pátrio poder deixou de existir, tornou-se um grande amigo de seus filhos.
Vovô em momento descontraído na sua residência.

No dia 7 de janeiro de 1996, por volta das 18:30h de um domingo, vovô faleceu, aos 69 anos de idade durante uma colisão automobilística, na zona Sul de Macapá. Ele dizia que gostaria de morrer “pulando” e assim aconteceu.

Cerca de 500 pessoas foram ao seu funeral, dentre elas, secretários de Governo, políticos, empresários e cidadãos comuns, pois apesar de frequentar a alta roda da sociedade amapaense, Espíndola não tinha comportamento elitista, era amigo de peões e doutores, tratando-os da mesma maneira.

Sempre foi sincero, fascinante, carinhoso, especial, atencioso, cauteloso, cordial, caloroso, honesto, qualificado e contemporizador. Em nota, a Maçonaria divulgou: “Durante sua estada entre nós, sempre foi ativo colaborador e possuidor de um elevado amor fraterno”.

A história deste homem, que foi uma das figuras mais populares do município de Mazagão e da cidade de Macapá, é de uma magnitude e nobreza, que até parece uma obra de ficção. Ele não foi perfeito, mas, com toda certeza, foi um grande exemplo de pai, cidadão e ser humano. Tenho orgulho de ser o mais velho dos seus nove netos.
  • muito bom mano, muito bom mesmo, emocionante, um texto digno da pessoa do seu avô… que pena que o mundo não é feito em sua maioria destes grandes homens como o seu, o meu avô, homens sábios e honestos…

    só nos resta seguir os passos deles a cada dia e tentar ser tão bons exemplos quanto foram…

  • Primo sabias palavras, o vovô foi td isso q disse, uma pessoa maravilhosa, com o coração cheio de amor. Eu q sei né, sou a caçula da primeira geração e fui mt apegada a ele e a vovó, senti mt qd ele partiu, mas sei q onde ele esteja, num lugar cheio de luz e amor, esta nos olhando e protegendo.
    Te amo mt, vc cm sempre fantástico no q escreve, sempre nos emocionando. Bjs

  • Primo, que lindo tudo isso que você escreveu sobre o vovô… Infelizmente não pude conhecê-lo, mas posso sentir a presença desses ensinamentos que ele deixou em nossa família. E com certeza eles jamais serão apagados.

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