Maestros, doces e bárbaros

                                                                                                  Por Régis Sanches

É unanimidade: Tom Jobim é o maestro soberano da MPB. Lançou álbuns com timbres ecológicos quando ninguém pensava em conferências do tipo ECO-Rio-92 ou Copenhagen-2009. Matita Perê e Urubú são da década de 1970.

A primeira gravação de Águas de Março foi lançada no encarte Disco de Bolso do semanário O Pasquim em maio de 1972. Antônio Carlos Brasileiro deu o tom da Bossa Nova e condimentou com arranjos sublimes a trilha sonora da Música Popular Brasileira.

Na segunda prateleira da MPB há uma constelação de astros. Entre estes, prefiro Chico Buarque a Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ombro a ombro, os três elevaram suas vozes na memorável passeata dos 100 mil, em 1968, contra a ditadura militar, a censura e o AI-5.

Além da genialidade e da formidável capacidade para retratar em letra e música a alma feminina, Chico nunca concorreu a cargo eletivo. Herdou de seu avô, o dicionarista Aurélio Buarque de Hollanda Ferreira, e do pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, a verve para a literatura.

Chico, porém, carrega um senão. É a sua teimosa simpatia pelo provecto regime de governo do camarada Fidel Castro. Quanto a Gil, alternou sua participação nos palcos e palanques. Foi vereador em Salvador e, recentemente, ocupou a pasta da Cultura no governo Lula da Silva.

Na sucessão presidencial de 2010, Caetano Veloso é doce com Marina Silva e bárbaro com os demais candidatos. Por Marina, levou a cara à TV. Contra o resto, soltou a língua numa rádio de Santo Amaro (BA), a terra de Dona Canô. Estranhou que Lula, em comício pró-Dilma, tenha manifestado o desejo de “extirpar” o DEM da política brasileira.

“Como é que o presidente da República fala que tem que extirpar um partido?”, indagou o mano Caetano. “Não pode. O povo brasileiro não pode ouvir isso e não reclamar”, acrescentou.

Com seu cadenciado sotaque baiano, Caetano foi além. “E, se a imprensa reclamar, vem um idiota dizer que a imprensa é golpista”, alfinetou, arrematando: “Golpista é dizer que precisa destruir um partido político que existe legalmente”.

Depois, Caetano barbarizou José Serra. Não parece considerar a campanha dele das mais inteligentes: “Serra é um idiota que apareceu com Lula, querendo dizer que está do lado, que é igual a Lula. É burro”. Assino embaixo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *