Macapá 21 anos – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

1997 foi o ano da morte da princesa Diana, a Lady Di. Teve também o nascimento do primeiro clone animal, a ovelha Dolly, e Mike Tyson tentou jantar a orelha de Evander Hollyfield. Mas o que marcou mesmo aquele ano foi a chegada de dois personagens às terras tucuju: o cartunista Ronaldo Rony e o escritor Ronaldo Rodrigues. Eles são tão parecidos fisicamente que muita gente acredita se tratar da mesma pessoa.

Os dois, emergindo de um caos interior, aterrissaram no Aeroporto Internacional de Macapá trazendo na bagagem uns respingos da chuva da tarde de Belém, uma folha de mangueira e um salvo-conduto assinado por Nossa Senhora de Nazaré. Também uma carta de familiares e amigos com várias palavras de força, fé e confiança no novo ciclo.

Hoje, primeiro de setembro de 2018, completo 21 anos nesta terra que é meu Novo Horizonte, meu Renascer, ainda que meu primeiro endereço tenha sido o Jardim Felicidade I. Esta cidade me recebeu de forma grandiosa, como a vastidão do maior rio e da maior floresta do mundo, e me colocou entre seus honrados filhos.

Macapá é a cidade dos sonhos e também das possibilidades. Aqui é possível pegar um ônibus e encontrar um poeta do nível de Joãozinho Gomes entre seus ilustres passageiros. Aqui outros poetas proliferam, tão etéreos e tão próximos de nós: Obdias Araújo. Poetas que já se foram e continuam nos guiando pelos labirintos ásperos e líricos da poesia: Alcy Araújo.

Aqui, sob a linha do Equador, vou traçando minhas linhas no desenho e na escrita, porque o cartunista e o escritor são, realmente, a mesma pessoa (poxa! Revelei o segredo…). Meu personagem Capitão Açaí se adaptou muito bem ao clima e à malemolência típica deste pedaço do Brasil que o resto do Brasil conhece tão mal (problema de quem não conhece!). O Capitão foi ficando e conquistando sua legião de fãs. Outros personagens vão alimentando a mitologia da cidade, mas não são criações minhas e, sim, do lugar: Estêvão Silva, Antonio Messias, Gino Flex, Lord Galahell, Fred Lavoura, Euclides Moraes, Isnard Lima, Chaguinha, Sacaca e tantos outros surreais, oníricos, fascinantes.

Já me considero uma dessas entidades fantásticas da paisagem humana desta cidade e vou seguindo meu caminho entre Laguinhos, Vacarias, Poços do Mato, Trens e Favelas de um coração que bate no ritmo do marabaixo.

Obrigado, minha cidade!

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