Manejo de Açaizais gera resultado positivo

Açaí na rampa do Santa Inês, na madruga – Foto: Alexandre Brito

O Projeto de Manejo de Açaizais Nativos tem gerado resultados positivos ao Instituto Estadual de Floresta (IEF), responsável pela implantação e acompanhamento da iniciativa. O processo de manejo foi implantado na zona estuarina do Estado, abrangendo desde o Arquipélago do Bailique até a região ribeirinha do rio Jarí, contemplando as aldeias indígenas do município de Oiapoque e atingindo um total de 1.167 produtores.

O projeto se tornou fonte de emprego e renda para diversas comunidades e localidades. Segundo estimativas da Coordenadoria Técnica Florestal (CTF) do Instituto, o objetivo é atingir todas as propriedades de concorrência de açaizais nativos destinados à produção de frutos e palmito, envolvendo a sociedade organizada, comunidades extrativistas, ribeirinhos, grupos quilombolas e indígenas.

A diretora do IEF, Ana Euler, explica que a exploração de açaizais, através do sistema de manejo, proporciona satisfação significativa entre os produtores e consumidores, uma vez que essa técnica dá condições ao produtor de aumentar a renda familiar, o crescimento da produtividade, qualidade dos frutos e comercialização do produto. “O manejo proporciona acima de tudo uma melhor qualidade de vida para a população sob influência do projeto, gerando emprego, renda e fixando o homem no campo”, destacou.

Outro ponto positivo do manejo enfatizado pela Coordenadora Técnica Florestal é oferecer ao consumidor a disponibilidade do fruto durante todos os períodos do ano, diminuindo o distanciamento evidente que existe entre a época da safra e entre safra.

Procedimento aprovado pelo aposentado Antônio da Paz, de 68 anos. Mesmo com a idade avançada, ele ainda escala as palmeiras, arranca o cacho e debulha o fruto. O extrativista conta que o açaí colhido é levado para pontos próximos aos rios e igarapés, onde são recolhidos no porto para serem vendidos para a indústria ou em feiras nas regiões próximas. “Antes ninguém preparava os açaizais. Quando chegava o inverno não tinha açaí de jeito nenhum. Depois do manejo, não falhou mais”, ressalta Antônio.

IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

Dados sobre a Produção Extrativista Vegetal (PEV) apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a comercialização do açaí é de grande importância econômica para a população.

Na cadeia produtiva, estima-se que as atividades de extração, transporte, comercialização e industrialização de frutos e palmito de açaizeiro são responsáveis pela geração anual de aproximadamente R$ 40 milhões e de uma grande oferta de empregos diretos e indiretos, além de realizar um acréscimo sobre a produção média anual de 2.567 toneladas/ano de frutos de açaí.

O resultado ainda aponta indicativos positivos, tendo em vista que, hoje, em Macapá e Santana existem cerca de cinco mil amassadeiras de açaí e mais de dez fábricas de polpa congelada. A venda de polpa, para outros Estados brasileiros, vem aumentando significativamente com taxas anuais superiores a 30%, podendo chegar a 12 mil toneladas. As exportações de polpas ou na forma de mix, para outros países, ultrapassam mil toneladas por ano.

A resposta do crescimento é comprovada com extrativistas como José do Espírito Santo. Ele conta que a grande procura traz o desafio de aumentar a produção de frutos, sempre primando pela boa qualidade do fruto e preservando a diversidade florestal do Estado.

“O açaí é hoje uma das principais atividades econômicas do Estado e o componente principal da renda das famílias extrativistas. É certamente a resposta mais rápida de inclusão social na nossa região”, defende o extrativista José.

REGIONALIZAÇÃO

Dos frutos do açaizeiro é extraído o vinho, polpa ou simplesmente açaí, como é conhecido na região. Em todo o Estado o açaí é habitualmente consumido com farinha de mandioca, associado ao peixe, camarão ou carne, sendo o alimento básico para as populações de origem ribeirinha.

Com o açaí são fabricados sorvetes, licores, doces, néctares e geléias, podendo ser aproveitado, também, para a extração de corantes e antocianina.

SERVIÇOS

Mais informações no Instituto Estadual de Floresta (IEF), localizado na Avenida Procópio Rola, entre as Ruas Leopoldo Machado e Hamilton Silva.
Lilian Guimarães
Assessora de Comunicação
Secretaria de Estado da Comunicação

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