Ligação – Crônica de Luiz Jorge Ferreira

Por um motivo qualquer, Fernando liga de Macapá…feliz…Atendo e conversamos sobre amenidades.

– O Joaquim…O velho ‘Bomba d’água’…pai de uma prole de 15 filhos, e 32 netos, fez laqueadura, na mulher…em tempo!…. Comentei.

Ainda mora no Curiaú, sim…confirmou.

Depois comentamos sobre Macapá, ter o privilégio de coabitar com dois hemisférios, e ter o título da única Capital banhada pelo Rio Amazonas…e outras coisas bonitas, deste naipe.

São Paulo, mais precisamente… Osasco…estava nublada

Em Macapá, ele me disse, um sol para cada Macapaense.

Ouvi barulho de copos, e um mastigar barulhento.

Com visitas? – Fernando.

Sim, estamos tomando Whisky com amigos…

Alguns Johnny Walker, com amigos que talvez você conheça.

Antes que ele continuasse…interrompi. Era o preferido de John Wayne.

Sim…confirmou… Eu também, estou saboreando umas Cervejas, lhe informei.

Desculpa…Disse antes que falasse. Mas Ruço o cavalo dele, também gostava misturado ao milho debulhado.

Ainda bem que não é o Silver, do Zorro do faroeste… aquele que vivia com um índio chamado Tonto?…insinuei.

Silver era viciado em alho, segundo soube. Adicionei como informação, sobre outro cavalo de heróis do Faroeste. Ou do Jerônimo, o herói do sertão que gostava de cachaça (risos).

Ri alto…Seu cavalo era viciado em pamonha.

Fernando…riu.

Gritou… Saúde…

E a resposta…veio em inglês, e alguns relinchos…

Ao desligar pareceu-me uma voz com o sotaque texano de Wayne…

Indagar…Quem é o Janota?

Escondi o Telefone…e por mais de uma semana, assustado, evitei chamadas internacionais, e relinchos as proximidades.

Três meses depois ligo…Para a casa de Fernando.

Uma voz rouca me atende…um Alô, carregado de sotaque.

Eu rapidamente indago…Quem fala?

Tigger…

Desligo. Não sei se ainda devo beber algum dia.

* Luiz Jorge Ferreira é amapaense, médico que reside em São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames).


  • Kkkk. MT legal essa adaptação de uma conversa trivial que virou literatura na mão de um mestre. Valeu.

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